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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Gente do Céu!


Minha irmã Nina Rosa me enviou este texto interessantíssimo, do desembargador Breno Beutler Júnior, acerca das origens da expressão TCHÊ, que os gaúchos adoram usar:

“DE ONDE VEM O TCHÊ?

Sotaques e regionalismos na hora de falar são conhecidos desde os tempos de Jesus. Todos na casa do sumo sacerdote reconheceram Pedro como discípulo de Jesus pelo seu Jeito "Galileu" de se expressar.

No Brasil também existem muitos regionalismos. Quem já não ouviu um gaúcho dizer: "Barbaridade, tchê"? Ou de modo mais abreviado, "bah, tchê"?

Essa expressão, própria dos irmãos do sul, tem um significado muito curioso.

Para conhecê-lo, é preciso falar um pouquinho do espanhol, do qual os gaúchos herdaram seu "tchê".

Há muitos anos, antes da descoberta do Brasil, o latim marcava acentuada presença nas línguas européias como o francês, espanhol e o português. Além disso, o fervor religioso era muito grande entre a população mais simples.

Por essa razão, a linguagem falada no cotidiano era dominada por expressões religiosas como: "vá com Deus", "queira Deus que isso aconteça", "juro pelo céu que estou falando a verdade", e assim por diante.

Uma forma comum das pessoas se referirem a outra era usando interjeições também religiosas como: "Ô, criatura de Deus, por que você fez isso"? Ou "menino do céu, onde você pensa que vai"? Muita gente especialmente no interior ainda fala desse jeito.

Os espanhóis preferiam abreviar algumas dessas interjeições e, ao invés de exclamar "gente do céu", falavam apenas Che! (se lê tchê) que era uma abreviatura da palavra caelestis (se lê tchelestis) e significa "do céu". Eles usavam essa expressão para expressar espanto, admiração, susto. Era talvez uma forma de apelar a Deus na hora do sufoco. Mas também serviam dela para chamar pessoas ou animais.

Com a descoberta da América, os espanhóis trouxeram essa expressão para as colônias latino-americanas. Aí os gaúchos, que eram vizinhos dos argentinos, acabaram importando-a para a sua forma de falar.

Portanto exclamar "tchê" ao se referir a alguém significa considerá-lo alguém "do céu". Que bom seria se todos nos tratássemos assim. Considerando uns aos outros como gente do céu.”

3 comentários:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andes!
Agradeço sua deferência em publicar a imperdível aula de regionalismo, que nos brindou o assecla da deusa da Justiça e da Sabedoria, o nobilíssimo Dr. Breno Beutler Júnior!
Ché, tenho certeza que minha amiga, a Dona Miquelina, ficará encantada quando a copeira Hermenegilda contar-lhe que aprendeu sobre a origem a expressão regionalista tchê!
Caloroso abraço! Saudações tchenianas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

arlete disse...

Bom dia, Nivia!
Há tempos, um visitante curioso e mineiro, questionou-me sobre a origem do “tchê” (“De onde o tiramos” foi o questionamento dele). Incomodada por não saber de onde surgiu um jeito tão nosso de expressão, passei a pesquisar. Depois que a inconformidade ganhou tempo, esqueci-me de meu amigo leitor.
Não podes imaginar a satisfação gerada pela tua postagem “Gente do céu!”, em que a temática responde à pergunta de meu visitante. O porquê de minha satisfação?
Amiga querida, todo o palavrório resume-se ao pedido da permissão tua para eu publicar o texto em meu blog. Afirmo-te, de antemão, que o apresentarei, mantendo todos os créditos a ti. Ficarei aguardando.
Um forte abraço.
Arlete Gudolle Lopes

Anônimo disse...

Cara Nivia Andes.
Estava eu a procura de trilhas para gps, no formato '.gtm' quando me deparei com meu nome citado no teu site. Coisas do site de busca... rsss... Fiquei deveras honrado com a atribuição de autoria do texto 'Tchê' mas, a bem da verdade, preciso esclarecer ter apenas repassado, por email, meio pelo qual também vim a tomar conhecimento dele. Lamento, mas não sou eu o autor desta bela explicação. A pessoa, que o redigiu se manteve anônima, uma pena.
Restabelecida a verdade, aproveito para cumprimentar pelo belo site.
Breno Beutler Junior