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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Bendito aquele que semeia livros...

A tarefa de esquadrinhar a internet em busca de assuntos que interessem os nossos leitores é muito produtiva. Principalmente quando descobrimos alguns empreendimentos de sucesso que facilmente poderiam ser adaptados a nossa realidade, resguardadas as proporções e os recursos disponíveis. Falo, especificamente, das bibliotecas públicas. Encontrei no site da BBCBrasil o depoimento de um brasileiro que mora em Londres, a respeito das bibliotecas públicas que existem na capital da Inglaterra, que me surpreendeu e o divido com vocês, deixando-o como sugestão aos gestores municipais, diretores de escolas e administradores de entidades. Democratizar o acesso à leitura é um dos melhores legados que um gestor público pode deixar para a sua comunidade.

Daniel Gallas conta que seus hábitos de consumo mudaram muito desde que passou a morar em Londres, pois praticamente parou de comprar livros. Em 2009 só comprou dois, mas leu muitos, - de clássicos a lançamentos recentes. Ele explica: "O motivo disso são as excelentes bibliotecas públicas de Londres. É difícil achar defeitos nas bibliotecas daqui. Os catálogos são atualizadíssimos, quase sempre com várias cópias dos últimos lançamentos do mercado. Os prazos são flexíveis (três semanas por livro), com multas baixas e possibilidade de renovação pela internet.

Caso você não encontre um livro na sua biblioteca, mas que está disponível em outra do mesmo bairro, é possível encomendá-lo via internet para que ele seja retirado na biblioteca mais próxima da sua casa. Eu, que moro na fronteira de dois bairros de Londres - Lambeth e Southwark -, ainda tenho a vantagem de poder explorar os catálogos dos dois bairros.

Isso sem falar no vasto catálogo de CDs e DVDs, que são alugados a baixos preços. Isso explica por que há tão poucas locadoras de filmes em Londres. É impossível competir com a biblioteca pública."

Além disso, ele conta que as bibliotecas se esforçam para unir pessoas através de interesses comuns na comunidade: "Há mais de um ano, minha esposa e eu estamos frequentando um grupo de leitores de quadrinhos. Nunca fui um grande fã das "graphic novels", mas confesso que graças ao grupo conheci vários quadrinhos com qualidade superior a de muitos livros da literatura clássica, como a série Love & Rockets, dos irmãos Hernandez." E o mais interessante, foi frequentando o grupo de quadrinhos que ele viveu uma inusitada experiência de participação política nas decisões da comunidade, fazendo valer a sua voz quando os administradores resolveram encerrar as atividades do grupo de quadrinhos por medida de economia, para não pagar horas extras ao funcionário que organizava os encontros, realizados à noite. O grupo protestou e o serviço foi mantido.

Daniel conclui o seu depoimento: "Fiquei pensando que algumas experiências da Grã-Bretanha eu gostaria muito de poder exportar para o Brasil. Uma delas é o acesso gratuito ou com baixo preço a livros, discos e filmes para todos - tudo com dinheiro público. A outra é a de ter a minha voz ouvida nas decisões da comunidade, por menores e mais irrelevantes que elas possam parecer para os demais."

Pois bem, é uma ideia excelente e não vejo maiores problemas em adotá-la. Santiago possui uma biblioteca pública instalada no Edifício Melvin Jones, de razoável acervo. Creio que seria necessário promovê-la mais. Há santiaguenses que não a conhecem. Quando eu trabalhava no CES, emprestava muitos livros para minha adorável colega Telma, funcionária do SPC, uma frequentadora assídua da Biblioteca Pública. Lembro que ela elogiava muito o atendimento e a qualidade das obras lá encontradas. Quem sabe uma boa campanha para divulgar o local e uma chamada para que a comunidade doe mais livros?

Quero crer que seria um maravilhoso presente de Natal para Santiago e sua gente. Vou fazer a minha doação logo antes do Natal...

Um comentário:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nívia Andres!
Muito oportuna sua iniciativa em divulgar esta notável política pública, do reino distante além-mar, que instiga e facilita a vida dos cidadãos, que não vivem sem os livros! Oxalá, na nossa amada Pátria, exemplo como este sirva de estímulo para que os gestores da admistração pública também o adotem no sua área de ação!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP