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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Violência na Escola. Também sobra para o professor

Assisti, na semana passada, na TV Globo, ao programa Profissão Repórter, do excelente jornalista gaúcho Caco Barcelos. O assunto da vez era a violência que assola as escolas brasileiras, especialmente os ataques de alunos a professores, o que tem causado, além de graves danos à integridade física, uma espécie de pânico generalizado entre os professores, afetados por doenças psicossomáticas que os impedem de manter a regência de classe. Muitos se afastam e não voltam, incapazes de superar as pequenas tragédias diárias, acumuladas ao longo de anos, num espaço que deveria ser de aprendizado constante para a superação da ignorância, onde vigorassem a paz e a harmonia, amparadas no respeito mútuo e na disciplina.

Por mais que já conhecesse sobre o assunto, fiquei horrorizada pelo nível da violência praticada pelos estudantes. Até mesmo crianças pequenas munem-se de paus, porretes, pedras, tijolos e qualquer material que possa servir para hostilizar e ferir quem os “ameaça”. No caso, a ameaça, vejam só, é tentar ensinar, é ousar manter os alunos em sala de aula, é querer que aprendam a ser cidadãos...

Sei que já vai longe o meu tempo de estudante, mas não presenciei, jamais, seja no primário, no secundário, no médio ou na universidade, qualquer situação parecida. Quando fui cumprir o estágio regulamentar do curso de Letras da UFSM, a instituição era o Colégio Hugo Taylor, escola pública que funcionava no prédio que pertencera à Cooperativa dos Ferroviários de Santa Maria, outrora poderosa mantenedora de extraordinários cursos profissionalizantes. Hoje, infelizmente, com o desaparecimento do transporte ferroviário, o imóvel abriga o supermercado Carrefour. Pois bem, peguei uma turma de 30 meninos, da quinta série. –Terríveis, me advertira o diretor: - Mantenho a turma, aqui, ao lado da sala da direção, porque não há dia em que não aprontem. - Ninguém os quer! Confesso que entrei na sala um pouco temerosa. Inglês era a disciplina. Porém, o temor desapareceu em segundos e o que se estabeleceu durante os seis meses em que atuei, como estagiária, foi uma agradável parceria, amizade mesmo. Nas primeiras semanas, o diretor vinha espiar, constantemente, pela porta envidraçada, incrédulo, talvez, com a mudança dos meninos. Devo dizer que naquela época não havia violência, apenas indisciplina e desinteresse. Acontece que os tratei com amor e o resultado veio. Foi a minha única experiência como professora. Preferi o jornalismo. Letras era, apenas, o curso acessório ao de Comunicação.

De qualquer maneira, posso avaliar o que sofrem hoje os professores. Mal pagos, mal preparados, reféns de políticas de educação de péssima qualidade. Recebem, a cada ano, um depósito de crianças desajustadas, sem referências familiares de afeto, segurança, proteção e, principalmente, de limites. Então, só podemos esperar que impere a lei do cão.

Escutei, esses dias, num programa de rádio que discutia a violência causada pelo consumo de drogas (inclusive nas escolas), uma frase lapidar do psicanalista Paulo Alberto Rebelatto: “uma criança que não é criada próxima da barra da calça do pai e da barra da saia da mãe e não aproveita a barra de giz da escola, está fadada à barra das grades da cadeia e à barra de madeira de um caixão”. Triste, mas verdadeira a sentença.

O que podemos fazer para mudar essa realidade?

9 comentários:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Parabenizo-a por trazer à baila tão cruciante tema, que desvela sem máscaras o conflito de interesses que impera nas relações entre regidos e regentes... No meu viés somos vítimas da patologia que afeta sobremaneira a sociedade, que é a "cegueira branca"... Na sua breve, mas auspiciosa experiência, no exercício da regência, a Senhora colocou em ação a condição "sine qua non" para alicerçar as relações entre regentes/regidos, que é o AMOR!!!!!!!!... Por conta dos ofícios que exerço em duas municipalidades, Diadema e São Paulo, ocupando os cargos de regente das séries iniciais do Ensino Fundamental e Coordenador Pedagógico, me deparo no cotidiano escolar com situações insólitas, que muitas vezes me deixa sem chão, mesmo com o meu viés pedagógico, alicerçado no amor, autoestima, olhar diferenciado e sofreguidão pelo conhecimento...
Nos incontáveis cursos de formação que participo sempre o foco é a metodologia de ensino e o despreparo dos regentes para torná-la um fato. É evidente que a metodologia de ensino e a formação dos regentes têm papel preponderante na aprendizagem dos alunos, mas não adianta um regente erudito, amoroso e com viés micro/macro, se além dos muros da escola, a vivência do aluno não tem ressonância nas competências leitora e escritora. Por outro lado fiquei estarrecido quando ouvi uma parceira de ofício, que compartilho a regência no Ensino Fundamental, ministrando o componente curricular de Arte, proferir sem nenhum constrangimento que não sabia quem foi o notável pintor paulista de Itu-SP, José Ferraz de Almeida Junior [sic]...
Max!!!!... Traga meus sais centuplicado!!!!...
Calorosas saudações pedagógicas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

Edward de Souza disse...

Prezada amiga Nivia!
Aí está o Natal, manifestação cristã de nosso anseio de harmonia e felicidade, esperança de um mundo melhor. O ano de 2010 chega ao poente à espera do alvorecer de 2011. Entre o ocaso e o romper da aurora, noites estreladas de um verão vivo. Vamos deixar aflorar nossas virtudes. Como diria São Tomás, um hábito do bem, com ânimo e coragem de agir racionalmente.

Vamos aplaudir a chegada dos novos tempos, muitos dias para saborear a vida em 2011. Nossa nova jornada será de sucesso, de colheita de sorrisos e conquistas. Dias para rever a beleza que nos rodeia, para abraçar os amigos, cantar, sentir o aroma das plantas e agradecer ao criador. Resta-nos renovar nossos espíritos, deixar que a água do mar, mesmo a da torneira, toque nosso corpo para nos lembrar que vamos recomeçar com ânimo a caminhada rumo a um futuro pleno de luz. O sol do amanhã nos e embala e nos convida para uma grande e agradável aventura.

Um Feliz Natal e próspero Ano Novo, querida amiga!

Edward de Souza

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Meu telefone portátil vibrou!!!... Preciso dizer quem era?!... Claro que era a minha amiga, a dona Miquelina (huhum)!!!!... Ela pediu a minha intercessão para postar um comentário na brilhante e imperdível crônica, que sua maravilhosa e erudita verve nos brindou, que versa sobre a violência reinante soberana no cotidiano escolar, e diz que assina embaixo o que a Senhora escreveu e o comentário que fiz versando sobre o tema!!!!... Aproveita o ensejo para indagar se a Senhora tem na sua dvdteca a película "As três faces de Eva", que o cineasta Nunnally Johson dirigiu em 1957, estrelado pela renomada atriz Joaanne Woodward, porque se a Senhora não tiver ela pretende dar-lhe de mimo!!!!... Também disse que enviará de mimo para minha adorada neta o desenho "Pinóquio", que o saudoso Walt Disney trouxe à luz em 1940!!!!...
A ligação foi interrompida de supetão!!!!
Calaoroso abraço! Saudações natalinas e angelicais!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

CrisFonseca disse...

Cara Nivia

Gostei muito de sua crônica, que me fez pensar no quanto os nossos governantes têm neglicenciado, deixando de investir em Educação.
E já que o professor JPaulo, falou em filmes, que tal rever o filme " Ao Mestre com Carinho".
Creio que seria uma boa sugestão de final de ano para os que se inspiram nestas datas festivas de final de ano, para reverem seus valores e renovarem propósitos de concórdia e fraternidade.
bjos..

CrisFonseca disse...

Cara Nivia..
Esqueci de parabeniza-la pelos 50 mil acessos!!
Você merece pela lisura, amizade, fidelidade, profissionalismo, elegância, inteligência, carinho, ética, cultura, dedicação, altruísmo,e principalmente Educação. Pela referência e pela diferença.
Muito mais sucesso pra vc e seu blog é o meu desejo e o meu sincero agradecimento por este espaço que vc me permite frequentar.
bjos

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Por Dionísio!!!... Estou exaurido, porque novamente meu telefone portátil vibrou!!!!... Preciso dizer quem era?!... Claro que era a minha amiga, a Dona Miquelina (huhum)!!!...
Ela disse-me que a parabeniza pelos mais de 50.000 (cinquenta mil) acessos, que seu imperdível espaço cibernético já teve e também diz que assina embaixo o que a nossa confrade e amiga Cristina Fonseca escreveu e acrescenta que a Senhora também é solidária, boníssima, belíssima e erudita!!!! O seu atual marido (ela foi viúva 4 vezes...), o Coronel Epaminondas Albuquerque Pinto Pacca, a copeira Hermenegilda e o seu noivo, o bombeiro Godofredo também são seus fãs de carteirinha!!!... Na quarta-feira, quando esteve na Cripta da Catedral da Sé, desfiou o Santo Rosário inteiro em sua intenção, solicitando a intercessão do poderoso Cacique Tibiriça e da Nossa Senhora de Guadalupe, com o escopo de protegê-la de pessoas sarnentas, digo, peçonhentas e de todos os perigos e males que a possam afligir!!!!...
A ligação foi interrompida de supetão!!!
Calorosas saudações miquelinaians!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

MACAU BANGKOK O MAR DO POETA disse...

Ao ler seu interesse artigo, triste fiquei ao tomar conhecimento, que afinal esse problema de agressão escolar, igualmente se passa nesse belo país canarinho.
Em Portugal esse problema é tema diário, são os alunos que agridem os professores, sãos os pais dos alunos que lhe seguem o exemplo, e existem, infelizmente, também muitos professores que agridem e tratam mal os alunos.
Na Tailandia, o professor é imensamente respeitado, ele é o mestre, um mestre especial dedicado, amigo e tido em alta consideração, não só pelos alunos como pelos pais dos mesmos.
O meu sincero obrigado pelo tema que apresentou, é bom saber-se a realidades dos factos.
Cordiais saudações

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Estimado confrade e amigo António Cambeta!
Fico feliz em saber que você conheceu e também já é seguidor do imperdível espaço cibernético da jornalista Nivia Andres!!! Tenho certeza que você também ficará encantado com a erudição da articulista, que filtra com seus viés arguto e requintado os fatos que nos afligem na contemporaneidade e nos brinda com suas reflexões sensatas e que jamais são pautadas na "cegueira branca"!!!
Muito oportuno seu comentário, que denota que os cruciantes problemas que nos afligem também são a tônica no Reino distante além-mar.
Você também nos faz refletir como a cultura oriental valoriza sobremaneira os regentes, que têm status nobilíssimo!
Caloroso abraço! Saudações fraternais!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

MACAU BANGKOK O MAR DO POETA disse...

Uma professora de um infantário em Jiangsu, na China, foi detido depois de vários estudantes terem regressado a casa com queimadiras na face. A professora de 30 anos, identificado apenas por Yi, usava um pequeno ferro eléctrico para "castigar" os alunos mais mal-comportados. Na última terça-feira outra professora passou pela sala e ouviu os gritos das crianças, quando entrou e viu Yi a ameaça-las com o ferro. Yi defende-se dizendo que apenas usava o instrumento para "assustar" os meninos mal comportados. Uma das mães, Cheg Sixia (na imagem), diz que o seu filho chegou a casa com ambos os lados da face queimados. A professora disse que o rapaz "caíu na casa-de-banho, depois de outro o ter empurrado". As crianças, que agora precisam de ir a Xangai para fazer tratamento, eram instruídas pela professora para guardar silêncio sobre os castigos.

Estes casos aconteceram na Republica Popular da China, Na Tailandia tudo é bem diferente, nunca se ouviu ou veio publicado nos jornais, algum acto de agressão aos alunos, ou por parte destes aos professores.
Um abraço amigo