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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Crimes x virtudes

O jornalista Reinaldo Azevedo é um dos profissionais de opinião mais contundente da imprensa brasileira e justamente por sua palavra sem meia-medida, é um dos mais respeitados e também dos mais odiados. É sagaz, cirúrgico, crítico, muitíssimo bem informado e culto. Acompanho o seu blog, ancorado no site da Revista Veja e hoje chamou-me a atenção o texto que transcrevo abaixo:

GUIA PARA IDENTIFICAR UM JORNALISTA VIGARISTA
"Quer identificar um vigarista a serviço do petismo - pouco importa se remunerado ou não? Verifique se ele escreve coisas como: “DEM, ex-PFL e ex-Arena” para desqualificar o partido. Quando se formou a Frente Liberal, rachando o PDS - ele, sim, era a continuidade da Arena -, alguns dos vigaristas já estavam por aí e cobriam o então vice-presidente Aureliano Chaves de salamaleques. E qualquer historiador honesto saberá que foi a então frente, depois PFL, que viabilizou a tão elogiada transição pacífica, permitindo a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.

Sarney é ex-Arena; outros tantos da base lulista, incluindo Paulo Maluf (candidato contra Tancredo), são ex-Arena; o agora novamente respeitado Delfim Netto é ex-Arena. Ou esse passado perde importância quando se apóia Lula e só deve ser lembrado contra aqueles que agora lhe fazem oposição?

Por que, ao se falar sobre Dilma, não se diz: “Ex-Colina”, “ex-VPR”, “ex-VAR-Palmares”? O passado “Arena” de alguns membros do DEM — há gente no partido que veio do brizolismo — deveria envergonhar mais do que o passado de um militante de organizações terroristas? “Ah, muitos que estão hoje do DEM apoiavam uma ditadura”. E Dilma? Ditaduras diferentes, claro. As que ela apoiava matavam aos milhões; a que eles apoiavam era muitíssimo mais modesta. Desconheço que exista político no DEM que tenha pegado no trabuco. Dilma pegou! Desconheço políticos do DEM que façam a apologia da ditadura. No seu primeiro discurso como candidata do PT, Dilma tratou seu passado de membro de organizações terroristas com visível nostalgia.

Vejam o que fez o meu blog único: escrever esses “absurdos”. Então alguém me diga o que há de mentiroso no que vai acima. Já até apresentei a lista das pessoas que essas organizações mataram — e ainda deixei de lado os seqüestros e os assaltos. Mas vejam que curioso: Dilma é aquela que mudou, que se converteu, que não é mais radical, que descobriu a ternura, que modernizou seu pensamento. O trabuco ficou no passado. Já o DEM não tem perdão: ex-Arena, ex-PDS…

Vai ver o não pegar no trabuco faz os seres desprezíveis, e o pegar, os heróis!

O DEM não se reúne a portas fechadas com um bando de ditadores e facínoras para falar sabe-se lá o quê. Mas Dilma se reuniu com a escória do esquerdismo mundial, um encontro “secreto”. A imprensa foi posta pra fora. Dilma voltou a ser a companheira Estela, dirigente - porque ela era dirigente - de uma organização clandestina.

Mas os colunistas não estão nem aí para o passado dela. A mulher é tratada como um exemplo de conversão à democracia. Já o DEM - de fato, ex-PFL e ex-Frente Liberal -, que se formou para fazer a transição, ah, esse partido tem de acabar… Assim é um vigarista, leitor: OS CRIMES daqueles por quem tem simpatia são virtudes inextinguíveis; as virtudes daqueles que considera adversários são tratadas como crimes."

9 comentários:

J. Morgado disse...

Olá Nivia

A inversão de valores é a plataforma clandestina do PT. Quanto pior melhor!

Um abraço

Paz. Muita Paz.

J. Morgado

Rodney Torres disse...

Podemos também editar o manual de "como identificar uma jornalistinha canalha e vigarista".

Uma pessoa que reclama da escriata de outras, mas escreve da mesma forma ou pior é o que?

Preconceito de classe, as pessoas que lutaram contra um regime de excessão, que foram sequestradas, torturadas, desaparecidas e mortas, são tratados como terroristas, subversivos entre outras coisas.

Dessas jornalistinhas, em que lugar de pobre é na favela e não em uma universidade, não poderia esperar outra coisa além de um pensamento atrasado, preconceituoso e desqualificado.

Vulmar Leite disse...

Prezada Nivia!

quero manifestar minha solidariedade e meu repúdio ao comentário grosseiro e reacionário perpetrado pelo Senhor Rodney Torres, acima. Sua condição de militante social, certamente não remunerado, não lhe autoriza a fazer julgamento da tua conduta profissional, sempre proba, isenta e democrática. Reconhecer a cultura e a combatividade de alguém não significa compartilhar das idéias e de seu pensamento político. Prova maior da tua isenção e compromisso com a verdade jornalística é publicar no teu blog o desrespeitoso comentário do militante social Rodney.

Abraços,

Vulmar

Nivia Andres disse...

Não o conheço e não sei a razão da sua violência desmedida. Só sei que não o chamaria de militantezinho social canalha e vigarista, em nehuma circunstância. Também sei que não leu a introdução que dei ao assunto ou a desconheceu, preferindo ir direto ao ataque quando viu o nome de Reinaldo Azevedo. Apenas trancrevi o texto, dizendo que me chamou a atenção. Não fiz qualquer comentário. Se tivesse feito a mais simples análise do discurso, notaria o procedimento. Mas não o fez.

Isso é natural em pessoas que não suportam pensar que há opiniões diferentes das suas, que não admitem a diferença. É compreensível.

Onde o Senhor leu (e entendeu) que tenho preconceito de classe? Que acho que lugar de pobre é na favela e não em uma universidade?

Aliás, desejo, ardentemente, que o Senhor tenha, no mínimo, a vontade de ingressar na Academia, de graduar-se. Talvez, aí sim, lhe seja possível abandonar o preconceito e adquirir o hábito saudável de pensar livremente e chegar às suas próprias conclusões, aprendendo a respeitar a diversidade, sem ofensas ou agressões gratuitas.

J. Morgado disse...

Sr. Rodney

Nas postagens anteriores, já disseram tudo o que deveria ser dito (ou escrito).
Pela sua idade (35), verifica-se que o senhor não viveu o período chamado “ditadura militar”.
O que sabe é o que está escrito. E, ao que parece escrito apenas por pessoas interessadas em desvirtuar a história.
Busque ampliar sua cultura e só assim, poderá fazer uma análise própria. Pensar por si mesmo e não como um robô.
Poderia indicar para sua leitura inúmeros livros, mas vou apontar apenas um: “A REVOLUÇÃO IMPOSSÍVEL”, escrito pelo jornalista comunista Luis Mir. Você vai se surpreender!

Paz. Muita Paz.

J. Morgado

arlete disse...

Bom dia,cara Nívia:
Pena que os grandes jornalistas e intelectuais brasileiros estejam "amordaçados", ou por serem militantes de esquerda (leia-se PT) ou por estarem a serviço das TVs (leia-se, em especial, Globo, dependente de Lula). Por sorte, ainda existe um órgão midiático como a revista Veja e alguns "poucos", que não se intimidam em denunciar as falcatruas e tantos desmandos que se tentam esconder sob os tapetes palacianos.
Melhor ainda que há pessoas corajosas como o jornalista em pauta e blogueiras arrojadas como tu, dispostas a publicarem as verdades que "não" podem ou não são "deixadas" virem à tona.
Em postagem feita por mim (Brasília, a cinquentona) teci comentários sobre o tema. Não podes imaginar o número de e-mails que recebi,condenando o que disse.
Este outro lado da política deste país não condiz com o Brasil e o sonho que acalentei (e me arrisquei a sonhar): a de ver aflorar um país ético, desenvolvido,priorizando a educação de seu povo para acordar o "o belo adormecido" de seu "deitado eternamente em berço esplêndido"... Utopia? Adoro ser utópica.
Um abração.
Arlete

Rodney Torres disse...

Em primeiro lugar gostaria de pedir desculpas se por acaso deixei a entender que me referia a sua pessoa como "jornalistinha". O que não era a intensão, pois o que escrevi, é sobre profissionais que não aceitam que a esquerda tenha voz e muito menos que se atrevam a contestar-lhes e fazer o contra ponto.

Fazendo algumas considerações:

Se o texto publicado em seu blog não é agressivo aos que tem um pensamento de esquerda, os que lutaram contra um regime de excessão, contra a ditadura, então eu não sei o que é agressividade.

Em seu texto, você chama a todos os jornalistas e blogueiros que tem uma visão de esquerda de vigaristas.

Não considero meu comentário agressivo à sua pessoa, mas sim, contundente à todos os pseudos jornalistas que de uma forma ou outra, prestam um deserviço à população como por exemplo:

1º Publicar uma ficha policial falsa da Dilma;
2º Publicar uma ata da Petrobrás falsificada;
3º Fazer parecer que a Telebrás é coisa de José Dirceu, o que foi provado no mesmo dia, através de uma nota da AGU onde mostra ser fruto de um processo judicial.

Esses "profissionais" agem de má fé com o intuito de combater um governo e um partido e a tudo o mais que contrariem os interesses da elite brasileira.

Se ainda não ingressei na Academia, isso não podes afirmar, pois como bem disseste, não me conheces. Mas posso afirmar uma coisa, se fosse o caso, iria me certificar da qualidade dos professores desta Faculdade, pois não me sujeitaria a me transformar num "profissional" cego e que faz matérias encomendadas de acordo com a posição política do dono da mídia.

Respondendo ao comentário do Sr. J Morgado, sim, nasci em 1975 e vivi o fim do regime militar. Mas o que sei daquela época, não foi através de nenhum partido ou de literatura, ou ainda folhetins, como alguns gostam de chamar. Mas sim, através de meu próprio pai, preso, torturado e exilado. Pelo simples fato de se opor ao regime militar, de fazer parte de um sindicato (Securitário), passou 10 meses preso entre 1970 a 1971. Depois teve que ir pro Uruguai, tendo sua permissão de retorno somente em 1974.

Agora, voltando ao comentário e talvéz para entenderes melhor o que digo, sugiro que assista o documentário "Muito além do cidadão Kane", produzido pela BBC sobre a Rede Globo, que por que será, foi proibido no Brasil. Disponível no YouTube, em 4 partes. O link da primeira parte é este:
http://www.youtube.com/watch?v=JA9bPyd1RKQ

Rodney Torres disse...

Sr. Vulmar, meu comentário foi muito mais light, em gênero, número e grau, do que o que a jornalista Andres postou em seu blog, endoçando as baixarias contra o PT e o governo do presidente Lula, proferidos pelo supra sumo do reacionarismo, Reinaldo Azevedo, mercenário e baita cara -de -pau da revista Veja, hoje à serviço do PSDB, Demos, golpistas e direita em geral. Esse tipo de artigo marrom é que merece repúdio dos verdadeiros democratas e militantes sociais.
E para os outros comentaristas que defendem Reinaldo e idolatram a Veja (a grande timoneira da direita nacional), sem comentários, o diálogo torna-se impossível.

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezadíssima jornalista Nívia Andres!
Aprecio sobremaneira seu palpitante e supimpa espaço cibernético, que não nos deixa indiferentes aos temas colocados em foco! Isto posto, fiquei estupefato com a maneira não pautada pelas normas da civilidade que o cidadão Rodney Torres externou o que pensava. Parabenizo-a pela atitude democrática em publicar o que o citado cidadão escreveu! No meu viés a Senhora simplesmente considerou pertinente trazer à baila uma discussão que jamais deverá ser velada, em momento algum tecendo considerações favoráveis ou contrárias. Como dizia a filósofa Hanna Arendt "As ideias se estilhaçam frente à realidde".
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

PS - Tenho uma amiga, a Dona Miquelina, que ficou exasperadíssima ao saber como a Senhora foi tratada e proferiu uma série de impropérios e rogou pragas e mais pragas, que não posso tornar de domínio público! Apenas digo que ela é sua fã de carteirinha e a considera uma mulher destemida!