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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A arma*


“Nessa discussão sobre baixarias na TV e a má qualidade generalizada do que vai ao ar, ninguém se lembra que toda casa brasileira — pelo menos toda casa brasileira com TV — tem uma arma eficaz de autodefesa. É uma arma poderosa. Com ela se cala a boca do político embromador e do apresentador gritão, se elimina o programa que choca ou desagrada e o troca por outro, se chega até, em casos extremos, a cortar a força do aparelho ofensivo e silenciá-lo, para sempre ou por algum tempo, para aprender. E tudo isto sem sair da poltrona.

O nome da arma é Controle Remoto. É movida a pilhas e cabe na palma da mão. Não é uma invenção muito antiga. (Sim, crianças, houve um tempo em que para ligar e desligar a TV ou mudar de canal você precisava sair do sofá e ir até lá. Inconcebível, eu sei.).

Mas minha neta começou a usar o controle remoto antes de começar a andar, e pelo menos duas gerações se criaram usando-o sem se dar conta da mágica que tinham nas mãos. O poder de mover as coisas à distância e comandar o mundo sem precisar sair do lugar é uma ambição humana desde as primeiras bruxas, mas as gerações que se criaram com ele usam o CR com a inconsciência de um cachorro brincando com uma bola de césio.

Se não se dão conta do seu poder mágico, muito menos se dão conta de que o CR é uma arma. Porque o CR também representa essa outra coisa potente que temos para nos defender das agressões da TV: o livre arbítrio. A capacidade de decidir por nós mesmos. De procurar uma alternativa, outro canal, ou o silêncio. Em vez de dizer "isto deveria ser proibido" e incentivar, indiretamente, a censura, e negar o direito dos outros de gostarem de porcaria, deveríamos exercer, soberanamente, a liberdade de escolha do nosso dedão.”

*Luís Fernando Veríssimo

Concordo! O CR é uma arma poderosa para aqueles que sabem manejá-lo de acordo com os seus critérios de qualidade, a partir da premissa de que ninguém é obrigado a assistir o que não quer ou que lhe desagrada. Mas os brasileiros não estão acostumados a selecionar. Por isso, as porcarias televisivas se disseminam como raios e a baixaria impera. E é preciso lembrar que, muitas vezes, não há alternativas. São dois ou três canais. A maioria dos telespectadores não dispõe da qualidade da TV fechada ou por assinatura...

Um comentário:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
O ilustre cronista esqueceu de dizer que o controle remoto, nos seus primórdios, tinha um fio que o ligava a televisão. Infelizmente estes programas sofríveis têm altíssima audiência...
Caloroso abraço! Saudações desalentadas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP