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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A sofisticada linguagem dos cães-da-pradaria

Quando falamos de linguagem pensamos apenas no sistema de comunicação humano, esquecendo que os animais também dispõem de sistemas especializados de transmissão de mensagens. Prova está que um pequeno roedor pode ter a linguagem mais sofisticada do mundo animal. A descoberta é do acadêmico Con Slobodchikoff, que trabalha nos Estados Unidos e vem estudando há mais de 30 anos o repertório vocal do chamado cão-da-pradaria-de-cauda-curta (Cynomys gunnisoni). Com um único latido, diz o cientista, um animal pode alertar sobre o tipo e direção de um predador oculto e até descrever a cor. Se a descoberta for confirmada, isso significa que estes roedores comunicam-se de uma maneira mais complexa até do que macacos e golfinhos.

O cão-da-pradaria-de-cauda-curta pertence à família dos esquilos e vive no norte dos Estados do Arizona, Novo México e sul do Colorado. A espécie já foi abundante, mas como é considerada praga pelos fazendeiros, atualmente tem a população sensivelmente diminuída. O cão-da-pradaria-de-cauda-curta vive em “cidades” bem organizadas, de centenas de indivíduos e possui um sistema complexo de tocas subterrâneas e também têm que competir com posseiros, com coelhos, cobras, tarântulas, corujas, texugos e raposas que, muitas vezes, entram em suas tocas.. Com a aproximação de predadores, os pequenos roedores emitem uma série de ruídos que foram estudados, por muitos anos, pelos cientistas.

Os pesquisadores descobriram que os cães-da-pradaria enfrentam tantos predadores que desenvolveram "palavras" diferentes para qualificá-los – são latidos e sons que contêm diferentes vocalizações rítmicas e modulações de freqüência. As qualidades tonais são diferentes, tal qual as vozes humanas, mas diferentes roedores usam as mesmas palavras para descrever os mesmos predadores, para que o resto da colônia possa entender a mensagem.

Um único latido, por exemplo, pode dizer "coiote alto, magro ao longe, movendo-se rapidamente em direção à colônia". Outros estudiosos contestaram esta ideia pois significaria que, apenas com um latido breve, os cães-da-pradaria transmitem informações sobre tamanho, cor, direção e velocidade do deslocamento de um predador. A equipe de Slobodchikoff acredita que os cães-da-pradaria incluem esta informação ao variar a modulação do chamado e a harmonia do latido. Ao fazer isso, eles podem incluir uma vasta quandidade de informações em um som muito breve.

"Cães-da-pradaria têm a linguagem natural mais complexa decodificada até agora. Eles têm palavras para diferentes predadores, eles têm palavras para descrever as características individuais de predadores diferentes, por isso é uma língua muito complexa, que tem muitos elementos", disse Slobodchikoff.

No documentário, os cientistas registraram o primeiro chamado dos cães-da-pradaria "para alertar sobre texugos". É sutil, mas sempre diferente de todas as outras chamadas. Quando o alarme é reproduzido para uma colônia de roedores, eles reagem de forma diferente em relação a quando o aviso é sobre coiotes. Coiotes caçam de surpresa, então os roedores respondem fugindo instantaneamente. Texugos tentam cavar tocas e, quando os cães-da-pradaria são avisados sobre um texugo, ficam vigilantes.

Ao contrário do que a maioria pensa, animais são muito inteligentes.

Fonte: BBC Brasil

Um comentário:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nívia Andres!
Muito oportuno este tema que a Senhora colocou em foco, porque consideramos que somos o ápice a evolução.
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP