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sábado, 26 de março de 2011

Cântico de amor a Porto Alegre que aniversaria e por nós vela

Olho Porto Alegre da minha janela. Estou em pleno Centro Histórico, a uma quadra da Rua da Praia, cercada de casas açorianas, aqueles sobrados estreitos, espremidos entre os paredões dos arranha-céus, alguns desfigurados pela ignorância dos puxadinhos e das cruéis reformas que não respeitam a fachada típica dos fundadores da vila primeira que também se chamou Porto dos Casais.

No peitoril da janela, um bebedouro atrai beija-flores e outros pássaros coloridos, ansiosos e alegres clientes da aguinha fresca de todos os dias, não importa a estação. Não sou a única a ter visitantes tão brejeiros. Nos prédios vizinhos também há apreciadores dessa deliciosa convivência.  Água não falta, já que o Guaíba corre pertinho... Desconfio que as adoráveis avezinhas voam distribuindo alegria, tal qual a cidade que nos acolhe,  em qualquer circunstância.
Não sou nativa do lugar. Venho de uma cidade longínqua, a oeste do Rio Grande, como muita gente que aqui se aquerenciou. Meu tempo finda e vou dizendo logo que gostei muito da hospedagem. Porto Alegre aceita todos. É a madre de Deus. Gentil e bela, graciosa. Não mais bela ainda porque as gentes que aqui vivem não a respeitam. Aproveitam-se de sua generosidade sem limite e medida. Sujam e conspurcam seus caminhos e vias, de terra e água, entulhando-os de lixo, como se não fossem condôminos a partilhar o mesmo espaço. Ainda irão aprender, os ingratos, que nada é para sempre, segundo a lei do eterno retorno...
De qualquer forma, a placidez das manhãs que nascem luminosas, rubras e rosadas, tingindo-se, logo após, de azuis inimagináveis, bem da cor do ar da terra que aqui está e o céu que nos cobre, se quisermos acreditar nos insuficientes olhos com que viemos ao mundo (que me perdoe Saramago, mas metade desta frase é dele!), esta cidade tudo esquece de ruim que lhe fazem e o sol, ao fim da tarde, num espetáculo de pura magia, trata de agradecer a Porto Alegre por mais um dia de júbilo, escondendo-se no estuário, para que logo a lua alta brilhe e continue a iluminar a bela e magnânima que por nós vela.

2 comentários:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Fiquei enternecido com sua encantadora homenagem a cidade que é capital do seu pujante Estado Meridional!!!!
São pessoas, como a Senhora, que me dão esperanças de dias melhores!
Tenho certeza que nosso cultuado, nobilíssimo e inesquecível escritor José Saramago também ficaria enternecido se estivesse entre nós e tivesse a prerrogativa de ler o que sua maravilhosa verve nos brindou!!!!
Emocionado abraço! Saudações Saramagoianas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

levicold disse...

Thanks for your share! very impressive!

nolvadex