Acompanhando Interface Ativa!

terça-feira, 21 de junho de 2011

A pior cegueira

“A pior cegueira é a mental, que faz com que não reconheçamos
 o que temos à frente”.
 
 
Agência Europa Press, Madrid, 3 de Março de 2009
In
José Saramago nas Suas Palavras

quinta-feira, 16 de junho de 2011

La parabola del diamante

"Un hombre bueno había llegado a las afueras de la aldea y acampó bajo un árbol para pasar la noche. De pronto llegó corriendo hasta él un habitante de la aldea y le dijo: “¡la piedra! ¡la piedra! ¡dame la piedra preciosa!”. “¿Qué piedra?”, preguntó el hombre bueno. “La otra noche se me apareció en sueños un ángel”, dijo el aldeano, “y me aseguró que si venía a la anochecer a las afueras de la aldea, encontraría a un hombre bueno que me daría una piedra preciosa que me haría rico para siempre”. El hombre bueno rebuscó en su bolsa y extrajo una piedra.

“Probablemente se refería a ésta”, dijo, mientras entregaba la piedra al aldeano. “La encontré en un sendero del bosque hace unos días. Por supuesto que puedes quedarte con ella”.

El hombre se quedó mirando la piedra con asombro. ¡Era un diamante! Tal vez el mayor diamante del mundo, pues era tan grande como la mano de un hombre.Tomó el diamante y se marchó.

Pasó la noche dando vueltas en la cama, totalmente incapaz de dormir. Al día siguiente, al amanecer, fue a despertar al hombre bueno y le dijo: “Dame la riqueza que te permite desprenderte con tanta facilidad de este diamante.”

Tantas veces creemos que tenemos un gran tesoro con las cosas y los proyectos que para la mayoría de la gente tienen un gran valor, y no es fácil darse cuenta de que el verdadero valor de algunas cosas reside precisamente en lo que permiten construir y en lo que nos ayudan a crecer. Así ocurre también con muchos de nuestros proyectos, incluidos aquellos en los que sentimos que Dios nos pide un paso más, no basta con tener bien programado tu futuro, es necesario que sea un futuro que te haga feliz y te permita construir felicidad a tu alrededor.

Fonte: http://trinijoven.com

terça-feira, 14 de junho de 2011

A moderna pedagogia do cinismo









O genial cartunista Quino, criador da não menos famosa e adorável Mafalda, dá uma aula de como (não) educar uma criança à luz dos valores hoje tão decantados... 

domingo, 12 de junho de 2011

Alguma poesia...


Reconhecimento do Amor

Amiga, como são desnorteantes
Os caminhos da amizade.
Apareceste para ser o ombro suave
Onde se reclina a inquietação do forte
(Ou que forte se pensa ingenuamente).
Trazias nos olhos pensativos
A bruma da renúncia:
Não querias a vida plena,
Tinhas o prévio desencanto das uniões para toda a vida,
Não pedias nada,
Não reclamavas teu quinhão de luz.
E deslizavas em ritmo gratuito de ciranda.

Descansei em ti meu feixe de desencontros
E de encontros funestos.
Queria talvez - sem o perceber, juro -
Sadicamente massacrar-se
Sob o ferro de culpas e vacilações e angústias que doíam
Desde a hora do nascimento,
Senão desde o instante da concepção em certo mês perdido na História,
Ou mais longe, desde aquele momento intemporal
Em que os seres são apenas hipóteses não formuladas
No caos universal

Como nos enganamos fugindo ao amor!
Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar
Sua espada coruscante, seu formidável
Poder de penetrar o sangue e nele imprimir
Uma orquídea de fogo e lágrimas.

Entretanto, ele chegou de manso e me envolveu
Em doçura e celestes amavios.
Não queimava, não siderava; sorria.
Mal entendi, tonto que fui, esse sorriso.
Feri-me pelas próprias mãos, não pelo amor
Que trazias para mim e que teus dedos confirmavam
Ao se juntarem aos meus, na infantil procura do Outro,
O Outro que eu me supunha, o Outro que te imaginava,
Quando - por esperteza do amor - senti que éramos um só.

Amiga, amada, amada amiga, assim o amor
Dissolve o mesquinho desejo de existir em face do mundo
Com o olhar pervagante e larga ciência das coisas.
Já não defrontamos o mundo: nele nos diluímos,
E a pura essência em que nos transmutamos dispensa
Alegorias, circunstâncias, referências temporais,
Imaginações oníricas,
O vôo do Pássaro Azul, a aurora boreal,
As chaves de ouro dos sonetos e dos castelos medievos,
Todas as imposturas da razão e da experiência,
Para existir em si e por si,
À revelia de corpos amantes,
Pois já nem somos nós, somos o número perfeito: UM.

Levou tempo, eu sei, para que o Eu renunciasse
à vacuidade de persistir, fixo e solar,
E se confessasse jubilosamente vencido,
Até respirar o júbilo maior da integração.
Agora, amada minha para sempre,
Nem olhar temos de ver nem ouvidos de captar
A melodia, a paisagem, a transparência da vida,
Perdidos que estamos na concha ultramarina de amar.

Carlos Drummond de Andrade

Assombrações do Planalto

* Humberto, via Jornal do Comércio

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Provocação

Desconfio seriamente que todos os episódios ruins (naturais ou produzidos) no Brasil, nos últimos 511 anos, são uma provocação sutilíssima engendrada por alguma força muito superior para testar a paciência dos pobres nativos dessa terra que ainda se conservam crédulos e esperam, pacientemente, alguma mudança no lado debaixo do Equador.

Salvo melhor juízo, desde que Cabral e suas caravelas aqui aportaram, o país perdeu a paz e quaisquer chances de vislumbrar um futuro promissor. Esse esplêndido berço quilométrico de sol, mar e riquezas mil virou o centro da cobiça de portugueses, franceses, holandeses e ingleses que, em pouco mais de três séculos, trataram de carregar o que puderam. Em troca, ensinaram toda a sorte de artimanhas, falcatruas e negociatas aos que aqui residiam. E como tudo que é ruim se espalha rapidamente, como rastilho de pólvora, nos séculos vindouros a canalha aumentou e, com ela, a arte de mentir, enganar, roubar, traficar influência, ganhar dinheiro fácil nas costas dos néscios e outras especialidades do ramo virou ordem do dia no Brasil.


Hoje, terreno mais do que fértil para a burla sistemática é a política, onde tudo acontece e nada é para o lado do que é bom, justo e correto. Ao contrário, parece que a inteligência esperta investida pelo voto só trabalha para atolar ainda mais o Brasil, um país continental, prenhe de miséria e desolação é o resultado dessa inflorescência podre que em Brasília viceja. Homens (?) que deveriam dar o melhor de si para resolver os problemas mínimos (se pede tão pouco!) da população dão o máximo somente para encher as suas burras e c’est fini. O mais que se exploda!

E o povo, coitado do povo, continua inerte, impassível. Apenas acompanha todos os dias, as últimas novidades do Planalto, como capítulos seriados de uma história interminável. O capítulo encerrado(?) foi a saída do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci Filho, que fugiu pela porta dos fundos, como da outra vez. Mas os brasileiros de bem querem saber se a tal Consultoria Projeto, da qual o ex-ministro se diz proprietário, funcionava tal qual a SMP&B de Marcus Valério, captando recursos para distribuí-los à base aliada, igualzinho ao mensalão? Nós, povo, gostaríamos de entender por que uma pessoa que se diz proprietário de imóvel que vale mais de R$ 6 milhões continua morando em apartamento alugado, pagando quase R$ 20 mil por mês entre locação, IPTU, condomínio e outros tributos. Também adoraríamos compreender por que há tanta confusão com laranjas, empresas de fachada, CNPJs duplicados e endereços falsos no caso do apartamento “alugado” por Palocci. Claro, ainda subsiste o caso da quebra de sigilo do caseiro Francenildo, já que a Caixa anunciou que o gabinete do ministro Antonio Palocci foi o responsável pela violação. Como o ex-ministro explica isso? Por que Antonio Palocci apresentou à Justiça Eleitoral em 2006 dois CPFs diferentes? Como alguém que foi ministro da Fazenda pode se considerar acima da lei? Como um deputado federal, membro da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara pode alegar que montou uma consultoria em que ganhava milhões de reais supostamente aconselhando empresas que ou tinham ou teriam negócios com o governo ou que ele, como deputado, poderia ter que examinar? Ainda mais: Após a eleição de Dilma, o PT enviou carta a empresários e banqueiros solicitando uma contribuição “voluntária” para zerar as despesas da campanha da presidente eleita. Nesse período, a consultoria de Palocci “captou” R$ 10 milhões. Quanto das contribuições “voluntárias” de empresários e banqueiros teriam ido para a conta da empresa do agora ex-ministro?

Apesar de todas as evidências, o senhor procurador-geral da República procurou, procurou e nada encontrou que viesse a desmerecer a conduta de Palocci. É que o olho da procura do procurador pousou, apenas, na sua provável recondução ao cargo...

Pois bem, desde 1500 o povo brasileiro vem sendo enrolado, espoliado, humilhado e parece que ainda não têm consciência da tal provocação... Quem sabe um par de séculos ainda seja necessário para a reação. Ou não.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

STF cassa a liminar que dispensou o Exame de Ordem

Mais um round na batalha judicial em que se transformou o Exame de Ordem da OAB. Ontem, 1° de junho, o Supremo Tribunal Federal manteve a decisão que cassou a liminar que determinava a inscrição de dois bacharéis em Direito no Ceará. Não sou advogada ou bacharel em Direito. Como cidadã, sou favorável ao Exame de Ordem, por entender que a avaliação é uma maneira de selecionar os profissionais minimamente habilitados ao exercício da profissão. O exame também funciona como um parâmetro para verificar a qualidade do ensino do direito nas universidades brasileiras, já que os cursos proliferam, sem que haja formação adequada. Cabe ao Ministério da Educação a medida de restringir e até extinguir os cursos que não oferecerem formação qualificada aos acadêmicos. Aliás, gostaria que houvesse exame para habilitação em todos os ofícios, inclusive para jornalistas, com a validação do diploma, coisa que agora vale muito pouco...

Vejam o que noticia o site www.espacovital.com.br:

"O Plenário do Supremo Tribunal Federal manteve ontem (1º) decisão do presidente da corte, ministro Cezar Peluso, que no final do ano passado derrubou liminar que determinara a inscrição de dois bacharéis em Direito na Seccional da OAB do Ceará sem se submeterem ao Exame de Ordem. O ministro levou em conta o efeito multiplicador da liminar suspensa diante da evidente possibilidade de surgirem pedidos no mesmo sentido.

Na decisão datada de 31 de dezembro de 2010, Peluso salientou "ser notório o alto índice de reprovação nos exames realizados pelas seccionais da OAB, noticiado de forma recorrente pelos órgãos da imprensa". Ele anteviu que, "nestes termos, todos os bacharéis que não lograram bom sucesso nas últimas provas serão potenciais autores de futuras ações para obter o mesmo provimento judicial”.

 O caso chegou ao Supremo por decisão do presidente do STJ, ministro Ari Pargendler, que enviou à Suprema Corte o pedido feito pelo Conselho Federal da OAB contra a liminar que beneficiara os bacharéis cearenses. Em primeiro grau, o juiz Felini de Oliveira Wanderley, da Justiça Federal de Fortaleza (CE) negou o pedido de liminar, por entender que a liberdade profissional prevista na Constituição está condicionada às qualificações profissionais que a lei estabelecer -  no caso, a Lei nº 8.906/94, que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil.

"Não tenho receio de afirmar tratar-se de medida salutar para aquilatar um preparo mínimo do profissional, bem como para auxiliar na avaliação da qualidade de ensino dos cursos de direito, os quais se proliferam a cada dia", afirmou o magistrado de primeiro grau.

Os bacharéis recorreram e, individualmente, o desembargador Vladimir Souza Carvalho do TRF-5, com sede em Pernambuco, concedeu a liminar. Carvalho criticou que "a Advocacia é a única profissão no país em que, apesar de possuidor do diploma do curso superior, o bacharel precisa submeter-se a um exame - e isso fere o princípio da isonomia".

No Supremo, o caso foi autuado como uma suspensão de segurança, processo que é de competência da presidência do STF. Cassada a determinação oriunda do TRF-5, os bacharéis Francisco e Everaldo, por sua vez, decidiram recorrer da decisão do ministro Cezar Peluso.  Para tanto, apresentaram um agravo regimental, com o objetivo de levar a matéria para análise do Plenário da Corte. O entendimento dos ministros na tarde de ontem (1º) foi unânime no sentido de manter a decisão que cassou as inscrições. (SS nº 4321)."

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Reaprendendo a arte de viver com arte

A frieza que ultimamente tem interferido na relação das pessoas é um mal do mundo moderno, onde não há mais tempo para nada, nem mesmo para construir relacionamentos, quanto mais para melhorá-los. E as pessoas vivem e sobrevivem de relacionamentos. Temos conviver para manter o equilíbrio, crescer e existir mais humanamente.

Frieza, indiferença, descaso, distância, são palavras escritas com gelo. Cristalizam. Fazem parte de um vocabulário muito usado, não só com palavras, mas pelo olhar. Um olhar soturno, acinzentado, cor de treva. Se observarmos as pessoas, na rua, a maioria caminha rápido, passos largos, em aflição; não olham para os lados, não têm tempo, vão perder o ônibus, vão chegar atrasados ao trabalho, têm um compromisso, precisam correr... Olhos mortos, sem expressão, fixos apenas em medir a distância que as separa de seu destino, que é o mesmo, todos os dias.

Ir e vir. Vir e ir. Sem parar. Trabalhar sem descanso porque há contas a pagar, porque há compromissos a cumprir, há tarefas a entregar. Nem lembramos mais que há um EU a cuidar, que há um TU a esperar, que há um NÓS a construir.

Nessas idas e vindas de dura e sistemática repetição deixamos de perceber o espetáculo diário que a vida nos oferece – abdicamos de nossa sensibilidade e nos refugiamos no tédio ou na queixa da mesquinhez e da crueldade do cotidiano, que nada nos dá, só tira.

Precisamos refletir e aceitar o desafio que se impõe se quisermos reaprender a viver. Precisamos aprender a viver com arte, a viver dentro da arte. Da arte de amar. Precisamos descobrir novos caminhos, diminuir o ritmo, apreciar as cores do dia, sentir a brisa batendo, leve, no nosso rosto, desfrutar o canto dos pássaros, sentir novos aromas, sorrir e perceber o outro que está ao nosso lado.

Viver com arte é enfrentar os desafios, é recuperar um tempo em que tudo era capaz de nos emocionar – o mar, o céu, os cheiros, os sons, as flores, o vento, os amores, os livros, os filmes, a música...

Este é o desafio de cada um - o do ampliar altura e largura da alma, enriquecendo o espírito porque a vida, muitas vezes trágica e sofrida, também pode ser engraçada, doce e divertida e, sempre, compartilhada! Aceitando o desafio, podemos voltar a cuidar do nosso EU, reencontrando aquele que nos espera para reconstruirmos o NÓS.

Na verdade, o que impede a aproximação é o medo. O medo da indiferença. O medo da frieza que vemos nos olhos dos outros, esquecendo que é a mesma que veem em nosso olhar. É o medo da dor, daquela dor que varre o mundo, que sacode a terra, que desfia os ventos, que nos invade, que nos divide, que nos diminui, que nos encerra...

Há que olhar mais fundo para compreender. Há que parar para enxergar. Há que ter sensibilidade para entender que o meu olhar de gelo que reflete o teu é apenas a armadura que esconde o calor, que cristaliza a lágrima escondida, represada, pronta a desaguar a um mínimo gesto, um sinal... desfazendo o olhar antártico criado apenas para proteção.

Palavras escritas com gelo podem ser transformadas, sim, em palavras escritas com fogo. Olhar de gelo também pode ser aquecido por generosidade, brandura, amor.

Às vezes, o gelo no olhar e na palavra é pura falta de exercício.