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domingo, 11 de julho de 2010

Os profetas e a final da Copa

O polvo Paul, molusco vidente que vive no aquário de Oberhausen, já vaticinou que a Espanha será a grande campeã da Copa do Mundo de 2010. Segundo a previsão do já famoso animalzinho, mais uma vez a Holanda ficará com o vice da Copa.

Há controvérsias.

Sua antagonista, Pauline, jura que será a Holanda a vencedora da contenda. Com o que concorda o pássaro indonésio Mane.

Eu, que não possuo nenhum pendor adivinhatório, prefiro que ganhe a Holanda, pois tem o retrospecto mais qualificado - venceu todas as partidas que disputou, fez mais gols e vem perseguindo o título faz tempo. Convenhamos que tem credenciais. E futebol.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Faltou resiliência...

A psicanalista Diana Corso (E) tem uma boa explicação para a incapacidade de reação e o destempero emocional que tomou conta dos jogadores brasileiros no segundo tempo da partida contra a Holanda, pelas quartas-de-finais da Copa do Mundo da África do Sul, na última sexta-feira.

Atentem para o que a profissional escreveu, em sua coluna, hoje, no jornal Zero Hora:

"Utiliza-se o termo "resiliência" para designar a capacidade que algumas pessoas teriam para resistir às provações sem sucumbir ao desespero, sem destruírem-se internamente quando algo no exterior lhes abala a integridade. Resilientes seriam os que sobrevivem psiquicamente aos diversos tipos de catástrofes pessoais e sociais, como traumas, torturas, deportações, perdas, abusos e maus tratos. Apesar de marcados por essas experiências, elas não os impedem de retomar uma vida relativamente normal. O conceito original vem da Física, fala da capacidade de um material para resistir a choques, conservando sua forma original.


Também podemos falar de resiliência para golpes menores do destino, ou seja, a capacidade de levantar rápido depois de um tombo. Foi essa resiliência que não apresentamos na derrota para a Holanda. No início da partida tudo corria bem, dominávamos e tínhamos a vantagem do primeiro gol. Tomamos um gol e passamos de um estado de confiança, de domínio, para um de gelatina emocional, o destempero tomou conta. É inevitável perguntar por que a equipe adversária conseguiu manter-se animada mesmo enquanto perdia, enquanto nós parecíamos não estar suportando sequer um empate.

Coisa típica de brasileiro, dirão com justeza: aos que voltam para casa sem vitória não se dedica nenhum apoio, reconhecimento da trajetória, só vale o resultado e disso os jogadores sabiam. Mesmo assim, esperava-se deles, sempre tão incensados pela fama, que tivessem mais recursos para desempenhar seu trabalho.

A defesa de uma criança numa situação traumática passa pela capacidade de lançar mão do "capital psíquico adquirido", diz-nos Cyrulnik. Para esse autor não se trata de um dom com o qual alguns são agraciados e outros não. A força para superar as adversidades depende de uma trajetória de vida, do que se faz com isso. Treinar um grupo de homens eficientes, mas frágeis, não faz Esparta. É preciso que cada um deles tenha, e saiba usar, recursos interiores para se sobrepor às frustrações inevitáveis.

No futebol como na vida, não é incomum viver sem nuanças. Mesmo sem ser bipolares, oscilamos entre fantasias de estrondoso sucesso e o pânico do fracasso absoluto. A resiliência nos habilita a viver sem essa dicotomia, no intervalo, erguendo-se nos momentos difíceis a partir do acervo que carregamos conosco. Entregues aos extremos, muitos acabam transformando o pavor em realidade e paralisam. Para 2014, quem sabe um psicanalista na equipe técnica?"

Pode ser, Diana, que um psicanalista ajude. Mas, nessa Copa, faltou, mesmo, futebol!

A qualidade da educação brasileira

O artigo que reproduzo, logo abaixo, é de autoria do jornalista Gilberto Dimenstein e foi publicado no domingo, 4 de julho, na seção Cotidiano, do jornal Folha de São Paulo. Acredito que seja uma das análises mais sensatas e lúcidas sobre a qualidade da educação brasileira, a partir dos resultados apurados pelo IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.

O artigo me foi enviado pelo prezado amigo Professor João Paulo de Oliveira, que é Pedagogo, Mestre em Educação e atua como educador das séries iniciais na Escola Municipal Anita Catarina Malfatti, em Diadema, SP e exerce, também, o cargo de Coordenador Pedagógico na EMEF Dr. Habib Carlos Kyrillos, na municipalidade paulistana. Aliás, o Professor João Paulo, há anos, utiliza o jornal em sala de aula, com excelentes resultados. A propósito, ele diz que o seu objetivo, como educador, é transformar os alunos em leitores vorazes e grandes consumidores de bens culturais! Que maravilha se todos os professores agissem assim!

Acompanhem o artigo:

SERRA É O CANDIDATO DE LULA?

"FORAM DIVULGADOS, na quinta-feira passada, em meio a um emaranhado de números e conceitos, os resultados da qualidade da educação no Brasil (Ideb). Sua melhor e mais simples tradução estava num detalhe da pesquisa do Datafolha sobre a eleição presidencial, divulgada no dia seguinte. Apesar do intenso bombardeio nos mais variados meios de comunicação, 1 em cada 5 eleitores não sabe quem é o candidato de Lula – alguns, aliás, acham que os preferidos do presidente são José Serra e Marina Silva.

Se 20% desconhecem que Dilma Rousseff é a candidata oficial, imagine quantos entendem as propostas dos candidatos. A imensa maioria, mesmo nas classes mais ricas, não conhece o nome dos ministros, muito menos seus programas. A percepção é baseada em imagens, emoções e senso comum.

Poucos alunos do ensino médio saberiam dizer que a proporção 1 em cada 5 equivale a 20%.Tampouco identificariam a ideia mais importante de cada parágrafo deste texto. Isso é o que representa a média 3,6 alcançada por aqueles estudantes – ou o fato de apenas 1% deles ter atingido o nível avançado.
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Mais importante do que a nota de português e matemática, a principal base de cálculo do índice de qualidade do ensino são as consequências práticas do aprendizado. Não se educa para fazer provas, mas para propiciar autonomia de vida.

Lideranças empresariais que estão aprendendo a ler estatísticas educacionais (antes restritas a pedagogos), traduzem os dados divulgados na quinta-feira olhando para seus negócios. Não saber que 20% significam 1 em cada 5 ou não localizar a informação mais importante de um texto significa falta de trabalhador qualificado, portanto, menos chance de expandir a produção e ampliar os lucros.

Daí o consenso nacional sobre o ensino técnico. Só que o trabalho é apenas uma dimensão da cidadania. Existe também o direito de usufruir das riquezas culturais, científicas e tecnológicas da humanidade.
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Muitas vezes, por não estarem conscientes dessa obviedade, as escolas empanturram os currículos com inutilidades, propagadas apenas pela tradição. Não deveria surpreender a taxa de evasão ou o desinteresse, especialmente nas redes oficiais.

Trabalhando com educação e comunicação em escolas e projetos sociais, aprendi que um dos melhores jeitos de seduzir estudantes é usar a notícia como matéria-prima e associá-la ao currículo. Uma eleição consegue se transformar numa rica fonte de provocações e curiosidades.
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Não bastam projetos esparsos para explicar as notícias nas escolas. A realidade deve pautar diariamente os professores, convidados a estabelecer relações para transformar informação em conhecimento.

Não estou propondo que se joguem fora os livros didáticos, mas que eles sejam encaixados no cotidiano. Por que não aprender matemática com gráficos de uma pesquisa eleitoral e português com as falas ou os artigos dos candidatos?
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Quanto mais pobres os alunos, mais cabe às escolas fazer essa conexão – afinal, muitas delas vêm de famílias com baixo repertório cultural. Doutor em economia pela Universidade de Londres e professor da USP, Naércio Menezes Filho tem mergulhado nos resultados das provas, tentando descobrir as razões do sucesso e do fracasso escolar. Para ele, 70% do desempenho está relacionado a fatores externos à escola, sobretudo à base familiar.

Pais mais educados conseguem fazer a lição de casa com os filhos, levá-los a médicos, a museus, a teatros ou a cinemas, proporcionar-lhes viagens, apresentá-los a livros e revistas, oferecer-lhes internet com banda larga. Também são explicadoras de notícias. Em casa, conversam sobre questões sociais, econômicas e políticas.

Sei que as escolas públicas ainda requerem muitas coisas básicas, a começar de professores com boa formação, mas, para ter um índice educacional de verdade, é preciso medir quantos conseguem um bom emprego ou entendem um debate eleitoral.

Ninguém tem um mínimo de autonomia se estiver desempregado ou não puder compreender o que os governantes fazem com a sua vida.

PS – Não deixo de reconhecer os avanços, expressos no Ideb, divulgados na semana passada. Um deles é a percepção de que a juventude é uma questão central e, sem tornar o ensino médio mais útil e atrativo, não há civilidade possível."

*Gilberto Dimenstein, 53 anos, é membro do Conselho Editorial do jornal Folha de São Paulo e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha.


Por relevante, publico o gentil comentário do Professor Ms João Paulo de Oliveira:

"Prezadíssima jornalista Nivia Andres!
Fiquei honradíssimo com a deferência! Muitíssimo obrigado!
Aproveito o ensejo para informá-la que tenho a gratíssima satisfação de saber que tornou-se de domínio público que minha amada Escola Municipal Anita Catarina Malfatti, onde atuo desde o ano 2001, obteve nota 6,1 no IDEB!!!
Das escolas municipais diademenses,que já pertenciam à Rede Municipal de Ensino antes da municipalização de algumas escolas estaduais, é a maior nota!!!
Graças aos valiosos préstimos do jornalista Alício Capel, proprietário do periódico "Diário Regional", que circula na Região do Grande ABC, tenho a prerrogativa de ter a rotina semanal com a leitura do jornal citado, desde os últimos anos da década de 90, onde cada pequenino recebe o seu exemplar, que é trabalhado interdisciplinarmente e depois levado para casa... Este auspicioso fato, que torna significativos os conteúdos escolares e atrelados ao cotidiano, vai ao encontro do que apregoa o renomado jornalista Gilberto Dimenstein!!
Aliás, este imperdível e palpitante artigo de autoria deste conceituado jornalista, colocarei como tema de discussão na Parada Pedagógica, prevista para o dia 19 vindouro, na escola da municipalidade paulistana onde ocupo o cargo de Coordenador Pedagógico!!!
É muito gratificante quando um regente que atua na rede pública de ensino é enaltecido, principalmente levando-se em conta que o reconhecimento vem de uma formadora de opinião arguta, erudita e atuante, como a Senhora!!

Calorosas saudações pedagógicas!
Até breve...

João Paulo de Oliveira
Diadema-SP"

terça-feira, 6 de julho de 2010

Orgulho de ser brasileiro!

Responda, rápido, sem pestanejar! Você lembra em quem votou para deputado federal e deputado estadual, nas últimas eleições? Em caso afirmativo, se foram eleitos, você acompanhou o desempenho desses parlamentares na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa ou, pelo menos, se interessou em investigar, agora, se eles têm a “Ficha Limpa”? Aliás, você sabe o que é “Ficha Limpa”?

Tenho certeza de que, se essas perguntas fizessem parte de uma pesquisa, 90% das pessoas responderiam que não lembram, não se interessaram e não sabem o que é a tal de ficha limpa...Igualmente, estou certa de que, pelo menos, 70% dos entrevistados saberiam citar a escalação da Seleção Brasileira, quem fez os gols na África do Sul e quais são os possíveis candidatos a técnico para a Copa de 2014 que eles sabem, vai ser no Brasil.

É impressionante a capacidade que tem o futebol de mobilizar o povo brasileiro. Há poucos dias, tudo era festa, alegria e encantamento. Bandeiras tremulavam em todos os cantos do país e a nossa gente explodia nas ruas o seu orgulho verde, amarelo, azul e branco. A Câmara Federal não trabalhou no mês de junho, entrou em “recesso branco”; os bancos ajustaram o horário de atendimento; universidades, escolas, empresas e até mesmo órgãos governamentais adotaram horários especiais que permitissem a todos assistirem os jogos da Seleção. Após a derrota para a Holanda, restaram a tristeza e a frustração. É como se fosse uma epidemia patriótica, com requintes de tragédia - da euforia da vitória à dor da derrota em curto espaço de tempo, ultrapassando o significado da derrota esportiva, entranhada na vida brasileira e no nosso cotidiano político-social.

Parece que tudo o mais não tem importância, nem mesmo a dura realidade do dia-a-dia. Ainda persiste um vazio que não tem preenchimento...

Será que já não chegou a hora de crescermos como povo e nação? Abandonando aquela sina que nos acompanha desde o tempo do descobrimento, de povo colonizado, acorrentado e manso, que espera e aceita migalhas e ainda agradece as benesses da corte?

Será que já não passou o tempo da simples indignação e chegou o da ação?

Logo mais, em outubro, o povo brasileiro precisa tomar uma decisão importante. Vai escolher um novo mandatário para o país. A época pré-eleitoral confundiu-se com a Copa do Mundo de Futebol, abafada pelo som das vuvuzelas africanas multicoloridas e estrondosas. Claro, é muito melhor, mais prático, confortável e cômodo apenas torcer, emocionar-se e gritar gol, ou chorar e sofrer pela derrota...isso não envolve a nossa vida, o nosso emprego, o nosso estudo ou falta dele; não interessa como está o mercado de trabalho; o câmbio; a cesta básica; a taxa de juros; o salário mínimo; a fila do SUS; a morte na curva da estrada esburacada; o preço da gasolina; a epidemia de dengue; o crack destruindo famílias inteiras; o crime organizado ditando regras; a enchente; a seca; a poluição; a falta de ética; a corrupção que campeia no executivo, no legislativo e no judiciário...Deixa que o governo resolva, ele é muito bem pago para isso! Perfeito. Chegamos ao ponto. O governo é tão bem pago, tão livre, leve e solto que se arvora em dono da consciência de quase todos os brasileiros, daqueles que, por séculos, se deixaram enganar, se calaram e esqueceram, até, que têm voz, por absoluta falta de uso.

Mas o governo vai mudar ou não vai mudar, porque se aproximam as eleições. A decisão, como em outras vezes, passa pelo voto. Será que já não chegou a hora de qualificarmos a maneira de escolhermos nossos representantes, acrescentando informação consistente sobre os candidatos que se apresentam? Por que não aproveitamos um pouquinho do orgulho de ser brasileiro que restou da Copa e arregimentamos as energias para provocar mudanças na nossa vida? O mínimo que podemos aprender é que podemos ser protagonistas.

A dor de agora, decorrente de uma derrota no futebol, é mais uma advertência à nossa secular mania de criar deuses e incensá-los.

Precisamos crescer como povo para que a nação tenha identidade em todas as suas ações. Vamos torcer, sim, mas por dignidade, consciência crítica, qualidade de vida, inclusão social, solidariedade. Só assim podemos ser felizes, sempre!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A derrota e o pênalti

Escrevi o artigo que está abaixo antes da partida entre Brasil e Holanda e resolvi mantê-lo, a título de informação e curiosidade, pois o pênalti tem sido, historicamente, encarado como uma loteria e nem sempre é garantia de gol, que o digam os goleiros e os jogadores escolhidos para baterem a falta máxima.

Quanto ao resultado que nos tirou a possibilidade de seguirmos em busca do hexacampeonato mundial, creio que a Seleção Brasileira foi a responsável direta pelo infortúnio, pois não soube aproveitar a imensa vantagem que adquiriu no primeiro tempo de jogo, onde deveria ter liquidado a fatura. No segundo tempo, os gols da Holanda, que aconteceram por falta de atenção da nossa defesa, a imbecilidade cometida por Felipe Melo, a falta de banco e o desquilíbrio infantil que acometeu os nossos jogadores, sem a mínima capacidade de reação, sepultaram de vez o sonho do hexa. Paciência. E que sirva, mais uma vez, de lição: o campeão mundial será o time que for mais competente e tiver equilíbrio emocional para superar as dificuldades havidas durante a partida. A Holanda estava morta e ressuscitou. Teve força e controle, o que não soubemos administrar.

A derrota é um dos resultados possíveis em qualquer empreitada. Cabe que tenhamos força e ousadia para empreender a virada! Em 2014 será outra história! E vamos em frente!

O PÊNALTI PERFEITO

Nas fase das oitava-de-finais da Copa do Mundo de Futebol 2010, quando 16 seleções disputaram as oito vagas das quartas-de-finais, nenhum jogo poderia terminar empatado. Em caso de escore igual, a regra vigente, fixada pela Internacional Board, órgão da FIFA, determina que haja prorrogação de 30 minutos, em dois tempos de 15. Persistindo o empate, serão cobradas penalidades máximas, os populares e terríveis pênaltis...em séries iniciais de cinco cobranças alternadas, para cada time, até que se defina o vencedor. Se ainda assim a igualdade no placar persistir, serão cobradas séries de um, alternadas, na espera do desempate. A mesma regra será observada nas semifinais e na grande final, que vai apontar a Seleção Campeã do Mundo.

Pois bem, o pênalti, nas circunstâncias mencionadas, é a medida extrema para resolver um imbróglio provocado pela inoperância dos atacantes ou pela excelência dos defensores das equipes contendoras. Muita gente diz que pênalti é loteria, mas esse pensamento está mudando, a partir de estudos e ensaios científicos exaustivos, que utilizam tecnologia de ponta e apontam uma série de providências para que esse tiro seja o de misericórdia...

Adrian Lees, da Liverpool John Moores University realizou experimentos através da medição do tempo em que o goleiro demora para chegar nos diferentes pontos do gol. De posse dessa informação, é fácil calcular a velocidade que a bola deve atingir para que o goleiro não tenha tempo de chegar nela. Em outros dois estudos, um do Prof. Dr. Ronald Dennis Ranvaud e sua equipe, do Laboratório de Fisiologia do Comportamento, da USP e outro, igualmente, de Lees, foram identificadas as áreas do gol em que, historicamente, é raríssimo o goleiro conseguir defender. Assim, pode-se determinar uma estratégia que garanta ao cobrador fazer o gol - Chutando no meio dos quatro retângulos superiores da goleira, pois é um lugar difícil para o arqueiro defender, a uma velocidade superior a 80 km/h, propiciando que a bola chegue no ponto pretendido antes do goleiro, mesmo que ele se antecipe em 500 milésimos de segundo ao chute..

Para os diletantes, os que querem aprender e, especialmente, para os curiosos, como eu, algumas dicas para que a cobrança do pênalti seja perfeita, segundo os entendidos:

- Fique no lugar certo, posicionando-se de quatro a seis passos atrás da bola, pois a distância possibilitará uma combinação perfeita entre velocidade e força. Assim, a bola chegará ao gol na velocidade ideal que situa-se entre 90 e 104Km/h;

- Após o apito, seja muito rápido, para surpreender (três segundos) ou muito lento, para que o goleiro fique nervoso (13 segundos);

- Bata com a parte de dentro do pé, o que aumentará em 25% as chances de marcar;

- Mire o centro do gol pois, em 93,7% dos casos os goleiros pulam para os lados porque não aguentam ficar parados e deixam o meio do gol aberto, influenciados pelo que cientistas israelenses chamam de “tendência à ação”.

Porém, mesmo com toda a técnica moderna, é preciso ter categoria para chutar bem e marcar mesmo se o goleiro adivinhar o canto.

Há, entretanto, outro detalhe ao qual nenhuma técnica resiste – a condição psicológica do jogador que vai bater o pênalti já que, na maioria das vezes, o ambiente é tenso, de elevada ansiedade e expectativa e no atleta estão concentradas todas as esperanças do time, da comissão técnica e dos torcedores. O psicólogo Greg Wood, da inglesa Exeter University, avisa que a ansiedade exacerbada faz com que o batedor concentre sua atenção no goleiro, facilitando a defesa. Assim, sugere que o jogador mantenha o controle emocional, desviando o olhar do adversário, concentrando-se apenas na bola e no canto em que vai desferir o tiro mortífero!

Como apreciadora do bom futebol, agradou-me conhecer as novas técnicas empregadas para que a cobrança de penalidades máximas seja eficiente, ainda mais nessa fase da Copa do Mundo pois, segundo as estatísticas existentes, de mundiais anteriores, a seleção campeã terá mais de 50% de probabilidade de ter que enfrentar uma ou mais decisão por pênaltis em sua trajetória rumo ao título.

Publicado originalmente no Blog de Edward de Souza, em