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sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Estado é Lula?

O Blog de Ricardo Noblat hoje traz importante artigo, de autoria do jornalista Sandro Vaia* (F)- uma consistente análise da personalidade de Lula, através do tempo, até tornar-se presidente da República. Vale a pena ler. Para entender todos os porquês...

"A história de vida de um nordestino que saiu da miséria para a Presidência da República parece um conto de fadas e poderia ser um bom roteiro de filme. Quem não gosta de histórias heróicas de superação de alguém que sai do nada para chegar à glória?

Esse é um dos motivos da espantosa popularidade de Lula, embora ela só tenha se materializado depois de três tentativas de chegar à Presidência da República, e não por coincidência, depois que a sua imagem, até então abrasiva e conflituosa, foi moldada por um arranjo mercadológico e político que aparou as arestas que o separavam do convívio pacífico com o status-quo. A maquiagem do paz-e-amor somada à rendição aos dogmas do mercado, representada pela “Carta ao Povo Brasileiro”, fizeram do zangado sindicalista de resultados um presidente amado pelo povo e mitificado em boa parte do mundo.

Até aí, tudo bem. É justo que Lula se orgulhe de seu destino, de sua história de vida, de seu triunfo.

Perfeito seria se ele usufruísse de seu instante histórico de glória para ajudar a fortalecer as frágeis instituições da jovem democracia brasileira em vez de dedicar-se a desrespeitá-las, no deboche contínuo e deliberado que ele comete ao confundir a popularidade com a onipotência.

A sabedoria grega criou uma palavra para isso - húbris - que Houaiss define como “orgulho arrogante ou autoconfiança excessiva; insolência”, e é isso que o presidente vem praticando, com a mesma prodigalidade com que os novos ricos investem sua fortuna recente em gestos e objetos que tornam evidentes a sua pouca familiaridade com o decoro e as regras elementares da convivência civilizada. A fortuna recente de Lula são os seus 80% de aprovação.

Lula foi multado 4 vezes por crime eleitoral e sua resposta foi debochar da Justiça. Não deu e nem dá qualquer sinal de que pretende respeitar as leis. Lula inaugurou o canal internacional da TV Brasil a chamou de “minha TV”, em mais uma de suas contínuas e repetidas confusões entre público e privado. Lula herdou uma sólida plataforma econômica e institucional dos governos que o precederam, e nunca disse uma palavra de reconhecimento. Afirmou - e depois repetiu para confirmar - que o Brasil de verdade começou no instante de sua posse. Lula tornou supérfluos, ou dispensáveis , os tribunais de contas, ironizou as CPIs, tripudiou do Ministério Público. Se falasse francês, diria, como Luiz XIV, “L’Etat c’est moi”.

Tudo em nome de uma tentativa de perpetuação no poder de seus conceitos e estilos, ainda que através de interposta pessoa - que tenta obstinadamente moldar à sua imagem e semelhança.

Nas democracias maduras, as instituições estão acima das pessoas. Nas democracias jovens, como a nossa, talvez esse personalismo seja um defeito temporal, episódico, um tributo pago à pouca maturidade e à curta convivência com a prática da democracia.

Lula provavelmente não é capaz de avaliar o estrago que a sua “húbris” pode provocar às instituições e o prejuízo que isso pode trazer ao futuro da democracia no País. Se estivesse cercado por bons conselheiros, em vez de áulicos, aproveitadores e aduladores , poderia empenhar-se em ser um presidente para a História e não apenas para a glória dos fogos de artifício que se apagam e dos ibopes que o tempo derrete."

*Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A REPÚBLICA DA LÍNGUA PRESA

Desde logo vou avisando: não trata esse singelo escrito do pequeno problema de articulação do órgão muscular móvel, situado na boca, que serve para sentir os sabores, deglutir e articular sons, apresentado por alguns políticos que se movem com grande relevo no cenário nacional e internacional, conhecido, erroneamente, como língua presa. Tecnicamente, o nome da deficiência é língua flácida e pode ser corrigida por um bom especialista em fonoaudiologia, se o vivente quiser...

Afastando a digressão, voltemos à questão prioritária que enseja a discussão desejada – a dificuldade de expressão verbal e escrita que apresentam os brasileiros, como usuários da Língua Portuguesa, para comunicar pensamentos, desejos e emoções. O idioma pátrio, o vernáculo encontra-se, permanentemente, atrás das grades, assassinado, morto e enterrado por gente que nunca fez questão de fazer o dever de casa. Há exceções óbvias, quem nunca teve oportunidade de estudar, por miséria extrema, possui atenuantes...

É certo, também, que as políticas governamentais de Educação têm redundado em fracasso e não são prioridade, até mesmo porque um povo inculto, inerte e acrítico pode ser mais facilmente dominado – aceita tudo, nada questiona!

Vejam bem, quem deveria fornecer exemplos de virtude vocabular são os personagens que ora nos representam na seara política, já que de suas mãos e mentes é gerado e conformado o arcabouço legal que move o país.

E justamente as personagens da política são os maiores criminosos do vernáculo pois que o ferem de morte constantemente, sem a menor cerimônia, a sangue frio. O maior problema é que as excelências sequer conseguem articular convenientemente a palavra-chave de sua ação política – a proposta de solução para os “problemas” que o país enfrenta. Daí, é um tal de “poblema”, “probrema”, “plobema” “pobrema”...Pobres de nós! Parafraseando Dadá Maravilha, o homem-gol, ora transitando no cenário nacional como palestrante motivacional, para essa problemática, por enquanto, não há solucionática...

Aliás, o mandatário-mor da nação tem prestado relevante desserviço ao povo na medida em que não perde oportunidade para repudiar boas e saudáveis práticas de leitura, ao afirmar que não lê jornais porque lhe causa azia; que não estudou porque não viu necessidade...glamurizando o fato de um operário, um homem humilde, sem estudo, ter chegado à presidência da República. Ora, não é demérito ser humilde, simples, sem posses. Denigre sua imagem quem faz a apologia da ignorância, da mediocridade. Melhor e mais apropriado seria o estímulo, pelo exemplo pessoal e através de ações e iniciativas governamentais, da importância da educação sistemática e continuada, para que os conterrâneos possam adquirir habilidades e competências que os façam crescer pessoal e profissionalmente. Ganham os indivíduos, enriquece a nação!

Não podemos esquecer que a situação do Brasil é aflitiva no que tange à Educação, já que ainda são altas as taxas de analfabetismo e, mesmo os estudantes que adquiriram as habilidades de ler e escrever são considerados analfabetos funcionais pois sequer conseguem formular uma frase completa, resolver um problema de ordem matemática que exija algum raciocínio lógico ou interpretar textos sem maior complexidade. Se “O Cara” utilizasse o seu carisma e os altos índices de popularidade que amealhou para estimular o povo a pensar, através da educação, teríamos melhor sorte...

Assim, nossa República continuará com a língua presa, sem direito a habeas-corpus ou progressão de pena, pois crime hediondo não dá direito à liberdade condicional...

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Publicado, originalmente, no Blog Crônicas de Edward de Souza e Amigos Jornalistas, em http://artigosedwardsouza.blogspot.com, em 27mai2010.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Pedro Weingärtner no Museu de Arte do Rio Grande do Sul

Uma das manifestações artísticas que mais me impressiona e sensibiliza é a pintura. Admiro quem tem o dom de transferir para uma tela aspectos da natureza e, especialmente, a representação da figura humana, com toda a gama inesgotável de sentimentos que carrega, captada, em dado momento, pelo pincel do artista, que age como um decodificador particular e único de determinada situação.
Por isso me encantam as exposições de arte. No final de semana fui apreciar a obra do pintor gaúcho Pedro Weingärtner (1853-1927), no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, denominada “Um Artista entre o Velho e o Novo Mundo”. São mais de cem obras advindas de acervos de museus brasileiros e de colecionadores particulares.

Trata-se de uma oportunidade rara para conhecer a obra de um grande artista que usava como inspiração cenas que viu e viveu. Aliás, a interação entre a cena que o artista reproduziu e quem a está fruindo é impressionante. Weingärtner sempre nos conta alguma coisa – sejam os usos, hábitos e costumes dos conterrâneos gaúchos e dos imigrantes italianos e alemães, sejam as cenas da natureza em transformação, sejam pequenos detalhes ou nuances de sentimentos implícitas nos rostos de homens e mulheres que retratou. Também chama particular atenção a diversidade e a beleza dos animais reproduzidos – cavalos, vacas, porcos, galinhas, patos, cabras e outros tantos bichos, pintados à perfeição. O artista, caracteriza-se, ainda, pelo detalhismo, tanto na representação da figura humana quanto na dos bichos e nas fachadas e interiores dos prédios que reproduziu.
A exposição está dividida em três grupos e ocupa as pinacotecas do Museu. As obras produzidas durante o período em que o pintor viveu na Europa retratam a juventude romana e cenas campestres europeias, de rara beleza. O cenário gaúcho apresenta o homem em contato com a terra, com os animais e no comércio, tão belo quanto. As cenas de festas e bailes mostram as confraternizações realizadas, principalmente, entre os imigrantes alemães. Estupendas.
De resto, o MARGS preparou-se adequadamente para receber Pedro Weingärtner – além da beleza das pinacotecas e da arquitetura interior, a fachada do prédio está toda iluminada com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul. Um primor. A exposição vai até o dia 13 de junho.

sábado, 15 de maio de 2010

A convocação do Dunga

Amigos leitores! Recebi de minha amiga Strellitziah K. Dent este texto muito bem humorado, em que ela desanca o Dunga, ao comentar a recente convocação dos jogadores da Seleção que vão defender o Brasil na Copa do Mundo da África do Sul.

Leiam e apreciem!

ENTENDENDO AS RAZÕES DE DUNGA

Caros e caras, queridos e queridas, voltei! Acontece que nesta semana ocorreu um fato relevante, que requer minha intervenção. O senhor Carlos Caetano Bledom Verri, popularmente conhecido pelo codinome Dunga, convocou os 23 jogadores que irão defender a Seleção Brasileira, na Copa do Mundo da África do Sul.

A lista de convocados deixou a pátria de chuteiras atônita. Não deveria. Eu, pelo menos, não fiquei. E lhes digo porquê. Vou lhes contar uma pequena história, para que vocês entendam minha posição. Sabem que tenho ligações profundas com o mundo transcendente e, por isso, fui ter com Branca de Neve, no mundo encantado onde ela ainda reside, avec seu príncipe e os seis anões restantes.

Esclareço que não viajei para a terra da fantasia porque, na contemporaneidade, há meios eletrônicos sensacionais, que permitem uma interlocução competente, em tempo real e sem ruídos. Acontece que tenho o MSN da White Snow e dele me socorri para investigar os motivos que levaram o Dunga a fazer suas escolhas.

A gentil princesa atendeu-me prontamente e também demonstrou seu desapontamento com o menorzinho do clã. Para que eu entendesse melhor, contou-me como Dunga veio parar no Brasil, virou jogador de futebol e, mais recentemente, técnico da Seleção Brasileira.
A
Vocês conhecem muito bem os Sete Anões: Mestre, Feliz, Zangado, Atchim, Soneca, Dengoso e... Dunga. Pois eles trabalhavam numa mina de diamantes, extraindo o precioso mineral. Era um trabalho pesado, insalubre, em que pese os resultados auspiciosos, tal a valia do produto. Porém, Branca de Neve não aprovava que o caçula acompanhasse seus irmãos na faina diária. Ele era muito jovem, ainda não articulava direito as palavras, aliás, não se entendia nada do que dizia! Então, a princesa e o príncipe, responsáveis legais pelo menino, resolveram enviá-lo para um reino distante, chamado Brasil, para que pudesse estudar e transformar-se num homem de valor.

Nem preciso dizer que os irmãos foram terminantemente contrários à decisão, mas não ousaram desobedecer as determinações do real casal. Assim, por um sortilégio benigno, Dunga veio parar na meridional cidade de Ijuí, sob a proteção de uma acolhedora família, que o criou e lhe deu a educação desejada por seus pais adotivos primevos.

Entretanto, Dunga jamais esqueceu a sua origem, pois, na tenra infância, jogava futebol com pedras de diamante lapidadas tal qual uma bola... Com a intervenção do craque Claudiomiro (aquele que, ao jogar em Belém do Pará, sentiu-se feliz em visitar a terra em que Jesus nasceu...) Dunga foi parar no Internacional de Porto Alegre. Fez carreira, foi para a Seleção, tornou-se Campeão do Mundo e, agora, é o manda-chuva do escrete canarinho.

Pois bem, chegamos ao ponto crucial da questão. E desvendamos o mistério que paira no ar. Por que Dunga convocou alguns jogadores que consideramos medíocres e deixou de fora alguns novos e geniais talentos, a título da fadada coerência que ele tanto ressalta? Pois saibam, caros e caras, queridos e queridas que, na verdade, quem convoca e desconvoca, quem escala e desescala não é o Dunga e, sim, o Zangado!

A princesa real confidenciou-me que o Dunga e seus irmãos estão permanentemente ligados. Comunicam-se pelo MSN e pelo Skype, diariamente. Embora Dunga deseje seguir os razoáveis conselhos do Mestre, sempre teve sintonia maior com o Zangado, de quem podemos notar, claramente, índicios de belicosidade em suas intervenções públicas, especialmente nos colóquios algo ácidos com a imprensa. Entenderam agora, aquela testa franzida, a cara sisuda, de poucos amigos e de muitos inimigos?

Desta vez, Mestre e Feliz foram desconsiderados, pois queriam que Dunga convocasse Neymar e Paulo Henrique Ganso, dois jovens geniais, donos de futebol primoroso e alegre. Zangado só admitiu Robinho, porque três do mesmo time iria virar panelinha, os meninos poderiam esquecer que estavam em campo e querer comer um peixe durante a partida...sabe-se lá o que passa na cabeça desses moleques.. Ademais, o Ronaldinho Gaúcho é muito festeiro, poderia marcar encontro, à noite, com algumas sul-africanas bonitas e sumir da concentração... O Victor é belo demais e seria uma temeridade ter que aguentar um bando de tietes gritando por ele, dia e noite, sem parar!

Inconsolável está o Dengoso, que queria ver no time principal o Ronaldo Fenômeno e o Adriano! Dunga, disse-me Branca de Neve, respondeu, gentilmente, ao irmão que não haveria tempo hábil para plantar uma árvore no meio do campo, para que o Ronaldo descansasse após uma corrida rumo à linha de fundo e muito menos, infraestrutura para construir uma favela carioca nos locais dos jogos, aos moldes da que o craque do Flamengo aprecia para reconstituir as energias e inspirar-se. Haveria, inclusive, um impedimento de natureza alimentar, já que a tonelagem de grãos teria de ser aumentada para fornecer ração diária substanciosa aos dois jogadores e a carga do avião da TAM já atingiu o limite máximo. Ah! E também fracassaram as tentativas de abrir uma filial do Mc Donald’s na concentração da Seleção.

Agradeci a gentileza de Branca de Neve que ainda segredou-me pairar-lhe no peito uma dúvida atroz. Ela e o príncipe desconfiam que o Dunga comeu um ínfimo pedaço da maçã enfeitiçada pela Bruxa Malvada (de triste lembrança) e as reações, tardias, estão se manifestando agora. É de se pensar!

Enfim, caros e caras, queridos e queridas, recorri ao imponderável, ao que paira acima da realidade, para descobrir alguns dos mistérios insondáveis que habitam a mente do técnico Dunga. Espero ter desvendado a questão sem ter que recorrer à magia e outros quetais cósmicos.

Certo é, aqui entre nós, que é muito difícil abrir a cabeça para o novo, para a revelação da genialidade. Isso é coisa para quem tem ousadia e destemor. Em nome da coerência, da mesmice e da falta de criatividade, muitos figurões foram para o brejo.

Me admira, porém, constatar que um homem que, na infância, jogava futebol com bolas de brilhante, não consiga, na maturidade, perceber as gemas preciosas de que prescindiu, ao ignorar novos talentos, perdendo oportunidade única de revelá-los para o mundo e colher o título inédito do hexa. Entristecida, concluo que Dunga preferiu abandonar a magia que cercava suas origens, em nome da burocracia que rege suas decisões atuais, sem brilho, sem poesia... Ainda não compreendo porque conserva o apelido. Ou melhor, entendo, sim! Deve ser porque em sonhos, ainda joga com as pedrinhas de diamante...

De qualquer maneira, a decisão está tomada, a menos que o imponderável se manifeste... Como a maioria dos brasileiros que amam a sua Seleção, já estou preparando minha camiseta, bandeira e demais apetrechos verde-amarelos e vou torcer até o fim pela Canarinho, apesar de Dunga, ou melhor, de Zangado!

Aconselho que vocês façam o mesmo porque uma torcida amorosa é o 12° jogador em campo e o inconsciente coletivo propalado por Jung (um dos meus psicanalistas preferidos!) de 189.980.000 (20.000 são urubus agourentos) de brasileiros vai funcionar, mesmo que a distância seja transatlântica e os boleiros, meio murchos. Carinho, amor e paixão, multiplicados por milhões, fazem toda a diferença!
*Strellitziah K. Dent é consultora para assuntos sentimentais, vidente, astróloga, guru & assemelhados. Absolutamente do bem.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Seleção

Não costumo falar muito sobre futebol, até porque cada um tem as suas convicções e detesto bate-boca futebolístico, mas acaba de ser convocada a Seleção Brasileira que vai disputar a Copa do Mundo, pelo técnico Dunga e...convenhamos, não dá pra resistir sem dar um pitaquinho. Doni, Gomes, Júlio Batista?

Victor merecia uma chance! Por outro lado, quem ganha é o Grêmio, conservando o seu goleiro.

Mediocridade pura, ou seria...safadeza pura?

Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara, quer antecipar o recesso do Congresso para 10 de junho, para que os distintos legisladores possam acompanhar, sem interrupções desagradáveis, a Copa do Mundo. O Parlamento voltaria a funcionar normalmente só depois das eleições de outubro - o segundo turno (se houver)acontece só no dia 31. Como já se terá o nome do novo presidente e já se saberá, também, a composição do novo Congresso - e a menos de dois meses do fim do ano e da legislatura -, não se vai votar mais nada de importante mesmo. Assim, temos que, na prática, o deputado petista está defendendo que o Congresso, neste ano, encerre as suas atividades no começo de junho, com a moleza de sete meses de férias, pagas, como sempre, pelo contribuinte!

Muitos haverão de dizer que é melhor e mais saudável para o país que os legisladores gozem férias prolongadas, sem gerar novas despesas, afinal, logo após o campeonato mundial já estarão em campanha...Porém, trata-se de um acinte e uma ofensa a quem trabalha e cumpre os seus deveres.

Acontece que o senhor Vacarezza e seus demais colegas parlamentares fazem parte de um feudo que se autorregulamentou e não faz mais parte do território brasileiro. Não precisam mais dar satisfação a ninguém, até porque a cobrança é pouca...

Neste ano, o recesso se daria entre 18 e 31 de julho. Oficialmente, deputados e senadores usam esse período para visitar as suas bases. Vaccareza vai propor a antecipação para o dia 10 de junho, véspera do início da Copa do Mundo. Até lá, seria preciso votar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), sete medidas provisórias, a implantação de banda larga nas escolas e a adesão do Brasil ao Tratado Constitutivo da União de Nações Sul-Americanas.

Caros leitores, o x da questão não é a Copa do Mundo, festas juninas e o escambau...Acontece que a base governista, ultimamente, está sem controle e propensa a ser muito bondosa, dirigindo os olhos para o dedo do eleitor, aprovando o reajuste dos aposentados e o fim do fator previdenciário, causando sérios reveses ao governo que já não consegue segurar os seus trêfegos companheiros, dispostos a rezar em todas as cartilhas para segurar a boquinha por mais quatro anos.

Então, a estratégia real é essa - como o Planalto não consegue mais segurar a sua base, propõe que seja esticado o recesso, ou provocar um verdadeiro fechamento branco do Legislativo. E o povo que se exploda e continue se esfalfando para pagar as benesses usufruídas por esse bando de medíocres, ou melhor, de safados.