Acompanhando Interface Ativa!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Google é condenado a indenizar jornalista gaúcha por danos morais

Empresa não retirou do ar comunidade que difamava assessora de comunicação de São Luiz Gonzaga


A Justiça condenou o Google Brasil a pagar R$ 5 mil a uma assessora de comunicação de São Luiz Gonzaga, nas Missões. Aline de Oliveira Fernandes, 24 anos, descobriu uma comunidade do Orkut com o título “Detesto essa Aline Louca”, que a ofendia e difamava, e processou a empresa.

Na própria página da rede social, por meio do botão “Denunciar abuso” a jovem pediu a exclusão do conteúdo, mas não obteve resposta. Na Justiça, Aline pediu que a comunidade fosse retirada do ar e o pagamento de indenização por danos morais.

— Espero que outras pessoas sigam meu exemplo e não se calem diante de injustiças — desabafa a jornalista.

Depois de recorrer da sentença em setembro de 2008, o Google Brasil foi condenado a pagar R$ 5 mil à gaúcha.

— Foi demonstrado no processo que a empresa foi negligente e não tirou a comunidade do ar, apesar das solicitações — diz o juiz Luiz Antônio de Abreu Johnson.

Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça do Estado, a empresa já entrou com recurso. Procurado por ZH, o Google Brasil, por meio de sua assessoria, disse não comentar casos específicos.

Meu Comentário!

A nota acima, publicada na ZH Digital, hoje, 29, demonstra que o anonimato na internet é passível de ser identificado e alcançado pela Justiça.

É praxe alguns blogueiros, sem compromisso com a ética e a verdade, se valerem de supostos comentários anônimos para divulgarem boatos e assacar acusações a terceiros, quando não querem assumir o ônus da manifestação e da possível necessidade do ônus da prova - Não fui eu que disse, a informação é anônima!.

Agora, fica muito claro que a não há mais fonte anônima na internet para proteger boateiros e caluniadores contumazes.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ler é acordar para a vida


Inicia hoje a 13ª Feira do Livro de Santiago, organizada pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura. A abertura oficial é às 20h. De 23 a 26 de novembro, na Praça Moysés Vianna, muitas pessoas poderão acordar para a vida, através da leitura. Não percam esta oportunidade!
Grandes autores estarão presentes no evento. O cartunista Santiago, patrono da Feira, é um artista talentoso que engrandece a Terra dos Poetas. Igualmente, Fabrício Carpinejar, Letícia Wierzchowski e Iotti já são por demais conhecidos do grande público. Os escritores da terra, não menos talentosos, também vão apresentar a sua produção literária. Estou curiosa para apreciar os lançamentos de Froilam Oliveira, Erilaine Perez, Lígia Rosso, Breno Serafini, Tadeu Martins, Oracy Dornelles e tantos outros, que fazem desta terra um lugar especial para se viver e... ler, muito!

domingo, 20 de novembro de 2011

Celebrar é preciso!


Villa Michelon


Passei o final de semana na Serra Gaúcha, mais especificamente no Vale dos Vinhedos, para participar de um encontro raro. O local era especial, o Hotel Villa Michelon, um lugar paradisíaco, onde a natureza é pródiga e o ar é mágico, carregado de perfumes e de beleza. Mais especiais ainda eram as pessoas que foram celebrar 40 anos de formatura no curso de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – os formandos da AEA 1971.

Não. Eu não era uma das formandas. Sou jornalista e este é um singelo relato do que vivi e presenciei nesse encontro emocionante. Acompanhava o Vulmar, um dos agrônomos da turma de 1971.

Creio que os tempos vividos na Academia são muito marcantes na nossa vida. Colegas se tornam amigos, companheiros, enfrentam os mesmos problemas, sentem falta da família, muitas vezes distante; estudam juntos; convivem estreitamente e criam vínculos que perduram para sempre, mesmo que a distância os separe, inevitavelmente.

O encontro começou a ser preparado, em todos os detalhes, a partir de janeiro de 2011. A primeira providência foi localizar os colegas, espalhados por todo o Brasil. Eram 50. A internet foi um mecanismo de busca precioso. Um a um, foram sendo contatados. Um blog foi criado e, a cada dia, fotos da época e informações eram acrescentadas. E-mails eram trocados diariamente. Sete colegas, lamentavelmente, haviam falecido, mas todos foram encontrados.

Enfim, foi marcada a data do encontro – 18, 19 e 20 de novembro, no hotel Villa Michelon, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. No grande dia do encontro e da confraternização, lá estavam 35 colegas e suas companheiras.

Engenheiros Agrônomos UFRGS 1971
Vulmar, Venturella, Mauro e Gastão






Asseguro-lhes que as amplas e confortáveis dependências da Villa Michelon se tornaram pequenas para tanta alegria e emoção pelo reencontro. A cada abraço, a cada aperto de mão, a vida era celebrada e voltava 44 anos atrás, quando jovens cheios de sonhos e de vitalidade se encontraram pela primeira vez. 
Foi um privilégio conhecer a todos.  

sábado, 12 de novembro de 2011

Eu quero!



“A pessoa lê se quer ler… querer impor a leitura, não. Criar condições para que a leitura seja possível e criar condições sobretudo na escola, sim. Se não se começa a aprender a gostar de ler na escola, nunca mais, ou muito dificilmente.”

José Saramago

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Por que roubam os comunistas?

Por Eugênio Bucci, Revista Época, 24out2011

“Em 1989, aos 26 anos, o cineasta Steven Soderbergh ficou famoso com Sexo, mentiras e videotape. Duas décadas depois, lançou Che, um épico dividido em duas partes, ou dois filmes em sequência: no primeiro, Che Guevara vira guerrilheiro em Cuba; no segundo, ele vai para a Bolívia instalar um foco revolucionário. No primeiro, Che sai consagrado, aos 30 anos. Do segundo, saiu morto, carregado por um helicóptero.

A cena final do primeiro filme é inesquecível. Pode ser vista como um trailer do pesadelo ético que a esquerda viveria na América Latina a partir de então. O protagonista Che Guevara (Benicio del Toro) vai pela estrada, dentro de um jipe sem capota, na direção de Havana. É janeiro de 1959. O ditador Fulgencio Batista fugiu. Fidel Castro venceu. De repente, passa pelo jipe um vistoso conversível, dirigido por um dos comandados de Che. No automóvel, moços e moças festejam, cabelos ao vento. Che ordena que parem. “Que carro é este?”, pergunta ao motorista. “Era de um francoatirador”, diz ele. O comandante se enfurece. Manda que seu subordinado volte, devolva o carro e só depois vá para Havana, a pé, se for preciso.

A mensagem do líder era simples e direta: a revolução não era um movimento de ladrões.

Na biografia que John Lee Anderson escreveu sobre Guevara, há uma passagem parecida. De novo, estamos às voltas com automóveis. Agora, Che é ministro das Indústrias, no regime comunista de Havana. Certo dia, seu vice-ministro, Orlando Borrego, aparece na repartição com um Jaguar esporte, novinho, que encontrara numa fábrica. O chefe o interpela aos palavrões e o obriga a devolver o carro. Borrego passaria os 12 anos seguintes dirigindo um Chevy mais simples, sem opcionais. Outra vez, a mesma mensagem: a revolução não admite ladrões.

Acontece que a História (com “H” maiúsculo, como alguns preferem) não é heroica. Ela é uma piadista. Quando morreu pelas armas dos militares bolivianos, Che estava magro e doente. E os ladrões proliferaram nas fileiras de esquerda. Rechonchudos e felizes. Não roubaram apenas automóveis, mas utopias. Transformaram sonhos dos camaradas em butim. Estão por aí, de terno, gravata e dinheiro vivo dentro de casa. Nisso se resume o grande dilema existencial e político das organizações de esquerda.

Comunistas, quando corruptos, roubam a razão pela qual morreram todos os guerrilheiros. Ao se acovardar diante da corrupção ou, pior, ao julgar que podem se extrair vantagens táticas da corrupção, um partido de esquerda abdica de acreditar na igualdade de oportunidades. Logo, abdica de sua herança simbólica e de nomes como Che Guevara. É bem verdade que Che se tornou um homem embrutecido, violento, comandando execuções às centenas, sem processo justo. O lendário guerrilheiro foi, a seu modo, um misto de verdade e de loucura (“tanta violência, mas tanta ternura”). Fez sua guerra, sujou as mãos de sangue e topou pagar o preço de sua escolha. O que importa, agora, é que ladrão ele não foi. E isso importa porque não foi a selvageria da batalha que corrompeu a esquerda: foi o roubo.

Passemos ao Brasil de 2011. Passemos para hoje. Estamos aí atordoados com mais um escândalo, outra vez embaralhando ONGs, mas agora com militantes e ex-militantes do PCdoB e autoridades do Ministério dos Esportes. Passarão meses, talvez anos, até que saibamos quem de fato tem culpa no cartório, se é que o tabelião e os cartorários não estavam no esquema. Desde já, porém, sabemos que há milhões e milhões de reais em irregularidades, tudo em nome de dar assistência a crianças carentes que não recebiam assistência nenhuma.

A corrupção virou a pior forma de barbárie de nossa democracia não apenas porque mercadeja com o destino de crianças ou porque sacrifica vidas em hospitais imundos e estradas abandonadas, mas principalmente por ter transformado a política numa indústria complexa, cuja finalidade é a apropriação da riqueza de todos para fins privados (e fins partidários são fins privados). Na esquerda, a corrupção se qualifica: emprega métodos bolcheviques e se justifica sob licenças ideológicas que enaltecem o crime comum como se ele fosse a própria trilha de libertação dos oprimidos. É uma corrupção delirante, que se julga uma nova modalidade de guerrilha contra o capital, mas que, no fundo, presta serviços ao que há de pior no capital.

Comunistas e socialistas, quando corruptos, roubam enfim a razão pela qual morreram todos os guerrilheiros. Traindo seus mortos, traindo os desaparecidos, o corrupto de esquerda se sente vitorioso. Acha que pode passear de conversível sem ser incomodado.”

Cia da Pizza


Ontem...

Hoje!
Paixão, via Gazeta do Povo, PR

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sete lições de ouro de Steve Jobs



Steve Jobs, o gênio criador da Apple, se foi. Prematuramente. Responsável por revolucionar ao menos três segmentos da indústria (computação pessoal, música, e telefonia) e inovar outra (animação para filmes) – Jobs morreu na quarta-feira, aos 56 anos de idade.

No site da Apple, uma nota faz uma homenagem a Jobs: "A Apple perdeu um gênio visionário e criativo, e o mundo perdeu um ser humano incrível. Aqueles que tiveram o prazer de conhecer e trabalhar com Steve perderam um amigo querido e um mentor inspirador. Steve deixa para trás uma companhia que somente ele pode erguer e seu espírito será para sempre a essência da Apple".

Criativo, inovador, perfeccionista ao extremo e com um instinto de marketing digno de um pop-star, cada discurso de Steve Jobs sempre foi esperado como um grande evento de cultura pop. Algumas de suas lições já entraram para a história:

1. A inovação define líderes e seguidores.

A inovação só conhece um limite: a imaginação. Quem quiser ganhar um lugar de destaque tem que pensar de forma original, além dos quatro cantos do seu escritório. A inovação não precisa ser tecnológica, pode ser um novo meio de fazer as coisas, com mais simplicidade e eficiência, uma abordagem diferente em relação ao cliente, uma linha de design mais elegante.

2. Seja um fanático pela qualidade. A maioria das pessoas não está acostumada a um ambiente onde a excelência é a regra.

A excelência não admite atalhos. Para alcançá-la, além de estabelecê-la como prioridade, terá que empenhar tempo, talento, habilidades e dinheiro para alcançar aqueles dois passos a mais, que fazem toda a diferença.

3. A única maneira de fazer um grande trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o trabalho que preenche seus sonhos, não se acomode. Com todas as forças do seu coração, saberá quando encontrar.


Felicidade, sucesso e excelência se alcançam por quatro palavras: faça o que ama. Encontre a profissão que lhe dê um senso de profundo significado, direção e satisfação na vida, o que contribuirá não apenas para sua saúde e longevidade, mas também na maneira como vai enfrentar os tempos difíceis, quando vierem.

4. Um conceito do budismo é uma mente aprendiz. É maravilhoso ter uma mente aprendiz.

Uma mente aprendiz vê as coisas como são, e num relance pode perceber o significado real de atos e pessoas. Desenvolver uma mente aprendiz inclui observar o mundo e as coisas livres de preconceitos, julgamentos e fórmulas prontas, como uma criança que descobre o ambiente ao seu redor cheio de curiosidade e êxtase.

Sabe aquelas perguntas óbvias que as crianças fazem que não conseguimos responder? Aí está a mente aprendiz.

5. Eu sou a única pessoa que eu conheço que perdeu 250 MILHÕES DE DÓLARES em um ano. É o tipo de coisa que molda um caráter.

Não confunda cometer erros com ser um erro. Não há pessoa de sucesso que não tenha cometido erros na vida, e as que tiveram mais sucesso foram as que arriscaram mais, cometeram mais erros, aprenderam com eles e melhoraram sua performance. Steve Jobs, assim como Michael Jordan, seguiram este caminho.

Você pode encarar um erro como uma besteira a ser esquecida, ou como um resultado que aponta uma nova direção.

6. Nós existimos para deixar uma marca no universo. De outra maneira, por que estaríamos aqui?

Você já percebeu que temos coisas imensas a alcançar nesta vida, e estas conquistas futuras acabam sob o pó da rotina enquanto nos servimos mais uma xícara de café e nos enrolamos com nossas pequenas burocracias?

7. Nosso tempo de vida é limitado, não o gaste vivendo a vida de outras pessoas.

Não fique preso a dogmas, não deixe o ruído de outras pessoas vencer sua voz interior e, mais importante, tenha a coragem de seguir seu coração e intuição que, em algum nível, já conhecem a verdade. Todo o resto é secundário.

Você já cansou de viver os projetos e sonhos de outras pessoas? É da nossa vida de que estamos falando, e temos todo o direito de definir e percorrer nosso caminho individual, sem os grilhões ou sutis barreiras criadas por outras pessoas.

É preciso se dar a chance de nutrir suas qualidades criativas, livre de pressões e medos que, na maior parte das vezes, nós mesmos construímos ao nosso próprio redor.

Agora, que tal desligar o iPod e pensar nos seus sonhos?


Fonte: Administradores.com.br

domingo, 25 de setembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Desabrochando


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."
Clarice Lispector

Período maior de luz solar traz disposição e bom humor na nova estação


Além do inspirador colorido das flores, a primavera traz também, para a maioria das pessoas, um sentimento de renovação de energias que tem, segundo especialistas, relação com o sol e com a maior luminosidade da nova estação - ou seja, com o fim do inverno, a estação mais fria e escura do ano.
— No inverno, a falta de luminosidade provoca uma alteração na produção de melatonina, um hormônio produzido pelo cérebro durante a ausência de luz ou à noite. A presença do sol interrompe essa produção, fazendo com que aqueles sintomas de cansaço, sonolência, indisposição e preguiça, comuns no inverno, acabem desaparecendo — explica a psicóloga Anissis Moura Ramos.
A falta da luz solar, típica do inverno, quando o dia termina mais cedo, pode causar outras alterações químicas, especificamente na produção da serotonina, um neurotransmissor que regula o humor, o sono e também o apetite. De acordo com Anissis, um maior período de sol favorece as questões neuroquímicas.
— Consequentemente, as pessoas terão mais disposição para realizar tarefas, pois o humor estará melhor. Com isso, haverá uma melhora também na autoestima, deixando a pessoa mais confiante, motivada, sentindo-se de bem com a vida, mais alegre — afirma.
Para o psiquiatra Nélio Tombini, chefe do serviço de psiquiatria da Santa Casa de Porto Alegre, outra explicação para o "ânimo primaveril" é o fato de que, atualmente, as pessoas sentem necessidade de sair com outras, estar na rua, movimentar-se.
— Claro que o sol é estimulante, mas, como no inverno tende-se a ficar mais em casa, as pessoas ficam mais abatidas e queixosas. A empolgação com o começo da nova estação é também cultural — defende.
O maior período de insolação, a beleza da estação e a expectativa da chegada do verão permitem que se passe mais tempo ao ar livre, fator que contribui bastante para o bem-estar e a qualidade de vida.
— Ao ar livre, aumenta a capacidade criativa das pessoas, elas sentem mais liberdade, relacionam-se mais, conseguem apreciar a natureza. Isso permite que elas se "desliguem" das preocupações do dia a dia — completa a psicóloga.
Fonte: Jornal Zero Hora on line

sábado, 17 de setembro de 2011

Ao piano, Ana Luiza Saldanha Andres




Minha adorável e talentosa sobrinha, Ana Luiza, interpreta Comptine d’un autre eté, de Yann Tiersen. Bravo!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Naíse em sintonia com você

Minha querida amiga e colega, Naíse Quartieri, agora também transita pelo mundo dos blogs! Acaba de lançar Naíse em sintonia com você, homônimo ao programa que mantém, aos sábados à tarde, na Rádio Central FM.
Além da inteligência, do preparo intelectual e da eficiência profissional, Naíse se distingue pela amabilidade, pelo dom da comunicação e pela extrema gentileza com que trata todas as pessoas, independentemente de convívio ou laços. Acima de tudo, sinto-me privilegiada em ser sua amiga e acompanhar o seu merecido sucesso, fruto de talento ímpar.
Para conhecer o blog, acesse: http://naiseemsintoniacomvoce.blogspot.com
E participe do programa, aos sábados, das 15 às 16h, na Rádio Central FM - 87,9.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Câmara analisa marco civil na Internet

"O governo enviou na semana passada para a Câmara dos Deputados, o projeto de Lei (PL 2126/11) que cria o marco civil da internet.

O texto prevê o estabelecimento de direitos e obrigações para aqueles que usufruem da rede, além de estabelecer diretrizes para a atuação da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios no desenvolvimento da internet no Brasil.

Segundo o deputado Newton Lima (PT-SP), a aprovação do projeto vai primeiro estabelecer os direitos e deveres dos usuários para depois traçar punições. "Nenhuma legislação pode ferir o direito à privacidade. Vamos colocar ordem na discussão, agora o carro ficará atrás dos bois", disse o parlamentar em referência ao PL 84/99, de relatoria do deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que, como ele, é membro da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

Este segundo projeto de Lei prevê a alteração do Código Penal e cria punições para crimes de internet, como o armazenamento de dados de endereços de IP por até três anos para casos de envolvimento em invasão de sistemas, negação de serviço, roubo de dados e disseminação de vírus, porém sem a criação de deveres para aqueles que fornecem conteúdos.

Já de acordo com Azeredo, os dois textos são distintos, mas merecem igual atenção. "Não sou contra. Ambos podem e devem ser votados", defendeu. O projeto do governo está sob análise da CCTCI."

Fonte: Blog do Cláudio Humberto

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

De dar dó!


Paixão, via Gazeta do Povo

O papel moral do jornalismo


Por Aldo Fornazieri*

A política brasileira passa por um daqueles momentos em que torna o seu ar pouco respirável. As denúncias de corrupção avolumam-se em todas as esferas da Federação e em todos os Poderes. Políticos e altos funcionários, ou seus parentes, enriquecem da noite para o dia. Licitações milionárias são fraudadas e recursos, desviados. Uns admitem, publicamente, que usam a passagem por cargos governamentais para traficar informações privilegiadas. Outros, sem nenhum rubor, afirmam que fazem caixa 2 e que "todo político faz". O clientelismo (troca de apoio por cargos), uma forma clara de corrupção política, adquiriu status de plena normalidade. Em vários setores do Estado - do município à União - existem quadrilhas incrustadas, desviando recursos, exigindo propinas. Agentes da lei e da fiscalização achacam por toda parte.

Em contrapartida, o Ministério Público, um baluarte da conquista redemocratizadora, parece acanhado e contido. A Política Federal, hiperativa nos últimos anos contra a corrupção, o narcotráfico e o crime organizado, foi reduzida quase à inatividade na atual gestão do Ministério da Justiça. Houve um claro desinvestimento nos avanços que a política nacional de segurança pública havia alcançado. Alguns ministros de tribunais superiores parecem ser agentes do Executivo e do Legislativo no Judiciário. A separação e o mútuo controle dos Poderes da República praticamente não existem. Os órgãos de fiscalização e controle do Estado em relação à sociedade, aos agentes econômicos e aos agentes públicos ou não têm estrutura suficiente ou são inertes, quando não coniventes com a ilegalidade. Justiça e permissividade são quase termos sinônimos no Brasil. Por mais assustador que seja o assalto ao bem público, quase ninguém é punido.

Esse estado de coisas não é novo e decorre de várias deficiências da nossa formação histórica. De um lado, tivemos raros espasmos de cidadania e formação social ascendentes. O Estado, quase sempre dominado por interesses particularistas, foi o fautor da sociedade. Patrimonialismo, ineficácia da lei e impunidade constituem um triângulo amoroso desde longa data. Na política, os partidos nunca assumiram o paradigma de que as virtudes cívicas republicanas - entendidas como preeminência do bem e do interesse público, liberdade, igualdade, participação política e combate à corrupção - deveriam constituir-se na essência da ação. Nesse particular, temos uma grave falha no jogo governo versus oposição, inerente ao sistema republicano.

Em primeiro lugar, porque os partidos que ascendem ao poder, por não possuírem a ideologia das virtudes cívicas republicanas, terminam por governar segundo a lógica dos interesses e dos grupos privados. Em segundo lugar, a oposição, por também não agir a partir desse mesmo paradigma, não cumpre a sua função precípua. Qual seja: a oposição, por ser oposição, deveria, por dever de ofício, fiscalizar, denunciar e cobrar o governo naquilo que ele tem de insuficiente, mal feito e corrupto. Toda oposição que cumpre a sua função se torna virtuosa, porta-voz da opinião pública que quer moralidade política na conduta dos governantes. Para que essa função possa ser cumprida a oposição precisa ter legitimidade, que decorre da coerência de sua ação com paradigma da virtude cívica.

O PT, na oposição, pelo seu combate à corrupção, chegou a exercer com certa eficácia a função da virtude cívica. Mas, no governo, ao assumir o clientelismo político como condição de governabilidade e ao permitir que ocorressem vários casos de corrupção, mostrou que o seu posicionamento moral oposicionista era muito mais retórico e instrumental (disputa de poder) do que uma ideologia efetivamente republicana.

O PSDB saiu do governo tisnado por várias denúncias. Assim, na oposição, tem escassa legitimidade e pouca força para exercer a função de uma oposição virtuosa. Os demais partidos de centro são caracterizadamente partidos de negócios. O fato é que os partidos não agem para se elevarem à condição universalizante visando a estabelecer a sua identidade com o interesse público e, portanto, com o Estado. A prática do clientelismo político e da corrupção perfaz o caminho inverso: degrada o Estado, identificando-o com os interesses particulares.

Nesse grave contexto de pardidez e de indiferenciação política, o que sobra é a imprensa como cumpridora da função da virtude cívica. O problema aqui não se resume ao cumprimento dos códigos de ética do jornalismo. Todos sabem que por detrás do jornalismo existem empresas privadas com seus interesses particulares. Para que a eficácia empresarial do lucro se realize o interesse da empresa precisa ser mediado pelo interesse do público no contexto da informação. Mas, no caso do jornalismo político, o interesse do público se confunde com o interesse público. Dada a existência das particularidades partidárias e da diversidade social, a imparcialidade da informação é condição de credibilidade do jornalismo político e de eficácia da empresa de mídia em seus objetivos. Quanto mais livre e pluralista for a imprensa, mais tendente será à imparcialidade, à independência, à objetividade e à responsabilidade, constrangida pelo princípio da concorrência. Uma empresa que fixar sua linha editorial no denuncismo e na parcialidade pagará seu preço, pois o consumidor da informação perceberá que ela distorce o conteúdo da realidade informada.

Para além dessas questões teóricas, a evidência empírica das últimas décadas mostra que, de modo geral, a imprensa vem cumprindo bem a função de zelar pela moralidade pública. Quase todas as denúncias publicadas resistiram às contraprovas e comprovaram a sua pertinência. Os governantes, a oposição e a Justiça, se fazem alguma coisa, é a reboque da imprensa.

*Diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)

Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Vamos dizer adeus à caligrafia?*


Será que o ato de escrever sobre o papel, com caneta ou lápis, está com os seus dias contados? Tendo em vista o avanço da tecnologia, cada vez mais utilizada, parece que sim. Até as máquinas de escrever foram definitivamente aposentadas (a última fábrica fechou, há poucos dias...), com o advento do computador e da impressora.

É uma pena.

Sempre gostei de usar o lápis, bem macio. Deixa a letra mais bonita. Ou canetas à tinta. Não vou abandonar o hábito.

De qualquer maneira, leiam a interessante matéria publicada na Revista Piauí:

*Por Bernardo Esteves 

“No dia 27 de julho encerrou-se mais um acampamento de caligrafia promovido pela empresa americana Noble of Indiana. Na tradição dos acampamentos de verão, os alunos fizeram exercícios para estar com a letra melhor no retorno das aulas, em setembro. Só que desta vez, eles não precisarão mais de uma boa caligrafia, pois o estado de Indiana aboliu o ensino da escrita cursiva, aquela com as letras emendadas umas às outras.
 
No memorando que anunciou a decisão, o Departamento de Educação de Indiana liberou as escolas do ensino da letra cursiva para que possam se concentrar em “áreas mais importantes do currículo” Na prática há, agora, a determinação para que os alunos sejam proficientes no uso do teclado – sinal de que o avanço dos teclados de computadores, laptops, tablets e celulares é inexorável e proporcional ao recuo de canetas e lápis.

O caso de Indiana não é exceção: 44 estados americanos já adotaram o currículo que desobriga os estudantes de ter uma boa caligrafia. No Brasil, o Ministério da Educação determina a “exigência de qualidade da produção escrita do aluno” no que se refere “tanto aos aspectos textuais como à apresentação gráfica”. Ou seja, ao não entrar em detalhes, cada escola faz o que bem entende com a caligrafia. Mas, na prática, o ensino e a exigência da boa caligrafia são generalizados.

O anúncio do fim da letra cursiva em Indiana provocou no Brasil senão uma onda senão de protestos, ao menos de lamentos e nostalgia. As lamúrias têm um precedente ilustre. “A escrita mecanizada priva a mão da dignidade no domínio da palavra escrita e degrada a palavra, tornando-a um simples meio para o tráfego da comunicação” queixou, há quase 70 anos, o filósofo Martin Heidegger. “Ademais, a escrita mecanizada tem a vantagem de ocultar a caligrafia e, portanto, o caráter do indivíduo”. Heidegger reclamava, numa palestra que fez em 1942, da adoção progressiva das máquinas de escrever.

A letra cursiva, porém, sobreviveu às máquinas de escrever manuais, (que só agora, em 2011, deixaram de ser fabricadas) como resistira antes ao advento da prensa mecânica. Tanta resiliência se deve à sua agilidade e praticidade. Escrever à mão é simples e barato. Não há necessidade de máquinas, de energia elétrica ou baterias, de suportes complicados. Basta papel e caneta.

Os jovens americanos nunca escreveram tanto quanto hoje, mas já não se valem dos meios tradicionais. Segundo um estudo realizado no ano passado pela Nielsen, o adolescente americano manda e recebe, todo mês, em média 3.300 mensagens de textos por celular (um SMS para cada nove segundos de vigília, caso ele durma oito horas por noite). O fim do ensino da letra cursiva reflete esses novos hábitos – um dia também foi preciso tirar do currículo a marcenaria para os meninos e a costura para as meninas.
As crianças que deixarem de aprender letra cursiva pagarão um custo cognitivo, ao menos segundo alguns estudiosos. Pesquisas indicam que a escrita manual estimularia os processos de memorização e representação verbal. Por ironia, um desses estudos mais recentes vem da própria Universidade de Indiana. Feito com crianças em idade pré-escolar, ele sugere que a prática do desenho de letras estimula a atividade cerebral em regiões ligadas ao processamento visual.


Mas a substituição da escrita manual pela digitação não assusta o neurocientista Roberto Lent, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Não há grande diferença entre traduzir ideias em símbolos com movimentos cursivos ou através da percussão de teclas”, ele disse. “Ambas são atividades motoras e envolvem grupos neuronais diferentes da mesma área do cérebro”. Para Lent, as implicações culturais da mudança são mais preocupantes do que as fundo biológico. “Será interessante para a humanidade não saber mais escrever?”, pergunta.

A digitalização da escrita tem benefícios indiscutíveis em alguns campos. É louvável a extinção da tradicional letra feia dos médicos. A medida poupa pacientes e farmacêuticos de quiproquós caligráficos de consequências às vezes funestas. Que o diga a família de um paciente encaminhado ao pronto-socorro de Belo Horizonte por conta de um corte que precisou ser suturado. Para prevenir infecções o médico receitou-lhe o antibiótico Keflin. Diante dos garranchos à sua frente o enfermeiro não hesitou em lhe aplicar uma dose de Quelicin, que induz a paralisia muscular, usado em casos de entubação. O paciente não resistiu.

É previsível que os profissionais da caligrafia se incluam entre as viúvas da letra cursiva. O professor Antônio de Franco Neto, que dirige uma tradicional escola paulistana de caligrafia, deplora o abandono do ensino de sua disciplina. Mas garante que a procura por suas aulas nunca esteve tão alta. Entre seus alunos estão vestibulandos e concurseiros de letra feia, e também garçons e outros profissionais que precisam se comunicar por escrito. Para ele, não há caso perdido. “Em dois meses deixo qualquer pessoa com a letra bonita”, promete.

Segundo De Franco, tem crescido o número de alunos que querem se capacitar para a prática profissional da caligrafia, preenchendo convites de casamento, diplomas e certificados. Este nicho tem sido ocupado por gente como Mariana Allves, que arredonda o orçamento de casa com trabalhos caligráficos. Em junho, ela fez uma capa de livro e preencheu 500 convites de casamento. “Tirei mais de 1 um mil reais, foi um mês extraordinário”, disse.

Profissionais que vivem da análise da escrita alheia tampouco se veem ameaçados. Na avaliação do advogado Judá Jessé de Bragança Soares, trabalho é o que não falta para peritos grafotécnicos como ele. “A perícia normalmente é feita mais sobre as assinaturas do que sobre os textos escritos”.

Mesmo para a grafologia, disciplina que alega depreender traços do caráter de um indivíduo a partir de sua escrita, a perspectiva profissional é favorável. “O mercado é bem amplo”, disse a grafóloga Elisabeth Romar. A principal demanda por exames grafológicos vem dos departamentos de recursos humanos. Os recrutadores querem saber se os candidatos a emprego têm criatividade, equilíbrio, liderança e espírito de equipe. Acreditam que a análise de um texto de 20 linhas escrito numa folha sem pautas é capaz de esclarecer a questão. Heidegger concordaria.”
Fonte: Revista Piauí, n° 59

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Não tem nada de mais...*

Por Carlos Alberto Sardenberg

A cultura do vale tudo: se os outros podem....

"A semana trouxe contribuições inestimáveis para a série “Não tem nada de mais. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Antonio Dias Toffoli, pegou uma boca-livre em um belíssimo hotel na ilha de Capri, a convite do advogado Roberto Podval, que levou um grupo de amigos, na faixa, para seu casamento lá.

Ocorre que Podval advoga no Supremo e tem, no momento, processos relatados pelo ministro Toffoli.

Em nome da ética, da prudência e da necessidade de manter a aparência da coisa certa, o ministro deveria: ou não aceitar a cortesia ou não julgar os processos do noivo.

Certo?

Errado, disse o ministro, explicando que ninguém tem nada a ver com sua vida privada e que não é amigo íntimo do advogado, podendo, pois, julgar seus casos.

Já Podval disse que são amigos há muitos anos e que é um absurdo imaginar que Toffoli dê uma sentença favorável por causa de dois dias grátis em Capri.

Ocorre que o noticiário e os críticos não haviam dito isso que o advogado estava, digamos, comprando um voto. Ao contrário, se dizia que justamente para evitar esse tipo de desconfiança e de suspeita, o juiz deveria evitar esses eventos.

Quando os dois envolvidos na história dizem que “não tem nada de mais, mostram não perceber a dimensão do serviço público. Toffoli tem maior resposabilidade. Mas o advogado amigo deveria evitar o convite ao menos para não pensarem que ele recorre a artifícios não jurídicos.

Foi só um gravador

Uma comissão do Senado Federal, em decisão assinada por José Sarney, declarou que não tem nada de mais quando um senador, incomodado com uma pergunta, arranca o gravador das mãos de um repórter.

Quem fez coisa errada, diz o senador envolvido no caso, Roberto Requião, foi justamente o repórter, ao fazer perguntas indevidas (sobre a aposentadoria do político).

Vai daí que uma pessoa qualquer, irritada com um discurso do Sarney, por exemplo, pode ir lá e arrancar o microfone?

Aí tem muito, não é mesmo?

Político e dono

O sujeito é deputado e depois senador. Como parlamentar, vota o orçamento da União, obras e gastos. Como integrante da base do governo, indica nomes para cargos no Executivo e nas estatais.

Paralelamente, empresas das quais esse político é o dono conseguem contratos com o governo e estatais.

Qual é o problema? – questiona o senador Eunicio Oliveira. Não tem nada de mais, dizem correligionários e colaboradores, pois ele não participa da gestão das empresas. É só o dono, nem sabe como funciona o negócio.

Só embolsa os lucros, porque, afinal, o senhor sabe, a empresa é dele.

O caso das empresas do senador Eunício tem sido mais frequente na mídia, mas essa relação é comum no país.

E é flagrantemente irregular. É claro que não pode.

Não pode o juiz aceitar uma boca-livre do advogado. Não pode o senador tomar o gravador. Não podem as empresas do senador contratarem para o governo dele.

Não se sabe o que é mais absurdo, o fato ou a singela resposta: Não tem nada de mais.

Se todos roubam...

Mais ou menos na mesma linha, a coluna da semana passada, sobre o uso de dinheiro público na Copa e seus estádios, provocou respostas que nos deixaram entre surpreendidos e preocupados.

Alguns leitores aderiram totalmente à tese do “locupletemo-nos todos”. Se tem roubalheira por toda parte, escreveram, se os políticos se aproveitam dos cargos, se o governo ajuda tantas empresas e bancos, por que não dar dinheiro para os estádios da Copa?

Leitores corintianos alguns, claro, foram ainda mais longe. Acham que seu time tem o direito de receber dinheiro público para a construção do estádio por uma série de motivos: é um time popular, ou seja, representa parte do povo sua torcida movimenta negócios outros times ganharam presentes equivalentes e, afinal, todo mundo mete a mão.

No que se refere ao debate proposto sobre a prioridade dos gastos públicos, vale a pena gastar em estádios em vez de aplicar em hospitais e escolas? O estádio do Corinthians seria a melhor maneira de estimular o desenvolvimento da região de Itaquera? – algumas respostas foram ainda mais desanimadoras. Alguns leitores simplesmente entenderam que sendo o colunista um torcedor do São Paulo, estava simplesmente tentando torpedear o estádio do rival.

Outros ainda disseram que havia uma conspiração carioca para levar o jogo de abertura para o Maracanã.

Digamos, com boa vontade, que há aí apenas o efeito negativo de paixões regionais e/ou por clubes. Mas é preocupante a freqüência com que se repete o argumento pela generalização da roubalheira. Se todos pegam o dinheiro público para fins pessoais, partidários ou de grupos, não tem nada de mais você pegar o seu".

*Publicado em O Globo, 28 de julho de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Mas Que Coisa!!!*

"Para quem gosta da Língua Portuguesa, curiosidade como esta é interessante. Acompanhe o texto e veja que "coisa estranha" para se pensar.

O substantivo "coisa" assumiu tantos valores que
cabe em quase todas as situações cotidianas.

A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.

A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar ”.

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as "coisas" nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha.

Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha.

Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.

Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "-Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!".

Devido lugar

"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)". A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. "Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas. Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

...) No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro".

Cheio das coisas

(...) Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.
A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: "Agora a coisa vai." Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

Coisa à toa

Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira "cousa".

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.

Mas, "deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida", cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda.

Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: "amarás a Deus sobre todas as coisas".

Entendeu o espírito da coisa?"

*Por Maria Helena R. R. de Sousa, in Blog da Maria Helena: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/

terça-feira, 5 de julho de 2011

Tempo de conciliação




Interessante o artigo do jornalista Merval Pereira para o jornal O Globo, edição de hoje. Fala justamente da justiça histórica do reconhecimento da valia do Plano Real para a estabilização econômica do país.

"Estamos em tempos de conciliação política e consequente revalorização da importância do Plano Real na História do país. O reconhecimento da presidente Dilma Rousseff do papel fundamental do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no fim da hiperinflação e consequente estabilização econômica, que permitiu a retomada do planejamento para o desenvolvimento do país, e os generalizados aplausos na morte do ex-presidente Itamar Franco, reconhecido como o responsável pela implantação do Plano Real, fazem parte desse novo cenário que recupera a História do Brasil.

Não é por acaso, portanto, que o excelente livro de Miriam Leitão "Saga brasileira, a longa luta de um povo por sua moeda" está em primeiro lugar na lista dos mais vendidos no país há seis semanas seguidas.

Além da sua qualidade intrínseca, o livro chega numa hora em que o país redescobre seu passado, abafado há quase dez anos por campanha política negacionista que tinha o fim único de exaltar o governo petista pela anulação dos méritos de governos anteriores.

Pura tática marqueteira que deu certo até que dois acontecimentos tiveram a capacidade de destampar o passado recente: os 80 anos de FH e a morte de Itamar.

Ele e Fernando Henrique, corresponsáveis pela mais exitosa ação político-econômica do Brasil moderno, foram separados pela disputa política, mas nunca chegaram a romper, como aconteceu com Lula e FH.

A tradicional disputa entre criador e criatura deu-se mais uma vez. Mas, se dependesse de Itamar, o candidato do Plano Real teria sido o então ministro da Previdência, Antonio Britto, hoje afastado da política partidária e presidindo a Abifarma.

E não há dúvidas de que Itamar levou para o túmulo mágoas que seu espírito trêfego não conseguia superar, como a certeza de que sua importância na História do país havia sido reduzida pelo protagonismo de Fernando Henrique, a quem não perdoava por ter aprovado a reeleição quando ele, Itamar, considerava-se no direito de ser o candidato à sucessão.

A partir de então, passou a confrontar Fernando Henrique, primeiro tentando ser o candidato do PMDB contra a reeleição de sua "criatura". Foi humilhado pela direção nacional do PMDB na convenção nacional, que decidiu apoiar a reeleição.

Um depoimento isento é o do ex-ministro da Fazenda Rubem Ricupero, que afirma que a importância de Itamar para a estabilização da economia foi decisiva porque, naquele momento de transição, ele era o único que acreditava que seria possível dar um golpe definitivo na inflação.

Mas Ricupero sabe que Itamar não "tinha uma ideia clara" de como fazer isso e andava em busca de um novo Plano Cruzado. "Inclusive, depois que o real foi introduzido, Itamar ainda queria um congelamento de preços", lembra Ricupero em entrevista à BBC.

Por diversas vezes o ex-presidente Itamar o classificou como o "sacerdote" ou "apóstolo" do Real, mas Ricupero desconfia que "ele fazia isso principalmente para retirar um pouco do crédito pelo Plano Real da equipe de Fernando Henrique Cardoso."

Havia muita mágoa. Itamar era político interessante, imprevisível, reagia espontaneamente a tudo, tinha algumas ideias fixas — umas bem atrasadas como um nacionalismo que não se modernizou: era contra todas as privatizações, embora tenha sido no seu governo que a CSN foi privatizada.

A ideia do relançamento do fusca não tinha cabimento, mas embutia a proposta de um carro popular, o que mais tarde foi feito com carros economicamente viáveis.

Ele tem todos os méritos por permitir que o Plano Real se efetivasse, mas durante sua gestação várias vezes atrapalhou, como quando quis o congelamento de preços a que se referiu Ricupero.

Seu sonho dourado era a popularidade que o Plano Cruzado trouxera ao ex-presidente José Sarney, e, se dependesse dele e de seus assessores, a República do Pão de Queijo, seriam tomadas medidas populistas que prejudicaram o Cruzado e inviabilizariam o Real.

Tinha uma visão política muito provinciana, mas tinha também vantagens competitivas que eram inerentes a seu caráter e formação, qualidades que infelizmente hoje são mais relacionadas a políticos à moda antiga, que morriam pobres como ele morreu, qualidades ressaltadas em um tempo em que poucos anos de atividade parlamentar, até mesmo a vereança, já levam políticos a ficarem milionários.

Conseguiu participar de um governo que foi impedido pelo Congresso por corrupção sem se envolver nas falcatruas, o que permitiu fazer a transição política para o governo FH.

Reuniu todos os partidos em torno dele, apenas o PT ficou de fora. Itamar tinha uma intuição política muito aguçada, que alguns consideravam apenas sorte, mas Tancredo Neves classificava de "destino".

Estava sempre no lugar certo na hora certa. Ser vice de Fernando Collor, tudo indicava, era estar no lugar errado naquela corrida presidencial de 1989, mas ele teve a intuição de que aquela aventura daria certo.

Collor tinha razões importantes para colocar um político como Itamar na vice, para dar credibilidade à sua candidatura.

Várias vezes o mercurial Itamar renunciou ao cargo durante a campanha, como um Jânio vice de outro Jânio.

Conseguiu se manter em posição de neutralidade durante o curto governo, o que não prejudicou sua carreira e, em vez de ter sido contaminado pelo que ocorria nos bastidores, soube se manter distante e se qualificou para comandar um governo de união nacional que foi fundamental para a realização do Plano Real.