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terça-feira, 27 de março de 2012

A. p.a.l.a.v.r.a. d.e.s.n.e.c.e.s.s.á.r.i.a.


A palavra desnecessária é torpe, vil e abunda. Grassa e conspira. Consome quem constantemente a articula e escreve. Humilha os que a ouvem e leem.

A palavra desnecessária é fel. Fere fundo. Vilipendia o dia a dia. Faca afiada. Acerta fundo.

A palavra desnecessária é matriz da violência. Ferro que queima e teima. Dilacerando tudo.

Palavras desnecessárias nós ouvimos todos os dias. Até já nos acostumamos com elas. Não poderíamos. Palavras desnecessárias são um argumento contra a vida. Invalidam tudo.

E o pior é que, geralmente, quem fala a palavra desnecessária nem tem consciência do que está dizendo ou, quem sabe, é só o que sabe dizer...

Mas a palavra desnecessária ofende, machuca, diminui o Ser que a disse, diminui o Ser que somos, porque implica em dor, em espanto, em denso pranto mesmo não chorado a olhos vistos, represado.

Desnecessária é a palavra que afronta, que magoa, que atormenta. Tormenta de letras desfalcadas de sentido. Escuridão profunda. Funda gruta de terror eu sinto.

Desnecessária é a palavra que corrompe, que compele ao delito. Que afrouxa e rompe as amarras, caras teias que tecemos no tempo. Fios do céu ao chão se vão, subvertendo a mão que nos separa do conflito.

Desnecessária é a palavra que diz guerra, tortura, explosão, morte do irmão, sangue, aço retorcido, asa partida, torre desabada, sonho abandonado. Retumbante som.

Uma pergunta que não cala. Por que é tão falada a palavra desnecessária?

É por vontade?

É por maldade?

É por insensibilidade?

Ou já se acha descartada a palavra necessária?

Onde está escondida a palavra necessária?

Aquela que une, re-une e re-unifica e ressuscita os nossos sonhos. Aquela que soma e não divide. Aquela que atrai e aproxima. Aquela que cria, re-cria e revigora.

Onde está aquela palavra que dá vida?

Está aqui, aí, dentro de nós.

Vamos reaprender a falar a palavra necessária?

E a usar a borracha mental para apagar aquela que nos faz morrer um pouco cada vez que a pronunciamos, fadando-a ao lixo, escória, cinza da palavra, alijando-a do dicionário humano Ser que somos.

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