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sexta-feira, 18 de março de 2011

Lágrimas de água

Após o terremoto de 8.9 e o tsunami que provocaram grande tragédia no Japão, na semana passada, o debate mundial gira em torno do uso da energia nuclear para geração de eletricidade. A possibilidade real de contaminação do ambiente e da população pelo vazamento da radiação está provocando pavor nos quatro cantos do mundo, já que esta forma de produção de energia está largamente disseminada – na França, 77% da geração de energia sai de usinas nucleares; na Ucrânia, 47%; na Suécia, 43%; na Coreia, 34%; no Japão e na Alemanha, 24%; nos Estados Unidos, 19%; na Rússia, 16%; no Canadá, 14%; na China, 2%. Em nível mundial, o percentual chega a 13,5.

Como aconteceu em Three Miles Island nos EUA, em 1979 e em Chernobyl, na URSS, em 1986, recrudesce o pânico em vista das lamentáveis consequências causadas pelo vazamento da radiação, que significam doença, degeneração e morte, degradando as áreas afetadas por muitos anos.

Os japoneses, com sua expertise, já encontraram soluções que permitem manter em pé enormes edifícios mesmo após a ocorrência de violentos terremotos, porém, ainda não inventaram nenhuma engenhoca anti-tsunamis e muito menos, dominam tecnologia que evite vazamento de radiação nuclear. Assim, não me parece muito lógico nem muito inteligente que continuem investindo nesse tipo de matriz energética, a menos que pretendam sumir do mapa, tal a frágil situação geológica em que se assenta o arquipélago, sobre duas placas tectônicas que frequentemente se reacomodam.

Também não consigo compreender a demora do governo em evacuar a área afetada em torno da usina de Fukushima. Não seria mais sensato remover a população imediatamente, ao invés de alargar a temerária discussão se é de 30 ou 80 Km a distância necessária para a proteção das pessoas, na área de exclusão?

De qualquer maneira, a situação é desesperadora, embora o bravo povo japonês, diz o noticiário, aparente serenidade. Desconfio que são gente de emoção controlada, incapazes de demonstrar reação em público, entretanto a alma chora, sem que a lágrima aflore, inundada de mágoa. São humanos, como qualquer ser humano, tão sensíveis e talentosos que construíram um país lindo e vão reconstruí-lo, apesar da dor e da calamidade.

Só posso desejar superação. Super ação.

2 comentários:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Seu arguto artigo deixou-me propenso a refletir:
Até que ponto a aparente serenidade dos valorosos e pertinazes japoneses o deixam sujeitos a doenças crônicas, que são letais a longo prazo?
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

Cristina disse...

Cara Nivia.

Estamos esperançosos e confiantes para que os heróis japoneses, que estão arriscando suas vidas nessa perigosa operação, consigam deter o vazamento e proteger a população de um risco ainda maior.
bjoss