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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

LULA, O OCASO?


Mauro Pereira: ‘Lula saiu da eleição municipal bem menor do que entrou’

MAURO PEREIRA
Mais uma vez, Lula irá se beneficiar de louros que não são só dele.Tomo por óbvio que muito se falará sobre a sua participação na eleição de Haddad como prefeito de São Paulo e creditarão a vitória do candidato petista à sua popularidade. O deus de Marta será a personagem principal de mais uma empulhação, pois, lá no seu íntimo, ele sabe que, se Haddad dependesse do seu apoio solitário, não passaria do primeiro turno.
Analisada ainda sob o calor do resultado, a vitória de Fernando Haddad induzirá os mais afoitos a pressupor que foi uma vitória pessoal de Lula, porém, uma análise mais serena demonstrará que o apoio do ex-presidente foi importante, mas que passou distante de ser fundamental. Se, entre uma baixaria e outra, ele não tivesse rastejado até Paulo Maluf, nem exigido o desembarque descarado do governo federal na campanha, por exemplo, a possibilidade de ele e Haddad assistirem à definição do segundo turno da eleição paulistana no conforto de seus lares seria pra lá de razoável.
Outro fator que não pode ser desconsiderado foi a conjunção perversa da péssima avaliação da administração de Kassab pela maioria da população com a rejeição absurda de José Serra junto ao eleitorado. Essa somatória sinistra foi muito mais preponderante na derrota do candidato tucano do que o apoio de Lula na vitória petista. Mesmo com o eleitorado dando visíveis sinais de que queria mudanças no comando da prefeitura de São Paulo, Lula teve que se aliar ao diabo para que seu candidato não ficasse pelo meio do caminho e naufragasse ainda na primeira etapa da disputa.
No segundo turno, mais do que simplesmente aliar-se ao diabo, mudou-se de mala e cuia para o inferno e de suas profundezas colocou em prática o seu jeito sórdido de fazer campanha. Ainda assim, apesar do imenso leque abrigando as mais diferentes lideranças apoiando seu candidato, conseguiu impor pouco mais de 10% de vantagem a um adversário cuja rejeição, acrescida pela desídia dos aliados, já havia derrotado com antecedência. Se redobrarmos a atenção, perceberemos que a rejeição a Lula se mostrou tão vigorosa quanto a imposta a Serra.
No âmbito nacional, então, tivemos a oportunidade de ver a arrogância lulista reduzida a pó. Derrotas desmoralizantes como as de Recife, onde fez prevalecer sua vontade enfiando goela abaixo do partido o nome de sua preferência para disputar a prefeitura da capital pernambucana, e a de Porto Alegre, cujo Estado é governado por um petista, ambas no primeiro turno, já demonstravam que seu propalado fascínio sobre o eleitorado experimentava um declínio irreversível, tendência que se consolidou nos fracassos de Manaus, onde disse no palanque que vencer o candidato tucano lhe dava um prazer especial e de Salvador, onde, acumpliciado com a presidente Dilma Rousseff, tentou, mais do que vencer, desmoralizar e humilhar seu antagonista. As respostas dos eleitores dessas duas capitais foram devastadoras. Há que se destacar, também, o simbolismo negativo que envolve a derrocada em Diadema, reduto histórico do orgulho petista.
Por mais que queiram superdimensionar a vitória em São Paulo, ela será incapaz de aplacar a frustração pelos naufrágios de Recife, Salvador, Porto Alegre, Manaus e, principalmente, Diadema. Sozinha, não se fará suficiente para mascarar a curva descendente que já se manifesta com alguma vitalidade na popularidade de Lula. A presença de Paulo Maluf no palanque festivo de Haddad cantando “olê, olê, olê, olá…, Lula, Lula” dispensa maiores comentários. Seria constrangedor se eles se dessem ao hábito de constranger-se.
Uns têm Lula como deus. Outros, como diabo. Particularmente, não o acho nem um nem outro. Eu o tenho somente como um embusteiro oportunista que a sorte, tudo indica, está se cansando de bafejar. O novo quadro político que as urnas desenharam não torna ilícita a conclusão de que as eleições municipais encerradas domingo último mostraram que Lula saiu delas bem menor do quando entrou.

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