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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Cisne Negro

Thriller psicológico inspirado no famoso balé O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, Cisne Negro é um festival de interpretação, roteiro, direção e coreografia. Concorre ao Oscar em diversas categorias e certamente vai levar o de melhor atriz para Natalie Porter.

O Lago dos Cisnes conta a história de Odette, linda, pura e virginal menina que foi sequestrada e aprisionada no corpo de um cisne branco pelo diabólico feiticeiro Rothbart. Pelo feitiço, de dia ela e seu séquito seriam cisnes e à noite reassumiriam sua forma humana, desfazendo-se o sortilégio somente se um homem lhe jurasse amor verdadeiro. Com o sequestro de Odete, sua mãe, de tanta tristeza, chorou copiosamente e suas lágrimas transformaram-se num lago em que os cisnes se reuniam.

Após ganhar de aniversário um arco e flechas, o Príncipe Siegfried saiu para caçar na floresta e chegou ao lago dos cisnes. Ao cair da noite, viu as aves transformando-se em mulheres e se apaixonou pela Rainha dos Cisnes, Odette, convidando-a para um baile na noite seguinte.

No baile, Rothbart aparece com sua filha Odile, com a aparência de Odete, mas como se fosse um cisne negro transformado. Ela seduz Siegfried e ele lhe jura amor eterno, pensando ser Odette. Ao chegar ao baile, o cisne branco percebe que o único que a amou não lhe era mais fiel e, portanto, o feitiço não seria quebrado.

Voando de volta para o lago dos cisnes, Odette se depara com Siegfried, que lhe pede perdão e entende que a Rainha dos Cisnes será para sempre uma ave. Desesperada e magoada, o Cisne Branco atira-se no lago e morre, porque somente a morte lhe daria a tão sonhada liberdade.

Em Cisne Negro, Nina (Natalie Portman), delicada menina que dança há quatro anos na famosa companhia de balé do coreógrafo Thomas Leroy (Vincent Cassel), ainda não interpretou grandes papéis em suas produções.

Entretanto, com a aposentadoria forçada da grande diva Beth Macintyre (Winona Ryder) o papel principal da próxima produção da companhia de balé, O Lago dos Cisnes, fica vago. Nina consegue o papel, apesar de Thomas entender que sua disciplina e delicadeza virginal são perfeitas para o papel do Cisne Branco, mas carece de malícia para interpretar a luxuriosa e sedutora Cisne Negro.

Complicador da trama é o fato de Nina ser filha de uma ex-bailarina que sequer chegou perto do estrelato e, como é comum nessas situações, projeta na filha suas frustrações. Isso concorre substancionalmente para a fragilidade psicológica de Nina, que costuma coçar-se de nervosa até sangrar, arranca pedaços de pele, é bulímica, cleptomaníaca e extremamente retraída.

Nos ensaios, Thomas insiste categoricamente que Nina precisa libertar-se de sua ortodoxia e buscar seu lado selvagem e livre, ou seja, somente conseguirá interpretar a Rainha dos Cisnes com perfeição se deixar de lado um pouco de seu perfil “cisne branco” e permitir-se viver as experiências e a selvageria do cisne negro.

Somem-se às pressões para viver esse que é dos maiores e mais complexos da história do balé, o perfil paranóico de Nina e a admissão da livre, espontânea e selvagem Lilly (Mila Kunis) na companhia. Todos esse fatores agravam o já fragilizado quadro psicológico de Nina, principalmente quando a nova bailarina é perfeita para o papel e acaba sendo nomeada como sua substituta. Nina, então, se envolve num thriller psicológico cheio de referências a “O Lago dos Cisnes” e onde o espectador não consegue distinguir entre realidade e esquizofrenia.

O diretor do filme, Darren Aronofsky, volta a debruçar-se sobre a perturbada mente humana, transformando as paranóias da protagonista no ápice do roteiro (assim como ele fez em Pi de 1998, Requiem For a Dream de 2000 e The Wrestler de 2008). Em Cisne Negro encontramos Natalie Portman excessivamente magra, infantilizada, lotada de feridas de balé e refém das pressões de sua mãe que a tem como alvo de sua frustração profissional.

Essas alterações de personalidade de Nina e principalmente sua transformação no Cisne Negro na noite de estréia de O Lago dos Cisnes são cenas fortes, pois seu alter ego deixa bem claro que, para que a bailarina possa interpretar essa personagem, é capaz de tudo, inclusive de cometer crimes. E isso fica demonstrado pela atuação genial de Natalie Portman, mas também pelas tomadas das câmeras, posicionadas bem próximas dos persoangens, parecendo que são perseguidos, além de um roteiro linear intercalado com flashes de alucinações, e da trilha sonora ser uma repetição intensa e non-stop dos atos de O Lago dos Cisnes.

Não percam. Vale a pena assistir.

2 comentários:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Depois de ler sua resenha fiquei mais propenso ainda em assistir, com celeridade, esta película!
Saudações cinéfilas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

Keyla G. F. Pereira disse...

Olá,
eu já estava querendo assistir o filme, por eu ser uma bailarina. mas além de bailarina sou blogueira e estava a procura de algum comentário sobre o filme, ao encontrar seu blog. Seu texto além de me inspirar, me deixou com mais vontade de ver o filme.

beijos, obrigada por me tocar e inspirar.
keyla-gfp.blogspot.com