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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Mais de Clarice...

SENSIBILIDADE INTELIGENTE

"Pessoas que às vezes querem me elogiar chamam-me de inteligente. E ficam surpreendidas quando digo que ser inteligente não é meu ponto forte e que sou tão inteligente quanto qualquer pessoa. Pensam, então, inclusive que estou sendo modesta.

É claro que tenho alguma inteligência: meus estudos o provaram, e várias situações das quais se sai por meio da inteligência também provaram. Além de que posso, como muitos, ler e entender alguns textos considerados difíceis.

Mas muitas vezes a minha chamada inteligência é tão pouca como se eu tivesse a mente cega. As pessoas que falam de minha inteligência estão na verdade confundindo inteligência com o que chamarei agora de sensibilidade inteligente. Esta, sim, várias vezes tive e tenho.

E, apesar de admirar a inteligência pura, acho mais importante, para viver e entender os outros, essa sensibilidade inteligente. Inteligentes são quase a maioria das pessoas que conheço. E sensíveis também, capazes de sentir e de comover. O que, suponho, eu uso quando escrevo, e nas minhas relações com amigos, é esse tipo de sensibilidade. Uso-a mesmo em ligeiros contatos com pessoas, cuja atmosfera tantas vezes capto imediatamente.

Suponho que este tipo de sensibilidade, uma que não só se comove como por assim dizer pensa sem ser com a cabeça, suponho que seja um dom. E, como dom, pode ser abafado pela falta de uso ou aperfeiçoar-se com o uso. Tenho uma amiga, por exemplo, que, além de inteligente, tem o dom da sensibilidade inteligente, e, por profissão, usa constantemente esse dom. O resultado então é o que eu chamaria de coração inteligente em tão alto grau que a guia e guia os outros como um verdadeiro radar".

Clarice Lispector
Aprendendo a viver
Ed. Rocco

Clarice!

Estou lendo Clarice, uma biografia, do americano Benjamin Moser. Minha leitura ainda está no início, mas tem sido tão fascinante conhecer um pouco do universo de Clarice Lispector que sinto necessidade de compartilhar minhas primeiras impressões a respeito.

Fui apresentada à Clarice ainda na faculdade, por intermédio de "A Hora da Estrela", romance que narra as desventuras de Macabéa, moça sonhadora e ingênua, recém-chegada do Nordeste ao Rio de Janeiro, às voltas com valores e cultura diferentes. Macabéa leva uma vida simples e sem grandes emoções. Começa a namorar Olímpico de Jesus, que não vê nela chances de ascensão social de qualquer tipo. Assim sendo, abandona-a para ficar com Glória (colega de trabalho), cujo pai era açougueiro, o que sugeria ao ambicioso nordestino a possibilidade de melhora financeira.

Sentindo dores constantes, Macabéa vai ao médico e descobre que tem tuberculose, mas não conta a ninguém. Glória percebe a tristeza da colega e a aconselha a buscar consolo numa cartomante. Madame Carlota prevê um futuro feliz, que viria de um estrangeiro que ela conheceria assim que ela saísse daquela casa, homem louro com quem casaria. De certa forma, é o que acontece: ao sair da casa da cartomante, Macabéa é atropelada por um homem que dirigia um luxuoso Mercedes-Benz e acaba morrendo. Esta é a sua "hora da estrela", momento de libertação para alguém que, afinal, "vivia numa cidade toda feita contra ela".

Ao lermos Clarice somos irremediavelmente condenados a uma ligação sem limites com a autora - profunda, dolorida, questionadora, impressionante em sua internalidade. Como já mencionei, minha leitura está apenas iniciando, mas pressinto descobertas que abreviem um pouco a estranheza, posto que o fascínio, esse, certamente, restará intacto.

A respeito da obra de Moser, já na terceira edição brasileira, com mais de 20 mil exemplares vendidos, Yudith Rosenbaum assim escreveu:

"Viver não é vivível", escreve Clarice Lispector. Para Benjamin Moser, seu biógrafo americano, a frase soou como um desafio. Seria possível contar a história de alguém que lutou radicalmente para descobrir "o jeito de ser gente"?

Assim como Clarice não se rendeu à dificuldade de expressar um real sempre rebelde às suas palavras, Moser não desistiu de compreender a indevassável vida dessa ucraniana muito brasileira, nordestina e carioca, estrangeira em qualquer lugar. Ao investigar o mundo perdido das raízes russo-judaicas, Moser reconstituiu o périplo da família de refugiados da Ucrânia até sua chegada à Maceió de 1922, trazendo o retrato de uma época de miséria, fome e violência.

A revelação inédita de episódios brutais vividos pela família antes de chegar ao Brasil, bem como a missão falhada da escritora - "salvar a mãe" da invalidez e da morte - fundamentam a tese do livro. O autor vê na obra a incansável busca mística do judaísmo por uma origem enigmática, pela letra oculta de um Deus que a teria abandonado, busca a que ela jamais renunciou. Daí, talvez, sua famosa frase: "Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria".

Essa "vida não vivível" ganha um tratamento envolvente e não raro impactante, que enlaça, com fluência, a obra e o cotidiano da "dona de casa que escrevia" a episódios significativos da história do Brasil. Mesmo o leitor já familiarizado com a inquietante personalidade da escritora conhecerá uma Clarice ampliada em seus paradoxos. Para Moser ela escreveu "a maior autobiografia espiritual do século XX", o que revela o alcance desse estudo original. Ainda que o mistério, o mito e o enigma sigam resistindo aos fatos, este livro, pelo modo corajoso como aborda temas até hoje silenciados, representa um marco indispensável para quem quiser chegar mais perto da vertiginosa essência de Clarice".

Clarice, uma biografia
Autor: Benjamin Moser
Editora: Cosac Naify, 2009
647 págs.

*Retrato de Clarice Lispector, por Gabriela Brioschi

terça-feira, 29 de junho de 2010

Menina-veneno

E segue o baile das cadeiras, na Copa do Mundo da FIFA, na África do Sul! Findos os jogos da terça-feira, Paraguai e Espanha juntam-se a Uruguai e Gana; Holanda e Brasil; Argentina e Alemanha, completando o seleto grupo dos oito que ascendem às quartas-de-finais. E que contradança temerária! Se os dançarinos não fizerem pimba na jabulani, podem contratar aeroplano que os leve para casa!

Confesso-me entusiasmada ao perceber que quatro seleções sulamericanas seguem na disputa – Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, superando as europeias Holanda, Alemanha, Espanha ou Portugal, com o único representante africano, Gana, fechando o grupo.

E, vejam só, nada é impossível, podemos chegar às semifinais só com seleções do continente sulamericano, com disputas entre Brasil e Uruguai; Argentina e Paraguai. Nada mais, nada menos, do que a reprodução da Copa América!

Pois bem, a dança prossegue e não é só dentro das quatro linhas. Erros de arbitragem gritantes trouxeram, novamente, à baila, o uso do recurso da tecnologia para a decisão dos lances duvidosos. Joseph Blatter, o todo-poderoso presidente da FIFA, pediu desculpas, hoje, às seleções prejudicadas e disse que, na próxima reunião do Comitê de Arbitragem, serão novamente votadas as mudanças...Pela lentidão com que são introduzidas novas regras, não creio que haja reformulação em curto espaço de tempo. Muitos interesses estão em jogo...

Aliás, falando em interesse e poder, vocês têm ideia da premiação que será distribuída aos países participantes desta Copa do Mundo? O campeão leva US$ 30 milhões e a Taça FIFA; o vice, US$ 24 milhões; o terceiro lugar terá direito a US$ 20 milhões; o quarto, US$ 18 milhões. País eliminado nas quartas-de-final leva US$ 14 milhões; nas oitavas, US$ 9 milhões; na primeira fase, US$ 8 milhões. Cada seleção recebe, ainda, US$ 1 milhão a troco de ajuda de custo. Todos regiamente recompensados!

Voltando ao bailado futebolístico que anima e encanta o mês de junho em todas as latitudes, tenho certeza de que a dona do pedaço segue sendo a jabulani, a menina-veneno do Mundial, criada com aparato tecnológico que apresenta o novíssimo perfil "grip'n'groove", uma textura que possibilita estabilidade excepcional e domínio perfeito aos melhores jogadores do mundo. Ela é formada por oito gomos tridimensionais ligados termicamente que, pela primeira vez, têm molde esférico, fazendo com que a bola seja perfeitamente redonda e ainda mais precisa do que antes. Só que nem todos os craques têm conseguido domar a danadinha...Achei divino o novo apelido – menina-veneno! Surgiu durante o jogo Inglaterra e Alemanha, no domingo, quando o cantor Ritchie, inglês radicado no Brasil, participou, como convidado da Globo, dos comentários, no intervalo da partida.

E a jabulani que tem aprontado tanto, provocando risos e lágrimas, não é única. Tem uma irmã preciosa. A jo’bulani – a bola do jogo oficial da final da Copa do Mundo da FIFA 2010. A jo’bulani é uma versão distintivamente dourada da jabulani. O nome é uma homenagem à cidade-sede de Johannesburg, conhecida como a "Cidade do Ouro" e também como Jo'Burg. A bola possui um design com a mesma inspiração sul-africana da jabulani, com a diferença de que a sua principal coloração é dourada.

Então, esperemos que a dourada jo’bulani esteja nos pés dos guerreiros do escrete canarinho, no dia 11 de julho, em Johannesburg, no magnífico Soccer City Stadium, seja qual for o adversário e que os deuses do futebol consintam que os nossos craques a acariciem, com amor, e façam dos gols com a douradinha manhosa, a nossa alegria!
*Publicado originalmente no Blog de Edward de Souza,

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Mais uma da Strellitziah...

Minha amiga Strellitziah K. Dent continua falando de futebol,
desta vez, comentando acerca do que acontece na
Copa do Mundo da África do Sul. Apreciem:

AS ASSOMBRAÇÕES DA COPA

Caros e caras, queridos e queridas, eis-me aqui, novamente, pois que fatos relevantíssimos ocorrem neste mundo de emoções que é a Copa da África do Sul! Então, volto à tona para discutirmos algumas questões que extrapolam o plano meramente racional, pois não pensem que futebol é só tática, técnica e retrospecto – o imponderável sempre se faz presente e, às vezes, muda totalmente a história, dependendo de como as pessoas lidam com os acontecimentos. São as assombrações da Copa.

De pronto, vamos bater uma bolinha, melhor dizendo, uma jabulani que considero, até agora, a estrela maior da competição...Jabulani, a bola da Adidas que significa celebrar, em Bantu isiZulu, um dos 11 idiomas oficiais da África do Sul, tem sido a algoz de goleiros e centroavantes que ainda não conseguiram chamá-la de meu bem, devido às novidades tecnológicas que ela apresenta, dizem os especialistas; por força do feitiço poderoso de grandes mestres da magia, digo eu... Quem primeiro conseguir apaixoná-la, de fato, domando a danadinha, será o virtual vencedor deste Mundial! Convém lembrá-los de que não vale registrar Portugal como adestrador oficial da jabulani, mediante a vitória de sete contra a Coreia do Norte, porque no dia em questão os súditos de Kim Jon Il não receberam a dose diária de carne de cachorro, já que devoraram todo o estoque da iguaria antes do jogo contra o Brasil!

Pois bem, meus queridos e queridas, vocês, tanto quanto eu, devem estar decepcionados com o pouco futebol apresentado por seleções como as da Itália, França e Inglaterra, outrora sempre fortíssimas candidatas ao título maior. Salvo melhor juízo, os dirigentes dos clubes desses países preferiram contratar jogadores estrangeiros às pencas, para qualificar os campeonatos nacionais e esqueceram da formação de suas categorias de base, o celeiro gestador de novos craques. Daí, na hora de montar a seleção, não há mais bons jogadores nativos disponíveis...Vejam o caso dos goleiros ingleses – Robert Green, o do frangaço contra os Estados Unidos, é guarda-valas de um obscuro time inglês e David James, seu substituto, é mais conhecido como “Calamity James”, tal a sua ruindade...Aliás, o peru memorável de Green, afora a má colocação, teve uma colaboração preciosa da manhosa jabulani...

Já que estamos falando em assombrações, vamos nos deter um pouquinho no intolerável comportamento do técnico Dunga que, como já avisei em participação anterior, neste espaço, continua agindo a mando de seu irmãozinho Zangado cujos eflúvios desagradáveis se fazem sentir quando ele volta a sua raiva contra a Imprensa, nas poucas entrevistas que concede, sempre com o mau humor que o tem caracterizado. Não pensem que sou contra o Dunga. Ele é um técnico vencedor, tem feito um bom trabalho, ganhou a Copa América, a Copa das Confederações e classificou o Brasil para a Copa do Mundo com louvor. Mas não esqueceu algumas críticas recebidas e pessoalizou-as, o que prejudica o ambiente e o torna pesado, demasiadamente perturbador. Não esqueçamos que a Imprensa faz o seu papel, quer informar. É claro que sempre haverá um urubu travestido de jornalista, empenhado em provocar o técnico para que ele perca a esportiva e acrescente mais lenha na fogueira...

Creio que o Dunga precisa de um tratamento de choque que reverta, definitivamente, sua idiossincrasia esportiva. Recomendo a Técnica do Joelhaço, utilizada, com enorme sucesso, por famoso psicanalista gaúcho, o Analista de Bagé, já detalhada por Luis Fernando Verissimo, em seu livro homônimo. Para quem não conhece, a terapia consiste em aplicar, de surpresa, uma forte pancada, com o joelho, nas partes pudendas do vivente...Assegura o profissional que nunca mais o paciente volta a apresentar o comportamento anterior (provavelmente pelo medo de ter que fazer mais uma sessão terapêutica!).

Ninguém quer um Dunga risonho, gentilíssimo e galante, pois amabilidade não é a sua praia. Entretanto, ele poderia agir com mais civilidade, assim, a atmosfera ficaria menos pesada. Advirto-os de que conversei com a Branca de Neve sobre o assunto e ela, esperançosa, já entrou em contato com o tal analista que, por coincidência, está na África do Sul. Aguardemos os desdobramentos.

Quanto à Seleção Brasileira, meus amores, passada a tensão da estreia, creio que equilibra-se e sinto ótimas emanações, todas positivas. Mas ainda não me conformei com a ausência do Ronaldinho Gaúcho. O rapaz não merecia ter ficado de fora, é craque. Como na partida vindoura, contra os patrícios portugueses, o Kaká não poderá jogar, por força de sua injusta expulsão contra a Costa do Marfim, o Ronaldinho serviria como uma luva de pelica negra...Tenho certeza de que ele chamaria a jabulani de querida ao primeiro toque! Enfim...o que vale, mesmo, é que o povo brasileiro continua atuando como o 12° jogador do Escrete Canarinho. Um amor puro, indesmanchável. Sintonia total rumo ao hexa!

Outra assombração que se manifesta, poderosa, nesta Copa, em forma de um ruído ensurdecedor, é o som das vuvuzelas, as cornetas que originalmente serviam aos torcedores da África do Sul, os Bafana Bafana. Agora, todos vuvuzelam, seja qual for a cor e a nacionalidade do time. Permitam-me, modestamente, fazer uma revelação, mediante uma constatação óbvia: as vuvuzelas emitem som parecido com um zumbido de inseto elevado à décima potência - é o bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz... Percebam, desde o início da Copa, elas anunciam o vencedor...O Bzzzzzzzz... Brasil, está claro!

Nem todas as assombrações da Copa têm caráter metafísico. Algumas são a representação da beleza, personificadas em corpos atléticos e perfeitos. Verdadeiros colírios para os olhos femininos, que sabem apreciar a simetria especial a conjugar inteligência, força, garra, agilidade e beleza física. Asseguro-lhes que há exemplares para todos os gostos. Destacaria alguns - Kaká (E), o nosso lindinho; o inglês Michael Owen (D1) e o francês Yoann Gourcuff (D2). Do Cristiano Ronaldo não gosto. Ali, a vaidade destruiu a beleza, embora o gajo tenha afinidade com a pelota...Todavia, tenham sempre em mente que a beleza verdadeira está além dos limites da experiência material...

Por derradeiro, lhes digo que as assombrações da Copa serão todas afastadas até o fim do evento e o escrete vencedor surgirá, altaneiro, magnífico, dentre aqueles que melhor souberem administrar o curso de sete partidas, com pragmatismo, determinação e, em especial, com a jabulani ao pé, dominada, escancaradamente apaixonada!

Que toquem as vuvuzelas! Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!

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*Strellitziah K. Dent é consultora para assuntos sentimentais, vidente, astróloga, guru & assemelhados. Absolutamente do bem.
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Se quiserem ler mais crônicas da
Série A COPA NO BLOG, acessem

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago


"Pensar, pensar

Junho 18, 2010 por Fundação José Saramago

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.

Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008."

Esta é a reprodução da última postagem publicada no Blog Outros Cadernos de Saramago, há 15 horas. Creio que diz tudo sobre a verve deste fantástico escritor. O meu preferido. Pela ousadia, formal e ideológica. Não teve igual. Ele imaginou, pensou, refletiu e escreveu. Em suma, viveu. Plena e apaixonadamente.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Do Amor e de Amar

Do amor e de amar se fala muito e se faz pouco.

Do amor e de amar se mercantiliza o sentir.

Quando se quer bem o melhor presente é o do apreço, aquele que não tem preço, nem forma, mas é perfeito em sentimento, brilho, luz e cor.

Quando se quer bem o melhor presente é o respeito, o cuidado, a consideração que somados querem dizer amor, significam vida e plenificação do Ser que somos.

Amar pode dar certo, só impõe uma condição essencial – a disponibilidade. Por sermos tão indisponíveis, tão centrados, tão egoístas, jogamos fora oportunidades para conhecer e viver o amor. Podemos até conhecê-lo, mas se continuarmos focados no Eu jamais chegaremos ao Nós, porque desconsideramos o Tu.

Amar é sinônimo de compartilhar, dividir, com-por, com-prazer, com-pactuar, co-habitar, contribuir para a realização do outro, sem cobrar o investimento, que vem em dobro em sentimento.

Amar é uma arte que a poucos é dado saber o segredo. O amor que vive e sobrevive para sempre é acompanhado permanentemente por respeito mútuo, admiração, cordialidade, gentileza, companheirismo, entrega, superação, aceitação. Senão, não é amor.

Por isso, o amor é raro.

Por isso, o amor é caro.

Por isso o amor é tão procurado – tarefa para a vida inteira, porque de construção lenta para ser duradouro. É como uma jóia artesanalmente lapidada, por mãos inspiradas. Mãos que amam tanto quanto a alma e o corpo amam.

Por ser tão raro, o amor dificilmente é reconhecido e facilmente é confundido.

Amar não é ser proprietário de quem se ama. Amar não impõe regras nem proibições. O amor não aprisiona nem acorrenta. Por amar não se manda conta ao parceiro, cobrando pelo sentimento, pela dedicação, pela companhia.

Se a recíproca não existe se desfaz a sociedade. É isso que comumente não aceitamos. Amar não se conjuga no singular. Somente no plural. A rejeição nos faz sofrer e perder as fronteiras da realidade. As tentativas, todas, são vãs quando só um ama. Essa percepção é dolorida mas necessária para que possamos manter a auto-estima, a dignidade e o respeito por nós mesmos, enquanto pessoas.

O Dia dos Namorados está chegando. Que tal reservar alguns momentos para refletirmos um pouquinho sobre a nossa maneira de ser no amor e no amar? Sempre é tempo para buscarmos transformação que qualifique o nosso bem-querer!