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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ao piano, Ana Luiza Andres



Minha querida e talentosa sobrinha Ana Luiza faz sucesso, todos os anos, ao apresentar-se nas audições da academia Harmonia Musical, conduzida, magistralmente, por Dinorá Campello. Ana interpreta La Prière d'une Vierge, Opus 10, da polonesa Thekla Badarczewska.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Petição 10, Sentença 10

O Judiciário Gaúcho está lançando o Projeto Petição 10, Sentença 10, buscando sensibilizar os operadores do Direito, por adesão e conscientização, para a necessidade da concisão, tanto nas petições como nas sentenças, limitando-as, no máximo, em dez laudas. Atualmente, os longos arrazoados servem-se, à larga, dos recursos da informática disponíveis, em especial das ferramentas do tipo “recorta e cola”. São comuns peças com mais de 50 laudas, recheadas de citações jurisprudenciais e doutrinárias, em sua maioria desnecessárias.

O fenômeno da prolixidade, hoje tão caro à maioria dos operadores do Direito, acarreta uma série de prejuízos, desde o desperdício de recursos materiais e naturais, até a impossibilidade de leitura completa dos longos arrazoados, levando-se, principalmente, em conta, de que há mais de 80 milhões de processos no Brasil. Assim, a necessidade de concisão parece um imperativo saudável, seja no momento de pedir, contestar ou decidir.

Se o projeto Petição 10, Sentença 10 for vitorioso, ou seja, cair nas graças de quem pede, contesta ou decide, a preservação do meio ambiente também ganha, já que para a produção de uma tonelada de papel, são necessárias de duas a três toneladas de madeira e grande quantidade de produtos químicos e, para que se produza apenas um quilo de papel, são usados 540 litros de água. Se houver impressão frente e verso, além da utilização de fontes de letras ecologicamente recomendáveis, a economia será maior ainda.

Parece-me razoabilíssimo o objetivo do projeto, ainda mais em época de combate ao desperdício e preservação dos recursos naturais, nos diferentes setores da sociedade. Acho, até, que se pede pouco - objetividade na escrita! Escusado dizer que a qualidade de um texto não se mede pelo número de palavras, mas pelo talento de quem as escreve!

Fonte: Texto de Carlos Eduardo Richinitti, juiz de Direito, coordenador do Núcleo de Inovação e Administração da Escola Superior da Magistratura

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O futuro dos jornais

Earl Wilkinson, diretor executivo do INMA (Internacional Newspaper Marketing Association), defensor da integração dos modelos impresso e online nos jornais, revelou em seminário na capital paulista que, por maior que seja a resistência das empresas jornalísticas em migrar para a internet, o futuro é usar a convergência de meios para distribuir notícias. Para o especialista, a integração das operações impressa e online dos jornais é inevitável - a questão ainda é como equilibrar essa equação financeiramente.

"É difícil mudar um modelo de negócio que por séculos foi dominado pelo processo impresso para passar a operar em plataformas multimídias", reconhece Wilkinson. "Hoje, os níveis de integração nas redações que visito são bem distintos. Mas, em algum nível, essa integração está sempre acontecendo."

A indagação essencial para os executivos da indústria jornalística ainda está baseada em como equilibrar a equação, porque que os gastos com a oferta do jornalismo online continuam sendo cobertos pela operação de jornalismo impresso. Wilkinson aponta o risco de canibalização do negócio se houver migração muito rápida de impresso para a internet. Porém, avisa que a mudança será inevitável.

Para justificar a sua análise, ele exibiu a projeção das verbas que serão aplicadas em publicidade nos Estados Unidos em 2012. Apenas 32% do total será investido nos meios tradicionais, como jornal. Os canais online e outros meios, como eventos e promoções nos pontos de venda, devem absorver a maior parte da verba. Há dois anos, os canais tradicionais embolsavam 47% dessas verbas nos EUA.

Marcelo Benez, diretor de publicidade da Folha de S. Paulo e vice-presidente do INMA no Brasil, ao abrir o evento, lembrou que "a internet é uma grande oportunidade para os jornais, desde que sem comprometer a rentabilidade do negócio".

No Brasil, as empresas jornalísticas vivem um bom momento com o crescimento do consumo. No primeiro semestre, o investimento publicitário no meio jornal cresceu 8,25% ante o mesmo período de 2009, totalizando R$ 1,59 bilhão. A circulação dos jornais no país em 2009 foi de 8,193 milhões de exemplares/dia. Uma realidade distinta da europeia e da americana, onde a leitura dos jornais impressos cai e a leitura de notícias online cresce. Embora a taxa de leitura no Brasil ainda seja muito baixa, a perspectiva de curto prazo é de crescimento do mercado para os jornais. Apenas seis a cada 100 pessoas leem jornal atualmente no país. Na Noruega essa relação é de 54 para 100, no Japão é de 46 para 100 e nos EUA, de 19 para 100.

Os maiores jornais brasileiros apresentam, em algum nível, processos de integração das equipes que trabalham no online e no impresso. Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado, acredita que todas as novidades que estão aparecendo, como os tablets, são absorvidas por todos os participantes desse mercado no país mais ou menos ao mesmo tempo. "A questão que se coloca é como se integrar o online e o offline de maneira a rentabilizar o negócio e, ao mesmo tempo, permanecer fazendo um jornal de qualidade."

Um dos pontos relevantes que Gandour abordou em sua apresentação no seminário é que há um tempo de maturação para se absorver as informações jornalísticas. "Existem diferenças entre a rapidez de se ler uma notícia na internet e depois lê-la com mais calma no jornal impresso."

Para Sérgio Dávila, editor executivo da Folha de S. Paulo, o momento de convergência e integração entre as plataformas impressa e online ainda se encontra numa base inicial, porém, acredita que, cada vez mais, os profissionais do meio jornalístico vão ter de se preparar para trabalhar em canais multimídia.

Creio que, no Brasil, as a integração das plataformas impressa e online ainda vai levar muito tempo, por causa do fator econômico, ou seja, do investimento publicitário. Enquanto continuarem aportando gordos recursos governamentais (os maiores!) na plataforma impressa, não se concretiza a migração.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

domingo, 21 de novembro de 2010

Escola Técnica Rubem Machado Lang será realidade em breve


Do site da Rádio Santiago, por Jones Diniz

"O titular da Superintendência de Educação Profissional do RGS, Vulmar Silveira Leite, acompanhado da coordenadora da 35ª CRE, Meri Monzon e da professora Ceres Telo, responsável pelo patrimônio da instituição, se reuniu ontem (19) com autoridades locais na área da extinta Escola Estadual de Ensino Fundamental Rubem Machado Lang para tratar sobre a continuidade do processo, que se arrasta há vários anos - a implantação da Escola Técnica de Educação Profissional, criada por Decreto da governador Yeda Crusius, em 2007.

Durante os últimos anos os 78 hectares da Escola haviam ficado em situação complicada, porque tinha vencido o prazo de concessão da área que é federal, até então explorada pelo Governo do Estado. Neste intervalo, foi agilizada a criação de um projeto técnico para reutilização do espaço. No dia 13 de outubro, através da Portaria 442 o Ministro Paulo Bernardo da Silva transferiu a novamente a área para o Governo do RGS, visando a reinstalação da Escola Técnica Rubem Machado Lang, solicitada em 2007.

O processo só foi possível depois de uma remarcação da área e situação do patrimônio lá existente. O RGS poderá utilizar por um prazo de vinte anos e terá dois anos para implantação da Escola Técnica. Vulmar Leite explica que o principal entrave era a cessão da área, agora, caberá avaliar se os cursos propostos em 2007 se constituem ainda em demandas da comunidade. O superintendente ressaltou que a intenção do atual governo é deixar o processo concluído para que possa ser implantado a partir da nova administração.

A titular da 35ª Coordenadoria Regional de Educação, professora Meri Monzon já adiantou que será montada uma comissão para implantação da Escola Técnica Rubem Machado Lang durante reunião no dia 23 de novembro, na Secretaria Estadual de Educação, além de um técnico que fará um novo levantamento do patrimônio. A partir daí se realizará uma audiência pública para definir, junto com a comunidade, seu anseio em relação ao tipo de curso técnico a ser implantado, obedecendo a necessidade de mercado em áreas múltiplas, e não apenas para o setor agrícola."

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

(Mais) alguma poesia


CARTA DE JOSÉ A JOSÉ

Eu te digo, José: por esta carta
Não garanto mentira nem verdade:
O que de mim não sei sempre me aparta
Da franqueza de ser e da vontade.

São cobiças inúteis, vãos desgostos,
São braços levantados e caídos,
São rugas que cortam os cem rostos
Da comédia e do jogo repetidos.

Desse lado da mesa, ou desse espelho,
Vais seguindo as palavras invertidas:
Assim verás melhor se, quanto, valho
Ao revés dos sinais e das medidas.

(Correm águas geladas no meu rio.
E roucos cantos de aves, derivando
Por silêncio frustrado e calafrio,
Vão manhã doutro dia recordando.)

Cai a chuva do céu, e não te molha,
Está a noite entre nós, e não te cega.
Não sorrias, José: à tua escolha
O que nos sobra de alma se me nega.

Desse lado da mesa, onde me acusas.
Te levantas. A marca do teu pé,
Na soleira da porta que recusas,
Fecha de vez a carta inacabada.

Tua sombra pisada, teu amigo - José.

(José Saramago)

Lendo este poema, lembrei-me do prefácio de Cadernos de Lanzarote, autobiografia, em que Saramago escreveu:

"Este livro, que vida havendo e saúde não faltando terá continuação, é um diário. Gente maliciosa vê-lo-á como um exercício de narcisismo a frio, e não serei eu quem vá negar a parte de verdade que haja no sumário juízo, se o mesmo tenho pensado algumas vezes perante outros exemplos, ilustres esses, desta forma particular de comprazimento próprio que é o diário. Escrever um diário é como olhar-se num espelho de confiança, adestrado a transformar em beleza a simples boa aparência ou, no pior dos casos, a tornar suportável a máxima fealdade. Ninguém escreve um diário para dizer quem é. Por outras palavras, um diário é um romance com uma só personagem. Por outras palavras ainda, e finais, a questão central sempre suscitada por este tipo de escritos é, assim creio, a da sinceridade. Porque então estes cadernos, se no limiar deles já se estão propondo suspeitas e justificando desconfianças? Um dia escrevi que tudo é autobiografia, que a vida de cada um de nós a estamos contando em tudo quanto fazemos e dizemos, nos gestos, na maneira como nos sentamos, como andamos e olhamos, como viramos a cabeça ou apanhamos um objeto do chão. Queria eu dizer então que vivemos rodeados de sinais, nós próprios somos um sistema de sinais. Ora, trazido pelas circunstâncias a viver longe, tornado de algum modo invisível aos olhos de todos quantos se habituaram a ver-me e a encontrar-me onde me viam, senti (sempre começamos por sentir, depois é que passamos ao raciocínio) a necessidade de juntar aos sinais que me identificam um certo olhar sobre mim mesmo. O olhar do espelho. sujeito-me portanto ao risco de insinceridade por buscar o seu contrário. Seja como for, que os leitores se tranqüilizem: este Narciso que hoje se contempla na água desfará amanhã com a sua própria mão a imagem que o contempla."

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Froilam e o amor ao livro

Bela, muito bela a declaração de amor ao livro feita por Froilam Oliveira, hoje, em seu blog. Tão bonita e verdadeira que parece um louvor que todos nós que amamos os livros devíamos recitar, sempre. Apreciem:

"CONFISSÃO DE UM BIBLIÓFILO

Livro é meu chão, meu céu, meu sonho (de consumo). Com ele amanheço, viajo e adormeço. Com ele meço o prazer e a dor do ser. Por ele corro mundo, faço tudo, vou a fundo. Por ele abro mão do sono e da televisão. Na contramão de muita gente, sou apenas leitor (como Borges, que se orgulhava das páginas que havia lido). Livro é meu beabá, onde aprendo a ler todo dia. Livro é meu abc (de saber e poesia). De Zezé a Zaratustra, livro é meu pé de laranja lima, meu assim falava quê. Por ele esperava ansiosamente a volta do pai que fora comprá-lo na cidade. Por ele espero com a mesma ansiedade a chegada do correio. Com ele o tempo passo (mais que passatempo). Com ele acerto o passo na marcha do conhecimento. Livro é meu guia, minha luz e minha via. Com ele percebo estrelas, flores e pássaros (fora da galáxia e da estação). Com ele curto a liberdade de seguir ou não seguir a linha entre palavras, entrelinhas. Por ele abro picadas no escuro, com os olhos da imagin(ação). Por ele procuro o coração preclaro. Livro é meu tesouro (sempre encontrado à base do arco-íris, em algum lugar deste quarto de leitura). Minha água, meu alimento, meu fogo. Por ele vale a pena ter a alma com sede, fome e frio, condições para o imediato regozijo. Livro é minha razão, meu advogado, meu professor. Com ele defendo qualquer argumento contra a ignorância. Livro é meu hipertexto anterior ao wwwpontocom (com suas citações, notas de rodapé, bibliografia, índice onomástico etc.). Com ele mantenho uma relação de bibliofilia desde a primeira vez que o vi, que o li a primeira vez. Por ele vou à 12ª Feira do Livro de Santiago."

Froilam é um homem cultíssimo, um mestre em tudo o que faz e um poeta de rara sensibilidade e talento. Conheçam o seu interessante blog Contra . em http://froilamoliveira.blogspot.com

A propósito, a 12ª Feira do Livro de Santiago começou hoje, pela manhã! Quem ainda não adquiriu o gosto pela leitura não sabe a delícia que é... Sempre é tempo.

Le quattro stagioni

Le quattro stagioni (Op. 8, n. 1-4, RV 271), conhecidos em português como As Quatro Estações, são quatro concertos para violino e orquestra do compositor italiano Antonio Vivaldi, parte de uma série de doze publicados em Amsterdan, em 1725, intitulados Il cimento dell’armonia e dell’invencione. Ao contrário da maioria dos concertos de Vivaldi, esses quatro possuem um programa claro: são acompanhados por um soneto ilustrativo impresso na parte do primeiro violino, cada um sobre o tema da respectiva estação. Não se sabe a origem ou autoria desses poemas, mas especula-se que o próprio Vivaldi os tenha escrito. As qualidades da música de Vivaldi - temas concisos, clareza da forma, vitalidade rítmica, textura homofônica, frases equilibradas, diálogo dramático entre solista e conjunto - influenciaram diversos compositores, entre eles Bach, que transcreveu vários de seus concertos para teclado.

Concerto N.1 - PRIMAVERA (Allegro-Largo-Allegro)

No Largo da "Primavera", o texto conta como o "pastor de cabras adormeceu com seu leal cão ao lado". A música langorosa só é interrompida pelo "ladrido" da viola solo.

Giunt' è la Primavera e festosetti
La Salutan gl' Augei con lieto canto,
E i fonti allo Spirar de' Zeffiretti
Con dolce mormorio Scorrono intanto:
Vengon' coprendo l' aer di nero amanto
E Lampi, e tuoni ad annuntiarla eletti
Indi tacendo questi, gl' Augelletti;
Tornan' di nuovo al lor canoro incanto:
E quindi sul fiorito ameno prato
Al caro mormorio di fronde e piante
Dorme 'l Caprar col fido can' à lato.
Di pastoral Zampogna al suon festante
Danzan Ninfe e Pastor nel tetto amato
Di primavera all' apparir brillante.

Concerto N.2 - VERÃO (Allegro Non Molto-Adagio/Presto-Presto)

O sol abrasador atinge os camponeses, mas uma tempestade se anuncia, eclodindo no terceiro movimento numa furiosa chuva de granizo acompanhada pelo crepitar de uma rápida passagem ornamental na orquestra e no solo.

Sotto dura Staggion dal Sole accesa
Langue l' huom, langue 'l gregge, ed arde il Pino;
Scioglie il Cucco la Voce, e tosto intesa
Canta la Tortorella e 'l gardelino.
Zeffiro dolce Spira, mà contesa
Muove Borea improviso al Suo vicino;
E piange il Pastorel, perche sospesa
Teme fiera borasca, e 'l suo destino;
Toglie alle membra lasse il Suo riposo
Il timore de' Lampi, e tuoni fieri
E de mosche, e mossoni il Stuol furioso!
Ah che pur troppo i Suo timor Son veri
Tuona e fulmina il Ciel e grandioso
Tronca il capo alle Spiche e a' grani alteri.

Concerto N.3 - OUTONO (Allegro-Adagio Molto-Allegro)

O "Outono" abre com uma dança camponesa para celebrar a colheita e conclui com uma caça (completa com "trompas, armas e cães"), que culmina na morte de um veado selvagem.

Celebra il Vilanel con balli e Canti
Del felice raccolto il bel piacere
E del liquor de Bacco accesi tanti
Finiscono col Sonno il lor godere
Fà ch' ogn' uno tralasci e balli e canti

L' aria che temperata dà piacere,
E la Staggion ch' invita tanti e tanti
D' un dolcissimo Sonno al bel godere.
I cacciator alla nov' alba à caccia
Con corni, Schioppi, e canni escono fuore
Fugge la belua, e Seguono la traccia;
Già Sbigottita, e lassa al gran rumore
De' Schioppi e canni, ferita minaccia
Languida di fuggir, mà oppressa muore.

Concerto N.4 - INVERNO (Allegro Non Molto-Largo-Allegro)

Finalmente, o "Inverno" descreve primeiro o frio e o batear de dentes, depois momentos calmos junto ao fogo e, enfim, a alegria temerária de deslizar no gelo quebradiço e ouvir o assobio dos ventos invernais.

Aggiacciato tremar trà neri algenti
Al Severo Spirar d' orrido Vento,
Correr battendo i piedi ogni momento;
E pel Soverchio gel batter i denti;
Passar al foco i di quieti e contenti
Mentre la pioggia fuor bagna ben cento
Caminar Sopra 'l giaccio, e à passo lento
Per timor di cader gersene intenti;
Gir forte Sdruzziolar, cader à terra
Di nuove ir Sopra 'l giaccio e correr forte
Sin ch' il giaccio si rompe, e si disserra;
Sentir uscir dalle ferrate porte
Sirocco Borea, e tutti i Venti in guerra
Quest' é 'l verno, mà tal, che gioja apporte.

Vivaldi soube captar, com rara e apaixonada perspicácia musical, as particularidades das estações climáticas, do tempo ameno, colorido e fértil à canícula ardente que prenuncia o trovão e a tempestade; do tempo fecundo e plácido que acompanha o amarelecer das folhas até o gélido e vertiginoso período de escuridão e luz argêntea das alvoradas invernais. Uma sinfonia tempestuosa de emoções e sensações!

Aprecie o Concerto N. 2 - Verão, o que mais me sensibiliza, embora todos sejam fantásticos!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Menos banho pelo planeta?

Você toma banho todos os dias? Quantas vezes num intervalo de 24h? E o cabelo? Quantas vezes o lava, por semana? Costuma usar desodorante? Cremes para o corpo? Loção após a barba? Perfumes e cremes? O arsenal de higiene e beleza tem itens intermináveis, principalmente no Brasil que dizem, é o país onde mais se toma banho no mundo. Pois o caderno Nosso Mundo Sustentável, publicado semanalmente pelo jornal Zero Hora, reproduziu, na segunda-feira, 15 de novembro, artigo do jornal inglês The Guardian, escrito por Kira Cochrane, intitulado Menos banho pelo planeta, onde é repercutida a decisão de crescente número de pessoas, em países como os Estados Unidos e a Inglaterra, de cortar o banho diário e deixar de lavar o cabelo. Sobrevém a pergunta: Vale a pena? Vamos por partes...lendo o artigo do The Guardian, traduzido para o português:

"Se você está lendo esse artigo durante o café da manhã, são grandes as chances de você recém ter saído do chuveiro, onde ensaboou o cabelo eo corpo, se enxugou e se secou, e depois ainda encheu as axilas de desodorante e mergulhou em uma nuvem de perfume ou de loção de barbear.

Ou talvez não. O The New York Times trouxe recentemente em suas páginas uma nova tendência. Ela consiste em cortar os banhos diários, as duchas rápidas ou mesmo o hábito de lavar o cabelo. Na reportagem, havia uma mulher que usa limão nas axilas em vez de desodorante, outra que usa lencinhos umedecidos para se refrescar da caminhada pós-almoço e também um vendedor que usa xampu somente uma vez por mês e abandonou os antiperspirantes há três anos.

Pensa que isso só acontece nos Estados Unidos? Pois está enganado. Existem vários sinais de que essa atitude despreocupada com a limpeza é popular na Grã-Bretanha também. No ano passado, uma enquete da fabricante de tecidos SCA descobriu que 41% dos homens e 33% das mulheres britânicas não tomam banho todos os dias, e que 12% das pessoas toma o banho considerado adequado somente uma ou duas vezes por semana. Esses números colocam os britânicos atrás da Austrália, México e França nos índices de higiene pessoal.

Ao mesmo tempo, uma pesquisa realizada pela consultoria Mintel descobriu que mais da metade dos adolescentes britânicos não toma banho todos os dias - com muitos optando por usar um desodorante para mascarar os odores.

Os xampus secos e a economia de água

Ao longo dos últimos anos, pipocaram dicas de que lavar o cabelo todos os dias, ou até mesmo somente lavar o cabelo, seria desnecessário. O fato é que muitos concordam que a lavagem regular do cabelo é mesmo uma trabalheira.

Em 2008, a empresa de cosméticos Boots registrou um aumento de 45% nas vendas de xampus secos (um produto que pode ser aplicado no cabelo, entre os banhos), enquanto a marca Batiste, que vende o mesmo item, recentemente viu suas vendas dobrarem.

Existem, é claro, benefícios ambientais. Numa tentativa de reduzir sua pegada de carbono ao mínimo, o ambientalista Donnachadh McCarthy, 51 anos, limitou seus banhos a dois por semana. - No resto do tempo, tomo o "banho de pia", afirma. Isso o ajudou a diminuir seu consumo de água para 20l por dia - bem abaixo da média de 100 a 150l da Grã-Bretanha. Como apontou McCarthy, só recentemente as pessoas se banham todos os dias. - Quando eu era criança, o mais normal era apenas tomar um banho na semana.

Um passado com duchas escassas

Olhando para trás, vamos descobrir que Elizabeth I tomava banho apenas uma vez por mês e James I, aparentemente, lavava apenas os dedos.

Em 1951, cerca de 2/5 dos lares britânicos não tinham banheiro e, em 1965, somente metade das mulheres da Grã-Bretanha usava desodorante.

Agora, iniciamos esse fetiche com a limpeza extrema para criar o tipo de cultura em que, como diz McCarthy , não é anormal que as pessoas fiquem em hoteis que usem mil litros de água por dia - tomando banho pela manhã, após a sauna, depois de nadar na piscina, antes de jantar e antes de dormir.

O mercado internacional de sabonetes de todos os tipos movimenta hoje 24 milhões de libras por ano. E alguns dermatologistas temem que essa intensa e regular mania de se lavar está tirando de nossa pele germes que podem ser benéficos, que a ajudam a se manter saudável, balanceada e fresca.

Pode valer a pena para todos nós, ocasionalmente, perder um banho ou dois.

Mesmo que seja bom ser amigo do ambiente, cheirar como uma lixeira não é."

A tradução do artigo é péssima, mas dá para entender o objetivo. Realmente, cheirar tal qual gambá é muito desagradável, porém se faz necessária a racionalização do uso de água, energia e, por que não, da pele, em favor da natureza, do bolso e da saúde. Sabemos que usos e costumes são milenares - Elizabeth I tomava um banho por mês, já seu compatriota James I, só lavava os dedos - ainda bem que eram os maiorais, do contrário, ninguém chegaria perto... Hoje, seria incompatível com a contemporaneidade a falta de hábitos de higiene e limpeza. Em tempos de Cólera, H1N1 e outras ameaças, é fundamental, pelo menos, lavar as mãos, várias vezes ao dia. Quanto as outras partes, há que se usar bom senso!

Entre o erudito e o popular


O cineasta gaúcho José Pedro Goulart faz um interessante exercício, hoje, em sua coluna de ZH, introduzindo frases de autores famosos e o seu contraponto popular. Observem!

"O que não nos mata, nos torna mais fortes." (Nietzsche)
O que não mata, engorda.

"Ser ou não ser, eis a questão." (Shakespeare)
Não sei se caso ou compro uma bicicleta.

"O homem é ele e suas circunstâncias." (Ortega y Gasset)
Cada um no seu quadrado.

"Por delicadeza, perdi minha vida." (Rimbaud)
Quem foi ao ar, perdeu o lugar.

"O inferno são os outros." (Sartre)
Mas vale um cachorro amigo do que um amigo cachorro.

"Só sei que nada sei." (Sócrates)
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

"Cada momento na vida é uma milagre que não se repete." (Fernando Pessoa)
Trepada adiada é trepada perdida.

"Deus não joga dados com o universo." (Einstein)
Macaco velho não mete a mão em cumbuca.

"O universo é uma harmonia de contrários." (Pitágoras)
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

"Julgue um homem pelas suas perguntas, não por suas respostas." (Voltaire)
Quem tem boca vai a Roma.

"Amai-vos uns aos outros." (Jesus)
Há sempre um chinelo velho para um pé torto.

"Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamais." (Che)
Não se amarra cachorro com linguiça.

"Se cada um dos seus dias for uma centelha de luz, no fim da vida você terá iluminado uma boa parte do mundo." (Osho)
Batatinha quando nasce, espalha rama pelo chão.

"O mestre disse ao aluno: Yu, queres saber em que consiste o conhecimento? Consiste em ter consciência tanto de conhecer uma coisa quanto de não a conhecer." (Confúcio)
Em boca fechada não entra mosca.

"Penso, logo existo." (Descartes)
Cria fama e deita na cama.

"Existo onde não penso." (Freud)
Whatafuck?

Fonte: Jornal Zero Hora

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PNUD divulga Relatório de Desenvolvimento Humano 2010

A ONU, através de seu Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), acaba de divulgar o seu relatório anual que contempla o desempenho dos países em relação ao IDH – Índice de Desenvolvimento Humano. O Brasil foi o país que mais avançou no ranking do indicativo. No documento deste ano, o país ocupa a 73ª colocação, desempenho considerado suficiente para que integre o grupo de nações que apresenta desenvolvimento humano elevado, embora persistam traços importantes de desigualdade social, notadamente nas regiões norte e nordeste.

Na avaliação deste ano, o Brasil subiu quatro pontos no ranking em comparação com 2009, performance significativa, a par do cenário de estagnação revelado pelo estudo. Dos 169 países analisados, 116 mantiveram a posição apresentada em 2009 e 27 tiveram desempenho pior. Além do Brasil, somente outros 25 conseguiram melhorar a classificação.

O IDH analisa indicadores de desempenho dos países em três áreas: saúde, educação e renda. Este ano, os indicadores e a forma de cálculo para se chegar ao índice mudaram. A escala permanece: varia de 0 a 1. Quanto mais próxima de um, melhor a situação do país. O Brasil alcançou índice 0,699. A Noruega, primeira colocada, chegou a 0,938. O pior indicador foi do Zimbábue: 0,140. Os países são classificados em quatro níveis, de acordo com as notas: desenvolvimento humano muito elevado, elevado, médio e baixo.

O economista Flávio Comim, do PNUD, comenta que a alteração na composição do IDH ocorreu porque os critérios de desenvolvimento humano mudaram, com a incorporação de indicadores mais sensíveis na detecção dessas transformações. A alteração deste ano fez com que índices de vários países, incluindo o Brasil, despencassem em relação ao desempenho verificado no ano passado. Explica que esses números não podem ser comparados porque a metodologia é outra e o padrão é diverso. É como se estivéssemos usando uma nova régua", compara Comim.

Para fazer um acompanhamento histórico, foi calculado o IDH do Brasil da última década, seguindo a nova metodologia, chegando à conclusão de que, nesse aspecto, o Brasil cresceu bastante, destacou o executivo. A performance positiva do Brasil se deve, principalmente, ao desempenho apresentado nas taxas de expectativa de vida, renda e escolaridade média de pessoas com mais de 25 anos.

A expectativa de vida do brasileiro é de 72,9 anos. A média de anos estudados de pessoas com mais de 25 anos está em 7,2. Já o rendimento nacional bruto é US$ 10.607. "O país cresceu de forma harmônica em várias áreas. Não foi algo pontual", analisa Comim. Em sua visão, isso é que contribuiu para o desempenho nacional apresentado este ano fosse significativamente maior do que em 2009.

O indicativo que ainda impede melhor colocação nacional é a qualidade da educação, avaliada pelo novo índice como "anos de estudo esperados", uma espécie de expectativa de vida educacional. Ao longo dos últimos cinco anos, o número de anos escolares esperado caiu de 14,5 para 13,8. Parece que as políticas de governo para a educação, tão alardeadas, continuam insuficientes para manter os estudantes na escola...

Apesar da evolução detectada em 2010, o Brasil continua a exibir um IDH menor do que a média verificada na América Latina e no Caribe, que é de 0,704. A comparação com alguns países vizinhos também se mostra desfavorável. A estimativa é de que um brasileiro viva menos 5,9 anos, tenha média de escolaridade 2,5 anos menor e consuma 28% menos do que uma pessoa nascida no Chile, o 45º no ranking. Outros países também apresentaram classificação melhor: Argentina (46º), Uruguai (52º), Panamá (54º), México (56º), Costa Rica (62º) e Peru (63º). Por que?

Ao longo da década, o Brasil apresentou um crescimento médio anual de 0,73% no IDH. Um ritmo considerado muito bom. Mas, entre grupo de países de alto desenvolvimento humano, há exemplos de velocidade significativamente maior. O Casaquistão, por exemplo, cresceu 1,51% e o Azerbaijão, 1,77%. A Romênia, com ritmo de crescimento de 1,06%, estampa a diferença que tal índice pode provocar. Em 2005, o país dividia com Brasil a mesma colocação. Agora, ele ocupa o 50º lugar no ranking, 22 à frente do Brasil. Por que?

Na edição deste ano do relatório, o PNUD inovou, lançando três índices. Um deles é o Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à Desigualdade (IDHD). Em vez de considerar apenas a média dos indicadores, ele considera também a forma como é feita a distribuição dos recursos na saúde, na educação e no rendimento. Quanto maior a desigualdade, maior a perda que o país apresentaria na classificação geral.

Se esse índice fosse levado em consideração, o Brasil teria uma classificação 15 posições mais baixas do que a alcançada no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). As desigualdades levariam a uma perda de 27,2% no índice geral. A nota cairia de 0,699 para 0,509. Embora intensamente propaladas, as políticas públicas do governo para diminuir as desigualdades sociais pouca eficiência demonstraram no intuito de mudar a realidade.

A partir do novo indicador, a maior desigualdade verificada no Brasil vem do rendimento, já que a perda provocada pelas diferenças nesta área seria de 37,6%. Em segundo lugar, aparece a educação, com perda de 25,7%. O menor impacto foi registrado na área da saúde: 16,5%. Os números do relatório, no entanto, mostram que a desigualdade, embora inda marcante no Brasil, vem caindo na última década. Caso o IDHD fosse aplicado em 2000, a perda do Brasil seria de 31%. Em 2005, esse índice cairia para 28,5%. Muito pouco, não é mesmo?

O ranking de desigualdade foi obtido a partir de microdados que permitem avaliação mais detalhada, mas apresentam um inconveniente - nem todos os países dispõem das informações necessárias. A saída para essa lacuna foi reduzir o número de países analisados. Trinta dos 169 países que participaram do IDH ficaram de fora no IDHD por falta de dados.

O segundo novo índice introduzido pelo PNUD revela que 8,5% da população brasileira sofre vários reflexos da pobreza de forma simultânea, como deficiências na saúde, educação, dificuldades de acesso a serviços de água, esgoto e energia. É a chamada pobreza multidimensional, em que as privações se sobrepõem. A ideia foi verificar a frequência e a intensidade dos problemas vividos pela parcela mais pobre da sociedade.

O Índice de Pobreza Dimensional (IPM) varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, pior a situação do país. Nesta primeira edição, o índice do Brasil foi de 0,039. "Um valor baixo, em termos internacionais", explica a técnica Isabel Pereira, mostrando que Tânger, por exemplo, tem 0,642. O resultado brasileiro, no entanto, é 2,6 vezes maior do que o mexicano e 3,5 maior do que o argentino.

De acordo com o novo índice, a maior pobreza encontra-se na área da educação: 20,2% das famílias têm privações nessa área. A seguir, vem a saúde: 5,2%. O padrão de vida aparece em último lugar, com 2,8%.

O terceiro novo índice introduzido pelo PNUD avalia a desigualdade de gênero (IDG). A desigualdade apresentada nesta área também levaria o Brasil a cair na classificação geral. Em vez do 73º lugar, ele passaria a ocupar o 80º. A nova ferramenta do PNUD para avaliar a desigualdade é feita a partir de cinco indicadores, distribuídos em três dimensões: saúde reprodutiva, "empoderamento" (capacidade das pessoas tomarem decisões por conta própria) e mercado de trabalho. Desses quesitos, taxa de mortalidade materna e fertilidade na adolescência são os que mais pesam para a queda de classificação no Brasil. Em seguida, vem a participação política.

Os índices mostram que 110 mulheres a cada 100 mil nascidos vivos morrem em decorrência de complicações do parto. Um índice 18 vezes maior do que o primeiro colocado no Índice de Desigualdade de Gênero, os Países Baixos (Holanda), com seis mortes. A enorme diferença se repete nas taxas de fertilidade entre adolescentes. A cada 100 mil mulheres com idade entre 15 e 19 anos, 75,6 engravidam no Brasil. Número 19,8 vezes maior do que o registrado nos Países Baixos, de 3,8.

Em um único aspecto o Brasil mostra desigualdade a favor das mulheres - a taxa de escolaridade. Há um porcentual maior de mulheres que completaram o ensino secundário, mas isso não se reflete em benefício para elas na taxa de participação de força laboral.

Há muitos por quês a serem respondidos a partir das conclusões do Relatório de Desenvolvimento Humano. Parece bem mais fácil alcançar índices plenos de desenvolvimento humano num país com apenas alguns milhares de habitantes do que num país como o Brasil, que possui quase 200 milhões de habitantes, dimensaões continentais e muitos contrastes. Seguimos avançando, a passos lentos. Políticas públicas eficientes, governos comprometidos em mudar a realidade e menos corrupção no setor público seriam maneiras de minorarmos as desigualdades e melhorarmos as condições da sociedade brasileira em relação ao IDH.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

José & Pilar

Estreia amanhã no circuito de cinemas o documentário José e Pilar, do diretor português Miguel Mendes que, durante quatro anos, filmou Saramago, recentemente falecido, em sua casa na ilha de Lanzarote, no arquipélago das Ilhas Canárias, lugar paradisíaco onde o escritor passou seus últimos anos, ao lado da mulher, a jornalista espanhola Pilar del Rio.

O documentário desdobra o processo de criação, produção e promoção do romance A Viagem do Elefante, lançado em 2008, que narra a penosa viagem do elefante Salomão de Portugal até a Áustria, no século XVI, utilizada para refletir o cotidiano do autor em Lanzarote e, também, suas jornadas ao redor do mundo para divulgar a sua obra literária. Assim como na difícil viagem do elefante, o filme também enfrentou problemas - Saramago adoeceu gravemente enquanto trabalhava na obra - só salvou-se graças ao amoroso cuidado de Pilar e pode acabar o romance. Ainda escreveu o excelente Caim (2009).

A lente que filmou José e Pilar acompanhou o casal em sua formidável maratona de viagens, homenagens, sessões de autógrafos e conversas de Saramago com o seu público. Sempre juntos, Saramago e Pilar viviam em rara harmonia. Ele sempre fazia questão de demonstrar sua paixão pela esposa e, à certa altura, no filme, se declara: "Se tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora."

Segundo o diretor Miguel Mendes, Saramago acreditava que era um filme sobre a vida e lhe disse, certa vez, que recuperava memórias à medida em que se revelava. Com mais de 240 horas de gravação, Mendes confessa que a montagem do filme "foi um processo basicamente alucinado, esquizofrênico", que consumiu um ano e meio para chegar aos 125 minutos do formato final, o que lhe causou muito sofrimento e dúvidas. "Em certa ocasião eu não sabia se o que ficava de fora era pior ou melhor do que o que ficou".

O diretor também afirma que não há palavras para descrever a experiência de ter convivido, por tanto tempo, com Saramago e Pilar, "dois seres maravilhosos, brilhantes". E arremata: "Há uma coisa que mudou muito em mim por causa do filme: aprendi com eles que não tem sentido eu ficar me queixando, dizendo que a vida é ruim. Saramago achava que o nosso dever moral era tornar melhor esse mundo miserável que construímos".

Pretendo assistir ao filme brevemente, porque aprecio demais a obra e as pessoas - José e Pilar. A propósito, mantenho, em minha lista de blogs, na barra lateral direita, o blog da Fundação José Saramago, que continua a divulgar o seu pensamento. Helô Flores, nossa sensível amiga que mora em Portugal, já publicou a frase de ontem em seu blog Floryflor. Faço o mesmo:

"O que influencia o amanhã

A pergunta que todos deveríamos fazer-nos é: Que fiz eu se nada mudou? Deveríamos viver mais no dessassossego. Não haverá amanhã se não mudarmos o hoje. Como se conta em A Caverna, tudo o que levamos às costas é passado e todo esse passado, incluindo a desesperança e a desilusão, é o que influencia o amanhã. Há que fazer o trabalho todos os dias com as mãos, a cabeça, a sensibilidade, com tudo." (Novembro 4, 2010 por Fundação José Saramago)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

56ª Feira do Livro de Porto Alegre

Ontem fizemos a primeira incursão à 56ª Feira do Livro de Porto Alegre - um prazer sempre redobrado, por vermos tantas pessoas interessadas em aprimorar conhecimento que se transforma em cultura e saber.

Jornalistas Carlos Etchichury, Carlos Wagner, Humberto Trezzi e Nilson Mariano


A primeira aquisição foi Os Infiltrados - Eles eram os olhos e os ouvidos da ditadura - dos jornalistas Carlos Etchichury, Carlos Wagner, Humberto Trezzi e Nilson Mariano, nascido a partir de um conjunto de reportagens publicadas no jornal Zero Hora, de 31 de janeiro a 5 de fevereiro de 2010, sobre a ação de agentes infiltrados nos movimentos sociais na época da ditadura militar (1964-1985), com depoimentos muito interessantes e exclusivos dos espiões, que revelam como se transformaram em clones daqueles a quem deveriam vigiar e sabotar - estudantes, guerrilheiros, colonos sem terra, políticos, religiosos e sindicalistas. Instigante prefácio do psicanalista Mário Corso. Ed. Age - 126 págs - R$ 23,50.

Outras aquisições foram A República, de Platão; Crepúsculo dos Ídolos, de Nietzsche; Elogio da Loucura, de Erasmo; e Cartas Persas, de Montesquieu. Voltaremos!