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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

7ª Bienal do Mercosul e a flor do reacionarismo

Continuam abertos à visitação pública os espaços destinados à 7ª Bienal do Mercosul, no Cais do Porto, no MARGS e no Santander Cultural, em Porto Alegre. Também, acompanhando as condições climáticas ribombantes de raios, trovões, rajadas de vento, chuvas copiosas e desabrigados em penca, avolumam-se as críticas à exposição, ferinas, diria, a começar pelo renomado jornalista e escritor Flávio Tavares, antecedido pelo historiador Voltaire Schilling que, há dois meses, atacou ferozmente as obras de arte colocadas nos espaços públicos da capital, que já me referi neste blog.

Ainda não havia visitado a Bienal, atitude que tomei nesse domingo, muito curiosa com o ataque veemente de Flávio Tavares. Afinal, o que terá levado um prócere do jornalismo, um homem culto e experiente a manifestar-se de forma tão virulenta contra o que ele chama de "pobres extravagâncias com a denominação de arte conceitual"?

Pois bem, não sou artista nem versada em arte. Sou apreciadora do que é belo (segundo meu cérebro capta, percebe, processa e responde), reagindo às mensagens que meus olhos enviam. Nos armazéns do Cais do Porto observei quantidade de instalações e propostas, ali colocadas por artistas de todo o mundo. Nada vi que estarrecesse ou provocasse reação de náusea nem de vilipêndio à arte.

Destinei especial atenção a uma instalação que Tavares mencionou em seu libelo contra a Bienal - uma área interna enorme, coberta por toneladas de areia que simulam subidas e descidas em caminho com leito de taquaras. As inferências são múltiplas, conforme o olhar do espectador, mas Tavares preferiu indagar se "seria uma advertência sobre a desolação geração peladestruição do meio ambiente,em que tudo virará deserto? Mas aquela areia roubada do fundo do rio não é, em si, um ato de destruição ambiental? Concluída a Bienal, será posta num caminhão para misturar-se ao cimento em algum edifício da cidade vertical!" E conclui: "Esse tipo de coisa chama-se "instalação". Em teoria, surgiu como revide às exigentes regras da arte clássica. Como expressão, é algo subjetivo, ou inventado, em que só o autor conhece o significado que pretendeu dar. No fundo, uma ilusão. Ou uma brincalhona falcatrua em nome da arte."

Forte. Muito forte. E reacionário. Flor de reacionário. Mas afinal, Flávio Tavares deve ser respeitado em seu olhar. Nosso tempo, tão diverso e multifacetado em todas as suas manifestações, merece observação e explicação. Na arte, como na vida, tudo se transforma, sob a ótica de cada olhar...Todo grito merece escuta, mesmo que o som não seja o que desejamos ouvir.

Um comentário:

la_gaviota disse...

hola amigo pasando a saludarte, y comtemplar como siempre cn admiracion tu labor informativa un abrazo