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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Coisas do tempo. E do vento.

Há um interessante artigo de J.R. Guzzo na revista Veja de 11 de novembro, intitulado O fim do mundo, em que faz algumas observações pertinentes sobre a polêmica das mudanças climáticas e especificamente, do aquecimento global, que será a estrela da próxima Conferência da ONU, marcada para Copenhague, em dezembro, reunindo 170 países e cerca de 8.000 cérebros, ávidos por apresentarem suas teorias e conclusões acerca do assunto, cada vez mais catastróficas e alarmantes.

Pois o articulista sugere o estabelecimento de uma separação entre o que possam ser problemas reais e o que é uma espécie de "culto psicótico" ao fim do mundo. Mas conclui, imediatamente, que "trata-se de uma tarefa com poucas chances de sucesso."

E explica porquê, baseando-se na voz corrente, cada vez mais generalizada e agressiva, de que as pessoas têm que acreditar que o clima está mudando para pior e que a catástrofe é iminente. Importante mencionar que não admitem dúvidas ou contrapontos. É e pronto. Daí a necessidade, afirmam, de sair de Copenhague com uma solução definitiva para o aquecimento global e as emissões mundiais de carbono. Os organizadores da Conferência e os chefes de estado envolvidos alardeiam que é preciso achar uma saída, mesmo que não saibam qual é...

Nesta altura, o articulista nos brinda com fina ironia: "A ideia geral, em suma, é que o cidadão, ao sair de casa um dia desses, pode sofrer um ataque do efeito estufa e cair morto no meio da rua."

Na verdade, se faz urgente mais informação científica que saia da boca de pesquisadores idôneos para afastar "essa insistência em criar uma unanimidade de pensamento, que vem recheada de uma extensa mistura de mistificação, desinformação, pseudociência, demagogia, charlatanismo, fatos sem confirmação e números cuja veracidade não pode ser certificada."

Agora terra rachada pela seca do Nordeste (mesmo que, desde de tempos imemoriais aconteça), é culpa do aquecimento global; também a alternância de secas e chuvas no sul são prova veemente da hecatombe climática, escusado dizer que El Niño e La Niña apareceram agora...

Conta, ainda, o cronista, para ilustrar a sanha autoflagelatória dos arautos da tragédia que, há um ano, "a Inglaterra aprovou uma lei pela qual o país terá que cortar 80% de suas emissões de carbono até 2050", mesmo ninguém sabendo como isso poderá ser efetivado... Vejam só, no exato momento em que a lei estava sendo discutida, começou a nevar em Londres, fenômeno que não acontecia em outubro há exatos 74 anos! Certamente um aviso do além para que a matéria fosse aprovada...

De qualquer maneira, há esperança. Cifras cada vez mais generosas serão liberadas, não se sabe se 100 bilhões por ano em 2020 ou até um trilhão, para ajudar os países pobres a participarem do combate ambiental e para que Brasil, Índia ou China sejam compensados das despesas que terão para deixar de ameaçar o mundo com o seu desenvolvimento...

Aí está o ponto nevrálgico da questão. Os países ricos rechaçam qualquer providência mais enérgica para diminuir as emissões de carbono, mas destinam rios de dinheiro para que as nações em desenvolvimento, as chamadas emergentes, parem de poluir. A agenda de Copenhague é deles, com seus números, profecias e cientistas.

Por derradeiro, a boa sugestão do articulista aos governantes: "O Brasil, em vez de reagir ao debate dos outros, faria melhor pensando primeiro em seus interesses. Para isso, precisaria saber o que quer. Parece bem claro que o país, antes de ter um problema ecológico, tem um problema sanitário; nossa verdadeira tragédia ambiental é o fato de que 50% da população não dispõe de rede de esgotos ou de que dois terços dos esgotos são lançados nos rios sem tratamento nenhum. Na Amazônia, onde há o maior volume de água doce do mundo, a maioria da população não tem água decente para beber. Nas área pobres das cidades, o lixo não é coletado - acaba em rios, represas ou na rua. A questão ecológica real, no Brasil, chama-se pobreza."

É isso aí. Concordo. Mas o governo brasileiro prefere gastar milhões para assegurar que o filme Lula, o Filho do Brasil, seja assistido por toda a população mais pobre do país, garantindo-lhe o essencial - pão, circo e voto, bem melhor do que água encanada e esgoto. Afinal, obra enterrada não aparece, nem elege ninguém... O tempo, o vento, o apagão, o desmatamento da Amazônia, isso a gente discute na Dinamarca, bem longe, para não atrapalhar o lançamento do filme...

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