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quinta-feira, 31 de março de 2011

Uma sinfonia para Jorge

Queria compor uma sinfonia para Jorge.  Uma sinfonia que falasse de amizade, de companheirismo, de compartilhamento porque, em certa estrada da vida caminhamos juntos. Uma sinfonia de acordes suaves, bela com um final de tarde; límpida e transparente como a luz do amanhecer; grandiosa, memorável, encantadora, como o luar refletido num espelho d’água.
Mas não sei escrever melodias. Só sei apreciá-las. Por isso, minha sinfonia para Jorge só pode ser feita com palavras – palavras de carinho, de reverência, de admiração. De respeito e de agradecimento.  Porque Jorge foi um dos profissionais jornalistas mais íntegros e talentosos com quem já tive a honra de trabalhar. E o amigo mais disponível, generoso e solidário, em qualquer situação.  O mais alegre, às vezes, o mais triste e melancólico e, sempre, o mais determinado e combativo.
Jorge se foi. Partiu hoje à tarde. Foi escrever em outras dimensões.  Levou um pouco de nós, que o queríamos tanto bem. Ficamos com um pouquinho dele, no nosso coração.
É esta a minha sinfonia para Jorge. Diogo Brum, nosso amigo e parceiro de redação da Folha Santiago também a assina.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Anahy de las Misiones, Mãe Coragem de bombacha

No sábado, 26, assisti ao filme Anahy de las Misiones, na Estação do Conhecimento. Ao final da exibição os espectadores trocaram impressões sobre a obra, lançada em 1997, no início de uma nova etapa para o cinema nacional. A produção surpreendeu, tanto pela magnitude quanto pela narrativa apresentada - custou R$ 2,3 milhões, um orçamento vultoso para filmes nacionais, naquela época e até hoje; é falado em portunhol arcaico; foi filmado quase que totalmente a céu aberto e as cenas foram feitas em diversas regiões do estado. Os cenários do filme são a larga fronteira cisplatina, as campanhas de Uruguaiana, as grutas de Caçapava do Sul e os Campos de Cima da Serra: por todos cruza Anahy, guiando seus filhos e agregados, esperando o fim dos combates da Guerra dos Farrapos, vendendo produtos pilhados dos despojos dos mortos nas batalhas, acomodados em uma carreta.

A fim de agregar informação sobre o filme, encontrei um trabalho de Roger Luiz da Cunha Bundt, doutorando em Comunicação Social na PUCRS e professor do Curso de Comunicação Social da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), RS, denominado Anahy de las Misiones e a Identidade Gaúcha, em que o autor sustenta que o filme foi livremente inspirado em Mãe Coragem e seus filhos, de Bertold Brecht - na história de Anahy e sua prole se sobressaem diversas quebras nos paradigmas pelos quais o gaúcho é encarado: o patriarcado, a masculinidade, o cavalo, a terra, a coragem, entre outros. A seguir, mais algumas conclusões do pesquisador ao analisar o filme:

Na personalidade de Anahy encontramos a coragem e a obstinação do gaúcho; ela é a monarca das coxilhas que não sabe viver querenciada, como dizem os personagens do filme, ou seja, não consegue viver num único lugar. Precisa da imensidade, da liberdade dos pampas, onde se vive sem lei e sem ordem; fora da civilização.

Porém, limitar-se a considerar Anahy como um filme meramente evocativo das tradições e lendas gauchescas é perder uma grande parte de sua força e unicidade. Há nuances da história que se fundamentam nessas reminiscências míticas, mas que, de certa forma, e muito sutilmente, as reveem e subvertem, à custa de passarem despercebidas pelo espectador menos atento. Conduzindo uma carroça sem bois, sobrevivendo ao ambiente de destruição em meio a uma luta que não é sua, negociando com os dois lados contendores: essa é uma síntese de Anahy, livre para seguir seu caminho, o rumo determinado pelas guerras, das quais se serve para manter-se na lida e sobreviver.

Um dos pontos que mais se discute no filme é a condição da mulher. Picumã e Luna, respectivamente agregada e filha de Anahy, sonham em ter um pouso certo e um teto sob o qual possam viver; a protagonista, ao contrário, não abre mão de dormir ao ar livre para evitar esse mesmo desejo de lar, pois julga que a mulher é errante desde cedo, que é característica do homem a sanha da conquista, da posse. E é desse querer ter que nascem as guerras, as mortes e os sofrimentos pelo mundo.

É uma saga de sobrevivência onde Anahy retoma, reapresenta e rediscute esta fundação da identidade gaúcha e, com isso, atualiza o discurso do filme com o discurso histórico, que hoje se esforça por enquadrar nos seus textos os marginalizados do passado histórico que, se não foram heróis no sentido da doutrina positivista, também deram seu sangue para a construção do que hoje chamamos de Rio Grande do Sul e de gaúchos.


É esta opção por retratar os marginalizados do passado histórico que diferencia Anahy de las Misiones de grandiosas produções estrangeiras e locais. Um ponto de divergência está na ausência de cenas de combates: só o que se vê da guerra é seu lado feio - a morte, a destruição, a dor e o sofrimento e não só um momento traumático de destruição do homem.  A Guerra dos Farrapos não é tratada no filme como uma corajosa busca por um ideal, ela é apenas um pano de fundo para uma história de sobrevivência em meio a um ambiente violento.

Outro diferencial interessante de Anahy de las Misiones é a opção de seu diretor por trabalhar com diálogos fiéis ao linguajar típico da época, pesquisando em autores como Simões Lopes Neto as formas linguísticas utilizadas. Assim, as personagens travam diálogos cheios de expressões inicialmente estranhas ao ouvido, mas que, como o próprio filme, convidam a uma aceitação, uma interpretação da prosa estilizada, em um portunhol arcaico falado naquelas regiões fronteiriças. Falam-se em feredimentos, paisanos, relancinas e uma série de outros termos desconhecidos das platéias, o que expressa a inovação do diretor nessa opção, já que isso poderia limitar,  como de fato limitou, a boa aceitação do filme no circuito nacional.

O filme desloca o gênero da personagem principal e coloca uma mulher a protagonizar a passagem de um período, lugar e atividade institucionalizados como masculinos. Destitui o monarca das coxilhas, apeia o gaúcho do cavalo e fá-lo bater perna a pé e sem rumo pelo Continente. O centauro é desmontado, vira boi na canga, puxando a carroça sem projeto de vida, saqueando os que morreram em combate. Os heróis da guerra ou estão longe, ou derrotados, feridos, ou são vistos em momentos prosaicos, conversando, tomando mate, e não guerreando. Há um momento em que Giuseppe Garibaldi aperece conversando com os oficiais farrapos sobre o projeto da construção dos lanchões em que iria navegar posteriormente. Em outra ocasião, Anahy e os filhos, surpresos, observam um dos barcos ser transportado por entre os campos. Não há discursos insuflados defendendo a República dos Pampas, há menções esparsas e entrecortadas a um ideal que não fica completamente esclarecido nem é defendido.

Anahy de las Misiones foi uma boa surpresa, ainda que tardia, já que a maioria dos filmes brasileiros continua muito ruim. Carecemos de bons roteiristas e de bons argumentos. Contrapontos são os excelentes filmes argentinos. Experimentem assistir O Segredo dos seus Olhos...

domingo, 27 de março de 2011

A Estação do Conhecimento


Hoje fui visitar a Estação do Conhecimento, instalada na antiga gare da Ferroviária de Santiago. Eu, minha mãe Lidia e a amiga Lúcia Décimo fomos assistir ao filme Anahy de las Misiones, com Marcos Palmeira, Araci Esteves, Dira Paes e Giovanna Gold.
Lúcia e Mãe Lidia no guichê de venda de passagens

Mobiliário e ferramental preservados

Nasci e me criei na Rua Barão do Ladário, que acaba (ou começa) no largo da Estação Ferroviária. São inesquecíveis as aventuras que vivemos na Estação, numa época em que os trens de passageiros e de cargas faziam da nossa rua uma das mais movimentadas de Santiago. Vivíamos na plataforma, brincando e observando o intenso movimento de pessoas que chegavam e partiam. Quando ouço a música Encontros e Despedidas, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, lembro imediatamente daqueles dias felizes:

“...Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...”
O sino anunciador das chegadas e partidas
O caminho até a Estação do Cinema
E foi o que senti hoje: que a vida voltou àquele lugar de tão boas lembranças, agora transformado num espaço que preserva a memória da ferrovia e desenvolve projetos e programas  que envolvem conhecimento e cultura, sob a responsabilidade da Prefeitura Municipal de Santiago.
Painéis contam a história da Ferrovia
Entrada da Estação do Cinema
Sala de cinema
Enfim, está aberta à comunidade mais uma opção de lazer e cultura. Espero que a participação seja efetiva. A entrada é franca. Apreciei muito!

sábado, 26 de março de 2011

Cântico de amor a Porto Alegre que aniversaria e por nós vela

Olho Porto Alegre da minha janela. Estou em pleno Centro Histórico, a uma quadra da Rua da Praia, cercada de casas açorianas, aqueles sobrados estreitos, espremidos entre os paredões dos arranha-céus, alguns desfigurados pela ignorância dos puxadinhos e das cruéis reformas que não respeitam a fachada típica dos fundadores da vila primeira que também se chamou Porto dos Casais.

No peitoril da janela, um bebedouro atrai beija-flores e outros pássaros coloridos, ansiosos e alegres clientes da aguinha fresca de todos os dias, não importa a estação. Não sou a única a ter visitantes tão brejeiros. Nos prédios vizinhos também há apreciadores dessa deliciosa convivência.  Água não falta, já que o Guaíba corre pertinho... Desconfio que as adoráveis avezinhas voam distribuindo alegria, tal qual a cidade que nos acolhe,  em qualquer circunstância.
Não sou nativa do lugar. Venho de uma cidade longínqua, a oeste do Rio Grande, como muita gente que aqui se aquerenciou. Meu tempo finda e vou dizendo logo que gostei muito da hospedagem. Porto Alegre aceita todos. É a madre de Deus. Gentil e bela, graciosa. Não mais bela ainda porque as gentes que aqui vivem não a respeitam. Aproveitam-se de sua generosidade sem limite e medida. Sujam e conspurcam seus caminhos e vias, de terra e água, entulhando-os de lixo, como se não fossem condôminos a partilhar o mesmo espaço. Ainda irão aprender, os ingratos, que nada é para sempre, segundo a lei do eterno retorno...
De qualquer forma, a placidez das manhãs que nascem luminosas, rubras e rosadas, tingindo-se, logo após, de azuis inimagináveis, bem da cor do ar da terra que aqui está e o céu que nos cobre, se quisermos acreditar nos insuficientes olhos com que viemos ao mundo (que me perdoe Saramago, mas metade desta frase é dele!), esta cidade tudo esquece de ruim que lhe fazem e o sol, ao fim da tarde, num espetáculo de pura magia, trata de agradecer a Porto Alegre por mais um dia de júbilo, escondendo-se no estuário, para que logo a lua alta brilhe e continue a iluminar a bela e magnânima que por nós vela.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pegada hídrica

O conceito de “pegada hídrica” foi criado por Arjen Hoekstra, professor de Gestão dos Recursos Hídricos da Universidade de Twente, na Holanda e diretor científico da organização Water Footprint Network, e designa o volume total de água utilizado direta e indiretamente no ciclo de vida de bens de consumo ou serviços.

Hoekstra explica que o desenvolvimento do conceito de pegada hídrica nasceu de uma necessidade, já que a água doce é um recurso bastante escasso atualmente – a disponibilidade é limitada e a demanda é crescente. A pegada hídrica humana, segundo o cientista, excedeu níveis sustentáveis em diversos lugares e é desigualmente distribuída entre as pessoas. Ele acredita que boas informações sobre a pegada hídrica de comunidades e empresas vão ajudar a entender como é possível conseguir uma utilização mais saudável e equitativa da água doce.

A utilização de selos em produtos informando quanto foi emitido de dióxido de carbono (CO2) na sua produção – conhecida como pegada de carbono – já é adotada por diversos fabricantes europeus, como a rede de supermercados britânica Tesco. Agora surgem os selos com dados sobre o consumo de água, ou simplesmente a pegada hídrica. E a primeira empresa a imprimi-los nas embalagens é uma indústria de cereais da Finlândia, chamada Raisio.

O cereal Elovena, feito com aveia, ganhou um selo que indica quanto de água foi utilizada na cadeia de produção - do crescimento dos grãos no campo a produção e descarte. Para fabricar 100 gramas do produto foram necessários 101 litros, a maior parte para o cultivo da aveia.

Devido às condições climáticas da Finlândia, onde é alto o volume de chuvas, a empresa afirma que não é necessária irrigação e a água é utilizada como parte do seu ciclo natural. Além disso, segundo a Raisio, não há descarte de água, uma vez que os flocos de aveia são obtidos por vaporização.

Como base de comparação, uma xícara de café precisa de 140l de água, enquanto que um quilo de carne utiliza inacreditáveis 16.000l de água para chegar aos açougues.

Em 2002, para fabricar um litro de cerveja, a Ambev usava 5,36l de água. Inovações nas fábricas fizeram com que esse número caísse para 3,9l de água para cada litro de cerveja. Parte dos resultados se deve a ações como o reaproveitamento da água que vem de atividades como lavagem de tanques, garrafas e limpeza. Algumas unidades de fabricação destacam-se por números bem menores - a de Curitiba utiliza 3,2l e as fábricas de Brasília e de Goiânia, 3,4l para cada litro de cerveja produzida. Para 2012, a meta global é alcançar 3,5l de água para cada litro de cerveja produzida.

A Raisio afirma ser a “primeira do mundo a adicionar etiquetas H2O nas embalagens de produtos”. Para chegar ao consumo, a empresa desenvolveu um modelo próprio para fazer os cálculos, a partir da utilização de dados sobre a evaporação da água fornecidos pelo Instituto Meteorológico da Finlândia.

Apesar de ser considerada louvável a atitude da empresa finlandesa, grupos de pesquisadores que trabalham no desenvolvimento de uma metodologia para a pegada hídrica alertam que ainda são necessárias melhorias efetivas para garantir que o consumidor possa comparar as informações de produto para produto, uma vez que não existe uma ferramenta de cálculo internacional.

Uma rede de empresas, ONGs, governos e as Nações Unidas, chamada Water Footprint Network (Rede Pegada da Água), foi criada justamente com o objetivo de criar a ferramenta adequada.

Uma pesquisa feita pela rede sobre o fluxo de água virtual (aquela utilizada para a produção de bens e alimentos) entre os anos de 1997 e 2001 mostra que os maiores exportadores de água em produtos agrícolas e industriais são Estados Unidos, Canadá, França, Austrália, China, Alemanha e Brasil. Já entre os maiores importadores estão novamente os Estados Unidos e a Alemanha, seguidos Japão, Itália, França e Holanda.

Segundo a publicação Globalization of water: Sharing the planet’s freshwater resources, a pegada hídrica média anual per capita é 1.243m³; a de um brasileiro, 1.381m³ e a de um norte-americano, 2.483m³.

No site da rede, criado pela Universidade de Twente, da Holanda, é possível conferir a pegada hídrica de diferentes produtos, incluindo alimentos, roupas e bens eletrônicos. Ele inclui tanto a água utilizada no processo de fabricação quanto no transporte dos produtos.

As empresas interessadas em mapear o uso de água e medir os riscos relativos às operações globais e à cadeia de suprimentos podem utilizar a ferramenta Global Water Tool, criada pelo Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD).

Fonte de consulta: Encarte Nosso Mundo Sustentável (ZH de 21mar2011)

sábado, 19 de março de 2011

Ensinando com talento, alegria e descontração

Admiro muito os profissionais do magistério que, além de cumprirem com zelo a sua missão de educar, provocando o interesse dos alunos em assimilar as informações, transformando-as em conhecimento, usam talento e criatividade para tornar as aulas interessantes e prazerosas.
 
Exemplo ímpar de envolvimento, dedicação e prazer de compartilhar conhecimento é o Professor Ms. João Paulo de Oliveira, de Diadema, São Paulo, cujas ações educacionais extrapolam intensamente os limites do inusitado, tal a paixão, o vigor, a inovação e a disposição em dividir, alegremente, sua bagagem cultural, proporcionando que os educandos adquiram um ingrediente fundamental para o crescimento intelectual - a inquietação - capaz de abrir novas fronteiras e formar cidadãos conscientes e críticos.

Pois a última "invenção" do Professor João Paulo diz respeito diretamente aos gaúchos. Admirador da cultura rio-grandense, trabalha muito, em sala de aula, o livro Contos Gauchescos e Lendas do Sul, de João Simões Lopes Neto. Na semana passada, ele resolveu adquirir a indumentária completa do gaúcho e, no domingo, devidamente pilchado, acompado de sua esposa e de sua netinha, foi participar de um típico evento gaúcho, no CTG Meu Pago, às margens da Represa Billings, em Diadema, na região do ABC(D) Paulista, onde apreciou apresentações artísticas e deliciou-se com um típico churrasco gaudério.
Ontem, novamente pilchado, encontrou-se com alunos da escola para mais um sarau literário, em que foi trabalhado o conto "O Boi Velho", de Simões Lopes Neto.
Parabéns, Professor João Paulo, pela bela lição de amor e dedicação ao ofício nobre de ensinar com talento, alegria e descontração!

Visitem o belo e interessante blog do Professor João Paulo de Oliveira, que é um apaixonado, também, pela sétima arte, em Celulóide Secreto, Outro Viés, http://joaopauloinquiridor.blogspot.com

sexta-feira, 18 de março de 2011

Lágrimas de água

Após o terremoto de 8.9 e o tsunami que provocaram grande tragédia no Japão, na semana passada, o debate mundial gira em torno do uso da energia nuclear para geração de eletricidade. A possibilidade real de contaminação do ambiente e da população pelo vazamento da radiação está provocando pavor nos quatro cantos do mundo, já que esta forma de produção de energia está largamente disseminada – na França, 77% da geração de energia sai de usinas nucleares; na Ucrânia, 47%; na Suécia, 43%; na Coreia, 34%; no Japão e na Alemanha, 24%; nos Estados Unidos, 19%; na Rússia, 16%; no Canadá, 14%; na China, 2%. Em nível mundial, o percentual chega a 13,5.

Como aconteceu em Three Miles Island nos EUA, em 1979 e em Chernobyl, na URSS, em 1986, recrudesce o pânico em vista das lamentáveis consequências causadas pelo vazamento da radiação, que significam doença, degeneração e morte, degradando as áreas afetadas por muitos anos.

Os japoneses, com sua expertise, já encontraram soluções que permitem manter em pé enormes edifícios mesmo após a ocorrência de violentos terremotos, porém, ainda não inventaram nenhuma engenhoca anti-tsunamis e muito menos, dominam tecnologia que evite vazamento de radiação nuclear. Assim, não me parece muito lógico nem muito inteligente que continuem investindo nesse tipo de matriz energética, a menos que pretendam sumir do mapa, tal a frágil situação geológica em que se assenta o arquipélago, sobre duas placas tectônicas que frequentemente se reacomodam.

Também não consigo compreender a demora do governo em evacuar a área afetada em torno da usina de Fukushima. Não seria mais sensato remover a população imediatamente, ao invés de alargar a temerária discussão se é de 30 ou 80 Km a distância necessária para a proteção das pessoas, na área de exclusão?

De qualquer maneira, a situação é desesperadora, embora o bravo povo japonês, diz o noticiário, aparente serenidade. Desconfio que são gente de emoção controlada, incapazes de demonstrar reação em público, entretanto a alma chora, sem que a lágrima aflore, inundada de mágoa. São humanos, como qualquer ser humano, tão sensíveis e talentosos que construíram um país lindo e vão reconstruí-lo, apesar da dor e da calamidade.

Só posso desejar superação. Super ação.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Dá-lhe, Imortal Tricolor!

Grêmio x Caxias foi um jogo emocionante, o melhor da primeira fase do Campeonato Gaúcho, um dos mais disputados a que já assisti. O Caxias foi um time brilhante e não fossem a garra dos jogadores gremistas e o suporte fantástico da torcida, teríamos sucumbido pois, ao final do primeiro tempo, perdíamos por 2 x 0, quando William Magrão marcou o primeiro gol. O segundo, só foi surgir aos 50 minutos do segundo tempo, com Rafael Marques (santos e justos acréscimos!).

Na decisão por pênaltis, Victor defendeu dois e o Grêmio venceu por 4 x 1.

Grêmio, campeão da Taça Piratini! Dá-lhe, Imortal Tricolor!

Imagem: Terra Esportes