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sábado, 29 de setembro de 2012

O muro



Muros são construções variadas, de diversos tamanhos, formatos e espessuras.

Muros funcionam como proteção e proporcionam privacidade.

Muros são muito mais do que a significação linguística aponta.

Nossa intenção é ir além do significado comum e marcar o muro como um referencial que expressa a realidade em que vivemos.

O muro é um espaço interessante e demarcador de ações, pensamentos, gestos e atitudes. Há gente instalada do lado de cá, há gente abrigada do lado de lá e, ainda, há gente que prefere ter uma visão panorâmica da situação, sem posicionar-se, olhando o mundo de cima (do muro), pendendo para um dos lados conforme julgar oportuno e lhe ditarem os interesses, de qualquer espécie.

Segundo o ângulo de visão do observador, em posição frontal, quem está do lado de cá, está sempre a favor, pertence à situação; quem está do lado de lá, certamente é opositor, totalmente contrário a todas as ideias existentes do lado de cá. Os que vivem em cima do muro têm uma visão privilegiada – além de descompromissados com os lados em constante litígio, podem pender, ora para um, ora para outro, sem que isso lhes pareça constrangedor, ou seja, quem prefere habitar em cima do muro não é contra nem a favor, muito antes pelo contrário.

Assim visto, o muro comporta, em tese, três tipos de comportamento social e político quanto à ideologia vigente: situação, oposição e sem posição. Quem é da situação corrobora as ações governamentais ou da classe dominante; quem pertence à oposição é sempre contrário a essas medidas e os sem posição dançam, livremente, entre os de cá e os de lá.

Falei em tese, porque há, ainda, um quarto tipo de comportamento social em que não é possível usar o muro como parâmetro – o daqueles que não têm qualquer posição, dos excluídos, dos marginalizados pelo muro que, de tão combalidos, estão absolutamente á margem de qualquer processo que inclua pensar, avaliar e posicionar-se. São os sem registro. São muito numerosos os que passam ao largo do muro, uma edificação que não lhes interessa, têm mais a fazer do que ficar do lado de cá, do lado de lá, ou em cima. Precisam correr, e muito, para sobreviver. Mesmo porque manifestarem-se a favor ou contra ou permanecerem em silêncio em nada modificaria a sua realidade. Não seriam ouvidos. São a antítese do muro.

É o muro e suas confluências que produz a distância e afasta as pessoas. Todos devem ocupar o seu lugar na sociedade, enquanto seres de relação e comunicação. Precisamos nos reconhecer como interlocutores válidos que usam regras comuns e respeitam a diferença, para que possamos sobreviver. A isso chamamos de cooperação. Os do lado de cá pulando para o lado de lá e vice-versa. Os da zona de conforto descendo de suas defesas. Sem que renunciem aos seus princípios. Todos aprendendo e melhorando continuamente, através do intercâmbio com os diferentes.

É o muro dando lugar ao caminho da sensatez.

2 comentários:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Tenho muita cautela com aquelas pessoas que não são nem isto nem aquilo.
Caloroso abraço! Saudações cautelosas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

Anônimo disse...

Oi
Muro nota 10!,sensacional.Como esta cheio esta cidade de pessoas com caras de muros!!!!muros frageis ,de bases fracas, tijolos mal assentados e cintas de amarrações trincadas-isto quer dizer "sem carater e personalidade"!
Um abraço