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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O papel do consumidor na mudança de visão das empresas

Minha sobrinha, Marcela Andres Finamor, publicou mais um artigo na mídia, desta vez no Portal UOL - Coluna Tendências, sobre o papel que exerce o consumidor na mudança de visão das empresas. Apreciem.

A Revolução Industrial, sem dúvida, foi o marco inicial da criação do conceito de empresa e, com ele, surgiram as ideias de produção em escala, em série e de homogeneização, a fim de aumentar o número de produtos no mercado para reduzir o custo. Mas foi a partir da 2º Guerra Mundial, com o advento da Revolução Tecnológica, que ocorreu sua consolidação.

A visão da empresa, naquela época, se baseava na unilateralidade da produção, isto é, o fornecedor estabelecia o que, como e quando produzir. Como consequências deste modelo advieram os vícios e os defeitos nos produtos e serviços. Então, no intuito de amenizar as lesões provocadas ao consumidor por este modelo, no decorrer do tempo foram criados mecanismos de proteção, tanto na ótica do regramento jurídico como nas questões de educação da sociedade.

No Brasil, a defesa do consumidor foi tratada como direito fundamental expressamente disposto na Constituição Federal. Porém, para regulamentar tal direito foi necessária a elaboração de uma norma. Assim, em 1990, nasceu o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que delimitou os direitos e os deveres dos participantes da relação de consumo, entendidos como consumidor, fornecedor e produtor.

Nestes 20 anos de existência do CDC, a legislação não cumpriu apenas o papel de punir as práticas ilícitas no comércio. Foi além, pois, aliado ao trabalho de educação e informação realizado por órgãos da sociedade, tornou o consumidor consciente de seu status de sujeito de direitos e deveres, possibilitando que, cada vez mais, reclame qualidade e respeito no que lhe é ofertado. Este novo posicionamento influencia diretamente no processo de tomada da decisão de compra. A tendência é de se ver consumidores socialmente responsáveis, exigindo das empresas produtos e serviços engajados nessa causa, melhoria contínua em seus processos e produtos e comprometimento com todas as partes interessadas.

Desta forma, a antiga visão centrípeta de empresa, baseada no lucro a qualquer custo, vem dando espaço à visão de sustentabilidade empresarial, definida como um conjunto de práticas que procuram demonstrar o seu respeito e a sua preocupação com as condições do ambiente e da sociedade em que estão inseridas. Esta nova mudança de comportamento foi motivada por várias questões, tais como regulação de leis, de valores morais e de regras de conduta, considerando-se os consumidores, a comunidade e os colaboradores como elementos essenciais para o desenvolvimento e atuação das empresas no mercado. O reflexo destes novos valores traz uma mudança radical no papel das corporações diante da sociedade, pois com a reavaliação de antigos conceitos, aos poucos, revelam-se companhias realmente comprometidas na construção de uma cidadania, desde que se engajem na busca de soluções para os problemas que vivemos.

Assim, o cenário vai se modificando, ocasionando a flexibilização do lado selvagem do capitalismo em prol da estabilidade. As empresas que pretendem se consolidar no mercado precisam se adaptar aos acionistas, à comunidade e, acima de tudo, aos consumidores, os quais exercem um papel cada vez mais influente nessa mudança enfrentada pelas corporações em todo o mundo.

Para tanto, as empresas precisam agregar a dimensão da sustentabilidade em suas atividades, com perspectiva de médio e longo prazo, compreendendo que devem exercer um papel estratégico nos temas acima mencionados. Um bom exemplo de como operacionalizar tal dimensão em seus negócios pode ser visto quando as companhias criam critérios de sustentabilidade para aquisição de seus bens e serviços, criando uma cultura nova que atinge toda a cadeia produtiva, assegurando com isso que o consumidor possa exercer uma escolha adequada em termos de seus próprios valores no seu cotidiano.

*Marcela Andres Finamor é advogada do escritório Emerenciano, Baggio e Associados – Advogados, filial de POA.

Um comentário:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
O artigo que sua sobrinha, Marcela Andres Finamor, nos brindou possibilita a reflexão de que as empresas não podem mais encarar o consumidor como desvalido, porque a partir do Código de Defesa do Consumidor uma nova relação se estabeleceu entre eles. Todavia, apesar dos preceitos legais vigentes, é árdua a luta do consumidor para fazer valer seus direitos.
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP