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sábado, 29 de dezembro de 2012

Do desabafo de um blogueiro


Vulmar Leite escreveu, hoje, em seu blog, um belo manifesto a favor da liberdade de expressão nas diversas plataformas de mídia, especialmente nos blogs que, em Santiago, são muitos. O pano de fundo da veemente manifestação foi texto publicado pelo blogueiro Jorge Ireno Reis. Comungo com a opinião dos dois blogueiros, tanto que as reproduzo:

"Do desabafo de um blogueiro:


Jorge Ireno Reis, titular do blog: http://jorgeirenoreis.blogspot.com.br/ publica, hoje, um forte desabafo sobre as pressões e críticas que recebeu ao expressar suas opiniões sobre acontecimentos e fatos que são notícia na nossa comunidade. Um dos orgulhos de muitos da nossa terra é a existência de muitos blogs titulados por jornalistas, poetas, escritores, artistas, profissionais liberais, estudantes, professores, juízes, agricultores, leigos, - são múltiplas as visões, concepções de sociedade, costumes, crenças, saberes que se entrechocam, interagem, debatem - . A riqueza maior dessa profusão virtual de blogs é a de proporcionar a livre expressão e o compartilhamento de ideias, pensamentos e informações, de forma rápida e instantânea, que muitos as reprimiam no seu íntimo por não terem acesso aos canais de comunicação tradicional, privilégio de poucas pessoas.


A moderna tecnologia mudou paradigmas, rompeu barreiras, quebrou tabus, aproximou as pessoas de todos os quadrantes; democratizou o acesso à informação em todos os campos do conhecimento, como jamais poderíamos sonhar. Isso é bom? É ruim? É muito bom exercitar nossa capacidade e liberdade de pensar, criar, propor, criticar, elogiar e poder compartilhar, quase que instantaneamente, com as pessoas que estimamos, desejamos, ou não, já que a informação jogada na rede independe do nosso controle.

O que é inaceitável, triste e retrógrado é quando algumas pessoas se arvoram de censores do pensamento e da vontade alheia, infelizmente, não se contrapondo com os mesmos instrumentos e no plano das ideias, mas tentando, através de subterfúgios, impedir, evitar, barrar, tutelar, controlar a livre manifestação dos indivíduos que pensam e veem o universo de forma diferente de seus estreitos mundinhos.

É por isso, Jorge, que quero lhe dizer que continue se expressando livremente, de acordo com a sua consciência, rejeitando o patrulhamento de quem aprendeu a somente cumprir ordens, incapaz de refletir, questionar ou propor algo de novo ou de bom para sua própria vida, quiçá da comunidade onde vive."

Reproduzo, abaixo, o desabafo do Jorge Ireno:


Os Blogueiros e as Fofocas


Não sei por qual o motivo, mas tem pessoas em Santiago incomodadas porque escrevi sobre “O Silêncio”, não estou instigando ninguém a nada, apenas expresso a minha opinião sobre fatos e não sobre boatos, e o “Silêncio” é um fato.

Sei que o meu blog é pouco acessado, mas as pessoas que acompanham os blogs de Santiago sabem muito bem quem são os fofoqueiros.
Não sou jornalista, sou um cidadão comum e repito: Eu expresso a minha opinião sobre o que é fato e não sobre boatos.

Se alguém acha necessário manter em segredo um fato, que guarde-o a sete chaves, mas se alguém, que não sei quem é, ligou para o diretor da maior rádio da cidade para relatar um acontecimento, fica difícil manter em segredo, até porque é fato, e assim os leitores dos blogs podem chegar a uma conclusão de quem realmente são os fofoqueiros.

Eu não sobrevivo de patrocínios, não vivo babando ovo dos que “se acham” donos da cidade, pago os meus impostos em dia, sou um cidadão que procuro ser o mais correto possível, sou pobre mas tenho orgulho de ser honesto, não bebo água nas orelhas de ninguém.

Santiago é a minha terra querida, sou brasileiro e na Constituição Federal 1988 tenho assegurado o meu direito de expressão.

sábado, 15 de dezembro de 2012

O rei nu



"O rei está nu

A partir das
bolsinhas, o
seu reino
alcançou altos
índices de
desenvolvimento
social
JAYME EDUARDO MACHADO*

Era uma vez, no palácio de um reino distante, um monarca muito vaidoso, mas muito amado pelo seu povo. Suas grandes virtudes: a generosidade e a persuasão. Pela generosidade, queria que todos os pobres ficassem ricos como ele. Pela persuasão, a todos convencia. E todos o ouviam, e todos acreditavam no que ele dizia. Era tido por sábio, principalmente quando dizia que não sabia.

Mas, desde que foi coroado, se angustiava com o pesadelo de um dia não ser mais rei. Afinal, à coroa tudo devia, pois com ela tudo podia. Adorava viajar. Tudo com o dinheiro arrecadado dos súditos que pagavam rigorosamente os impostos ao tesouro do rei, temerosos de que, caso os sonegassem, ele mandasse soltar os leões famintos que mantinha, para esse fim, numa jaula junto à estrebaria do palácio. Mas o de que ele mais gostava mesmo era de passear pelas terras do seu reino numa bela carruagem que de tão grande tinha até um compartimento escuro do lado oposto àquele do cocheiro. Lá - cochichavam as fofoqueiras do reino - se ele quisesse (?) até que poderia levar alguma cortesã, que no palácio elas eram abundantes. Era preciso eternizar seu governo.


A melhor ideia foi encomendar aos tecelões da aldeia milhares de bolsinhas de pano, que mandou distribuir aos mais pobres. Cheias de moedinhas, para que, segundo se dizia, não precisassem mais trabalhar, nem escolher outro rei. Com isso, aumentou o número de cavalos e de carretas pelas trilhas do reino - embora continuassem péssimas -, dando muito trabalho aos seleiros, carpinteiros e a todos os trabalhadores. Inclusive aos curandeiros, pois os afetados pelas pestes continuavam amontoados, e até morrendo nas precárias enfermarias do reino. Mas isso não aparecia, e, a partir das bolsinhas, o seu reino alcançou o que, no futuro, passaria a se chamar de altos índices de desenvolvimento social.

Pois foi então que o mais esperto dos tecelões mandou ao palácio dois malandros para vender ao rei vaidoso um tecido jamais visto, de uma seda mágica que, de tão linda, só pessoas estúpidas ou incompetentes seriam incapazes de admirá-la. Embora não tenha enxergado nada do que os embusteiros afirmavam estar mostrando, mas para não passar por estúpido, concordou com eles. Seus acólitos - que no futuro seriam chamados "puxa-sacos" - também não quiseram passar por ignorantes, muito menos contrariar seu soberano e encomendaram o "traje" para um desfile inaugural. Não sem antes seus marqueteiros - que então já os havia mas com o nome de arautos - tratarem de bolar uma sigla para tirar proveito político, relacionando o traje do rei com o fim da pobreza. E a escolhida foi IDS, que fazia combinar o tecido (i)nvisível (d)e (s)eda com os altos (i)ndices de (d)esenvolvimento (s)ocial de seu governo.


Pois foi enquanto o rei desfilava trajando seu flamante IDS imaginário, que uma criança, na sua inocência, gritou: "Coitadinho, o rei está nu!". E é quando todos ganham coragem para dizer a verdade e repetem em coro: "O rei está nu! O rei está nu...!" 


Mas aí já era tarde, porque, temendo que tivesse que fugir se descobrissem tudo, antes de deixar o palácio o rei passou a chave para sua filha...

(O articulista agradece à alma de Hans Christian Andersen, autor do conto "A roupa nova do rei", o prazer de sua leitura)."

*Jornalista, ex-subprocurador-geral da República

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Pensamento Único


Do Blog de Vulmar Leite:


Em Santiago foi decretado pelos donos da cidade que a verdade é uma só, a de que ninguém está autorizado a fazer críticas contra as pessoas, instituições, gestores públicos vinculados ao interesses dos lideres do partido dominante, exceto para desqualificar, desmerecer, desfazer, distorcer fatos, obras e realizações dos adversários e eventuais desafetos - nestes casos há licença compulsória. Também estão livres para tecer loas aos simpatizantes da causa, desde que estes sejam obedientes e não ofereçam riscos de pensar e assumir posições autônomas no futuro.

Nossos comunicadores, emissoras de rádio, jornais, e outros são constantemente compelidos a guardarem silêncio sobre eventuais mazelas e desmandos que são descobertos e que, em hipótese alguma, um órgão de imprensa que se preza deveria silenciar. Há, na "entourage" de pessoas designadas para exercer o papel de censores, aliás, são alunos e/ou discípulos daqueles que cumpriram, num passado não muito distante, esse triste papel durante os governos autoritários.

Na nossa boa e valorosa Santiago esse procedimento funesto e antidemocrático está profundamente enraizado nas atitudes e no comportamento de muitas pessoas. Há os que provocam o temor e há os que têm medo. Nesses quase quarenta anos de convívio com as pessoas desta terra, percebo que a cultura do medo não se modificou com o advento da democracia e com a explosão e acumulação do conhecimento universitário ocorrido nestes últimos 20 anos. Pelo contrário, agudizou-se o comportamento medroso, sofisticaram-se os métodos de coação e de controle das pessoas e, em consequência, o pensamento crítico, capaz de promover e induzir o tão sonhado desenvolvimento econômico e social, não prosperou  em nosso meio.

As mesmas ideias, os mesmos discursos, os velhos problemas e dilemas permanecem vivos nas nossas rotinas. O nosso inconsciente coletivo, letárgico e apático, não foi capaz de estimular a criatividade dos nossos lideres e empreendedores para avançar na proposição e implementação de políticas públicas coerentes e concernentes com o fantástico avanço da humanidade em todos os campos. O conhecimento sobre a tecnologia moderna, artes, cultura, medicina, relações sociais e humanas, valores morais e éticos,  que são de domínio e de acesso quase instantâneo por muitos, manejados com espírito crítico, autonomia de pensar e agir, e de forma articulada, são passíveis de gerar projetos e programas para proporcionar promover maiores e significativos ganhos de bem estar social  ao nosso povo.

Estas reflexões que acabo de fazer são motivadas por fato que considero de extrema relevância para romper com esse ciclo vicioso que denomino, na falta de uma definição mais adequada, de cultura do medo, que é a orientação que está sendo imprimida pela Rádio Verdes Pampas, agora sob a direção dos santiaguenses Paulo Saciloto e Leudo Costa.

A determinação de Paulo e Leudo é exatamente no sentido de provocar a livre manifestação da população e estabelecer o contraditório no debate das questões de interesse público, sem aceitar ameaças e atitudes coercitivas de qualquer natureza, tais como, telefonemas impróprios,pagamento ou supressão de publicidade, pressão sobre anunciantes privados, privilégios ilegais, entre outras, o que constrange, deseduca, desinforma, avilta a infraestrutura de comunicação privada, postura autoritária e equivocada que retrai e entrava o processo de desenvolvimento da nossa terra.

A ousadia desses Dois Filhos de Santiago prenuncia novos e promissores tempos para Santiago, pela possibilidade de contribuírem com instrumento rádio, de abrangência regional, para o livre debate, despartidarizado, sem peias e tutelas, sem licença prévia de caudilhos ou chefetes políticos, sem dúvida vai acordar e despertar o inconsciente coletivo da nossa gente e ajudar a espancar, para sempre, do íntimo das pessoas, os sentimentos reprimidos que a impostura herdada dos regimes autoritários lhes impingiu por tantas décadas."