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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

José & Pilar

Estreia amanhã no circuito de cinemas o documentário José e Pilar, do diretor português Miguel Mendes que, durante quatro anos, filmou Saramago, recentemente falecido, em sua casa na ilha de Lanzarote, no arquipélago das Ilhas Canárias, lugar paradisíaco onde o escritor passou seus últimos anos, ao lado da mulher, a jornalista espanhola Pilar del Rio.

O documentário desdobra o processo de criação, produção e promoção do romance A Viagem do Elefante, lançado em 2008, que narra a penosa viagem do elefante Salomão de Portugal até a Áustria, no século XVI, utilizada para refletir o cotidiano do autor em Lanzarote e, também, suas jornadas ao redor do mundo para divulgar a sua obra literária. Assim como na difícil viagem do elefante, o filme também enfrentou problemas - Saramago adoeceu gravemente enquanto trabalhava na obra - só salvou-se graças ao amoroso cuidado de Pilar e pode acabar o romance. Ainda escreveu o excelente Caim (2009).

A lente que filmou José e Pilar acompanhou o casal em sua formidável maratona de viagens, homenagens, sessões de autógrafos e conversas de Saramago com o seu público. Sempre juntos, Saramago e Pilar viviam em rara harmonia. Ele sempre fazia questão de demonstrar sua paixão pela esposa e, à certa altura, no filme, se declara: "Se tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora."

Segundo o diretor Miguel Mendes, Saramago acreditava que era um filme sobre a vida e lhe disse, certa vez, que recuperava memórias à medida em que se revelava. Com mais de 240 horas de gravação, Mendes confessa que a montagem do filme "foi um processo basicamente alucinado, esquizofrênico", que consumiu um ano e meio para chegar aos 125 minutos do formato final, o que lhe causou muito sofrimento e dúvidas. "Em certa ocasião eu não sabia se o que ficava de fora era pior ou melhor do que o que ficou".

O diretor também afirma que não há palavras para descrever a experiência de ter convivido, por tanto tempo, com Saramago e Pilar, "dois seres maravilhosos, brilhantes". E arremata: "Há uma coisa que mudou muito em mim por causa do filme: aprendi com eles que não tem sentido eu ficar me queixando, dizendo que a vida é ruim. Saramago achava que o nosso dever moral era tornar melhor esse mundo miserável que construímos".

Pretendo assistir ao filme brevemente, porque aprecio demais a obra e as pessoas - José e Pilar. A propósito, mantenho, em minha lista de blogs, na barra lateral direita, o blog da Fundação José Saramago, que continua a divulgar o seu pensamento. Helô Flores, nossa sensível amiga que mora em Portugal, já publicou a frase de ontem em seu blog Floryflor. Faço o mesmo:

"O que influencia o amanhã

A pergunta que todos deveríamos fazer-nos é: Que fiz eu se nada mudou? Deveríamos viver mais no dessassossego. Não haverá amanhã se não mudarmos o hoje. Como se conta em A Caverna, tudo o que levamos às costas é passado e todo esse passado, incluindo a desesperança e a desilusão, é o que influencia o amanhã. Há que fazer o trabalho todos os dias com as mãos, a cabeça, a sensibilidade, com tudo." (Novembro 4, 2010 por Fundação José Saramago)

2 comentários:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres!
Estamos na mesma sintonia, porque também admiro sobremaneira a valorosa Pilar, que trouxe novo viço para a então vivência do nosso querido e saudoso escritor José Saramago!!!!... Certamente esta película, em forma de documentário, nos deixará enternecidos e doloridos de saudades do nosso amado Mentor José Saramago!!!!...
Caloroso abraço! Saudações Saramagoianas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

helo flores disse...

que legal, Nívea!
Fiquei super curiosa prá assistir.
Não vou perder, de certeza.
Valeu pela dica e pelo carinho.
Obrigada.

Beijão

Helô