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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Abu não deu bi

Nunca poderia imaginar que o Internacional de Porto Alegre iria perder para o Mazembe do Congo, tal o aparato criado para a vitória. O time desembarcou do Campeonato Brasileiro com muitas rodadas de antecipação, como se o título (possível) não interessasse. Tudo girava em torno do Mundial.

Jamais vista a cobertura da mídia. Investiram fortunas. Até colunista social levaram para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Jornal gaúcho diário na porta dos apartamentos de hotel. Três mil radinhos gratuitos e Rádio FM sintonizada num raio de 10 Km do estádio. Os jogadores, elevados à categoria de deuses, foram levados a acreditar, pelo clima que os envolvia, que eram imbatíveis. E o contingente formidável de torcedores apaixonados também acreditou, não no sonho, ou na perspectiva, mas na realidade criada.

O que saiu errado? Cedo, bem cedo, após 20 minutos de partida, os jogadores perceberam que a realidade era outra. O humilde Mazembe do interior da África não era tão porcaria assim e resistia. E resistia. Ao marcar o primeiro gol, não ensejou reação, a não ser a de surpresa - da imprensa, dos jogadores, do público presente. O segundo gol selou a revelação: Nada se ganha por antecipação. Até mesmo de um time dos grotões da África cuja principal ambição talvez fosse perder por pouco do Inter imbatível, campeão de tudo.

Após a derrota, outra revelação. A imprensa, especialmente a de rádio, acostumada a criar ídolos tão rapidamente quanto os demoniza, falou em vexame e vergonha. O Inter fracassou em seu objetivo porque não foi capaz de fazer os gols necessários à vitória, pelos méritos do adversário, mas não creio que tenha dado vexame ou seus jogadores devam ficar envergonhados. Jogaram lisamente, respeitaram as regras do jogo, só não foram competentes para ganhar. Dino Sani dizia que, em futebol, três resultados são possíveis: vitória, empate e derrota. Hoje, só dois eram viáveis - a vitória de um, com a consequente derrota do outro. Infelizmente, o derrotado foi o Inter…

Com o infortúnio, o time vencedor de tudo, cantado e decantado, passou a vilão - os jornalistas já mandaram embora o técnico e metade dos jogadores… Isso tudo em duas horas de contenda. O futebol é cruel.

Afinal, o que aconteceu? Autossuficiência, salto 15, falta de humildade, incompetência, insegurança? Não sei. Minha reação, a cada gol, foi a de rir. Não para debochar do sofrimento alheio, mas de incredulidade, já que fomos preparados para a vitória do Inter por aparato monumental. Fiquei triste.

Não se espantem. Sou jornalista e gremista.

Escrevi ontem o texto acima. Hoje, ainda enojada com a boçalidade da maioria dos jornalistas esportivos gaúchos, que só falam em fiasco, vexame e vergonha, fui dar uma olhada nos jornais do país e achei uma opinião equilibrada no Estadão, na coluna de Antero Greco. Leiam, é sensato:





INTERNACIONAL, VÍTIMA DE UM VELHO PECADO MORTAL: A PRESUNÇÃO

"O sonho do bicampeonato mundial morreu para o Internacional, no início da noite, em Abu Dhabi, em consequência de um mal recorrente no futebol: a presunção. O time brasileiro tecnicamente era melhor do que seu rival Mazembe, o quase desconhecido representante da África, criou mais oportunidades e teve sempre a certeza da vitória. Até levar o primeiro gol. Então, se descontrolou, abriu-se, deu espaço para o contra-ataque e para os 2 a 0 finais.A responsabilidade de desempenhar papel bonito era do Inter, que entrou em campo com a obrigação de honrar o peso de sua história. Elenco mais badalado, campeão sul-americano, uma vez também campeão do mundo. Tudo a favor dos gaúchos – na teoria. Na prática o favoritismo quase se tornou realidade já aos 10 minutos do primeiro tempo, num chute de Alecsandro que Kidiaba defendeu. O toque de bola também tinha mais qualidade.

Esses indícios de superioridade relaxaram o Inter e foram fundamentais para despachá-lo para a vala das equipes comuns. Guiñazu e sua turma jogaram a etapa inicial com a certeza de que a vitória seria questão de tempo. Minuto a mais, minuto a menos e os africanos seriam devolvidos para o esquecimento de onde vieram. Não havia motivo para apreensão para os milhares de torcedores colorados que se mandaram para o Oriente Médio para fazer festa. O maldito pecado mortal que costuma derrubar gigantes.

A alegria, porém, foi da zebra, que se desgarrou com o gol de Kabangu aos 11 minutos da segunda fase e atropelou o Inter com Kaluyituka aos 40 minutos. Dois gols bonitos, que contaram também com vacilos oceânicos do sistema defensivo brazuca. De quebra, o endiabrado Kidiaba fez mais duas proezas e ainda divertiu a plateia com sua dancinha solitária, sentado e aos saltinhos.

Celso Roth havia dito na véspera do jogo que o Mazembe deveria justificar a segurança de seu treinador, o senegalês Lamine N’Daye, que prometia nova surpresa, depois de derrubar os mexicanos do Pachuca. Pois os africanos, franco-atiradores, não se intimidaram, jogaram sua bola simples e entusiasmada e colocaram o continente pela primeira vez na história na rota de um título mundial. E Roth se enrolou nas substituições, porque não adiantou tirar jogadores experientes como Tinga, Alecsandro e Rafael Sobis. As mudanças reforçaram o fiasco.

Fica a lição para Rafael Benitez, técnico da Internazionale que esteve no estádio. Se sua equipe, que não anda bem das pernas, passar hoje pelo teste com o Seongnam, da Coreia, que se cuide: esse pessoal do Congo gostou de fazer estragos."

Para descontrair, comentário jocoso, enviado para o Estadão por um torcedor, quem sabe gremista, que se denomina brasil!

"Se sou presidente do Grêmio, contrato um dos jogadores do Mazembe. Ou o goleiro ou o que fez o primeiro gol. Pouco importa se são ou não jogadores pro Grêmio. Seria uma jogada de mestre de marketing, e o investimento seria pago em pouquíssimo tempo. Imagine, por exemplo, quantas camisas do Grêmio com o nome de um desses jogadores do Congo seriam vendidas. Fora outras jogadas que poderiam ser feitas."

Um comentário:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Como sou um néscio futebolístico telefonei para o Coronel Epaminondas Albuquerque Pinto Pacca, marido da minha amiga, a Dona Miquelina, que a partir das 14 horas, como faz habitualmente todas às quartas-feiras, estará na Cripta da Catedral da Sé, para desfiar o Santo Ronsário, rogando a intercessão do poderoso Cacique Tibiriça e da Nossa Senhora de Guadalupe, para os males que nos afligem!!!!...
O Coronel Pinto Pacca também é seu leitor e um corintiano fanático que, a exemplo da sua esposa, é seu fã de carteirinha e já tinha lido a crônica alusiva ao esporte da bola!!!! Ele pediu-me para dizer-lhe que assina embaixo suas sensatas ponderações e ai daquele que ousar dizer que a Senhora está sendo bairrista, porque senão ele entrará em contato com seu parceiro de ofício de um dos batalhões da capital do seu Estado Meridional e derrubará o discordante com possantes jatos de água, além é claro das pragas que a sua esposa rogará!!!!...
Daqui a alguns minutos a Dona Miquelina estará na Cripta da Catedral da Sé!!!!!...
Max!!!!!!... Traga meus sais centuplicado!
Caloroso abraço! Saucações pintopaccianas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP