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domingo, 27 de março de 2011

A Estação do Conhecimento


Hoje fui visitar a Estação do Conhecimento, instalada na antiga gare da Ferroviária de Santiago. Eu, minha mãe Lidia e a amiga Lúcia Décimo fomos assistir ao filme Anahy de las Misiones, com Marcos Palmeira, Araci Esteves, Dira Paes e Giovanna Gold.
Lúcia e Mãe Lidia no guichê de venda de passagens

Mobiliário e ferramental preservados

Nasci e me criei na Rua Barão do Ladário, que acaba (ou começa) no largo da Estação Ferroviária. São inesquecíveis as aventuras que vivemos na Estação, numa época em que os trens de passageiros e de cargas faziam da nossa rua uma das mais movimentadas de Santiago. Vivíamos na plataforma, brincando e observando o intenso movimento de pessoas que chegavam e partiam. Quando ouço a música Encontros e Despedidas, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, lembro imediatamente daqueles dias felizes:

“...Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...”
O sino anunciador das chegadas e partidas
O caminho até a Estação do Cinema
E foi o que senti hoje: que a vida voltou àquele lugar de tão boas lembranças, agora transformado num espaço que preserva a memória da ferrovia e desenvolve projetos e programas  que envolvem conhecimento e cultura, sob a responsabilidade da Prefeitura Municipal de Santiago.
Painéis contam a história da Ferrovia
Entrada da Estação do Cinema
Sala de cinema
Enfim, está aberta à comunidade mais uma opção de lazer e cultura. Espero que a participação seja efetiva. A entrada é franca. Apreciei muito!

5 comentários:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Parabenizo a Prefeitura Municipal de Santiago-RS por tornar um fato, políticas públicas voltadas a preservação da memória!
Fiquei encantado com as reminiscências do seu tempo de infante, que para um pesquisador é preciosíssima, porque desvela o olhar arguto de uma guria (ché, estou sob a influência dos "Contos Gauchescos"...), que era partícipe do movimento contínuo dos trens na Estação Ferroviária. Fico enternecido ao imaginar quantas alegrias, tristezas e emoções contidas as plataformas da Estação foram palco, além de possibilitar ao comércio da sua amada cidade receber mercadorias por um meio de transporte, que infelizmente na contemporaneidade deixou de ser o condutor principal da produção agrícola e industrial da nossa amada Federação, que delegou a iniciativa privada a ampliação e concessão de rodovias, que tanto oneram o contribuinte ao cobrarem tarifas exorbitantes nos vários pedágios instalados ao longo dos seus percursos.
Quando a Senhora se referiu ao sino lembrei-me da imperdível película inglesa produzida em 1955, "Ladykillers, que entre nós intitula-se "Quinteto da Morte"...
Agradeço sua deferência em nos apresentar sua valorosa mãe e amiga!
Caloroso abraço! Saudações memorialistas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

Michele Wesz Andres disse...

Nivia, imaginei que postaria algo sobre a nossa tão querida Estação. Também adoro aquele local, apesar de não ter passado a infância por lá e de não lembrar dos trens que por ali passaram. Mas minha mãe emocionou-se ao relembrar suas idas e vindas a Santiago por aqueles trilhos. Que bom que, finalmente, nossos governantes deram valor ao passado valoroso da Estação Ferroviária, presenteando a comunidade santiaguense e regional com um lugar destinado a preservar a memória e valorizar a cultura. E parabéns também ao Cine Clio, que nos proporciona noites agradabilíssimas em que podemos conferir o melhor do cinema nacional. Um grande abraço.

Anônimo disse...

Prezada Nivia!

A postagem emocionou-me.Tive o privilégio de frequentar muitas estações de trem, e ter sido passageiro de inúmeras chegadas e partidas...

Abraços,

Etiel San'Thiago

Cristina disse...

Olá Nivia..

Bom saber que a prefeitura de Santiago tem esse zelo com o patrimônio público, procurando preservar a memória cultural e promover a arte, através do reaproveitamento desses espaços, outrora tão importantes para vida da cidade e seus minícipes.
E que bonita e elegante é sua mãe!! Belas fotos!!
bjos

Marcos Tulio Martins disse...

Prezada Nivia
Já li e me emocionei muito com textos teus que me foram encaminhados pela mana Lucia, especialmente (colorado que sou) aquele da paixão clubística (Grêmio e Inter) do "seu" Nenê, "seu" Godo e "seu" Neto (meu falecido pai, para quem ler isso).
Não sou muito chegado em blogs e coisas afins, mas me interessei em acessar (foi difícil acertar), para saber da nossa velha Estação Ferroviária, alertado que fui pela sempre atenta Lúcia.
Assim como outros comentários daqui, quero parabenizar a Prefeitura de Santiago pela iniciativa e principalmente pela atitude.
Certamente não conheço o prefeito da cidade e muito menos sei qual seu partido, só peço que essa iniciativa seja levada a sério por todos os santiaguenses, independente de qualquer paixão, credo ou preferência partidária.
E que seja um marco perene pela valorização das coisas que existiram e que merecem ser sempre preservadas pela história, nas quais, sem dúvida, se situa a memória da Estação Ferroviária e das “falecidas” VFRGS e posteriormente RFFSA.
Na última vez que visitei a velha estação, ela estava em abandono, com as portas lacradas de um cimento sem pintura... (por que o país optou pelas rodovias, se um único vagão ferroviário carrega o conteúdo de muitos caminhões ???).
Então, essa revitalização emociona quem, como eu, viveu a época de ouro das ferrovias.
(Quando os ferroviários faziam greve, o país parava...! Também era “uma festa” a chegada do “Trem Pagador”, que trazia os salários dos ferroviários. A cidade “se enchia de dinheiro” e, claro, todos os clientes do “seu” Neto iam quitar as cadernetas do velho “Bar Polar”).
Desculpe pelo saudosismo, mas repito, a lembrança das coisas aí de cima nos fazem sentir que estamos vivos pois temos histórias, e a história da velha Estação é uma delas.
Um grande abraço, em especial para a Dona Lídia.

Marcos Tulio Martins
Poços de Caldas/MG