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quarta-feira, 23 de março de 2011

Pegada hídrica

O conceito de “pegada hídrica” foi criado por Arjen Hoekstra, professor de Gestão dos Recursos Hídricos da Universidade de Twente, na Holanda e diretor científico da organização Water Footprint Network, e designa o volume total de água utilizado direta e indiretamente no ciclo de vida de bens de consumo ou serviços.

Hoekstra explica que o desenvolvimento do conceito de pegada hídrica nasceu de uma necessidade, já que a água doce é um recurso bastante escasso atualmente – a disponibilidade é limitada e a demanda é crescente. A pegada hídrica humana, segundo o cientista, excedeu níveis sustentáveis em diversos lugares e é desigualmente distribuída entre as pessoas. Ele acredita que boas informações sobre a pegada hídrica de comunidades e empresas vão ajudar a entender como é possível conseguir uma utilização mais saudável e equitativa da água doce.

A utilização de selos em produtos informando quanto foi emitido de dióxido de carbono (CO2) na sua produção – conhecida como pegada de carbono – já é adotada por diversos fabricantes europeus, como a rede de supermercados britânica Tesco. Agora surgem os selos com dados sobre o consumo de água, ou simplesmente a pegada hídrica. E a primeira empresa a imprimi-los nas embalagens é uma indústria de cereais da Finlândia, chamada Raisio.

O cereal Elovena, feito com aveia, ganhou um selo que indica quanto de água foi utilizada na cadeia de produção - do crescimento dos grãos no campo a produção e descarte. Para fabricar 100 gramas do produto foram necessários 101 litros, a maior parte para o cultivo da aveia.

Devido às condições climáticas da Finlândia, onde é alto o volume de chuvas, a empresa afirma que não é necessária irrigação e a água é utilizada como parte do seu ciclo natural. Além disso, segundo a Raisio, não há descarte de água, uma vez que os flocos de aveia são obtidos por vaporização.

Como base de comparação, uma xícara de café precisa de 140l de água, enquanto que um quilo de carne utiliza inacreditáveis 16.000l de água para chegar aos açougues.

Em 2002, para fabricar um litro de cerveja, a Ambev usava 5,36l de água. Inovações nas fábricas fizeram com que esse número caísse para 3,9l de água para cada litro de cerveja. Parte dos resultados se deve a ações como o reaproveitamento da água que vem de atividades como lavagem de tanques, garrafas e limpeza. Algumas unidades de fabricação destacam-se por números bem menores - a de Curitiba utiliza 3,2l e as fábricas de Brasília e de Goiânia, 3,4l para cada litro de cerveja produzida. Para 2012, a meta global é alcançar 3,5l de água para cada litro de cerveja produzida.

A Raisio afirma ser a “primeira do mundo a adicionar etiquetas H2O nas embalagens de produtos”. Para chegar ao consumo, a empresa desenvolveu um modelo próprio para fazer os cálculos, a partir da utilização de dados sobre a evaporação da água fornecidos pelo Instituto Meteorológico da Finlândia.

Apesar de ser considerada louvável a atitude da empresa finlandesa, grupos de pesquisadores que trabalham no desenvolvimento de uma metodologia para a pegada hídrica alertam que ainda são necessárias melhorias efetivas para garantir que o consumidor possa comparar as informações de produto para produto, uma vez que não existe uma ferramenta de cálculo internacional.

Uma rede de empresas, ONGs, governos e as Nações Unidas, chamada Water Footprint Network (Rede Pegada da Água), foi criada justamente com o objetivo de criar a ferramenta adequada.

Uma pesquisa feita pela rede sobre o fluxo de água virtual (aquela utilizada para a produção de bens e alimentos) entre os anos de 1997 e 2001 mostra que os maiores exportadores de água em produtos agrícolas e industriais são Estados Unidos, Canadá, França, Austrália, China, Alemanha e Brasil. Já entre os maiores importadores estão novamente os Estados Unidos e a Alemanha, seguidos Japão, Itália, França e Holanda.

Segundo a publicação Globalization of water: Sharing the planet’s freshwater resources, a pegada hídrica média anual per capita é 1.243m³; a de um brasileiro, 1.381m³ e a de um norte-americano, 2.483m³.

No site da rede, criado pela Universidade de Twente, da Holanda, é possível conferir a pegada hídrica de diferentes produtos, incluindo alimentos, roupas e bens eletrônicos. Ele inclui tanto a água utilizada no processo de fabricação quanto no transporte dos produtos.

As empresas interessadas em mapear o uso de água e medir os riscos relativos às operações globais e à cadeia de suprimentos podem utilizar a ferramenta Global Water Tool, criada pelo Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD).

Fonte de consulta: Encarte Nosso Mundo Sustentável (ZH de 21mar2011)

Um comentário:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Considero a notícia alvissareira, todavia ainda precisamos de muitas ações coletivas, porque os recursos hídricos para consumo humano já são limitados em muitas regiões de planeta e urge a necessidade premente de mudarmos nossa relação deletéria em relação ao uso da água tornando-nos mais parcimoniosos.
Caloroso abraço! Saudações caudalosas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP