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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Campeonato indesejado

O Brasil melhorou seus índices de educação no relatório Alcançando os Marginalizados, divulgado recentemente pela Unesco, em Nova YorK, mas continua sendo o país com o maior número de crianças fora da escola na América Latina e no Caribe.

O país também ostentou os piores números de repetência na escola primária - a taxa brasileira foi de 19% em 2007, enquanto os índices dos vizinhos latino-americanos e caribenhos ficaram em torno de 4%.

O estudo é elaborado anualmente por uma equipe independente e publicado pela Unesco. O objetivo é monitorar os avanços mundiais na tentativa de atingir os objetivos do plano Educação Para Todos - celebrado por cerca de 160 países em 2000, no Senegal.

Em comparação com países de todos os continentes, o Brasil é o 12° no ranking dos que têm mais crianças fora da escola: foram 901 mil em 2007, com idades entre 7 e 10 anos. No mundo, 72 milhões de crianças ainda não têm acesso à educação.

A pesquisa avaliou, ainda, a qualidade da educação, aplicando testes de leitura em alunos com oito anos de escola. Entre 36% e 58% dos estudantes do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Argentina não demonstraram a mesma capacidade de leitura que alunos de países desenvolvidos alcançam no meio da escola primária.

Segundo os autores do relatório, a comunidade internacional está longe de atingir a universalização do ensino fundamental até 2015. Para alcançar as metas, seria necessário cobrir um déficit internacional estimado em US$ 16 bilhões por ano.

a Unesco, uma das dificuldades é a desaceleração do crescimento econômico mundial. Projetos de inclusão social no Brasil, como o Bolsa Família e o Brasil Alfabetizado, foram reconhecidos como formas de combater problemas na educação.

É vergonhoso para o Brasil aparecer nas estatísticas como o campeão da América em crianças fora da escola e em repetência (que goleada, 19 x 4!). O resultado só poderia ser esse num país em que a qualidade da educação parece ser a prioridade mínima, já que seus gestores preferem sonhar com caças Rafale sobrevoando os céus do que com o futuro de suas crianças.

Um comentário:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nívia Andres!
A questão indesejável não é somente as crianças fora da escola, mas também aquelas que têm garantido este preceito Constitucional, passando pelos bancos escolares anos a fio, terminando o Ensino Fundamental sem as competências leitora e escritora.
Por que elas não aprendem?
Será que o foco está exclusivamente no ensino ineficaz oferecido?
Como suprir as defasagens das crianças que chegam à escola oriundas de lares, onde a leitura e escrita não fazem parte do cotidiano familiar?
Como lidar com o corporativismo classista?
Acredito sinceramente que todas as crianças são capazes de aprender, o cruciante nesta situação é ter consciência que para esta premissa apontado anteriormente torne-se um fato. urge a necessidade da plena sintonia escola/família/escola, bem como a valoração da sociedade fortalecendo principalmente a escola pública...
O que nos espera?
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP