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terça-feira, 31 de maio de 2011

Às vezes é preciso aprender a olhar...

"Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."

Cecília Meireles

terça-feira, 24 de maio de 2011

Amnésia geral

“A cada 15 anos, constatou o jornalista Ivan Lessa, o Brasil esquece o que aconteceu nos 15 anos anteriores. Esse prazo valia para o século passado. Neste, ficou bem mais curto, sobretudo por faltar espaço no noticiário jornalístico e na memória dos brasileiros para armazenar por muito tempo tantos escândalos, roubalheiras, pilantragens e sem-vergonhices envolvendo corruptos com salvo-conduto expedido pelo governo. Hoje, nos cálculos do Planalto, o país esquece a cada 15 dias o que aconteceu nos 15 dias anteriores”.

Via Blog do Augusto Nunes. Leia mais em www.veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/                        

Caixa-preta

Embora o Brasil seja um país tropical (abençoado por Deus e bonito por natureza...) banhado pelo sol o ano inteiro, temos um problema crônico e recorrente de escuridão no que diz respeito à transparência das ações e atitudes da sociedade, principalmente dos agentes que a representam nas instâncias do poder público.

Não há dia em que não se estampem na mídia casos de corrupção, malversação dos recursos públicos e uma infinidade de situações que depõem contra o uso do poder político para gerar o bem comum. Os instrumentos de fiscalização e controle existem, mas são ignorados, porque a sociedade civil, amorfa, acrítica, estática e impassível, não tem interesse em acioná-los. Só os movimenta quando a mídia resolve discutir o problema.

Caso emblemático é o escândalo que envolve o ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, que viria a ser o primeiro-ministro da República, envolvido em caso de enriquecimento meteórico, já que o seu patrimônio demonstra evolução fantástica no espaço de quatro anos (de R$ 375 mil para R$ 20 milhões) a título de rendimentos advindos de consultorias, através da empresa Projeto. Renda de consultorias? Isso me parece tráfico de influência da melhor qualidade! Palocci aproveitou sua situação privilegiada dentro do governo para faturar à socapa, munindo seus clientes de informações que redundaram em ganhos nababescos (para os dois lados, é óbvio).

Depois da denúncia estampada nas páginas do jornal O Estado de São Paulo, a correria do governo para blindar o ministro chega a ser risível, igual a uma corrida de revezamento, em que cada companheiro se esforça para não deixar cair o bastão salvador... Fosse em outra república mais civilizada, o ministro já teria pedido demissão, se não fosse possível explicar adequadamente a origem dos recursos. Entretanto, aqui, no Brasil, só se aposta em soluções para abafar a crise, até que tudo caia num confortável esquecimento afinal, em seguida, há a pauta da extradição de Battisti e os olhares, todos, se voltarão para o STF... E a caixa-preta segue lacrada, comme Il faut, a demonstrar que transparência não é artigo de primeira necessidade entre nós, quando deveria ser o item número um da lista.

De igual maneira, o assunto em questão somente se tornou de domínio público quando a imprensa resolveu discuti-lo, provocando a manifestação dos responsáveis. Só há reação quando há provocação, porque vige, ainda, o princípio de que informar, discutir, prestar contas, esclarecer, não é prioridade. Isso gera desconfiança e perda de credibilidade, contribuindo para que as instituições fiquem cada vez mais desacreditadas e a sociedade se quede em inoperância cada vez mais acentuada.

O jornal Zero Hora de hoje estampa, na página três, uma charge de Marco Aurélio em que o ministro Palocci diz: - Explicação é para jardineiro... De fato, os jardineiros precisam explicar tudo, até quem pisou em suas flores, amassando-as, com botas sujas.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O português do B


Tenho acompanhado, com perplexidade, a polêmica instalada no país a partir da distribuição, pelo MEC, do livro  “Por uma vida melhor”, de autoria da professora Heloísa Ramos, parte da Coleção Viver, Aprender (Editora Global), em que a educadora estimula a adoção de uma variante popular da língua porque acredita ser "importante que o falante de português domine as duas variantes e escolha a que julgar adequada à sua situação de fala".

Ainda sob o impacto da sandice lembrei-me de uma crônica que escrevi no ano passado e aqui reproduzo, porque aborda o problema da incompetência dos brasileiros em usar adequadamente o idioma para expressar pensamentos, desejos e emoções. Creio que a solução não passa, em momento algum, pelo afrouxamento das normas que regem a língua culta. Resolve-se, sim, pela qualificação dos docentes e pela adoção de políticas públicas consistentes de gestão do ensino e de todos os setores que permitam a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro.

Em seguida volto a discutir esta tentativa de criação de uma língua portuguesa do B.

A REPÚBLICA DA LÍNGUA PRESA

Desde logo vou avisando: não trata esse singelo escrito do pequeno problema de articulação do órgão muscular móvel, situado na boca, que serve para sentir os sabores, deglutir e articular sons, apresentado por alguns políticos que se movem com grande relevo no cenário nacional e internacional, conhecido, erroneamente, como língua presa. Tecnicamente, o nome da deficiência é língua flácida e pode ser corrigida por um bom especialista em fonoaudiologia, se o vivente quiser...

Afastando a digressão, voltemos à questão prioritária que enseja a discussão desejada – a dificuldade de expressão verbal e escrita que apresentam os brasileiros, como usuários da Língua Portuguesa, para comunicar pensamentos, desejos e emoções. O idioma pátrio, o vernáculo encontra-se, permanentemente, atrás das grades, assassinado, morto e enterrado por gente que nunca fez questão de fazer o dever de casa. Há exceções óbvias - quem nunca teve oportunidade de estudar, por miséria extrema, possui atenuantes...

É certo, também, que as políticas governamentais de Educação têm redundado em fracasso e não são prioridade, até mesmo porque um povo inculto, inerte e acrítico pode ser mais facilmente dominado – aceita tudo, nada questiona!

Vejam bem, quem deveria fornecer exemplos de virtude vocabular são os personagens que ora nos representam na seara política, já que de suas mãos e mentes é gerado e conformado o arcabouço legal que move o país.

E justamente as personagens da política são os maiores criminosos do vernáculo, pois que o ferem de morte constantemente, sem a menor cerimônia, a sangue frio. O maior problema é que as excelências sequer conseguem articular convenientemente a palavra-chave de sua ação política – a proposta de solução para os “problemas” que o país enfrenta. Daí, é um tal de “poblema”, “probrema”, “plobema” “pobrema”...Pobres de nós! Parafraseando Dadá Maravilha, o homem-gol, ora transitando no cenário nacional como palestrante motivacional, “para essa problemática, por enquanto, não há solucionática...”

Aliás, o mandatário-mor da nação tem prestado relevante desserviço ao povo na medida em que não perde oportunidade para repudiar boas e saudáveis práticas de leitura, ao afirmar que não lê jornais porque lhe causa azia; que não estudou porque não viu necessidade...glamurizando o fato de um operário, um homem humilde, sem estudo, ter chegado à presidência da República. Ora, não é demérito ser humilde, simples, sem posses. Denigre sua imagem quem faz a apologia da ignorância, da mediocridade. Melhor e mais apropriado seria o estímulo, pelo exemplo pessoal e através de ações e iniciativas governamentais, da importância da educação sistemática e continuada, para que os conterrâneos possam adquirir habilidades e competências que os façam crescer pessoal e profissionalmente. Ganham os indivíduos, enriquece a nação!

Não podemos esquecer que a situação do Brasil é aflitiva no que tange à Educação, já que ainda são altas as taxas de analfabetismo e, mesmo os estudantes que adquiriram as habilidades de ler e escrever são considerados analfabetos funcionais, pois sequer conseguem formular uma frase completa, resolver um problema de ordem matemática que exija algum raciocínio lógico ou interpretar textos sem maior complexidade. Se “O Cara” utilizasse o seu carisma e os altos índices de popularidade que amealhou para estimular o povo a pensar, através da educação, teríamos melhor sorte...

Assim, nossa República continuará com a língua presa, sem direito a habeas-corpus ou progressão de pena, pois crime hediondo não dá direito à liberdade condicional...

Pois então, creio que a tentativa perversa do Ministério da Educação e, por extensão, do governo que ele representa, de afrouxar as normas que regem a língua culta, vai de encontro às suas próprias políticas de melhoria da qualidade do ensino nas escolas brasileiras, adotando parâmetros de medição observados pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) e criando o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). No primeiro, país registrou crescimento em todas as notas, embora continue muito abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e mesmo de alguns da América Latina. Se o próprio governo baliza sua atuação pela régua do Pisa, como justificar que a defesa de uma alternativa da fala correta seja uma política oficial do Estado brasileiro? Já no Ideb, os índices também evoluem, mas ainda estamos longe da meta de atingir o patamar 6, semelhante ao dos países europeus. A incongruência continua...

O jornalista Merval Pereira, articulista do jornal O Globo, abordou a questão com perfeita coerência, ao dizer que “o caráter ideológico de certos livros didáticos utilizados pelo MEC, especialmente de história contemporânea, ganha assim uma nova vertente, mais danosa que a primeira, ou melhor, mais prejudicial para a vida do cidadão-aluno.

Enquanto distorções políticas que afetem posições pessoais do aluno podem ser revertidas no decorrer de sua vida, por outros conhecimentos e vivências, distorções didáticas afetam a perspectiva desse aluno, que permanecerá analfabeto, sem condições de melhorar de vida”.

Aliás, não compreendo o furor com que a academia vem criticando os jornalistas por terem a coragem de abordar a questão e mostrarem aos seus leitores o que vem acontecendo com a desastrada política educacional brasileira. Lembram do desastre do Enem? E da bagunça em que se transformaram os exames vestibulares? Jornalistas tem a missão de informar e de opinar, sim! Jornalistas tem a obrigação de escrever corretamente em respeito aos seus leitores afinal, a língua culta é nosso instrumento de trabalho. Não conheço nenhum bom jornalista que se expresse mal ou que não domine a língua.

Agora, meus caros, o nó da questão que permeia essa tentativa desvairada de criar uma pedagogia da libertação da língua portuguesa ou um português do B é o seu forte componente ideológico – a intenção de introduzir também a língua na luta de classes, pretendendo fazer uma política a favor dos analfabetos e dos ignorantes, em defesa dos que não tiveram condições de estudar. Se assim for, o resultado será exatamente o contrário do esperado. Continuarão eles analfabetos e ignorantes, sem condição alguma de mobilidade social. E o Brasil continuará a ser um país de segunda classe.

Não podemos deixar de mencionar, embora pareça absurda a ideia, que se a base da teoria for uma tentativa de justificar o linguajar do ex-presidente Lula, tão danoso em exemplos recentes, teremos um agravante ao ato criminoso de manter os estudantes na ignorância, segundo o seu cânone máximo de que “para subir na vida não é preciso estudar.”

Se, por derradeiro, o desdém pela adoção da norma culta da língua transformou-se em política de Estado, aí, senhores, chegamos ao fundo do poço. E a corda do resgate está podre.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sorte & Azar


Como hoje é sexta-feira, 13, segundo alguns, dia de azar e cuidados redobrados, lembrei de uma crônica que publiquei no ano passado. Decidi reeditá-la. Ei-la:
Estava navegando nas páginas do Estadão on-line quando resolvi dar uma olhada nos blogs ancorados no site do jornal. Que sorte! Encontrei um excelente artigo do jornalista Herton Escobar, titular do blog Imagine Só! que tratava, vejam bem, de sorte e azar.
O texto me agradou porque o rapaz, de forma muito bem-humorada, processou os conceitos de sorte e azar da forma como geralmente os usamos - sorte é aquela força inexplicável a que atribuem aos acontecimentos e o seu desenrolar favorável. Já, azar é desgraça, fatalidade, falta de...sorte! – porém, aí o motivo da minha admiração -, agiu racionalmente, afastando os conceitos de sorte e azar da mesa das discussões. O que geralmente reputamos como sorte ou azar pode ter origem no imponderável, ou não.
O texto e a discussão começaram numa mesa de bar, entre amigos, em que o assunto era futebol. Todos concordavam que SORTE era o ingrediente mais importante do futebol, com fartos exemplos a confirmá-la. Uns diziam – Ah! O Brasil só ganhou a Copa de 94 porque o Roberto Baggio perdeu o pênalti ao final da partida! Foi pura sorte!

Nosso mediador racional pulou e redarguiu: - Discordo! E até duvido que haja essa coisa chamada sorte! Existem as probabilidades da coisa acontecer ou não...E começou a enumerar uma série de possibilidades que podem ocorrer quando uma pessoa atravessa uma rua (ou cada vez que dá um passo na vida). Provavelmente nada aconteça, mas você pode ser atropelado; tropeçar num buraco, cair e bater a cabeça; escorregar numa casca de banana e quebrar o cotovelo; ser atingido por uma bala perdida; ser fulminado por um raio; esbarrar em sua futura esposa; achar uma mala de dinheiro que um assaltante atirou pela janela do carro em fuga da polícia, etc. É claro que as possibilidades são infinitas...
O jornalista das ideias lógicas continuou: - Sorte ou azar, tudo depende da pessoa que protagoniza o fato. E convenhamos, esses acontecimentos são imponderáveis, não temos controle sobre eles. “Podemos dizer que ser atingido por uma bala perdida é azar, ou que achar uma mala de dinheiro é sorte, porque são acontecimentos aleatórios sobre os quais não temos qualquer controle.”
Voltando ao caso do pênalti mal-cobrado por Baggio, que enseja essa pequena digressão sobre sorte e azar, nosso interlocutor deu uma aula, lembrando que nem à sorte, nem ao azar podem ser creditados os resultados de uma partida de futebol, porque os acontecimentos são influenciados diretamente pelos seus protagonistas: Baggio não errou o pênalti porque teve azar e nem o Brasil foi teracampeão do mundo porque teve sorte. “Baggio errou porque errou. Talvez estivesse cansado, ou distraído na hora de chutar. Talvez a bola não estivesse bem acomodada no gramado . Talvez o fato do Taffarel já ter defendido vários pênaltis naquela Copa o deixaram nervoso…. Enfim, há uma série de fatores que influenciam uma cobrança de pênalti e que não têm nada a ver com sorte ou azar. Se o Baggio tivesse sido o primeiro e não o último da lista de batedores, certamente a pressão psicológica sobre ele seria muito menor e sua chance de acertar o chute, muito maior. Se o goleiro fosse outro, se o lado do campo fosse outro…. Tudo isso influencia.”
Agradeci mentalmente ao Herton Escobar e fiquei pensando. Muitas pessoas tem a mania de explicar seus sucessos e fracassos reputando-os a doses de sorte ou azar, convenientemente medidas. Ou nem sempre. Quando obtemos sucesso em algum projeto, é claro que o atribuímos a nossa competência, virtudes e qualidades. Quando fracassamos, é lógico que tivemos azar, nos passaram a perna, fomos injustiçados...nunca vamos admitir que erramos, que não fomos suficientemente bons, que nos equivocamos...
Da mesma maneira, muitos atribuem ao destino os sucessos e os fracassos. Ah! Foi o destino que não quis assim...Mas será que existe o destino? Será que tudo já está escrito e não podemos mudar nada, temos que nos submeter?
Bala perdida, casca de banana, raio, são acontecimentos imponderáveis. Nada podemos fazer para evitá-los, mas cobrar um pênalti com perfeição depende de nós e de como nos preparamos para cobrá-lo, jogadores de futebol ou não. O destino a gente faz. Ou não.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Aprendendo a viver


A MENTE APAGA REGISTROS DUPLICADOS

Por Airton Luiz Mendonça
(Artigo do jornal O Estado de São Paulo)

"O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.

Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio, você começará a perder a noção do tempo...

Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.

Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.

Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:

Nosso cérebro é extremamente otimizado.

Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.

Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.

Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.

Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.

É quando você se sente mais vivo.

Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas.

Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.

Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.

Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.

Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).

Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.

Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.

Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -.... Enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
 
 
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.

Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a...

ROTINA

A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.

Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque).

Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.

Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.

Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).

Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.

Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.

Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.

Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.

Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.

Seja diferente.

Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos... Em outras palavras... V-I-V-A. !!!

Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.

E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.

Cerque-se de amigos.

Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.

Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?

Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.

E S C R E V A em tAmaNhos diFeRenTes e em CorES di fE rEn tEs !

CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVENTE...

V I V A !!!"

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A arte de escrever e falar bem

É incrível como as pessoas desprezam a arte de escrever e falar bem. Há algum tempo, José Saramago disse, do alto de seu talento e experiência: "Hoje, existe uma espécie de menosprezo por essa coisa tão simples que antes era falar com propriedade. Quando eu era trabalhador, sempre tinha as ferramentas limpas e em bom estado. Não conheço uma ferramenta mais rica e capaz que o idioma. E isso significa que se deve ser elegante na dicção. Falar bem é um sinal de pensar bem".

Acrescento, ainda, que escrever bem é uma condição inarredável para a credibilidade, a liderança e o sucesso de qualquer profissional, seja político, médico, jornalista, advogado, engenheiro, matemático ou professor de Português. É lamentável que não se dê importância a algo tão elementar. Mais ainda quando sabemos que a comunicação move o mundo e quem não habilitar-se com competência não tem chance, está fadado à mediocridade e ao desaparecimento. Precisamos ser capazes de convencer e não de vencer. Vence-se normalmente com a força e convence-se habitualmente com as palavras e a razão.

Escrever e falar bem são armas de altíssimo calibre que diferenciam um sujeito na multidão. Acrescentam poder. E não nos damos conta de que existe, ainda, uma habilidade muito maior em significância - a de saber escutar. Como muito bem falou Bolívar, "quem manda deve ouvir, ainda que sejam as mais duras verdades e, depois de ouvidas, deve aproveitar-se delas para corrigir os erros". Por suposto, aí está a chave do desenvolvimento do ser humano ao longo de sua história. Pelo menos daquelas pessoas que têm sensibilidade para perceber o alcance desta competência. Escrever e falar bem, assim como saber ouvir credenciam o sujeito a desenvolver outra habilidade preciosa – ter olhos para ver além do horizonte, percebendo antecipadamente o que se desenha. Há mais tempo Saramago escreveu, em seu Memorial do Convento, “O mundo de cada um é os olhos que tem”.

Atentem, ainda, para uma situação peculiar: há pessoas que são especialistas em usar a palavra para expressar o que pensam e dispõem de espaço qualificado na mídia, que atinge milhões de pessoas. São formadores de opinião – cultos, sensatos, experientes, equilibrados e por isso, acreditados. Também leio o que escrevem e os admiro, às vezes por sua coragem, outras por sua ousadia e sempre por sua capacidade de bem escrever e ordenar racionalmente as idéias. É o que chamo de arte do texto. Porém, há certos dias em que lhes lastimo o pensamento infeliz grafado numa palavra mal-dita. Quem escreve para muitos e sabe que atinge milhões de leitores não pode se dar ao luxo de perder a temperança e a lucidez, externando opiniões que geram máxima polêmica e ainda provocam sofrimento em quem é atingido pela palavra mal-posta. Ainda mais quando o escrevente se arvora em mago e adivinho, tratando de antecipar decisões em curso. Aí, senhores do belo texto, lhes retiro toda a brilhatura e lhes casso os elogios abundantes, sobrando apenas a atenuante de que também vivem sob a humana condição de errar e são tão passíveis de erro como nós, simples aprendizes, na arte de escrever e de viver.

De outra parte, quem escreve mal e se esconde nos meandros da soberba e da arrogância, acreditando-se poderoso, utilizando o veículo de comunicação como escora de sua prepotência, este, pode esperar, que a sua hora vai chegar. É certo e veloz o castigo para quem se arvora em ser dono da verdade, tudo pode antecipar e o faz, através do poder da palavra, que os torna arrogantes, insensíveis, inatingíveis. Não o castigo dos molestados pelo poder da palavra, mas o castigo interior, da própria vida, o castigo da alma, aquele que nos faz menores como pessoas.

Então, senhores da palavra, moderação, humildade e modéstia são qualidades sempre bem-vindas e que constantemente devem ser exercitadas, ainda mais nesse ofício tão exposto e árduo que é o de comentar sobre a vida e sobre os viventes! Para quem sabe escrever, palavra é arma. Dependendo do combate e dos detratores, faca de dois gumes.

Dia da Língua Portuguesa


LÍNGUA PORTUGUESA

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Olavo Bilac

Hoje é o Dia Nacional das Comunicações, Dia da Língua Portuguesa e Dia da Cultura, instituído pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Uma data a ser comemorada por todos aqueles que amam a palavra e a tranformam em mensagem.

Recebi e agradeço a bela mensagem enviada pelo professor Rodrigo Neres, dirigente municipal de Cultura:

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Osama bin Laden, enfim, foi eliminado

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou, ainda há pouco, em pronunciamento na TV, a morte de Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, o terrorista mais procurado do mundo.

De acordo com Obama, a morte foi consequência de uma ação de inteligência do Exército americano, em parceria com o Paquistão, que localizou o esconderijo do terrorista durante a semana e conseguiu eliminá-lo, numa mansão nos arredores de Islamabad.

A ação que culminou com a morte de Bin Laden já havia sido divulgada pela rede de TV CNN e confirmada por três fontes norte-americanas. Também foi reproduzida pela agência de notícias Reuters.

Procurado há pelo menos dez anos pelos EUA, Bin Laden é considerado o mentor intelectual dos atentados de 11 de Setembro de 2001, que derrubou as torres do World Trade Center, em Nova York e deixou cerca de 3.000 mortos. O terrorista também é conhecido por ataques a alvos norte-americanos na África e no Oriente Médio na década de 1990.

Após os atentados em NY, ele tornou-se o homem mais procurado do mundo, com uma recompensa de US$ 25 milhões por sua cabeça. Desde então, passou a ser buscado por dezenas de milhares de soldados dos Estados Unidos e do Paquistão.