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quarta-feira, 31 de março de 2010

Chuchu

Segundo ensina o dicionário, chuchu, do francês antilhano chou-chou, é uma trepadeira cucurbitácea, de nome científico Sechium edule, de fruto verde e comestível. Na linguagem popular, pessoa muito bonita, graciosa; muito querida, ou que é a favorita, a mais mimada.

Vocês devem estar achando que estou louca ao falar de chuchu em plena época de Páscoa, afinal, até prova em contrário, chocolates são feitos com cacau...

Pois bem, explico. O Chuchu a que me refiro não era um legume. Era um digno representante da família Leporidae cujos membros são popularmente conhecidos como coelhos! No mais, confere com o dicionário, era lindo, fofinho, gracioso, elegante e transformou-se em favorito, no mais mimado...

Nossa história com o Chuchu começou quando minha irmã Nina ganhou aquele coelhinho branco de seus amigos e o trouxe para o apartamento. Na época, morávamos em Santa Maria, para estudar.

Logo nos primeiros dias de convivência nos apaixonamos por ele. E também tivemos prejuízos avantajados. Mesas, cadeiras, vassouras, sapatos foram solenemente roídos pelo láparo esfomeado que, nas horas de solidão, era o rei do pedaço. Nada escapava de seus dentões serrilhados...Não pensem que o deixávamos à míngua. Comia à farta, uma feira inteira por dia...

Seguidamente havia um conselho da tribo, para discutir o banimento do Chuchu, por prejuízo mobiliário e econômico, mas o danadinho sempre ganhou todas as questões, somente advogando com o olhar pidão...Resistir, quem havia de?

Assim, em pouco tempo, tornou-se o rei do apartamento 44, altos do Cine Glória, nossa feliz morada na cidade universitária...Por algum tempo, o reino dele era a área de serviço; depois, tomou de assalto a casa inteira, quando adquiriu comportamento de gente, respeitando o código de conduta estabelecido: Não roer, não lamber, não mastigar roupas, móveis e utensílios, não fazer xixi no sofá nem nos cantinhos. Comportar-se com um bom menino, obediente e educado. Um gentle rabbit!

Quando chegávamos da aula, Chuchu nos esperava na porta, confortavelmente instalado nos peleguinhos de lustrar. Daí, pulava no meu colo, no sofá, para assistir televisão, olhar fixo e interessado. Adorava o Programa da Xuxa (que assistia sozinho, diga-se de passagem, batendo a patinha ao ritmo do ilariê...desconfio que suspeitava ser parente da moça!) e as novelas, principalmente a das oito. Creio até que suspirava, nos momentos mais emocionantes dos folhetins televisivos...Nos intervalos, fazia o seu show e merecia aplausos – como a sala era ampla, dividida em dois ambientes, Chuchu descia do sofá, engatava uma primeira, ganhava velocidade e deslizava até encontrar a parede, batendo a cabecinha, de propósito...Voltava vendo estrelas, com cara de malandro. Se deixássemos, repetia a façanha, até cansar. Depois, dormia, invariavelmente, no nosso colo. Acordado, como guri obediente, seguia a dormir em sua casinha.

Nossa vida com Chuchu fluiu agradável, por vários meses. Quando chegaram as férias, afastamos a possibilidade de levá-lo para Santiago, pois a mãe não o aceitaria. Tinha cachorro, gato e caturrita (que assobiava o hino nacional inteiro!) na casa...

Então, a Nina confabulou com um colega que tinha sítio e acertou a permanência do Chuchu na temporada de férias. Despedidas chorosas... mas, fazer o quê? Foi-se o Chuchu, rumo à serra, com mochila e peleguinho...

Ao retornarmos à Santa Maria, rapidamente minha irmã foi ter com o tal amigo, para combinar o resgate do Chuchu. Voltou desconsolada e furiosa. O Chuchu, lindo e fofo, havia virado refeição, segundo o depoimento do gajo assassino. Até hoje não sabemos se o Chuchu, de fato, virou comida ou fugiu (que de bobo não tinha nada...) mas o resto, podem acreditar, é tudo verdade!

*Publicado originalmente, hoje, no Blog de Edward de Souza -
http://artigosedwardsouza.blogspot.com que publica, nesta semana, a Série CONTOS & CRÔNICAS DE PÁSCOA

segunda-feira, 29 de março de 2010

Armando Nogueira

Faleceu hoje Armando Nogueira, um dos maiores cronistas esportivos de todos os tempos. Um ás com a pena! Intrigante, envolvente, elegante, culto. Suas crônicas são uma delícia! E serão eternas. Leia uma delas aqui!
TURBULÊNCIA NA SACOLA
"O voo é Belo Horizonte-Rio. O oval da janelinha do avião recorta sereno azul do céu. Não vejo, na rota, uma única nuvem. Gosto quando o avião anda o tempo todo no meio de um rebanho de carneirinhos. São os cirros, pequenos flocos de gelo que não incomodam ninguém. Pelo contrário, enfeitam o cenário quando o avião voa muito alto. De repente, o avião começa a sacudir. Deve ser uma turbulenciazinha, penso. É coisa passageira. Já, já, acaba. Por cautela, confiro o cinto de segurança. Está ajustado. Aprendi que, em voo, nunca se desata o cinto. Num solavanco, você pode quebrar a cabeça no teto. Em poucos minutos, porém, sinto que a barra vai engrossando: o que era um leve balançado, agora, é um balançado severo. O avião chacoalha demais.

Não me sinto bem na turbulência. Não tenho medo, mas me incomoda. Quem disser que aprecia um voo com o ar remexido está querendo dar uma de machão. É como alguém dizer que gosta de viajar de carro numa estrada esburacada. Papo furado. Ligadíssimo no fenômeno, desconfio que o rebolado do avião pode estar acontecendo aqui, bem embaixo da minha poltrona. Dou uma olhada mais detida e tomo um susto: vejo uma pacata sacolinha de plástico, coisa de nada, se debatendo em si mesma como se o mundo fosse desabar céu abaixo.

Me lembro, então, que, na estada em Belo Horizonte, tinha ganho, de presente, duas camisas: uma do Atlético, outra do Cruzeiro. Desavisado, caíra na besteira de enfiá-las no mesmo saco. Pra que? Na verdade, estavam estrebuchando, dentro daquele embrulho, não duas singelas camisas, e sim, duas multidões enfurecidas, duas almas colossais que não podem se imaginar juntinhas como farinhas do mesmo saco. Foi como se por temeridade a polícia deixasse, um dia, as duas torcidas misturadas em tarde de decisão.

Cruzeiro-Atlético. Ou como se alguém soltasse no mesmo quarto uma jaguatirica e um cão de caça… A muito custo, separei aquelas duas criaturas que ali estraçalhavam, ameaçando pôr abaixo o avião. Em um minuto, o voo serenou completamente. O avião virou tapete persa no ar. O comandante, do alto do seu quepe estrelado, então, pegou o microfone e deu o ar de sua graça: avisou a todos nós que o avião tinha passado por uma turbulência de céu claro, provocada pelo encontro de duas ou mais correntes de vento que se estranham. E até explicou que existe uma sigla americana pra definir o fenômeno: chama-se CAT: (Clear Air Turbulence): Turbulência de céu claro. Fiquei na minha. Só eu sabia, a bordo, o que e porque tinha acontecido tamanho rebuliço naquele voo.

Mais tarde, chegando em casa, tratei de guardar uma camisa no armário do quarto e a outra, bem longe, numa gaveta do meu escritório…"

domingo, 28 de março de 2010

Lula e a liturgia do cargo

O jornalista Merval Pereira publicou no Jornal o Globo, repercutido no Blog do Noblat, interessante reflexão sobre os arroubos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que transcrevo abaixo, merece a atenção dos brasileiros que querem viver num país ordeiro, ético e democrático.


No momento em Lula atinge o mais alto índice de popularidade em seu governo é inaceitável que continue se comportando dessa maneira, agredindo a lei eleitoral e os instrumentos de controle da gestão financeira do Brasil.


O exemplo de Lula
Merval Pereira:

"O descaso com que o presidente Lula trata as condenações que recebeu do Tribunal Superior Eleitoral resume bem o estado de complacência moral em que o país se debate, gerando o esgarçamento de seu tecido social com graves repercussões.
Está se impregnando na alma brasileira uma perigosa leniência com atos ilegais, que acaba tendo repercussões desastrosas no dia-a-dia do cidadão comum, que passa a considerar a “esperteza” como um atributo importante para vencer na vida.
Em vez de usar seu imenso prestígio junto ao eleitorado para dar o exemplo de cidadania, de respeito às leis, o presidente Lula vem, não é de hoje, confrontando publicamente as instituições que considera obstáculos a seus objetivos políticos, não apenas os meios de comunicação, a chamada “mídia”, mas principalmente órgãos encarregados da fiscalização dos atos governamentais.
Já em 2008, em Salvador, chegou a dizer um palavrão em público criticando a lei eleitoral que dificulta suas viagens pelo país.
Àquela altura ele já desdenhava das possíveis punições, fingindo ensinar ao povo como deve se comportar para não ferir a lei eleitoral.
Quando a torcida organizada começa a gritar o nome da ministra Dilma, ele se faz de desentendido: “(...) a gente não pode transformar num ato de campanha. É um ato oficial, é um ato institucional. (...) vocês viram que eu, por cuidado, não citei nomes. Vocês é que, de enxeridos, gritaram nomes aí. Eu não citei nomes”.
Igualzinho ao que continua fazendo, mesmo depois de multado.
Nos comícios, não é raro o presidente criticar o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público, por supostos entraves que imporiam à execução de obras, e chegou até mesmo a defender a alteração da Lei das Licitações, uma legislação que foi criada depois dos escândalos do governo Fernando Collor, exatamente para coibir a corrupção.
“Aqui no Brasil se parte do pressuposto de que todo mundo é ladrão”, disse o presidente certa vez, com a mesma atitude complacente com que trata os “mensaleiros” e os “aloprados”.
Lula se incomoda quando os organismos institucionais atuam para fazer o contraponto exigido pela democracia, que é o sistema de governo de pesos e contrapesos para controlar o equilíbrio entre os Poderes.
Se existe uma legislação que impede um determinado ato seu, ele tenta superá-la com a maioria parlamentar que obteve à custa da divisão do governo em verdadeiros feudos partidários.
O exemplo mais recente é o projeto de lei que transforma os recursos do programa Territórios da Cidadania, que leva a regiões do interior projetos de educação, saúde, saneamento básico e ação fundiária, em transferência obrigatória da União para cidades com menos de 50 mil habitantes, mesmo havendo inadimplência financeira com o Governo Federal, o que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal.
O caráter político da medida pode ser compreendido quando se sabe que 90% das Câmaras de Vereadores estão instaladas em municípios de menos de 50 mil habitantes.
O Tribunal de Contas da União (TCU) é uma vítima recorrente da obsessão de Lula, que o acusa constantemente de atrasar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Para Lula, de fato “quem governa é o TCU, que diz que obra pode ser realizada”.
O incômodo é tão grande que chega a existir no Congresso, incentivado pelo governo, um projeto que reduz os poderes do Tribunal de Contas da União (TCU) na fiscalização, com o objetivo de impedir que o TCU paralise obras públicas, mesmo que a fiscalização encontre indícios de irregularidades graves.
Enquanto não consegue seu objetivo de neutralizar a ação do TCU, Lula vai desmoralizando suas decisões. Recentemente inaugurou a primeira parte da ampliação e modernização da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), obra apontada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como suspeita, um dos quatro empreendimentos da Petrobras que não poderiam receber dinheiro público em 2010 por possíveis irregularidades.
A impugnação do TCU foi incluída na Lei Orçamentária para 2010, mas recebeu o veto presidencial, que garantiu a continuidade das obras. A maioria governista na Câmara dos Deputados aprovou o veto.
Na ocasião, fez comício e tudo, com sua candidata Dilma Rousseff a tiracolo, como sempre, e usando os trabalhadores como desculpa para ter ultrapassado a decisão do TCU. “Quem vai assumir as responsabilidades e explicar para as famílias dos 24 mil trabalhadores que tudo bem, a obra foi suspensa e a gente volta mais tarde?”, discursou Dilma, defendendo a decisão do chefe, de quem não discorda “nem que a vaca tussa”, como já disse uma vez..
Foi o TCU, um órgão do Poder Legislativo, por exemplo, que levantou os gastos exorbitantes dos cartões corporativos e exigiu maior transparência nas prestações de contas.
Outro órgão que se defronta com sérias críticas presidenciais é o IBAMA. Ainda em 2007 aconteceu a citação aos bagres, que ficaria famosa como demonstração da veia ecológica do presidente Lula.
Em reunião com o Conselho Político, o presidente não escondeu a sua irritação com o Ibama por causa da demora na concessão de licença ambiental para construção de usinas hidrelétricas no Rio Madeira.
“Agora não pode por causa do bagre, jogaram o bagre no colo do presidente. O que eu tenho com isso? Tem que ter uma solução”.
Dois anos depois, Lula estava em Copenhagen, na reunião do clima, no papel de defensor da ecologia. Mas esta é uma outra história de esperteza dessa auto-proclamada metamorfose ambulante."

segunda-feira, 22 de março de 2010

Nova modalidade de escolha...


...do paraninfo de curso universitário mostra a que ponto chegamos na derrocada de nossos valores éticos! Se a referida formatura fosse de um curso técnico interno patrocinado pelo PT, tudo bem que os formandos ecolhessem o paraninfo em questão, mas oferecer essa honraria que decorre de sentimentos de admiração, envolvimento, notório saber, honra e dignidade pessoal reconhecidas pela comunidade acadêmica me parece, no mínimo, uma aberração, o fundo do poço - o total desvirtuamento do papel que deve exercer um paraninfo em relação à turma de formandos que o homenageia. O paraninfo deve ser, via de regra, um(a) professor(a) que tenha vínculo profundo com os alunos que o escolheram. O patrono, sim, poderá ser figura notória fora do circuito universitário, que represente com brilhantismo a profissão que os formandos escolheram.

Creio que essa aberração decorre, também, da premente necessidade de recursos para a organização da formatura, que se transformou num evento de luxo, caríssimo. Como a praxis exige a colação de grau e as universidades bancam somente uma cerimônia simples, os formandos se esfalfam, desde os primórdios do curso, a promover festas, risotos, rifas e o escambau para que, ao final do curso, possam contratar empresa que realize o evento de formatura, o convite, as fotos, o baile, contrate a banda e o local da cerimônia, os fogos de artifício, etc. Notaram que isso tudo exige muiiiito dinheiro!

Então os alunos formandos das Faculdades Dom Bosco escolheram o meio mais fácil e prático - convidaram Delúbio Soares para ser seu paraninfo na cerimônia de colução de grau em Administração. Vejam só:

"1. O homem de terno e gravata é um professor, o patrono da turma, o escolhido para render homenagens aos alunos. "É muito importante a ética na política, na educação e na cultura do povo", afirmou o professor, diante dos olhares atentos de mais de quatro centenas de convidados. E concluiu sua pregação: "É importante ter ética em tudo o que se faz na vida".

2. O homem que está no epicentro do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, que manuseou milhões de reais em dinheiro roubado dos cofres públicos, agora empenha seus fins de semana pregando ética a jovens. Bonito, se estivesse cumprindo uma expiação. Mas nem isso é o que parece. O ex-tesoureiro petista foi homenageado pela turma de futuros administradores por seu principal talento - a capacidade de arrumar dinheiro.

3. Conta o presidente da comissão de formatura: "A gente ficou sabendo que o Delúbio gostava de participar desse tipo de festa, inclusive ajudando financeiramente. Fomos até sua fazenda e fizemos o convite para ele ser o nosso padrinho. Ele topou na hora e, aí, a gente perguntou se ele poderia dar uma ajudazinha nas despesas. Ele perguntou de quanto. Deixamos por conta dele". Dias depois do convite, em novembro, o ex-tesoureiro depositou 6 000 reais na conta da comissão. "A gente sabe que a fama dele é horrível, mas fazer o quê, se ele pode bancar a festa?", justifica Cezar Barros."

Vulmar Leite já repercutiu esse episódio lamentável em seu blog http://blogdovulmarleite.blogspot.com, com muita propriedade.

Quando me formei em Comunicação Social, em 1978, pela Universidade Federal de Santa Maria, minha turma escolheu, por consenso, o coordenador do curso, professor Antônio Abelin, como paraninfo, já que sempre foi um incentivador, um brilhante professor, presente e atuante. Nosso patrono, um jornalista histórico - Hipólito José da Costa, editor do primeiro jornal a circular no Brasil. Lembro que recebemos do nosso paraninfo apenas um belo discurso e muito carinho. Todos ficaram plenamente satisfeitos. A cerimônia foi linda, vai ficar para sempre na nossa lembrança e...gastamos muito pouco - não precisamos vender a nossa consciência ética para promover um belo evento de formatura. Simples e emocionante.

Fonte: Ex-blog do César Maia

quinta-feira, 18 de março de 2010

A diferença

Em 14 de março, o jornalista Augusto Nunes escreveu em sua Coluna, ancorada no site da revista VEJA:
A colisão entre um político sem grandeza e um estadista

"Traídos pela indiferença ultrajante do Itamaraty, afrontados pela infame hostilidade do presidente da República, presos políticos cubanos e dissidentes em liberdade vigiada endereçaram ao presidente da Costa Rica o mesmo pedido de socorro que Lula rechaçou. Fiel à biografia admirável, Oscar Arias nem esperara pela chegada do apelo (que o colega brasileiro ainda não leu) para colocar-se ao lado das vítimas do arbítrio. Já estava em ação ─ e em ação continua.

No sábado, 13, Arias escreveu sobre o tema no jornal espanhol El País. O confronto entre o falatório de Lula e trechos do artigo permite uma pedagógica comparação entre os dois chefes de governo:

LULA: “Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por fazer uma greve de fome. Vocês sabem que sou contra greve de fome porque já fiz greve de fome”.

ARIAS: “Uma greve de fome de 85 dias não foi suficiente para convencer o governo cubano de que era necessário preservar a vida de uma pessoa, acima de qualquer diferença ideológica. Não foi suficiente para induzir à compaixão um regime que se vangloria da solidariedade que, na prática, só aplica a seus simpatizantes. Nada podemos fazer agora para salvar Orlando Zapata, mas podemos erguer a voz em nome de Guillermo Fariñas Hernández, que há 17 dias está em greve de fome em Santa Clara, reivindicando a libertação de outros presos políticos, especialmente aqueles em precário estado de saúde”.

LULA: “Eu acho que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto para libertar pessoas em nome dos direitos humanos. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade”.

ARIAS: “Seria perigoso se um Estado de Direito se visse obrigado a libertar todos os presos que decidirem deixar de alimentar-se. Mas esses presos cubanos não são como os outros, nem há em Cuba um Estado de Direiro. São presos políticos ou de consciência, que não cometeram nenhum delito além de opor-se a um regime”.

LULA: “Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos”.

ARIAS: “Não existem presos políticos nas democracias. Em nenhum país verdadeiramente livre alguém vai para a prisão por pensar de modo diferente. Cuba pode fazer todos os esforços retóricos para vender a ideia de que é uma “democracia especial”. Cada preso político nega essa afirmação. Cada preso político é uma prova irrefutável de autoritarismo. Todos foram julgados por um sistema de independência questionável e sofreram punições excessivas sem terem causado danos a qualquer pessoa”.

LULA: “Cada país tem o direito de decidir o que é melhor para ele”.

ARIAS: “Sempre lutei para que Cuba faça a transição para a democracia. (…) O governo de Raúl Castro tem outra oportunidade para mostrar que pode aprender a respeitar os direitos humanos, sobretudo os direitos dos opositores. Se o governo cubano libertasse os presos políticos, teria mais autoridade para reclamar respeito a seu sistema político e à sua forma de fazer as coisas”.

LULA: “Não vou dar palpites nos assuntos de outros países, principalmente um país amigo”.

ARIAS: “Estou consciente de que, ao fazer estas afirmações, eu me exponho a todo tipo de acusação. O regime cubano me acusará de imiscuir-me em assuntos internos, de violar sua soberania e, quase com certeza, de ser um lacaio do império. Sem dúvida, sou um lacaio do império: do império da razão, da compaixão e da liberdade. Não me calo quando os direitos humanos são desrespeitados. Não posso calar-me se a simples existência de um regime como o de Cuba é uma afronta à democracia. Não me calo quando seres humanos estão com a vida em jogo só por terem contestado uma causa ideológica que prescreveu há anos. Vivi o suficiente para saber que não há nada pior que ter medo de dizer a verdade”.

Oscar Arias é um chefe de Estado. Lula é chefe de uma seita com cara de bando. Arias é um pensador, conhece a História e tenta moldar um futuro mais luminoso. Lula nunca leu um livro, não sabe o que aconteceu e só pensa na próxima eleição. Arias é justo e generoso. Lula é mesquinho e oportunista. Arias se guia por princípios e valores. Lula menospreza irrelevâncias como direitos humanos, liberdade ou democracia.

O artigo do presidente da Costa Rica, um homem digno, honra o Nobel da Paz que recebeu. A discurseira do presidente brasileiro, um falastrão sem compromisso com valores morais, tornou-o tão candidato ao prêmio quanto Fidel, Chávez ou Ahmadinejad. A colisão frontal entre o que Lula disse e o que Arias escreveu escancarou a distância abissal que separa um político sem grandeza de um estadista."

Perceberam a diferença? Mais não é preciso dizer.

Fonte: Coluna de Augusto Nunes, em http://veja/blogs/augusto-nunes

Alguma poesia


O mar é orla, diz um,
horizonte, diz outro,
o mar é onda, diz um,
oceano, diz outro,
o mar é espuma, diz um,
estrelas, diz outro,
o mar é porto, diz um,
piratas, diz outro,

o mar é ilha, diz um,
leme e quilha, diz outro,
o mar é enjoo, diz um,
meu voo, diz outro,
o mar é âncora, diz um,
atlas, diz outro,
o mar é cais, diz um,
mais, muito mais, diz outro,

o mar é fundo, diz um,
espelho, diz outro,
o mar é concha, diz um,
infindo, diz outro,
o mar é areal, diz um,
portugal, diz outro

és argonauta, diz um,
gaivota, diz outro,
és o que vai, diz um,
e o que volta, diz outro,
maior o mar, diz um,
amor maior, diz outro.

Marcelo Pires

terça-feira, 16 de março de 2010

Lula em Israel

Tiago Recchia, via Gazeta do Povo

O amigo Wild deu uma preciosa contribuição, através de comentário, sugerindo outras lamentações para o presidente, em sua recente visita ao Muro das Lamentações, em Israel:

"Muito boa essa charge do nosso presidente Lulla! Eu acrescentaria às suas já explicitadas lamentações mais o seguinte:

- Ah o mensalão, ah Zé Dirceu, Delúbio, Dilma, Gushiken, Genoíno, Tarso, etc...!

- Ah Zapata, porque se deixou morrer, justo no dia em que cheguei em Cuba para visitar mis hermanos Castro!

- Ah Fariñas, vê se não inventa tu também de se deixar morrer como o Zapata! Por causa de vocês perdi até o título de "homem do ano" que o El País tinha me dado, ano passado!

- Ah o Arruda, agora cassado, e se ele chega a abrir a boca!

- Ah o Aires Brito, com essa de querer nos tirar 5 pilas de mim e da Dilminha com essa justificativa esfarrapada de campanha antecipada!

- Ah Ahmadinejad, tu me mentiu que o holocausto não tinha existido!

- Ah, se continuar com o Amorim e o Garcia me assessorando desse jeito, logo, logo - de "o cara" e " o filho do Brasil", vão me chamar é de: o bobo da corte internacional!

- Ah, Chaves, Zelaya, Ahmadinejad, socorram-me!"

sexta-feira, 12 de março de 2010

Crônica de uma morte anunciada

Marcelo Rocha, professor da Unipampa de São Borja, publica hoje, na página de Artigos da Zero Hora, pág. 15, um texto que merece reflexão, pela lucidez com que expõe seu ponto de vista. NegritoNão podemos ficar alheios ao que acontece a nossa volta. Chama-se Crônica de uma morte anunciada. Publico-o aqui, por entendê-lo relevante e concordar com o seu posicionamento:

"Contemplar um crime em silêncio é cometê-lo. A frase, de José Martí, um dos heróis da luta pela independência cubana contra o domínio espanhol, poderia muito bem ilustrar a batalha de um conterrâneo seu chamado Guillermo Fariñas. Combatente em Angola, na década de 80, Fariñas recebeu medalhas por sua bravura, mas desiludiu-se com a corrupção que observou em hospitais em Havana. Suas denúncias o levaram à prisão. Agora o ex-militante comunista persiste numa greve de fome pela libertação de presos políticos dissidentes com problemas de saúde.

São tristes as histórias dos dissidentes cubanos e poucas chegam até nós. O escritor Reinaldo Arenas, por exemplo, sofreu com o regime autoritário. Ao terminar seu livro, Antes que Anoiteça, em 1990, Arenas suicidou-se, em Nova York, não sem antes registrar na obra, de cunho autobiográfico, as perseguições das quais foi vítima na ilha. Arenas relatou que fora submetido a um processo por "delito erótico" que se agravara com a acusação de ser contrário à revolução. Condenado, o escritor ficou detido até escrever uma retratação ao governo, renegando sua condição de homossexual e comprometendo-se com a escrita de novelas otimistas.

Recentemente, Pedro Juan Gutiérrez e Yoani Sánchez tornaram-se, também, personagens emblemáticos em Cuba. Gutiérrez é um escritor bastante conhecido fora da ilha, um fantasma em seu próprio país. Descrevendo uma realidade de escombros e decadência, as personagens de Gutiérrez são miseráveis e entregam-se ao sexo como válvula de escape numa sociedade de privações. Ignorado pelo sistema literário de seu país, Gutiérrez diz que a literatura que lhe interessa é a do conflito e antagonismo, distante, portanto, do falso consenso que os regimes discricionários impõem.

A blgueira Yoani Sánchez, eleita pela Time como uma das mulheres mais influentes do mundo, escreve, mais para internautas de fora de Cuba, que já acreditou integrar um sistema social superior, mas que a autocracia derrubou o ideal de um projeto coletivo justo e igualitário. Além disso, Sánchez relata os extremos pelos quais o país atravessou: o de um presidente de discursos intermináveis a outro que não dirige a palavra aos cubanos.

Sánchez tem razão ao exigir explicações. O silêncio é uma forma de covardia. Pior que o silêncio são as declarações desastradas. O presidente brasileiro salientou que a greve de fome nãao deveria ser pretexto para exigir os direitos humanos. Lula ainda acrescentou "imagina se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entarem em greve de fome e pedirem liberdade".

Guillermo Fariñas não é bandido. Apenas luta pelos direitos daqueles que estão presos e em estado debilitado de saúde. A esposa de Fariñas disse a ZH que está à espera de que atendam ao pedido de seu marido. Nós também esperamos. E sabemos que a história poderá cobrar muito caro daqueles que, diante do sofrimento humano por justiça, se omitiram, silenciaram ou defenderam o triunfo do autoritarismo sobre o cidadão. Mas se a história pular esta página, a consciência, certamente, será implacável com os que se esqueceram da coerência, de suas raízes e de seu passado."

quinta-feira, 11 de março de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

Martha, José e Clareece

Martha Medeiros vocês conhecem, é a escritora do festejado Divã (agora também filme) e cronista muito respeitada de Zero Hora. José Mindlin também devem conhecer - recentemente falecido, o empresário e bibliófilo, famoso por sua paixão pelo livros e incentivador da cultura -, possuía a maior coleção privada do Brasil com 45 mil volumes, colecionados desde os anos 30. Seu acervo foi doado em junho do ano passado à USP. Agora, de Clareece, pouquíssimas pessoas já ouviram falar. Sim, Clareece Precious Jones ou simplesmente Preciosa, a protagonista do livro que leva seu nome, adaptação de "Push", relato ficcionalizado das experiências da poetisa Sapphire que acaba de sair no Brasil, pela editora Record.

Mas o que tem a ver Martha, José e Clareece? Nada, ou tudo.


Martha, com sua sensibilidade, desejou homenagear a memória de José Mindlin ao comentar sobre suas impressões acerca do livro Preciosa, em sua coluna de Zero Hora, no dia 3 de março. Falando do sofrimento físico e mental que é impingido à protagonista, abusada sexualmente pelos pais - gorda, feia, pobre, negra e analfabeta - Martha lembra que, "pra cada um de nós foi designado um anjo. Cabe a nós reconhecê-lo e pedir que ele nos ajude. O anjo de muitos brasileiros foi José Mindlin, um devoto dos livros e incentivador da cultura...O anjo de Preciosa foi uma professora sem medo de desafios. O livro não acaba com Preciosa ganhando o Prêmio Nobel de Literatura, mas mostra a porta, a única porta, pela qual todos devem passar caso queiram ser alguém."

E adverte a cronista: "Tem um monte de gente preciosa por aí que a gente não enxerga, que não recebe de nós um incentivo. O prólogo do livro traz uma frase que diz: Toda folha de grama tem seu anjo que se curva sobre ela e sussurra: "Cresce, cresce." Tivemos a sorte de nascer em famílias que nos ofereceram uma certa estrutura, que nos possibilitou estudar e crescer - já nascemos arbustos. Poderíamos retribuir sendo, para as folhas de grama, o anjo que sussurra."

Adaptado para o cinema, "Preciosa" é chocante - uma adolescente de 16 anos, negra, obesa, analfabeta, em pleno Harlem nova-iorquino dos anos 80, está grávida pela segunda vez do pai e é vítima de abusos constantes da mãe. A produção que garantiu seis indicações ao Oscar, no entanto, é apenas um agravante de uma história que tem como ingrediente principal a esperança.

"Preciosa" Sapphire trabalhou como assistente social e educadora nos bairros pobres de Nova York. Usando a gramática e ortografia de quem mal sabe escrever (característica preservada no livro, mas que se perdeu nas legendas do filme), a autora mescla poemas, lembranças, fantasias e cenas de estupro, além de temas contemporâneos como gravidez na adolescência, Aids e um sistema educacional falido.

A estreante Gabourey Sidibe interpreta Clareece Precious Jones com uma entrega impressionante. Escolhida a poucas semanas do início das filmagens, depois de testes com mais de 500 garotas, Gabby faz o personagem encher a tela com toda a complexidade que ele exige. Pulando de série em série sem nem saber ler e escrever, Preciosa escolhe o fundo da sala de aula, completamente calada. Aproveita o tempo fantasiar, viajando por um mundo em que é branca, magra, loira de cabelos lisos. Ou então, é uma estrela passeando por festas e eventos com o namorado clarinho.

Esse refúgio é o lugar para onde ela vai quando é hostilizada pelos colegas ou ao ser vítima dos abusos da mãe, vivida por Mo'Nique. Estrela de seu próprio talk-show no canal americano BET (Black Entertainment Television), Mo'Nique se inspirou no irmão que a abusava na infância para dar vida a um monstro que se divide entre explorar a filha com trabalhos domésticos, abusar dela sexualmente e acusá-la de ter "roubado" seu marido drogado. Um trabalho digno do Oscar de atriz coadjuvante, que recebeu no domingo passado.

Quando a diretora do colégio de Preciosa descobre que ela está grávida de novo, faz com que ela seja transferida para uma escola alternativa, de jovens adultos problemáticos. Lá, uma nova história a aguarda, graças ao estímulo da professora Blue Rain (homossexual como Daniels e Sapphire). Ainda aparecem pelo caminho a assistente social interpretada por Mariah Carey – em participação excelente, sem qualquer glamour (até de bigodinho, acreditem!) – e o enfermeiro vivido por Lenny Kravitz.


Não dá pra não assistir. Comovente.

Fontes: ZH e O Globo

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

Tenho certeza de que todas as mulheres do mundo adorariam receber um olhar de admiração, um carinho, um abraço, sem data marcada, sem horário escolhido. Mas admiração, carinho, afago são expressões de sentimento poucos usuais hoje em dia; mais comuns são olhares duros, gestos bruscos, mãos preparadas para o açoite e o castigo, violência que geralmente descamba para o crime.

Não, não sou feminista! Sim, sou jornalista e preciso traduzir em informação real, todos os dias, o que vejo acontecer em muitas partes do mundo, aqui entre nós, inclusive. Ódio, inveja, ciúme, miséria, ignorância, intolerância, sede de dominação fazem do homem um magistrado que julga segundo os critérios que a barbárie impõe. A ausência de valores e a falta de limites causam violência desmedida, produzindo sofrimento e morte.

Lenta, lentamente, este quadro de ignomínia está mudando, pelo simples fato de que as mulheres do mundo não aguentam mais. Milênios de dominação, vilipêndio, humilhação, tortura encontram, agora, resistência firme, determinada, porque o sexo feminino, a muito custo, encontrou o seu ponto de equilíbrio – a dignidade que possibilita escolhas e faz das mulheres donas do seu próprio destino.

A veemência em mostrar esse quadro degradante não me faz cega. Existem, sim, e são muitos - homens que entendem que o seu papel nesse mundo é o de caminhar junto com suas mulheres, lado a lado, compartilhando, convivendo, coabitando, comprazendo, co-lorindo a vida, para que seja experimentada plenamente.

Ah! Sim...Como mulher e profissional, sinto-me abençoada. Amo e sou amada. Respeito e sou respeitada. Admiro e recebo um olhar de admiração todos os dias, bem cedinho. Carinho e afago, também, sem data e hora marcada. Mas não posso deixar de olhar para o lado e desejar, ardentemente, que todas as mulheres do mundo também tenham o mesmo e merecido privilégio.


quarta-feira, 3 de março de 2010

Tsunamis, solidariedade e corrupção*

Tsunami é o termo usual empregado para designar uma onda ou série de ondas gigantescas, formadas normalmente após perturbações abruptas que deslocam verticalmente a coluna de água, como, por exemplo, um sismo, atividade vulcânica, abrupto deslocamento de terras ou gelo ou devido ao impacto de um meteorito dentro ou perto do mar.

A energia de um tsunami advém de sua amplitude e velocidade. Assim, quando a onda se aproxima da terra, a sua amplitude (a altura da onda) aumenta à medida que a sua velocidade diminui. Os tsunamis podem caracterizar-se por ondas de trinta metros de altura, causando grande destruição em zonas litorâneas.

Os recentes terremotos ocorridos no Haiti e no Chile, de forte intensidade, promoveram enorme devastação e perda de muitas vidas. Embora o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), órgão do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, encarregado de emitir alertas sobre fenômenos climáticos, meteorológicos e geológicos tenha informado de maneira veemente que poderia haver tsunamis em toda a região do Pacífico, no último sábado, 27 de fevereiro, a previsão se confirmou apenas na costa do Chile, com ondas que atingiram até 10m de altura.

Esses acontecimentos trágicos que produzem morte e destruição desmedida, até por sua imprevisibidade, provocam ondas de solidariedade em todas as partes do mundo. No Haiti será necessário esforço descomunal para a reconstrução do país, já desestruturado por décadas de tirania, desgoverno, miséria e corrupção. O Chile também carece de ajuda internacional para minimizar o sofrimento da população atingida, mas possui infraestrutura invejável e não tardará a recuperar-se do sinistro, em que pese acreditarmos que para a perda de vidas não há redenção possível, tal qual no Haiti.

O que interessa discutir aqui, também, são duas outras qualidade de tsunami – o da solidariedade e o da corrupção.

Pela visualização das catástrofes recentes, através dos meios de comunicação, a sociedade internacional se compadece, governos enviam ajuda humanitária, técnicos em salvamento, médicos, medicamentos, água e alimentos. Até voluntários emprestam seu trabalho para auxiliar nas buscas aos desaparecidos ou qualquer outra tarefa solidária.

Por que será que nossa consciência solidária só desperta quando ocorrem tragédias de porte e não nos sensibilizamos para com a cotidiana condição de violência, miséria, doença e ignorância que acontece defronte os nossos olhos? Será que nossos concidadãos em estado fragilizado não merecem um olhar solidário concretizado em ações? Esse é o tsunami doloroso da insensibilidade. Acontece todos os dias e não precisa de alarme e previsão.
Há, também, entranhado na sociedade, o tsunami da corrupção, cuja amplitude aumenta à medida em que valores como a ética, o respeito, a dignidade, a probidade e a noção de justiça, consciência e responsabilidade vão se depauperando. Esse também de ocorrência diária, desnecessário alarme ou previsão.

A política que deveria ser a instância social em que seriam discutidas e solucionadas as demandas, apresenta a maior incidência, por metro quadrado, de escândalos, apropriações indébitas, vilipêndio ao erário, enriquecimento ilícito e uma série de outras falcatruas que desmerecem as instituições criadas para zelarem pelo bem do povo.

Há de chegar a hora do basta. Espero que não tarde. Tsunamis sempre representam desgraças. Os naturais são imprevisíveis. Mas os provocados por más intenções e falta de caráter podem ser eliminados definitivamente da nossa vida. Basta que a sociedade se mobilize e aja. Já! Está em nossas mãos criarmos tsunamis do bem! Pensem nisso.

*Publicado originalmente no Blog Artigos de Edward de Souza e Amigos Jornalistas, em 3 de março de 2010. Para ler mais, acesse: http://artigosedwardsouza.blogspot.com