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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Le quattro stagioni

Le quattro stagioni (Op. 8, n. 1-4, RV 271), conhecidos em português como As Quatro Estações, são quatro concertos para violino e orquestra do compositor italiano Antonio Vivaldi, parte de uma série de doze publicados em Amsterdan, em 1725, intitulados Il cimento dell’armonia e dell’invencione. Ao contrário da maioria dos concertos de Vivaldi, esses quatro possuem um programa claro: são acompanhados por um soneto ilustrativo impresso na parte do primeiro violino, cada um sobre o tema da respectiva estação. Não se sabe a origem ou autoria desses poemas, mas especula-se que o próprio Vivaldi os tenha escrito. As qualidades da música de Vivaldi - temas concisos, clareza da forma, vitalidade rítmica, textura homofônica, frases equilibradas, diálogo dramático entre solista e conjunto - influenciaram diversos compositores, entre eles Bach, que transcreveu vários de seus concertos para teclado.

Concerto N.1 - PRIMAVERA (Allegro-Largo-Allegro)

No Largo da "Primavera", o texto conta como o "pastor de cabras adormeceu com seu leal cão ao lado". A música langorosa só é interrompida pelo "ladrido" da viola solo.

Giunt' è la Primavera e festosetti
La Salutan gl' Augei con lieto canto,
E i fonti allo Spirar de' Zeffiretti
Con dolce mormorio Scorrono intanto:
Vengon' coprendo l' aer di nero amanto
E Lampi, e tuoni ad annuntiarla eletti
Indi tacendo questi, gl' Augelletti;
Tornan' di nuovo al lor canoro incanto:
E quindi sul fiorito ameno prato
Al caro mormorio di fronde e piante
Dorme 'l Caprar col fido can' à lato.
Di pastoral Zampogna al suon festante
Danzan Ninfe e Pastor nel tetto amato
Di primavera all' apparir brillante.

Concerto N.2 - VERÃO (Allegro Non Molto-Adagio/Presto-Presto)

O sol abrasador atinge os camponeses, mas uma tempestade se anuncia, eclodindo no terceiro movimento numa furiosa chuva de granizo acompanhada pelo crepitar de uma rápida passagem ornamental na orquestra e no solo.

Sotto dura Staggion dal Sole accesa
Langue l' huom, langue 'l gregge, ed arde il Pino;
Scioglie il Cucco la Voce, e tosto intesa
Canta la Tortorella e 'l gardelino.
Zeffiro dolce Spira, mà contesa
Muove Borea improviso al Suo vicino;
E piange il Pastorel, perche sospesa
Teme fiera borasca, e 'l suo destino;
Toglie alle membra lasse il Suo riposo
Il timore de' Lampi, e tuoni fieri
E de mosche, e mossoni il Stuol furioso!
Ah che pur troppo i Suo timor Son veri
Tuona e fulmina il Ciel e grandioso
Tronca il capo alle Spiche e a' grani alteri.

Concerto N.3 - OUTONO (Allegro-Adagio Molto-Allegro)

O "Outono" abre com uma dança camponesa para celebrar a colheita e conclui com uma caça (completa com "trompas, armas e cães"), que culmina na morte de um veado selvagem.

Celebra il Vilanel con balli e Canti
Del felice raccolto il bel piacere
E del liquor de Bacco accesi tanti
Finiscono col Sonno il lor godere
Fà ch' ogn' uno tralasci e balli e canti

L' aria che temperata dà piacere,
E la Staggion ch' invita tanti e tanti
D' un dolcissimo Sonno al bel godere.
I cacciator alla nov' alba à caccia
Con corni, Schioppi, e canni escono fuore
Fugge la belua, e Seguono la traccia;
Già Sbigottita, e lassa al gran rumore
De' Schioppi e canni, ferita minaccia
Languida di fuggir, mà oppressa muore.

Concerto N.4 - INVERNO (Allegro Non Molto-Largo-Allegro)

Finalmente, o "Inverno" descreve primeiro o frio e o batear de dentes, depois momentos calmos junto ao fogo e, enfim, a alegria temerária de deslizar no gelo quebradiço e ouvir o assobio dos ventos invernais.

Aggiacciato tremar trà neri algenti
Al Severo Spirar d' orrido Vento,
Correr battendo i piedi ogni momento;
E pel Soverchio gel batter i denti;
Passar al foco i di quieti e contenti
Mentre la pioggia fuor bagna ben cento
Caminar Sopra 'l giaccio, e à passo lento
Per timor di cader gersene intenti;
Gir forte Sdruzziolar, cader à terra
Di nuove ir Sopra 'l giaccio e correr forte
Sin ch' il giaccio si rompe, e si disserra;
Sentir uscir dalle ferrate porte
Sirocco Borea, e tutti i Venti in guerra
Quest' é 'l verno, mà tal, che gioja apporte.

Vivaldi soube captar, com rara e apaixonada perspicácia musical, as particularidades das estações climáticas, do tempo ameno, colorido e fértil à canícula ardente que prenuncia o trovão e a tempestade; do tempo fecundo e plácido que acompanha o amarelecer das folhas até o gélido e vertiginoso período de escuridão e luz argêntea das alvoradas invernais. Uma sinfonia tempestuosa de emoções e sensações!

Aprecie o Concerto N. 2 - Verão, o que mais me sensibiliza, embora todos sejam fantásticos!

Um comentário:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Também sempre fico em estado de deleite inefável ao ouvir "As Quatro Estações" de Vivaldi! Fico encantado com a argúcia e criatividade do nobilíssimo compositor, que transformou em sinfonias as estações do ano, deixando-nos propensos a fazer metáforas sobre a existência humana!
Por Dionísio!!!!!... Estou na fase outonal!!!!!...
Max!!!... Traga meus sais centuplicado!!!!....
Calorosas saudações Vivaldianas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP