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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Governo fixa IR da poupança em 22,5% e muda cálculo, ampliando vantagem dos fundos

Quem tem dinheiro na poupança vai pagar alíquota de 22,5% de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos da caderneta que ultrapassarem R$ 50 mil a partir do ano que vem. Com a medida, o governo deverá arrecadar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão.

As medidas, que fazem parte do pacote preparado pelo Ministério da Fazenda e que ainda têm de passar pelo do Congresso, valem para todas as cadernetas já existentes e as que serão abertas no futuro.

Os detalhes do projeto foram divulgados ontem e mostram que houve mudanças importantes em relação às medidas anunciadas em maio. Entre elas, a de que o IR será descontado na fonte, ou seja, diretamente de cada poupança. Antes, o governo havia proposto que o imposto seria pago com a declaração anual de IR e as alíquotas iriam variar de 15% a 27,5%.

Também saiu de cena o redutor de zero a 100% da base de cálculo que iria variar de acordo com a taxa básica de juros, a Selic, hoje de 8,75% ao ano. O fim do redutor e o desconto único de 22,5% aumentaram significativamente a vantagem dos fundos de renda fixa e DI sobre a poupança. Isso porque a alíquota de 22,5% é o teto do IR destes fundos, percentual que só incide sobre aplicações que durem até seis meses. Quem fica nos fundos por mais de dois anos paga 15% sobre a rentabilidade.

Com as novas medidas, o rendimento líquido da poupança pode cair de cerca 0,51% ao mês hoje para até 0,43%. Mesmo para o investidor de curto prazo, a vantagem dos fundos deve permanecer caso o fundo tenha taxa inferior a 2%. Hoje, com a Selic em 8,75% ao ano, para ganhar da poupança, isenta de IR, os fundos precisam cobrar taxas de administração inferiores a 0,5% ao ano.

O governo precisa cada vez mais de dinheiro, para cobrir os rombos do déficit público. Assim, vai continuar avançando, agora na poupança, logo após, tentando passar a CSS (Contribuição sobre a Saúde) no Congresso, já que não se conforma com a perda da bolada da CPMF.

Mais simples e menos traumático para o bolso do contribuinte seria o governo aprender a gerir os recursos disponíveis (que são vultosos), evitando a farra da gastança que grassa nos gabinetes do Planalto.

Fonte: O Globo

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