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segunda-feira, 22 de março de 2010

Nova modalidade de escolha...


...do paraninfo de curso universitário mostra a que ponto chegamos na derrocada de nossos valores éticos! Se a referida formatura fosse de um curso técnico interno patrocinado pelo PT, tudo bem que os formandos ecolhessem o paraninfo em questão, mas oferecer essa honraria que decorre de sentimentos de admiração, envolvimento, notório saber, honra e dignidade pessoal reconhecidas pela comunidade acadêmica me parece, no mínimo, uma aberração, o fundo do poço - o total desvirtuamento do papel que deve exercer um paraninfo em relação à turma de formandos que o homenageia. O paraninfo deve ser, via de regra, um(a) professor(a) que tenha vínculo profundo com os alunos que o escolheram. O patrono, sim, poderá ser figura notória fora do circuito universitário, que represente com brilhantismo a profissão que os formandos escolheram.

Creio que essa aberração decorre, também, da premente necessidade de recursos para a organização da formatura, que se transformou num evento de luxo, caríssimo. Como a praxis exige a colação de grau e as universidades bancam somente uma cerimônia simples, os formandos se esfalfam, desde os primórdios do curso, a promover festas, risotos, rifas e o escambau para que, ao final do curso, possam contratar empresa que realize o evento de formatura, o convite, as fotos, o baile, contrate a banda e o local da cerimônia, os fogos de artifício, etc. Notaram que isso tudo exige muiiiito dinheiro!

Então os alunos formandos das Faculdades Dom Bosco escolheram o meio mais fácil e prático - convidaram Delúbio Soares para ser seu paraninfo na cerimônia de colução de grau em Administração. Vejam só:

"1. O homem de terno e gravata é um professor, o patrono da turma, o escolhido para render homenagens aos alunos. "É muito importante a ética na política, na educação e na cultura do povo", afirmou o professor, diante dos olhares atentos de mais de quatro centenas de convidados. E concluiu sua pregação: "É importante ter ética em tudo o que se faz na vida".

2. O homem que está no epicentro do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, que manuseou milhões de reais em dinheiro roubado dos cofres públicos, agora empenha seus fins de semana pregando ética a jovens. Bonito, se estivesse cumprindo uma expiação. Mas nem isso é o que parece. O ex-tesoureiro petista foi homenageado pela turma de futuros administradores por seu principal talento - a capacidade de arrumar dinheiro.

3. Conta o presidente da comissão de formatura: "A gente ficou sabendo que o Delúbio gostava de participar desse tipo de festa, inclusive ajudando financeiramente. Fomos até sua fazenda e fizemos o convite para ele ser o nosso padrinho. Ele topou na hora e, aí, a gente perguntou se ele poderia dar uma ajudazinha nas despesas. Ele perguntou de quanto. Deixamos por conta dele". Dias depois do convite, em novembro, o ex-tesoureiro depositou 6 000 reais na conta da comissão. "A gente sabe que a fama dele é horrível, mas fazer o quê, se ele pode bancar a festa?", justifica Cezar Barros."

Vulmar Leite já repercutiu esse episódio lamentável em seu blog http://blogdovulmarleite.blogspot.com, com muita propriedade.

Quando me formei em Comunicação Social, em 1978, pela Universidade Federal de Santa Maria, minha turma escolheu, por consenso, o coordenador do curso, professor Antônio Abelin, como paraninfo, já que sempre foi um incentivador, um brilhante professor, presente e atuante. Nosso patrono, um jornalista histórico - Hipólito José da Costa, editor do primeiro jornal a circular no Brasil. Lembro que recebemos do nosso paraninfo apenas um belo discurso e muito carinho. Todos ficaram plenamente satisfeitos. A cerimônia foi linda, vai ficar para sempre na nossa lembrança e...gastamos muito pouco - não precisamos vender a nossa consciência ética para promover um belo evento de formatura. Simples e emocionante.

Fonte: Ex-blog do César Maia

Um comentário:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nívia Andres!
Tomo a liberdade de transcrever no seu imperdível espaço cibernético o comentário que deixei no também obrigatório espaço eletrônico do Vulmar Leite:

"Que desconforto saber da lamentável escolha para o Patrono da formatura dos formandos da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba-GO... Considero um paradoxo os formandos escolherem um patrono, que tem uma vida pública maculada e mais ainda ter ciência que foi escolhido por questões PECUNIÁRIAS...
Apesar da minha incredulidade desejo intensamente que a Páscoa nos traga realmente VIDA NOVA com esperança de dias melhores para a nossa amada Pátria, que ainda tem palmeiras e sabiás, bem como patrícios exauridos, envergonhados e desalentados de verem e sentirem na pele os efeitos de tantas falcatruas perpetradas por gerenciadores inidôneos do erário público.
O que nos espera?"

Agora ao ler sua crônica descubro que o nome da faculdade é Dom Bosco... Tenho convicção que se o iluminado Dom Bosco estivesse entre nós, e fosse gerenciador da faculdade, reprovaria com ardor esta lamentável escolha... Que desalento saber que temos formandos aptos a ingressarem no mercado de trabalho com este estigma...
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP