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terça-feira, 28 de agosto de 2012

As sugestões da Martha



Há um texto da excelente cronista Martha Medeiros, chamado Como vencer uma eleição, onde a autora fornece algumas estratégias aos candidatos de como convencer os eleitores de que eles são a melhor escolha. Vejam só as sugestões: 1. Não beije criancinhas, abandone as atitudes clichês. 2. Não prometa nada do tipo acabar com o desemprego e a violência, gerar 5.000 novas vagas de trabalho ou triplicar o número de viaturas da Brigada... 3. Crie um jingle diferenciado, nada de gritarias, prefira o ritmo bossa nova ou blues... 4. Não faça carreata, passeie pela cidade, não faça alarde, só dê uma buzinadinha e pisque o olho, aparecendo discretamente. Nada de forçar a barra...

Boas sugestões as da Martha. E de graça, válidas para qualquer época e para todos os candidatos. Há que se abandonar as antiquadas e hipócritas campanhas eleitorais. Não cola mais fazer promessas incumpríveis, gastando um tempo precioso em discursos intermináveis que não dizem nada, sacrificando ainda mais um eleitor desinteressado, apático e sem esperanças.

Conquistar votos também é uma questão de arte e criatividade. Nem precisa de muitos recursos. Os melhores são o olho no olho e a verdade. Chega de poluir o ambiente com propaganda desnecessária. Essa atitude só denigre o nome dos candidatos ao mostrar o desrespeito e o menosprezo que têm para com a natureza. O que precisa ser grande não é a fotografia e sim a qualidade do candidato, sua honradez, competência e vontade de trabalhar.

Chega de hipocrisia. Tolerância zero para com o uso da máquina pública que privilegia uns poucos, sempre os mesmos e, entre nós, de geração à geração. Há que cumprir estritamente o que determina a Lei Eleitoral. Chega de demagogia. Acabe-se com a ideia de que o eleitor é um joguete, manipulável conforme as circunstâncias. Respeito é fundamental para que possamos crescer como pessoas e fazer da “temporada” eleitoral um instrumento hábil de fortalecimento da cidadania, elegendo os melhores candidatos, aqueles que têm algo mais a dar para a sociedade que não seja a sua narcísica figura.

Oriente-se, reflita e mude. A Martha usou ironia e humor para criticar os políticos que utilizam estratégias obsoletas. Você tem uma arma melhor – o seu voto.

sábado, 18 de agosto de 2012

Polícia apreende cestas básicas distribuídas irregularmente no Sul do Estado

Três toneladas de alimentos poderiam estar sendo usados no processo eleitoral de São Lourenço do Sul
Cestas Básicas foram apreendidas em São Lourenço do Sul
Crédito: Divulgação / CP
Agentes da Delegacia de Polícia de São Lourenço do Sul apreenderam três toneladas de kits de cestas básicas, nessa sexta-feira. Os alimentos estavam sendo distribuídos de forma irregular no município do Sul do Estado. 

De acordo com a Polícia Civil (PC), a investigação tinha como núcleo uma empresa fantasma que agia na cidade sem possuir documentação necessária. A PC descobriu que a distribuição era fracionada, por uma pessoa em um veículo de pequeno porte, para não levantar suspeitas e que estava circulando com a mercadoria apenas com uma nota promissória emitida em nome do comprador.

Os policiais apreenderam os kits de cesta básica em uma residência utilizada como depósito para empresa. A Receita Estadual irá apurar a situação fiscal e avaliará a carga apreendida, composta de gêneros alimentícios e produtos de limpeza.

Segundo o delegado Guilherme Calderipe, há suspeita de que estas cestas básicas poderiam ser utilizadas no processo eleitoral, já que a empresa teria sido criada há apenas dois meses. A responsabilidade penal será apurada em inquérito policial.

Fonte: ZERO HORA, 18/8/2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Farol

O belíssimo vídeo de animação do diretor taiwanês Po Chou Chi (radicado em Los Angeles) – O Farol - é um curta de animação pleno de sutilezas e simbolismos, que trata da relação entre pai e filho, de crescimento, de amor, carinho, admiração e respeito. Mostra o crescimento, o aprendizado, a partida, o retorno e o envelhecimento. E o fim, que é também começo.

O Farol é a casa, o lar, o porto seguro, o sinalizador de que está tudo certo, o abraço do pai. Os barcos a um só tempo simbolizam as conquistas, mas também as idas e vindas. Cartas são escritas, o pai espera, as estações mudam, e o inverno chega.  Tudo embalado pelo sensível piano de Chien Yu Huang.

Po Chou Chi criou esta obra de arte na Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), onde está atualmente fazendo seu mestrado em Belas Artes, o MFA, e ganhou com este curta 27 prêmios internacionais e participou de 50 festivais de cinema.
Fonte: Da coluna de Ricardo Setti, em Veja On line

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A República da língua presa




Desde logo vou avisando: não trata esse singelo escrito do pequeno problema de articulação do órgão muscular móvel, situado na boca, que serve para sentir os sabores, deglutir e articular sons, apresentado por alguns políticos que se movem com grande relevo no cenário nacional e internacional, conhecido, erroneamente, como língua presa. Tecnicamente, o nome da deficiência é língua flácida e pode ser corrigida por um bom especialista em fonoaudiologia, se o vivente quiser...

Afastando a digressão, voltemos à questão prioritária que enseja a discussão desejada – a dificuldade de expressão verbal e escrita que apresentam os brasileiros, como usuários da Língua Portuguesa, para comunicar pensamentos, desejos e emoções. O idioma pátrio encontra-se, permanentemente, atrás das grades e, até mesmo assassinado, morto e enterrado por gente que nunca fez questão de fazer o dever de casa. Há exceções óbvias, quem nunca teve oportunidade de estudar, por miséria extrema, possui atenuantes...

É certo, também, que as políticas governamentais de Educação têm redundado em fracasso  e não são prioridade, até mesmo porque um povo inculto, inerte e acrítico pode ser mais facilmente dominado – aceita tudo, nada questiona!

Vejam bem, quem deveria fornecer exemplos de virtude vocabular são as personagens que ora nos representam na seara política, já que de suas mãos e mentes é gerado e conformado o arcabouço legal que move o país.

E justamente os políticos são os maiores criminosos do vernáculo, pois que o ferem de morte constantemente, sem a menor cerimônia, a sangue frio, com requintes de crueldade. O maior problema é que as excelências sequer conseguem articular convenientemente a palavra-chave de sua ação política – a proposta de solução para os “problemas” que o país enfrenta. Daí, é um tal de “poblema”, “probrema”, “plobema” “pobrema”...Pobres de nós! Parafraseando Dadá Maravilha, o homem-gol, ora transitando no cenário nacional como palestrante motivacional, para essa problemática, por enquanto, não há solucionática...

Aliás, um ex-mandatário-mor da nação, durante seus mandatos, prestou relevante desserviço ao povo na medida em que não perdia oportunidade de repudiar boas e saudáveis práticas de leitura, afirmando que não lia jornais porque lhe causavam azia; que não estudou porque não viu necessidade, glamurizando o fato de um operário, um homem humilde, sem estudo, ter chegado à presidência da República. Ora, não é demérito ser humilde, simples, sem posses. Denigre sua imagem quem faz a apologia da ignorância, da mediocridade. Melhor e mais apropriado seria o estímulo, pelo exemplo pessoal e através de ações e iniciativas governamentais, da importância da educação sistemática e continuada, para que os conterrâneos possam adquirir habilidades e competências que os façam crescer pessoal e profissionalmente. Ganham os indivíduos, enriquece a nação! 

Não podemos esquecer que a situação do Brasil é aflitiva no que tange à Educação, já que ainda são altas as taxas de analfabetismo e, mesmo os estudantes que adquiriram as habilidades de ler e escrever são considerados analfabetos funcionais pois sequer conseguem formular uma frase completa, resolver um problema de ordem matemática que exija algum raciocínio lógico ou interpretar textos sem maior complexidade. Se “O Cara” tivesse utilizando o seu carisma e os altos índices de popularidade que amealhou para estimular o povo a pensar, através da educação, teríamos melhor sorte... Sua discípula e sucessora não faz melhor, ao desprezar os inevitáveis e graves prejuízos de uma greve de docentes do combalido ensino superior, ora em curso, prefere concentrar esforços para a entrada da Venezuela no Mercosul. Questão de prioridade...

Assim, nossa República continua com a língua presa, sem direito a habeas-corpus ou progressão de pena, pois crime hediondo não dá direito à liberdade condicional...


Arte: Cristina Fonseca