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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Licitação à moda da casa

Está ficando cada vez mais interessante a história da compra dos caças anunciada pelo Brasil. Aliás, pelo que informa a mídia, está em curso uma licitação (provavelmente na modalidade de concorrência), embora o presidente Lula já tenha manifestado sua preferência pelos aviões franceses, enfatizando, até, que a decisão de compra é dele.

Para apimentar mais o imbróglio, o vice-ministro de Defesa da Suécia, Hakan Jevrell, afirmou hoje, durante coletiva de imprensa, que seu país não está buscando compradores, mas parceiros para o caça Gripen. Segundo ele, caso opte pela proposta sueca que será apresentada, juntamente com as demais propostas no próximo dia 21 o Brasil poderá comprar o dobro de aviões pelo preço de um, oferecido pelos concorrentes.

O vice-ministro garantiu que a Suécia e a Saab, empresa fabricante do caça Gripen NG, estão 100% comprometidas com a transferência de tecnologia para o Brasil. "Não buscamos um comprador. Buscamos uma parceria estratégica e cooperação de longo prazo para as futuras gerações do poder aéreo e do desenvolvimento industrial", esclareceu.

Jevren garantiu que a proposta que será apresentada ao governo brasileiro será muito atrativa. Segundo ele, o caça Gripen é o que apresenta menor custo por ciclo de vida. Além disso, segundo ele, a Suécia oferecerá um financiamento bastante favorável ao Brasil, caso seu caça seja o escolhido. Apesar da garantia de transferência de tecnologia, o Gripen não utiliza nem motor nem radar com tecnologia sueca. O motor é norte-americano e o radar é italiano.

Segundo presidente da Saab no Brasil, Bengt Janér, os caças suecos estão constantemente atualizados porque mantêm a massa crítica funcionando. "Se você parar durante 15 anos, boa parte do pessoal que estava envolvido no projeto provavelmente não estará mais trabalhando. Nossa filosofia é de estar sempre mexendo para estar sempre com o produto atualizado. O que queremos é, com o desenvolvimento de um projeto conjunto ente os dois países, dar ao Brasil a liberdade de fazer as modificações no futuro, com ou sem a Suécia."

Pois bem. Esperemos o dia fatídico para a abertura das propostas e o seu resultado. Só gostaria de saber que tipo de certame licitatatório está acontecendo. Será que é regido pelas disposições da Lei 8.666? E ainda, há algum dispositivo que deixe nas mãos do presidente a decisão de compra?

Quem souber algo a respeito, por favor, me informe.

Fonte: Jornal Gazeta do Povo
Imagem: Tiago Recchia, via Gazeta do Povo

Um comentário:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres:
Infelizmente existem muitos interesses escusos nesta compra milionária. Não tenho ilusão que vencerá a proposta que efetivamente atenderá as nossas necessidades. O nosso valoroso e saudoso patrício Alberto Santos Dumont, no seu tempo de vivência, certamente jamais supôs que sua invenção oneraria sobremaneira o erário público, além de tornar o mandatário maior do Poder Executivo suscetivel a benesses.
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP