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segunda-feira, 30 de julho de 2012

O poder da comunicação – 61 anos da Rádio Santiago



O significado definidor da palavra comunicação vem do latim, communis, comum e comunicare, tornar comum, compartilhar.

Adotando o mesmo modelo etimológico, encontramos uma definição igualmente clara para o termo informação. Origina-se, também, do latim, in formare, dar forma, enformar, organizar, imprimir significado.

No mundo contemporâneo, a comunicação é fator essencial para a vida. Sem a comunicação não existimos, não somos, não fazemos, não acontecemos, não interagimos.
Faço referência a esses conceitos para lembrar que amanhã, 31 de julho, comemoramos uma data muito especial para todos os santiaguenses. Mais do que isso, para todos que habitam a região e, porque não, para a aldeia em que se transformou o nosso mundo, pelo poder da internet. Há 61 anos, está no ar e, certamente, em nossos corações, uns mais antigos, outros mais jovens, outros ainda bebês, a Rádio Santiago!

Nesse dia ímpar porque raro, o poder da comunicação vai tornar-se muito mais forte, pois a mensagem vai imprimir, além da simples congratulação, a força do afeto, do carinho e da admiração que sentimos pelos homens e mulheres que fazem da Rádio Santiago uma amiga inseparável.

E a amiga que nos acompanha na jornada só é inseparável porque nos conquistou, cumprindo, com brilhante determinação, sua missão de informar, com precisa imparcialidade, de compartilhar conosco o que ouve, sabe, pressente e sente, com a ética do profissionalismo e do cuidado permanente.

Compartir, dividir, estabelecer paridades na diversidade são tarefas difíceis. Só possíveis quando a mão que conduz a partilha é guiada por uma consciência iluminada. Ao longo dos anos de intensa troca com a comunidade, a Rádio Santiago adquiriu sua identidade a partir da proposta de integração, da constante interação com o seu cativo público ouvinte.

Talvez seja esse o maior elogio que podemos fazer à nossa amiga, no dia em que completa 61 anos – dizer que todos nós somos seus ouvintes!

No dia 31, sugiro que todos enviem um cumprimento especial à Rádio Santiago. Liguem, mandem um bilhetinho, um cartão, um e-mail, uma mensagem ao site. Passem pela Rádio e abracem os que ali trabalham. Em agradecimento à amiga de todas as horas!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Aviso aos navegantes

MP pede cassação de irmãos Tião e Jorge Viana

Josias de Souza

Em parecer dirigido à Justiça Eleitoral, a vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau (foto) pede a cassação dos mandatos dos irmãos Tião e Jorge Viana, respectivamente governador e senador pelo PT do Acre. Acusa-os de “abuso dos meios de comunicação, do poder político e do poder econômico.” Sandra recomenda também a cassação do vice-governador do Acre, Cesar Messias, e dos suplentes de Jorge Viana.

Remetido à Justiça Eleitoral, o parecer da vice-procuradora anota que, nas eleições de 2010, os candidatos da coligação dos Viana “conduziram a linha editorial dos periódicos de grande circulação e de canais de televisão e rádio locais, fortalecendo suas imagens por meio de matérias jornalísticas repletas de valorações positivas, dirigindo críticas negativas e adjetivos depreciativos aos candidatos da coligação partidária oposta.”

Sustenta que os candidato prevaleceram nas urnas valendo-se de “bens, servidores e serviços da administração pública estadual e municipal para a realização da campanha eleitoral.” Na opinião de Sandra, houve apropriação, “ainda que de forma indireta, dos parcos recursos financeiros da administração pública”.

De resto, anota a sub-procuradora em seu texto, os candidatos exigiram, de maneira “reiterada e insistente, vultosas quantias de dinheiro a empresários que mantêm contratos de prestação de serviços, fornecimento de bens e realização de obras com o Poder Público.”

Para Sandra, “restou vulnerada a legitimidade e a lisura das eleições, decorrente do uso abusivo dos meios de comunicação social, do abuso de poder político e econômico, capazes de prejudicar a igualdade de oportunidades nas eleições e a livre manifestação da vontade política popular.”

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A morte não terá domínio




Luis Fernando Veríssimo é um escritor genial, tal qual o pai. Percebam como trabalhou o assunto da morte, que a todos os vivos assombra, em seu artigo A morte não terá domínio, publicado hoje em vários jornais do país:
A MORTE NÃO TERÁ DOMÍNIO
Por Luís Fernando Veríssimo
“Li que Samuel Beckett dizia que quem morria passava para outro tempo. Não queria dizer outro mundo, com um presumível outro clima. Referia-se ao tempo do verbo. Entre todas as mudanças provocadas pela morte havia essa: o morto passava irremediavelmente ao pretérito. Era bom pensar assim. A morte acontecia no mundo antisséptico das palavras e das regras gramaticais, nada a ver com a decomposição da carne. O "é" transformava-se em "era" e "foi", e pronto. A migração do morto, em vez de ser da vida para o nada, era só entre categorias verbais.
A vida vista como uma narrativa literária nos protege do horror incompreensível da morte. Podemos nos imaginar como protagonistas de uma trama, que mesmo quando não é clara indica alguma coerência, em algum lugar. O próprio Beckett só escreveu sobre isso: a busca de uma trama, qualquer trama, por trás do aparente absurdo da experiência humana. E um enredo, ou um sentido que faça sentido, só pode ser buscado na narrativa literária, no encadear de palavras que leva a uma revelação, mesmo que esta não explique nada, muito menos a morte. E se falar, falar, falar sem cessar, como fazem os personagens do Beckett na esperança de que aflore algum sentido não der resultado, pelo menos está-se fazendo barulho e mantendo a morte afastada. A literatura tem essa função, a de uma fogueira no meio da escuridão da qual a morte nos espreita. Ou de uma matraca contra o silêncio final. Vale tudo, mesmo a garrulice incoerente de um personagem do Becket, contra a escuridão e o silêncio.
Num poema que fez sobre seu pai moribundo Dylan Thomas o insta a reagir ferozmente contra o esvaecer da luz - "Rage, rage against the dying of the light" - e a não se entregar à morte sem uma briga. Não sei se o Beckett encontrou o consolo que procurava pelos seus mortos na ideia de que tinham apenas mudado de tempo de verbo mas imagino que, como Dylan Thomas na sua poesia inconformada, tenha recorrido à literatura como um meio de negar à morte o seu triunfo. Ninguém morre. Há apenas uma revisão na narrativa da sua vida para atualizar o tempo dos verbos. Outra vez Dylan Thomas: "And death shall have no dominion", e a morte não terá domínio.
Diz-se que quem morreu "já era", o que é o mesmo que dizia o Beckett com mais sensibilidade. Mas Beckett queria dizer mais. Os personagens de narrativas literárias mudam do tempo presente para o tempo passado, mas continuam no mundo, mesmo que no mundo restrito dos livros e das estantes. Salvo, talvez, os cupins e as traças, nada ameaça a sua perenidade. "São" eternamente”.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Bem mais iguais



Carlos Brickmann*

"O desembargador Hélio Maurício de Amorim, do Tribunal de Justiça de Goiás, foi punido por unanimidade pelo Conselho Nacional de Justiça por assediar uma senhora cujo processo estava julgando. E qual a pena? O meritíssimo foi punido com aposentadoria compulsória: fica sem trabalhar, recebendo vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. Nada de fator previdenciário, essas coisas aplicáveis a cidadãos comuns: todos os cálculos são feitos sobre o salário integral da ativa.
Há certas coisas a que é difícil dar divulgação: por exemplo, o tratamento especial que magistrados recebem quando punidos por suas falhas. No caso, experimente um civil comum assediar uma empregada de seu escritório, ou uma colega de trabalho, para ver se a pena será aposentadoria integral.
Ou mate alguém, como ocorreu com um juiz paulista, condenado por assassinar a esposa e ocultar o cadáver: por muito tempo ainda recebeu o salário integral. Mas os repórteres não podem esquecer quem é que os julga, caso sejam processados: vale a pena criticar alguém cujos colegas determinarão indenizações ou penas de prisão?
Promotores também costumam ser bem tratados pelos colegas. Um deles, considerado culpado por ter pedido licença para um pós-doutoramento na Europa e não ter aparecido em nenhuma aula, foi condenado a um dia de suspensão – exatamente, um dia de suspensão, 24 horas, não mais. Posteriormente, foi absolvido. Mas, no momento em que o consideraram culpado, a pena foi aquela.
Tente um funcionário público comum pedir licença para estudos e ser desmascarado por tirar folga com dinheiro público, para ver se a pena será de 24 horas de suspensão.
É também pouco provável que um cidadão comum, bêbado, em excesso de velocidade, guiando na contramão, batendo em outro carro e matando uma família, tenha tido a pena que foi aplicada a um promotor por seus pares: uma transferência para São Paulo, numa vaga ardorosamente disputada por profissionais de qualidade reconhecida e entregue a ele, cuja carreira atingiu o ponto mais alto depois de sabe-se lá quantas latas de cerveja e garrafas de bom uísque.
Mas promotores, como os magistrados, não são bem tratados apenas por seus pares. A imprensa cuida de todos com grande carinho – o que inclui, seja lá qual for sua idade, seja lá qual for seu temperamento, os adjetivos “jovem e combativo”. Um delegado, de conduta bastante discutível, era chamado de “ínclito”. Mas como combater uma fonte tão preciosa de informações?
É um tema que vale debate nos meios de comunicação. Afinal, como diz a Constituição, somos todos iguais perante a lei? Ou, como diz brilhantemente George Orwell, todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros?"
*Carlos Brickmann é jornalista e diretor da Brickmann&Associados Comunicação
Fonte: Blog do Noblat

domingo, 8 de julho de 2012

Justiça condena blogueiro a indenizar diretor da Globo

No site CONJUR

O blogueiro Rodrigo Vianna foi condenado a indenizar por danos morais o diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel. Para reparar os prejuízos à imagem do autor da ação, Vianna terá de indenizá-lo em R$ 50 mil, de acordo com sentença da 23ª Vara Cível do Rio de Janeiro.

Vianna trabalhou durante 12 anos na TV Globo e deixou a emissora em 31 de janeiro de 2007, após ter sido informado que o seu contrato não seria renovado por razões técnicas. Criticou a cobertura das eleições 2006 feita pela TV e disse que este seria o real motivo do seu afastamento.

Anos depois, sem qualquer menção à cobertura das eleições, Vianna publicou na internet que Kamel teria sido ator de filmes adultos durante a sua juventude. Posteriormente, o ofensor ainda afirmou que o ator era apenas homônimo do jornalista e que tudo não passara de brincadeira. Mas a ofensa ensejou a abertura do processo.

Para Ali Kamel, o “ataque” revela o sentimento de rancor que o jornalista nutriu por não ter o seu contrato renovado com a emissora. Na inicial do processo, o advogado do jornalista, João Carlos Miranda Garcia de Sousa, diz que os artigos publicados pelo blogueiro mostram “verdadeira obsessão em difamar” Ali Kamel, o que não pode ser considerado mera coincidência.

Segundo Garcia de Sousa, a relação entre os dois jornalistas era cordial antes de Vianna ser dispensado. E anexou ao processo a troca de emails em que Vianna elogia o profissionalismo do diretor da TV Globo.

Depois de ter uma reportagem descartada, Vianna enviou um email a Ali Kamel para saber o motivo. Recebeu a resposta e escreveu de volta: “Fiquei favoravelmente surpreso com a resposta que você me enviou. Pela honestidade intelectual, pelo esforço de discutir as questões com verdade (a sua verdade), sem recorrer, nem uma única vez, a argumentos de autoridade.”

Na sentença, a juíza Andrea Quintela explica que todos os meios de comunicação, fomentados por jornalistas, devem se pautar pela verdade, pela ética e pelo profissionalismo, rejeitando o argumento do réu de que a linguagem usada em blogs é mais coloquial e pode até ser chula.

“É bastante difícil, diante do contexto dos fatos nesta ação, concordar com o réu quando ele afirma que o uso das expressões acima serve como crítica ao desempenho profissional do autor e não para afirmar que ele seja um fornicador profissional”, concluiu.

Andrea Quintela deixou claro que a sua decisão não pretende proibir Vianna de criticar o autor da ação ou o seu trabalho. O objetivo, segundo a juíza, é assegurar que as críticas sejam feitas nos limites do direito de informação.