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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Resenha literária

Publiquei ontem, no blog de Edward de Souza, mais uma resenha literária, destinada a incentivar a leitura, como costumeiramente faço, naquele espaço de comunicação. Reproduzo-a aqui.
O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA


Muito jovem, o telegrafista, violinista e poeta Gabriel Elígio García se apaixonou por Luiza Márquez, mas o romance enfrentou a oposição do pai da moça, coronel Nicolas, que tentou impedir o casamento enviando a filha ao interior, numa viagem de um ano. Para manter seu amor, Gabriel e seus amigos telegrafistas montaram uma rede de comunicação que alcançava Luiza onde ela estivesse. Essa é a história real vivida pelos pais de Gabriel García Márquez e foi ponto de partida de O amor nos tempos do cólera, que conta a paixão do telegrafista, violinista e poeta Florentino Ariza por Fermina Daza.

Há 25 anos, em 1985, época de seu lançamento, editado pela Record, parecia inacreditável, mas era verdade - a história de um amor improvável e impossível entre um homem e uma mulher liderava a lista dos livros de ficção mais vendidos no Brasil. E não se tratava de relação transcendental ou comédia romântica água-com-açúcar, e sim de uma narrativa encantadora, densa, carregada de paixão, ressentimento, mágoa, dor, ciúme e, essencialmente, de esperança, escrita pelo colombiano Gabriel García Márquez.

É nesta obra-prima que se desenha um dos mais espetaculares triângulos amorosos da literatura contemporânea – após um namorico com Florentino Ariza, a forte e sensível Fermina Daza se casa e vive muitos anos com o belo, mas frágil médico, Juvenal Urbino, personalidade respeitada da sociedade local, o bom partido que todas as mães desejam para suas filhas. Florentino, o inconstante, sobrou...Poeta fracassado, homem magro e mal-alimentado, apaixonado, músico, dionisíaco do Canal do Panamá à Terra do Fogo, transbordando de latinidade, vai passar a vida esperando, esperando, esperando...

Graças a esse triângulo desigual, O amor nos tempos do cólera é a parábola perfeita do caminho não trilhado, daquele amor - muitas vezes o primeiro - que não deu certo, mas que sobrevive e se alimenta por meio da esperança de um por-vir incerto, mas intensamente desejado.
Após o casamento de Fermina, por 50 anos, Florentino dedica-se a ser um homem digno do seu amor, trabalha, progride e chega a gerente de uma Companhia Fluvial do Caribe, um cargo muito importante na cidade, mas a sua vida reduz-se a ver de longe as mudanças que a vida produziu em Fermina Daza. Ele troca a sua paixão por relações fogosas e instáveis e a expressar o seu amor febril por meio de cartas que escreve a outras por obrigação. Só um pensamento o alenta e é a certeza de que Juvenal Urbino morrerá um dia e antes dele.

Afinal, o tão esperado dia chega e Juvenal Urbino morre. Para Florentino Ariza abre-se, enfim, a porta de uma possibilidade - transformado num homem culto, agradável e com brios renovados, retoma o seu amor devoto com cartas ainda mais fervorosas que as da sua juventude e que pretendem chegar ao duro e inflexível coração de Fermina. Uma história belíssima que retrata a perseverança tenaz de um amor que se prolonga até a morte, cheio de esperança. Dono de uma narrativa magistral e envolvente, Gabriel García Márquez nos leva numa viagem mágica à Cartagena do princípio do séc. XX e nos mostra do esplendor à decadência, da juventude à velhice e da nostalgia à realidade, num furor explosivo e pungente, desenhando um interessante percurso pelos recantos da cidade e na alma dos seus habitantes, revelados a partir de seu realismo cruel e poético.

JustificarO amor nos tempos do cólera narra, magistralmente, a história de Florentino e Fermina e o seu final até certo ponto insólito para os padrões estéticos de uma sociedade corroída, é inesquecível, por superar todas as barreiras e limites impostos pela hipocrisia e pelo preconceito vigentes. Basta dizer que a espera durou exatos 53 anos, sete meses e 11 dias!

Um incrível e irresistível romance que trata do amor, da velhice e da morte. O sentimento que persiste em todas as fases da vida, que mesmo que esteja destinado à morte, se mantém aceso enquanto a energia vital persistir. Com seu maravilhoso talento e seu estilo próprio de narração que insere o leitor num emaranhado de histórias sem nenhum tipo de sistematização, Gabriel García Márquez fala sobre um amor que desabrocha quando mais nada se espera da vida e, por isso mesmo, é tão intenso.

Esta obra de notável relevância, escrita após García Márquez receber o Prêmio Nobel de Literatura, foi levada para o cinema pelo diretor Mike Newel, com Javier Bardem interpretando Florentino; Giovanna Mezzogiorno como Fermina; Benjamin Bratt como Juvenal e a nossa Fernanda Montenegro como Trânsito Ariza, a mãe de Florentino.

Leia o livro, assista ao filme. Eu recomendo.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Campeonato indesejado

O Brasil melhorou seus índices de educação no relatório Alcançando os Marginalizados, divulgado recentemente pela Unesco, em Nova YorK, mas continua sendo o país com o maior número de crianças fora da escola na América Latina e no Caribe.

O país também ostentou os piores números de repetência na escola primária - a taxa brasileira foi de 19% em 2007, enquanto os índices dos vizinhos latino-americanos e caribenhos ficaram em torno de 4%.

O estudo é elaborado anualmente por uma equipe independente e publicado pela Unesco. O objetivo é monitorar os avanços mundiais na tentativa de atingir os objetivos do plano Educação Para Todos - celebrado por cerca de 160 países em 2000, no Senegal.

Em comparação com países de todos os continentes, o Brasil é o 12° no ranking dos que têm mais crianças fora da escola: foram 901 mil em 2007, com idades entre 7 e 10 anos. No mundo, 72 milhões de crianças ainda não têm acesso à educação.

A pesquisa avaliou, ainda, a qualidade da educação, aplicando testes de leitura em alunos com oito anos de escola. Entre 36% e 58% dos estudantes do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Argentina não demonstraram a mesma capacidade de leitura que alunos de países desenvolvidos alcançam no meio da escola primária.

Segundo os autores do relatório, a comunidade internacional está longe de atingir a universalização do ensino fundamental até 2015. Para alcançar as metas, seria necessário cobrir um déficit internacional estimado em US$ 16 bilhões por ano.

a Unesco, uma das dificuldades é a desaceleração do crescimento econômico mundial. Projetos de inclusão social no Brasil, como o Bolsa Família e o Brasil Alfabetizado, foram reconhecidos como formas de combater problemas na educação.

É vergonhoso para o Brasil aparecer nas estatísticas como o campeão da América em crianças fora da escola e em repetência (que goleada, 19 x 4!). O resultado só poderia ser esse num país em que a qualidade da educação parece ser a prioridade mínima, já que seus gestores preferem sonhar com caças Rafale sobrevoando os céus do que com o futuro de suas crianças.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Cidadania ativa - o novo Código de Ética Médica

Lendo artigo de Fernando Weber Matos, secretário-geral do Cremers-RS, na seção de artigos de ZH de sábado, 16 de janeiro, apreciei a informação de que o novo Código de Ética Médica, aprovado em setembro de 2009, passa a vigorar agora, em março.

Diz o articulista que o documento traz uma visão contemporânea da ciência médica e da tecnologia, tratando das relações do médico com colegas e pacientes. E traz novidades.


Chamou-me particularmente a atenção a afirmação de que o novo Código de Ética Médica altera a postura tradicional do médico, que passa a ser o profissional que dialoga, compreende e aceita, de comum acordo, as decisões do paciente - uma solução dividida e consensual, na qual os pacientes são informados, questionam as decisões e participam na escolha do diagnóstico e do tratamento.

Assevera o autor do texto que o grande responsável pela transformação é o acesso cada vez maior do cidadão à informação, facilmente obtida através da internet, já que é comum a existência de sites operados por pessoas portadoras de uma mesma doença que trocam informações sobre diagnósticos, tratamentos e novos conceitos - são, então, geradores e divulgadores de informações. Assim, a partir desse novo entendimento, as decisões serão conjuntas, perdendo espaço as posições unilaterais, porém o médico continuará com a responsabilidade de apresentar a melhor solução, baseada na verdade científica.

Ainda comenta o articulista que essa reforma vai fornecer equilíbrio no exercício da autonomia do paciente e do médico, assegurando o exercício da cidadania nas decisões e confirmando o compromisso ético do médico brasileiro com a população e as transformações sociais. Enfim, o novo Código de Ética Médica pretende assegurar maior autonomia e poder ao paciente no manejo de sua doença, através de ação conjunta e harmoniosa com o seu médico.

Pois bem, vamos por partes. Acredito que é benéfica a mudança introduzida no Código de Ética Médica, só que totalmente impraticável em curto prazo - 90% da população não tem informação nem conhecimento que permita discussão sobre diagnósticos e tratamento e nem os médicos estão interessados em discuti-los. Já ouvi um médico muito famoso em minha cidade dizer, alto e bom som, que paciente não tem querer!

Em segundo lugar, para que se torne paritária a relação médico-paciente, deveria ser concretizada a mudança da terminologia paciente para cliente, elevando o seu status, já que o cidadão está solicitando um serviço ao profissional, não interessando se é ele quem paga ou o SUS. Para exercitar ativamente a sua cidadania o cidadão enfermo tem que ser considerado cliente e não paciente.

Nada contra os médicos. Muito pelo contrário. Mas a nova relação proposta vai exigir tempo, vontade, esforço e reprogramação mental para a aceitação do modelo que se quer implantar.

Lente aberta


Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, assinada por Phillip Kennicot, discute, muito apropriadamente, a crueza das imagens enviadas do Haiti, pós-terromoto, pela mídia:

As imagens que chegam do Haiti são mais fortes que as de desastres naturais recentes e das guerras em curso no mundo. Não está claro se isso reflete a magnitude e proximidade do desastre ou alguma mudança na disposição dos meios de comunicação de mostrar, com exatidão, o horror da devastação no país.

Ou será o Haiti uma exceção? Haverá algo na condição essencial do país e de seu povo que autorize a nova licença da mídia? As convenções usuais de mais sugerir que exibir traumas parece ter se esvaziado.

Corpos cobertos de poeira e argamassa, mortos empilhados nas ruas sem lençóis para ocultá-los, essas são violações do código não escrito de que a morte só pode ser vista, na etiqueta estabelecida da mídia dominante, por analogia ou metáfora.

Na sexta-feira, o Washington Post exibiu a foto de uma garota com o torso esmagado sob o peso do concreto. O New York Times publicou a de um homem morto numa maca improvisada, coberto pela poeira branca que faz os corpos - vivos ou mortos - parecerem esculturas.

Imagens de guerra, especialmente as travadas pelos EUA na última década, são politizadas. A representação realista da morte é explosiva, e é costumeiro controlá-la, temendo inflamar paixões a favor ou contra o conflito.

Nos últimos anos - e em contraste com milênios de história, quando ferimentos e sangue eram exibidos orgulhosamente pelos guerreiros - a privacidade do soldado foi considerada fundamental. Nos EUA, imagens de sofrimento em guerras são referenciais, mas raras vezes são estampadas em toda a sua cueza.

O medo de violar a privacidade da vítima não existe no Haiti. Após anos sugerindo horror, os parâmetros caíram: a câmera é uma janela para a miséria, e jornalistas têm a permissão de mostrar o pior e dizer com a urgência bruta: vejam.

O efeito entorpecedor da última década, que também incluiu imagens devastadoras de New Orleans e Sichuan, pode ter baixado o limiar do que é aceitável mostrar.

A disponibilidade online de fotos e vídeos mais realistas pode ter mudado a equação. Também parece haver uma qualidade auto dilacerante, como se a mídia estivesse indiciando tanto a si mesma quanto a indiferença do Ocidente pela nação mais pobre do Hemisfério.

A disposição de ver o desastre por completo reflete a condição do Haiti. Ele foi deixado de lado. Houve, é claro, anos de engajamento e desengajamento - quando os EUA e países do Hemisfério interferiram (em geral, desastrosamente) na política -, resoluções da ONU, forças de paz e esforços.

Mas com furacões, um sistema político fracassado, corrupção, golpes e tumultos, o Haiti se tornou a definição de Estado falido. Curto e grosso: veio o parecer que o povo do Haiti não tinha nenhum status. Se acreditarem nisso, então, é impossível violar sua privacidade.

A câmera está gravando algo que afetará tudo o que está ligado ao futuro desse conturbado país. Ela está perguntando se aquelas são pessoas como nós. Está perguntando se nós acreditamos que elas são humanas.

Enquanto fui responsável pela redação de um jornal, jamais permiti que fossem publicadas imagens de pessoas mortas ou gravemente feridas por violência - em assalto, acidentes ou outros acontecidos, para preservar a sua dignidade enquanto seres humanos e evitar que suas famílias sofressem ainda mais com a exposição, além, é óbvio, de evitar qualquer ação judicial contra o veículo. É certo que a decisão sempre causou discussão na empresa, com a direção e repórteres. Mas nunca abri mão de minhas convicções.

No caso do Haiti, acredito que o horror a céu aberto, o caos e a absoluta falta de perspectivas do povo têm aberto as lentes da mídia, para mostrar como é o inferno, para os que não crêem que possa existir algo tão devastador. Talvez a abertura demasiada da lente funcione como uma janela para a solidariedade.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

La Isla Bajo El Mar


Quem quiser conhecer melhor as raízes da desorganização social existentes no Haiti, tem uma excelente opção no novo livro de Isabel Allende - La Isla Bajo El Mar, ainda sem publicação em português. É possível adquirir, no Brasil, o original, em espanhol.

Isabel Allende discute, na obra, a escravidão, dando voz à uma protagonista feminina - Zarité Sedella que, aos nove anos, é vendida ao francês Valmorain, proprietário de uma das mais importantes plantações de cana-de-açúcar na ilha de Santo Domingo. Ao longo da novela, Zarité revisita 40 anos de sua vida e conta o que representou a exploração dos escravos, na ilha,no século XVIII, suas condições de vida e como lutaram para conseguir a liberdade.

O Haiti é aqui. O Haiti não é aqui


Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

Quando soube do terremoto no Haiti, ontem, lembrei-me, imediatamente, da música de Caetano Veloso e Gilberto Gil e o refrão se repetiu, martelou, constante, por toda a noite e continua reverberando, como um eco, quando escuto as notícias e vejo as imagens terríveis da destruição total de um país situado numa das regiões mais belas e, ao mesmo tempo, mais perigosas do mundo - acossada pelas forças da natureza, impoderáveis, e pelo ódio humano, devorador.

O ódio, o preconceito, a escravidão e a ignorância destruíram esse pequeno país, que ocupa o oeste da ilha de Hispaniola (a República Dominicana situa-se na porção oriental da ilha), no mar do Caribe - o mais pobre do continente americano, que apresenta uma das mais elevadas densidades populacionais do mundo. Sucessivas lutas pelo poder levaram à desagregação completa do sistema político, dominado pela corrupção. Ataualmente, o Conselho de Segurança da ONU mantém, no Haiti, a Operação Minustah (United Nations Stabilization Mission Haiti), para garantir a segurança e as condições estáveis de modo a restabelecer um processo político e constitucional no país. O comando das tropas foi confiado ao Brasil.

A Operação Minustah visa ajudar o governo transitório, liderado por André Préval, na reforma de sua polícia nacional e em programas de desarmamento de grupos paramilitares e bandidos. O Brasil enviou cerca de 1.200 soldados para o Haiti e assumiu o comando das tropas das ONU (cerca de 8.360 soldados de 40 países). A saída das tropas deveria ter acontecido, inicialmente, em julho de 2007, mas o Conselho de Segurança da ONU aprovou sucessivas ampliações do mandato da missão brasileira. Em outubro de 2009 o mandato foi prorrogado até outubro de 2010. Nessa mesma reunião, o Conselho destacou os avanços alcançados pela missão, mas reforçou a necessidade de fortalecer a capacidade da polícia haitiana e de apoiar o processo político para a realização de eleições em 2010.

Agora, com a situação desesperadora em que se encontra o Haiti, devastado por um terremoto de 7 graus na escala Richter, toda a ajuda internacional é relevante. Porto Príncipe, a capital, está arrasada, todas as edificações desabaram - são incontáveis os mortos (inclusive militares brasileiros e a nossa querida Zilda Arns, médica e coordenadora da Pastoral da Criança) e feridos. Não há energia, água, comida e a comunicação é difícil.

Pense no Haiti, reze pelo Haiti. Não. O Haiti não é aqui. Mas o Haiti está aqui, na cabeça dos que ainda sabem exercitar a solidariedade humana.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ainda sobre Avatar. O que diz o físico Marcelo Gleiser

O cientista brasileiro Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro A Harmonia do Mundo. Ele também escreveu acerca de suas impressões sobre Avatar:

Não temos a opção de ir a outro planeta atrás de recursos que esgotamos

O tão comentado filme de James Cameron, Avatar, explodiu nas telas terráqueas em dezembro. Parece que já arrecadou mais de US$ 1 bilhão, superando seus enormes custos (US$ 237 milhões na produção e mais US$ 150 milhões de marketing e promoção).

O que se poderia esperar do diretor de Exterminador do Futuro, Alien e Titanic? Com certeza, muita ação e efeitos especiais. E uma história que não inspira muito. Pelo menos, essa era a minha expectativa antes de assistir ao filme.

Sem dúvida, ação e efeitos especiais não faltaram. As técnicas de computação gráfica são revolucionárias e iniciam uma nova fase na história da cinematografia. Mas me enganei na história. Extremamente oportuna e necessária, a criação de Cameron faz, de forma muito bela e eficiente, o que milhares de cientistas vêm tentando há anos: mostrar às pessoas os riscos da exploração desordenada das fontes de riqueza de um planeta.

O que se passa em Pandora, um planeta distante (aparentemente uma lua de um planeta gasoso), é uma metáfora para o que acontece aqui na Terra. Alguns podem até afirmar que é óbvia demais, quase trivialmente revivendo os antigos filmes de faroeste.

A diferença é que, agora, os "mocinhos" são os malvados e os "índios" são os bonzinhos. Mas, às vezes, é necessário simplificar a mensagem para que seu conteúdo atinja o objetivo desejado. Kevin Costner fez o mesmo em "Dança com Lobos".

O filme é um dos mais belos que já vi. As árvores majestosas e seus "espíritos", uma representação da hipótese Gaia - segundo a qual a Terra como um todo é um ser vivo- são pura poesia visual. Um paraíso inspirado por visões de uma floresta tropical não tão diferente da nossa Amazônia.
O time corporativo, interessado em explorar a qualquer custo o minério que existe sob as vilas dos Na'Vis - os habitantes azuis de três metros de altura que vivem em completa união com a natureza - representa a cobiça das corporações multinacionais que invadem terras distantes para fazer o mesmo, pouco ligando para as tradições e costumes locais.
O filme me fez pensar nas indústrias farmacêuticas norte-americanas e europeias e seu interesse em extrair conhecimento e riqueza da medicina nativa e da biodiversidade da Amazônia e de outras florestas.

Seguindo a tradição das histórias de extraterrestres, o filme de Cameron usa sua existência como um espelho de nós mesmos, das nossas ações - ou, ao menos, das ações de potências expansionistas - contra os povos nativos. A mesma temática do encontro dos europeus com os nativos das Américas e da África.

A mensagem do filme é simples: se não controlarmos o ritmo em que estamos explorando as riquezas do nosso planeta, em breve não teremos mais o que explorar. Como o zinco, por exemplo, que deve se esgotar em torno de 2040. Outros metais têm o mesmo destino.

No filme, temos a opção de ir a outro planeta encontrar o que não temos aqui. O metal "unobtainium" (que significa "que não pode ser obtido") é uma óbvia metáfora para qualquer preciosidade rara por aqui.
A realidade, infelizmente, é que não temos esse tempo todo. E nem a opção de irmos a um outro planeta. Temos que resolver nossos problemas por aqui mesmo. E o mais rápido possível.
No filme, a natureza, a força vital que move Pandora, junta-se aos nativos e ajuda a derrotar o exército corporativo. Na Terra, estamos sozinhos nessa guerra contra nós mesmos. Como escrevi antes, somos nossos piores inimigos e nossa única esperança. A natureza não vai nos ajudar.
*Publicado no jornal Folha de São Paulo em 10 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Avatar


Avatar é uma palavra estranha, recentemente incorporada aos dicionários. Então, fui procurar uma boa explicação no Aulete Digital. Ei-la:

1. Rel. Descida de um deus à Terra, onde se manifesta materializado (esp. no hinduísmo, em que Krishna e Rana são avatares do deus Vixnu);

2. Processo e resultado de transformação, metamorfose, transfiguração;

3. P. ext Inf. Personificação imaginária de si mesmo que internauta usa como sua representação em ambientes virtuais, internet etc.

[F.: Do sânsc. avatara, pelo fr. avatar, 'descida do céu à terra'.]

Avatar também é o título do novo filme-sensação do diretor James Cameron que, desde o seu lançamento mundial, em dezembro, provoca filas intermináveis nos cinemas de todo o mundo. Para descobrir porquê, esperei as filas diminuírem e fui assisti-lo.

Encantador. Inspirador. Envolvente. Emocionante. A partir de um roteiro que esperou quase quinze anos que houvesse tecnologia suficiente para concretizar a filmagem, o diretor conseguiu criar algo novo para os nossos sentidos a partir de uma mensagem muito conhecida e largamente utilizada - estamos destruindo a Terra, nossa morada e somos incapazes de entender os contínuos avisos que a natureza nos manda para frear nossos instintos assassinos que vão tornando impossível a vida no planeta.

No filme isso já aconteceu e os humanos, agora, tratam de destruir outro planeta (a lua Pandora) e seus habitantes (os gigantes esguios, azuis e luminiscentes Na'vi), para obter um mineral raro e valiosíssimo, o unobtanium, já que no ano de 2154 a Terra está arrasada e não possui mais fontes de energia.

Pois a violência e os engenhos de guerra humanos não são suficientes para destruir a harmonia e a força gerada entre os Na'vi e a Natureza, pródiga, fecunda, fervilhante de cores e formas ao mesmo tempo arrebatadoras e aterrorizantes, fruto de um equilíbrio ímpar, baseado no respeito, no cuidado e no zelo para com a VIDA, em todas as suas manifestações.

Um dos mais belos momentos do filme revela a conexão estreita entre os seres, baseada em respeito e amor, quando a jovem princesa Neytiri diz ao heroi Jack Sully - Eu vejo você!, que quer dizer eu o sinto, eu o percebo, eu o respeito, eu o amo!


E é dessa conexão que precisamos nós - de visão do outro, de respeito, de percepção, de amor, para revertermos o processo de destruição acelerada em que nos encontramos.

Sobre Avatar, separei uma bela crônica, de uma pessoa também muito bela, pelo conhecimento e sensibilidade - a psicanalista Diana Corso:

Desequilibrados*

Sigourney Weaver voltou ao espaço, agora como uma cientista interplanetária, mas desta vez o alien somos nós. O que já era sugerido nas experiências anteriores do diretor James Cameron agora é explícito: os homens, com sua voracidade capitalista, perderam totalmente seus resguardos morais e, principalmente, o equilíbrio. Avatar, o filme, com ou sem 3D, é uma experiência estética que não desaponta a quem gosta de mundos mágicos.

O herói do filme é o gêmeo do que originalmente treinava para conduzir um avatar,mas morreu. Ao contrário do irmão cientista, ele é um soldado, mas está paralítico. No corpo de seu avatar, pode executar as tarefas que fazem parte da formação de um guerreiro Na'vi, numa mobilidade que contrasta com suas pernas inúteis da vida real: saltar entre as árvores, caçar, domar e voar em dragões alados. Como ele, estamos paralisados pela tamanha confusão que fizemos, criando cidades monstruosamente artificiais, sofrendo castigos climáticos crescentes, enquanto nossa única atitude não passa de separar um pouco de lixo. Desse jeito, parece melhor mesmo abandonar esta carcaça inútil que é nossa civilização e começar tudo de novo, como um povo caçador-coletor, capaz de uma cultura coletiva não competitiva.

O novo campeão de bilheteria e de tecnologia do entretenimento é um grito ecológico. Nossos sonhos coletivos das telas já não se bastam com máquinas, eles começam a ser mais orgânicos, amazônicos. Isso pode muito bem apontar uma guinada: no futuro deixaremos de ser colonizadores ensandecidos de nosso planeta e buscaremos algum equilíbrio ente nós e o meio ambiente. Ou numa leitura mais pessimista: a possibilidade de uma relação não selvagem entre os humanos e com seu mundo mudou-se definitivamente para Pandora, um planeta onírico. Na vida real, restaremos aqui, paralíticos, beligerantes e obtusos.

Para viabilizar a extração de um minério precioso para os terráqueos no planeta Pandora, organizou-se uma pesquisa na qual alguns humanos conectavam-se a seres similares ao povo local, controlados mentalmente: os avatares. Necessitavam conhecer melhor aquela civilização que resisitia a qualquer negociação: não havia nada que pudesse ser ofertado a eles que estivessem dispostos a trocar por um pedaço da sua terra. Os cientistas descobriram que aqueles seres azuis, com rabo e feições felinas, têm tesouros que sintetizam nossos sonhos românticos e que supomos que perdemos: a conexão com o meio ambiente e o grande coração do bom selvagem.


*Publicada no Segundo Caderno de Zero Hora, no dia 6 de janeiro de 2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

E a Língua Portuguesa unificada, pra quando é, mesmo?

Reportagem de Zero Hora do dia três de janeiro dá um panorama do andamento do acordo ortográfico nos oito países que adotam a língua portuguesa como idioma oficial. Pois é, a reforma engatinha - só o Brasil aplicou a nova ortografia, que já completa um ano. Nos demais países - Portugal, Cabo Verde, Guine-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e Timor Leste, a mudança engatinha.

Com o pé no acelerador, o Brasil foi o único a concretizar as medidas para disseminar as novas regras, como a conversão dos livros didáticos, o uso nas escolas e as mudanças na forma de escrever na imprensa. Afora algumas poucas críticas pela rapidez exagerada do lançamento do VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), que provocou questionamentos acerca de algumas normas, mencionadas por este blog, na ocasião, a população aceitou perfeitamente a novidade.
Já em Portugal, a população é contrária ao acordo e a implantação, segundo ZH apurou, é vacilante e cheia de indefinições. Somente alguns jornais adotaram a regra unificada. Após anúncio da ministra da Cultura, Maria Gabriela Canavilhas, de que as novas regras passariam a vigorar em 2010, houve recuo e a ministra da Educação, Isabel Alçada, explicou que ainda não é tempo, pois há trabalho a fazer com os diferentes parceiros, para definir a forma de como o acrdo ortográfico será introduzido. Portugal fixou prazo até 2015 para a implantação. A maior dificuldade é que Portugal possui adversários ferrenhos à mudança - 57,3% dos portugueses são contra as novas regras.

Nos demais países, a discussão está ainda mais atrasada. Em novembro, o governo de Cabo Verde anunciou que o acordo entrou em vigor, mas ainda não foram tomadas medidas práticas para a implementação. Angola e Moçambique sequer o ratificaram oficialmente. São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Timor Leste já aprovaram as mudanças, mas ainda não as implantaram.

Enfim, há resistências históricas. Mas o acordo só terá sentido se todos os países lusófonos o impantarem definitivamente, para que o Português seja reconhecido como idioma oficial da Organização das Nações Unidas (ONU).

Gostaria de uma manifestação de nossos amigos portugueses que frequentam este blog, bem como de nossa querida conterrânea Heloísa Flôres, que mora em Lisboa, sobre o assunto.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Diogo Brum

Acabei de conversar com o jornalista Diogo Brum, meu particular e querido amigo, de tantas jornadas na Folha Regional e na Folha Santiago. Em fevereiro, ele vai mudar de trabalho e de cidade, passando a atuar como coordenador de dagramação e arte-final do jornal Folha da Manhã, de Ijuí.

Acompanhei a brilhante trajetória deste jovem jornalista desde o início, quando dava os primeiros passos na profissão. Mesmo com todas as dificuldades operacionais, técnicas e financeiras que assombram os jornais do interior, o Diogo evoluiu sempre, mercê de uma capacidade excepcional para o trabalho, talento, dedicação e, creio, vocação para o jornalismo. Seu procedimento sempre foi ético, digno de uma pessoa íntegra, confiável.

Além da atitude profissional exemplar, o Diogo é um amigo querido, gentil e perfeito cavalheiro. Sempre presente. Virtudes raras nos dias de hoje. Desejo-lhe muito sucesso. Sei que terá.

A tragédia da ponte

Terrível a imagem da ponte sobre o Rio Jacuí que ruiu, entre os municípios de Agudo e Restinga Seca, ontem. Pela força das águas, após chuvas torrenciais na região, parte da estrutura cedeu, levando consigo automóveis e pessoas, a maioria servidores da prefeitura de Agudo, que vistoriavam e fotografavam o local, para embasar medida de calamidade pública, entre eles, o vice-prefeito, que continua desaparecido.

Uma lástima que também tenham perdido a vida curiosos que estavam no local, a despeito do perigo iminente que corriam.

Quando tragédias como essa acontecem, vêm à tona o péssimo estado de conservação da estrutura viária gaúcha - estradas, pontes e outros equipamentos precisam de urgente vistoria, diagnóstico e obras, medidas já anunciadas pela governadora Yeda Crusius, que merecem prioridade absoluta, pois a inclemência do tempo registra uma mudança climática cuja devastação é imponderável se não forem concretizadas ações enérgicas para melhorar a qualidade das rodovias.

A Defesa Civil também é outro órgão que necessita de melhor estrutura, tanto em nível estadual como municipal.
Imagem: Lauro Alves, para ZH

A polêmica do uso do avental fora do ambiente hospitalar

O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) acaba de emitir parecer sobre uso de avental fora do ambiente hospitalar. A Câmara Técnica de Infectologia da entidade reconhece a possibilidade de o avental se tornar um agente de infecções e recomenda que o uso deve se restringir ao ambiente hospitalar.

O documento foi elaborado a partir de denúncias recebidas pelo Cremers de que médicos e alunos dos cursos de Medicina circulam em áreas externas aos hospitais, incluindo bares e lancherias, usando o avental de trabalho. O parecer técnico foi elaborado pelos médicos Breno Riegel Santos, Eduardo Sprinz e Marineide Gonçalves de Melo.

Portaria do Ministério do Trabalho também orienta a quem atua na área da saúde a usar uniforme somente nos locais de trabalho. O hábito também foi motivo de polêmica em outros estados. No Rio de Janeiro, uma análise da Universidade Federal mostrou que as bactérias permanecem horas nos tecidos.

O que diz o parecer do CREMERS:

"A Câmara Técnica de Infectologia informa que, atualmente, a flora bacteriana hospitalar adquiriu resistência generalizada aos antibióticos, o que contribui para o temor em relação a infecções causadas por essa flora modificada. A infecção hospitalar ocorre em pacientes suscetíveis dentro do ambiente do hospital, ou em consequência de sua estada no hospital. Mesmo considerando que sua incidência é muito baixa entre os profissionais de saúde, assim como em pacientes que não sofrem procedimentos invasivos, não se pode negar que os aventais podem funcionar como fômites. Apesar de não haver qualquer evidência de que alguém na comunidade tenha sido acometido por infecção hospitalar, é senso comum que o uso do avental deve ser restrito apenas ao ambiente do hospital. Alguns países, como a Inglaterra, impõem restrições para o uso de avental fora do ambiente hospitalar. A Câmara Técnica de Infectologia do Cremers é favorável a essa restrição em nosso meio, inferindo que a possibilidade de veiculação da flora hospitalar para a comunidade é uma possibilidade."

Pois bem, a polêmica em torno do uso inapropriado do avental no ambiente hospitalar e mesmo, fora dele, é antiga. Médicos, enfermeiros, estudantes, estagiários fazem mau-uso dessa veste, portando-a até nas áreas externas, o que é temerário, como podemos perceber pelo alerta que faz o CREMERS.

Creio que a maioria dos hospitais têm regramento para o bom uso dos aventais, até por normas da OMS, da Anvisa e dos conselhos técnicos profissionais da área de saúde, como é o caso do CREMERS. O que falta é fiscalização e aplicação de penas específicas (se é que elas existem...)

É muito comum vermos profissionais de saúde ostentando o avental branco em locais impróprios (até em bancos já os notei) como um sinal de status. E não posso crer que seja por ignorância...
Fonte: ZH online

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Viva!

Hoje o Blog de Edward de Souza, do qual sou colaboradora, completa o seu primeiro ano de existência, com mais de 100 mil acessos! Dê uma passadinha lá e descubra as razões de tanto sucesso...

Santiago, minha bela, meu amor...

Santiago, a cidade em que nasci, completa, hoje, 126 anos de emancipação político-administrativa. Para os nativos e os adotados, por encanto absoluto, é tão bela quanto hospitaleira sua gente, que envolve, conquista e condena a todos ao eterno arrebatamento. Ainda não decifrei bem qual o feitiço, mas creio ser alguma poção mágica, trazida de além-mar pelos primeiros habitantes, misturada aos sortilégios indígenas da tribo de Sepé, que seguidamente transitavam por estas bandas, acrescida de abundantes bênçãos da mãe Imaculada Conceição, que flutua, majestosa, com seu manto azul-anil a filtrar os milhares de aromas produzidos pelo amor de todas as pessoas que habitaram a cidade, ao longo dos tempos, vindas de longe ou que aqui viram a luz pela primeira vez.

Conta a lenda que nas madrugadas plenas de poeira de estrelas e sonhos, deslizam, pela Rua dos Poetas, homens e mulheres que cantam, em verso e prosa, seu amor pela cidade. Quem já os viu, jura que o seu condutor é Jaime Pinto, a recitar: "Eu te agradeço, Senhor, glória tamanha, de viver aqui no terno seio deste povo, terei sempre que agradecer de novo!... E da simpleza do meu gesto me perdoa. Mas é a voz da minha alma que ressoa, neste canto de amor em tom de prece: Obrigado, Senhor! – É Santiago que agradece."

Dizem, ainda, que a cantata noturna sempre acaba aos pés de Aureliano, ao primeiro clarão do alvorecer, quando a aurora tinge a cidade de tons dourados... Os amigos se vão para as suas dimensões etéreas, perdidos na bruma matinal que logo dará lugar ao dia...São Thiago, com o seu cajado milenar, os guia...

Santiago, minha bela, meu amor...

Imagem: Márcio Brasil

domingo, 3 de janeiro de 2010

TSE divulga regras para pesquisa eleitoral em 2010

As eleições de 2010 se avizinham e as pesquisas eleitorais são um instrumento importante para avaliar a intenção de voto do eleitorado. Visando normatizar o procedimento, como é de praxe, o TSE acaba de divulgar nova resolução sobre o assunto:

As entidades e empresas que fizerem pesquisas de opinião relativas às eleições de 2010 ou aos candidatos são obrigadas a partir de 1º de janeiro, a registrar, com antecedência mínima de cinco dias da divulgação, uma série de informações. Na eleição presidencial, o pedido de registro de pesquisa deverá ser dirigido ao TSE. Nas federais e estaduais, aos tribunais regionais eleitorais.

No registro, deve ser informado quem contratou a pesquisa, o valor e origem dos recursos gastos no trabalho, a metodologia e período da pesquisa, o plano amostral e informação quanto a sexo, idade, grau de instrução nível econômico do entrevistado, a área física do trabalho, o intervalo de confiança e margem de erro, o sistema interno de controle e verificação, a conferência e fiscalização da coleta de dados e do trabalho de campo e o questionário completo aplicado.
Em relação a quem pagou pela pesquisa, devem constar o nome, o contrato social, o estatuto social ou a inscrição que comprove o registro da empresa, com a qualificação completa dos responsáveis legais, razão social ou denominação, número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), endereço, número de fac-símile ou endereço de correio eletrônico em que receberão notificações e comunicados da Justiça Eleitoral, nome do estatístico responsável pela pesquisa - e o número de seu registro no competente Conselho Regional de Estatística - e número do registro da empresa responsável pela pesquisa no Conselho Regional de Estatística.
A partir de 5 de julho de 2010, nas pesquisas feitas mediante apresentação da relação de candidatos ao entrevistado, deverá constar o nome de todos aqueles que tenham solicitado registro de candidatura.
As pesquisas feitas em data anterior ao dia das eleições poderão ser divulgadas a qualquer momento, inclusive no dia das eleições. Já a divulgação de levantamento de intenção de voto efetivado no dia das eleições, chamada boca de urna, será feita nas eleições relativas à escolha de deputados estaduais e federais, senador e governador, após o encerramento da eleição no respectivo estado. Na eleição para a presidência República, a divulgação só poderá ser feita após o encerramento da eleição em todo território nacional.
Ainda segundo o TSE, na divulgação de pesquisas no horário eleitoral gratuito devem ser informados, com clareza, o período de sua realização e a margem de erro, não sendo obrigatória a menção aos concorrentes, desde que o modo de apresentação dos resultados não induza o eleitor a erro quanto ao desempenho do candidato em relação aos demais candidatos.
Quem não registrar a pesquisa e divulgá-la, está sujeito a multa que varia de R$ 53 mil a 106 mil. Quem divulgar pesquisa fraudulenta, além do pagamento da mesma multa ainda pode ser punido com detenção de seis meses a um ano.
Os partidos políticos poderão ter acesso ao sistema interno de controle, verificação e fiscalização da coleta de dados das entidades e das empresas que divulgaram pesquisas de opinião relativas aos candidatos e às eleições, incluídos os referentes à identificação dos entrevistadores e, por meio de escolha livre e aleatória de planilhas individuais, mapas ou equivalentes e confrontar e conferir os dados publicados, com a preservação da identidade dos entrevistados.
Fonte: Assessoria de Imprensa do TSE