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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Provocação

Desconfio seriamente que todos os episódios ruins (naturais ou produzidos) no Brasil, nos últimos 511 anos, são uma provocação sutilíssima engendrada por alguma força muito superior para testar a paciência dos pobres nativos dessa terra que ainda se conservam crédulos e esperam, pacientemente, alguma mudança no lado debaixo do Equador.

Salvo melhor juízo, desde que Cabral e suas caravelas aqui aportaram, o país perdeu a paz e quaisquer chances de vislumbrar um futuro promissor. Esse esplêndido berço quilométrico de sol, mar e riquezas mil virou o centro da cobiça de portugueses, franceses, holandeses e ingleses que, em pouco mais de três séculos, trataram de carregar o que puderam. Em troca, ensinaram toda a sorte de artimanhas, falcatruas e negociatas aos que aqui residiam. E como tudo que é ruim se espalha rapidamente, como rastilho de pólvora, nos séculos vindouros a canalha aumentou e, com ela, a arte de mentir, enganar, roubar, traficar influência, ganhar dinheiro fácil nas costas dos néscios e outras especialidades do ramo virou ordem do dia no Brasil.


Hoje, terreno mais do que fértil para a burla sistemática é a política, onde tudo acontece e nada é para o lado do que é bom, justo e correto. Ao contrário, parece que a inteligência esperta investida pelo voto só trabalha para atolar ainda mais o Brasil, um país continental, prenhe de miséria e desolação é o resultado dessa inflorescência podre que em Brasília viceja. Homens (?) que deveriam dar o melhor de si para resolver os problemas mínimos (se pede tão pouco!) da população dão o máximo somente para encher as suas burras e c’est fini. O mais que se exploda!

E o povo, coitado do povo, continua inerte, impassível. Apenas acompanha todos os dias, as últimas novidades do Planalto, como capítulos seriados de uma história interminável. O capítulo encerrado(?) foi a saída do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci Filho, que fugiu pela porta dos fundos, como da outra vez. Mas os brasileiros de bem querem saber se a tal Consultoria Projeto, da qual o ex-ministro se diz proprietário, funcionava tal qual a SMP&B de Marcus Valério, captando recursos para distribuí-los à base aliada, igualzinho ao mensalão? Nós, povo, gostaríamos de entender por que uma pessoa que se diz proprietário de imóvel que vale mais de R$ 6 milhões continua morando em apartamento alugado, pagando quase R$ 20 mil por mês entre locação, IPTU, condomínio e outros tributos. Também adoraríamos compreender por que há tanta confusão com laranjas, empresas de fachada, CNPJs duplicados e endereços falsos no caso do apartamento “alugado” por Palocci. Claro, ainda subsiste o caso da quebra de sigilo do caseiro Francenildo, já que a Caixa anunciou que o gabinete do ministro Antonio Palocci foi o responsável pela violação. Como o ex-ministro explica isso? Por que Antonio Palocci apresentou à Justiça Eleitoral em 2006 dois CPFs diferentes? Como alguém que foi ministro da Fazenda pode se considerar acima da lei? Como um deputado federal, membro da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara pode alegar que montou uma consultoria em que ganhava milhões de reais supostamente aconselhando empresas que ou tinham ou teriam negócios com o governo ou que ele, como deputado, poderia ter que examinar? Ainda mais: Após a eleição de Dilma, o PT enviou carta a empresários e banqueiros solicitando uma contribuição “voluntária” para zerar as despesas da campanha da presidente eleita. Nesse período, a consultoria de Palocci “captou” R$ 10 milhões. Quanto das contribuições “voluntárias” de empresários e banqueiros teriam ido para a conta da empresa do agora ex-ministro?

Apesar de todas as evidências, o senhor procurador-geral da República procurou, procurou e nada encontrou que viesse a desmerecer a conduta de Palocci. É que o olho da procura do procurador pousou, apenas, na sua provável recondução ao cargo...

Pois bem, desde 1500 o povo brasileiro vem sendo enrolado, espoliado, humilhado e parece que ainda não têm consciência da tal provocação... Quem sabe um par de séculos ainda seja necessário para a reação. Ou não.

2 comentários:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Mais uma vez sua brilhante pena nos brindou com uma crônica irretocável, que desvela sem titubear as mazelas que nos afligem...
Será que somos vítimas seculares de um poderosíssimo feitiço, que nos deixa "imobilizados" diante de tantas falcatruas perpetradas por sere peçonhentos sob o domínio de Mephistófeles?!...
Caloroso abraço! Saudações inconformadas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

PS - Infelizmente não posso tornar de domínio público os impropérios que minha amiga, a Dona Miquelina, proferiu depois que meu telefone portátil vibrou e eu atendi (huhum)... Ela está exasperadíssima, porque apesar de ter ficado viúva três vezes e ter um patrimônio invejável, quereria com sofreguidão ver seus bens aumentarem vertiginosamente em curto período de tempo...

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Forças ocultas suprimiram o s da palavra seres. Isto posto, onde se lê sere leia-se seres.