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sexta-feira, 9 de março de 2012

Infinitamente Mulher


Eis aí, minha crônica publicada no livro Infinitamente Mulher, lançado ontem, em evento comemorativo ao Dia Internacional da Mulher, na Estação do Conhecimento, em Santiago, RS. Na ocasião, 55 escritoras santiaguenses receberam o diploma de Mulher Nota 1000, promoção já tradicional do Centro Materno Infantil. O livro foi editado numa parceria entre a Casa do Poeta de Santiago e o Centro Materno Infantil.

Profissão: cronista

“O mundo de cada um é os olhos que tem”. O mestre Saramago definiu muito bem, nesta frase, o tamanho do mundo de quem tem olhos para ver e vê. De minha parte, quando escolhi o jornalismo, defini uma missão – ser os olhos dos meus leitores. Quis, sempre, abrir-lhes os olhos e alargar-lhes os caminhos. E sempre exerci a profissão com o cuidado máximo de escrever apenas o que vi ou o que me foi dito por pessoas idôneas e dignas de confiança.

É claro que nem sempre passamos a verdade para o leitor. Muitas vezes escrevemos a verdade ou o interesse do interlocutor, dependendo do tipo de matéria veiculada. Daí, para estabelecer a verdade, depende do bom profissional a vontade de descobri-la, desvelá-la e publicá-la. E isso nem sempre é possível já que no jornalismo da província as empresas sobrevivem à mercê das verbas publicitárias advindas de quem detém o poder.

Assim, para fugir do círculo vicioso que não raro acaba em mediocridade, pela asfixia da vontade autoral, preferi me manifestar através de colunas escritas no jornal e, mais recentemente, no blog Interface Ativa. Minhas crônicas sempre retrataram o que vi e ouvi, o que me surpreendeu e me indignou. O que li, o que senti e o que sonhei. Buquê de palavras, às vezes facas, às vezes flores.

Sei que a relevância da crônica depende dos olhos de quem a lê e neste ponto, sou privilegiada, pois sempre tive e continuo tendo o retorno carinhoso dos leitores. Não há nada mais gratificante e mais prazeroso do que ouvir de alguém que nem se conhece um comentário elogioso ou a simples menção de que um texto meu recebeu um novo olhar nesta cidade que ainda tem tão poucos olhos para ver o mundo.

Pois a crônica, filha, irmã e amiga, é gestada na folha em branco e nasce, quase sempre, entre sofrimento e gozo, envolta neste desvelamento da condição humana que se chama literatura, minha paixão. Escrever é muito mais que encadear palavras e traduzir opiniões. Escrever é colocar a própria vida no papel. Sei que não posso mudar o mundo, mas inválida é a omissão, o não-falar que invalida a nossa vida, que a torna bruma, não brisa. Opaca, não lisa.

O mestre português da palavra ainda ensinou: “Se podes enxergar, vê. Se podes ver, repara.” Eu vejo. Eu quero reparar. E a palavra é meu instrumento. Profissão: cronista!

4 comentários:

helo flores disse...

Gostei muito, Nívia!
Parabéns!

Beijão

Helô

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Considero-me um felizardo ao me deparar com crônicas de sua brilhante lavra!!! Mais alvissareiro ainda é saber da sua lisura e transparência, bem como o auspicioso fato de ser uma jornalista absolutamente do bem!!!!
Caloroso abraço! Saudações saramagoianas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

Giovani Pasini disse...

"Pois a crônica, filha, irmã e amiga, é gestada na folha em branco e nasce, quase sempre, entre sofrimento e gozo, envolta neste desvelamento da condição humana que se chama literatura, minha paixão."

Parabéns pelo texto! Uma crônica de grande qualidade, sobre o doceamargo ofício de escrever!

Gostei muito!

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Feliz Natalício!
Desejo-lhe vida longa e vigorosa!
Caloroso abraço! Saudações aniversariantes!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

PS - Meu telefone portátil vibrou!!!!
Preciso dizer quem era?!... Claro que era minha amiga, a Dona Miquelina (huhum)!!!
Ela disse-me que hoje a copeira Hermenegilda fez aquelas deliciosas rosquinhas para comemorar seu natalício!!! O Coronel Epaminondas Albuquerque Pinto Pacca e o noivo da Hermenegilda, o bombeiro Godofredo, juntamente com a Dona Miquelina, cantaram os parabéns em sua homenagem e as rosquinhas da Hermenegilda foram consumidas rapidamente....
A Dona Miquelina também disse que teve pesadelo na noite passada com fantoches manipulados por um sacripanta plagiador, que queriam sufocá-la, mas foi salva pelo bombeiro Godofredo que apareceu no pesadelo com uma mangueira roliça e longuíssima e lançou potentes jatos de água nos fantoches e o manipulador, deixando-os em frangalhos...
A ligação foi interrompida de supetão...