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terça-feira, 29 de setembro de 2009

A fome e o desperdício dos alimentos

Recente artigo publicado no site da BBC Brasil discute o desperdício de comida, afirmando que o fenômeno atinge proporções alarmantes na maioria dos países do mundo, incluindo as nações em processo de desenvolvimento.

Segundo especialistas, com a comida desperdiçada em um ano, na Inglaterra e nos Estados Unidos, seria possível alimentar todos os 963 milhões de famintos do mundo (cifra disponibilizada pela FAO, órgão executivo da ONU para a agricultura e alimentação).

Tristram Stuart, historiador e autor do livro Desperdício: Revelando o Escândalo Global dos Alimentos, revela que o desperdício se dá de incontáveis maneiras, até mesmo pelo inacreditável processo de descarte de frutas, verduras e outros alimentos que estejam fora dos padrões e proporções considerados atraentes ao consumidor nos supermercados, citando um que só vende maçãs com uma determinada combinação entre as cores vermelha e verde ou o caso de uma fábrica de sanduíches que joga fora 13 mil bordas de pão de forma por dia, para que as fatias sejam perfeitamente iguais.

No Brasil, estudos revelam que 64% do que se planta se perde: 20% na colheita, 8% no transporte e armazenamento, 15% no processamento e 20% no processo culinário e hábitos alimentares. Muitas toneladas de alimentos são desperdiçadas por falta de políticas públicas de armazenamento, distribuição, crédito e incentivo, aliadas à falta informação, educação, e até mesmo de má-fé e falta de solidariedade de muitas empresas e de pessoas, que preferem jogar comida fora do que doá-la a quem precisa.

Vejam só, a saltitante esposa do primeiro-ministro japonês, que elegeu-se há pouco, apresentou uma solução para a fome no mundo, mesmo sem ser consultada sobre o assunto: sugeriu que as pessoas se alimentem de luz solar. Miyuki Hatoyama afirmou para quem quisesse ouvir, ao lado do recém empossado marido, que alimentava-se de raios solares e, por isso, mantinha-se juvenil e jovial. Uma solução esdrúxula para os padrões de alimentação vigentes mas, que, em tese, dispensa preparo, tampouco conservação, encontra-se em abundância em toda a superfície do planeta, pelo menos enquanto durar o dia. Problemas, só nas regiões austrais...

Tenho conhecimento de que há pessoas cuja dieta exclusiva é a luz solar. Já assisti a um documentário sobre o assunto. Excentricidades a parte, deixemos a iluminada Miyuki com o seu banho de sol alimentício e pensemos em como mudar essa circunstância que nos diminui como seres humanos inteligentes - a fome.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Todos têm que saber. Embora não vá adiantar...

Caros leitores deste blog:

Sei que são poucos, na maioria, amigos, mas também sei que compartilham comigo a opinião de que informar é importante, principalmente um tipo de informação que não está disponível para o grande público e não tem muito destaque na mídia. Também não sou ingênua de acreditar que, por mais que muitos as publiquem, estas informações chegarão a todos os brasileiros, porque a maioria esmagadora não tem acesso à informação ou, ainda, não tem interesse em conhecê-la...

Não deveria, mas ainda fico muito indignada quando querem nos fazer passar por trouxas, idiotas ou assemelhados. Refiro-me a imensa maioria dos políticos, dos homens públicos que elegemos para nos representar, produzir leis, zelar pelo interesse público usando essa prerrogativa conferida pelo voto para locupletarem-se e aos seus familiares e apaniguados, ainda mais quando isso é feito com dinheiro que deveria ser usado para a implementação de políticas públicas destinadas à educação, saúde e cultura do nosso sofridíssimo e miserável povo brasileiro.

Por isso, seguidamente publico algumas matérias editadas por colegas jornalistas de notável brilho, com os devidos créditos, que também servem para externar a minha diária indignação com o que vemos acontecendo no país.

Leiam o que escreveu Augusto Nunes, em sua coluna no site da Revista VEJA:

"No outono de 2005, depois de ganhar de presente uma passagem de ida e volta, Benedito Vitor Januário dos Santos embarcou num avião em São Paulo, participou do jantar em Brasília promovido por ex-alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e voltou na manhã seguinte. Quem teve a ideia de abrilhantar a noitada com a presença do folclórico Vitão, funcionário do Departamento Jurídico XI de Agosto e festeiro animadíssimo, foi o advogado José Antonio Toffoli, subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, que providenciou o bilhete aéreo. Quem pagou foi a Secretaria da Administração da Presidência da República. Quem bancou a viagem foram os pagadores de impostos.


O Portal da Transparência, criado pela Controladoria Geral da República para mostrar como o governo gasta o que toma dos brasileiros comuns, confirma que em 19 de maio de 2005 a Secretaria da Administração repassou R$ 290 a Benedito Vitor Januário dos Santos. O portal se limita a revelar o valor desembolsado e a identidade do "favorecido". A transparência não se estende ao nome de quem mandou pagar nem à razão do pagamento. No caso de Vitão, a informação é dispensável. Há quatro anos, um voo de ida e volta entre São Paulo e Brasília custava exatamente R$ 290. Toffoli vive assumindo a paternidade da ideia em jantares com amigos.


Para os padrões brasileiros, subvertidos por roubalheiras que movimentam cifras inverossímeis, parece pouco. Dinheiro de troco, diriam os senadores. Uma viagem só, e ainda por cima doméstica, é coisa de amador, desdenhariam os deputados. Num país rebaixado a viveiro de corruptos bilionários, José Antonio Toffoli subtraiu aos cofres públicos uma quantia inferior a mil reais, consumida em duas decolagens e dois pousos. Quem faz isso merece castigo?

Merece uma punição exemplar, acha José Antonio Toffoli ─ ele mesmo, mas quatro anos mais tarde e em outro emprego. Ou achava até maio passado. "O Brasil precisa conscientizar-se de que quem exerce uma função pública só pode gastar o dinheiro público no interesse público", disse em entrevista a VEJA, o chefe da Advocacia Geral da União. Depois de sublinhar que a corrupção endêmica e a gastança irresponsável devem ser combatidas com muito mais rigor, o entrevistado ensinou que um crime jamais será condicionado pelo tamanho do lucro ou do prejuízo. Atos ilícitos não são tabelados.

“É preciso acabar com esse costume de passar a mão na cabeça dizendo que o erro foi pequeno, que foi coisa de mil reais, que foi só uma passagem aérea”, reiterou Toffoli. “Não há erro pequeno. É preciso tolerância zero com o uso indevido de dinheiro público. Mesmo o erro pequeno precisa de punição”. Segundo o chefe da AGU, essa modalidade criminosa não comporta pecados veniais. Todos são mortais. Não há diferenças relevantes, portanto, entre o subchefe da Casa Civil que desviou R$ 290 e o mais guloso mensaleiro. O uso irregular de um bilhete é tão criminoso quanto o furto de milhagens transatlânticas.

Indicado por Lula para uma vaga no STF, Toffoli anda visitando senadores para garantir que merece nota dez nos quesitos reputação ilibada e notável saber jurídico, que deveriam determinar o destino de um candidato à toga. Algum pai da pátria tem de apartear o discurso do visitante, apresentar-lhe simultaneamente o caso de Vitão e a entrevista de maio e convidá-lo a explicar a colisão frontal. Se renegar a entrevista, estará provado que o saber jurídico de Toffoli é notavelmente instável. Se reafirmar o que disse, estará provado que a reputação não rima com ilibada.

Seja qual for a resposta, Toffoli estará desqualificado para virar ministro do Supremo. Seu passado pode arruinar o futuro do tribunal."
Os grifos são meus. Espero que a indignação seja de todos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Telentrega On Duras

Tiago Recchia, via Gazeta doPovo

Marisa & Michelle

Flagrante das primeiras-damas Marisa e Michelle, em recente recepção, no encontro do G-20. Bem que o registro poderia ter sido feito de um ângulo mais generoso para a brasileira, não é mesmo?

Via blog do Tutty Vasques, no Estadão

Tudo branco

Recente artigo do jornal inglês The Guardian, assinado por David Adam, recupera uma proposta que tem sido abordada por ambientalistas e cientistas, há algum tempo - inverter o preto das construções urbanas do mundo, pintando a paisagem de branco, refletindo luz solar suficiente para retardar o aquecimento global.

Hasehm Akbari não é arquiteto e o seu plano não é um projeto de arte conceitual. Ele quer transformar nossas cidades em um espelho gigante, para o qual precisa de muita tinta. Ele é um cientista, apoiado pelo prestigiado Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, da Califórnia. Esta pode ser a solução (ou paliativo) mais simples para um problema que tira o sono dos que sabem que o efeito estufa é uma realidade em curso, pelos desmandos que o próprio homem diariamente comete contra o ambiente, em nome do progresso.

Pois bem, o efeito estufa é uma ação natural do planeta já que os raios solares aquecem a superfície, que emite calor. Esse calor é retido pelos gases concentrados na atmosfera para manter a temperatura estável. O aquecimento global acontece por um agravamento do efeito estufa - com as crescentes emissões de carbono, a camada de gases que cobre a Terra fica mais espessa e retém mais o calor, elevando a temperatura.

A proposta de Akbari é pintar o mundo de branco através da união e do esforço de dezenas das maiores cidades do planeta, substituindo os materiais escuros usados nas ruas e nos telhados por algum produto mais refletivo. Estudos numerosos têm demonstrado que as construções com cobertura branca se mantêm mais refrigeradas durante o verão. A mudança pode reduzir a maneira como o calor é acumulado em áreas construídas e permite às pessoas que vivem e trabalham nesses lugares desligarem os potentes aparelhos de ar condicionado que utilizam ininterruptamente.

E proclama Akbari: Os telhados devem ser substituídos, um por um. Ciente dos benefícios, a Califórnia tem forçado os estabelecimentos comerciais com telhados lisos a se tornarem brancos, desde 2005. Grupos de diversas cidades americanas, como Houston, Chicago e Salt Lake City estão fazendo o mesmo.

A proposta é uma forma de geoengenharia, uma espécie de plano B para retardar o aquecimento global. Se a ideia parece uma medida extrema, como podemos classificar outras que se apresentam por aí, como espelhos gigantes no espaço, balões brilhantes flutuando acima das nuvens e milhões de árvores plastificadas (as árvores artificiais, para sugar carbono do ar, sobre as quais já comentei aqui, no blog)?

O projeto de Akbari parece ser mais simples e, por isso, de mais fácil execução - a luz solar refletida na superfície não contribui para o esfeito estufa. O problema acontece quando as superfícies escuras absorvem a luz solar e a enviam, de volta, para cima, como energia térmica.

Fato é que muitas cidades, especialmente aquelas situadas em regiões equatoriais, tropicais e desérticas, especialmente na Ásia e na África, são milenarmente constituídas de habitações claras, inclusive nos telhados, como forma de conservar o ambiente interno mais fresco. Nas regiões mediterrâneas acontece o mesmo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sepé Tiaraju agora é herói nacional

Lei sancionada pelo vice-presidente, em exercício, José Alencar, coloca o índio missioneiro Sepé Tiaraju, no mesmo patamar em que se encontram Tiradentes, Santos Dumont e Zumbi dos Palmares.

O projeto que elevou o índio Sepé a categoria de herói é de autoria do deputado federal gaúcho Marco Maia (PT) que festejou a nova lei, dizendo que "chegou a vez de prestarmos o devido reconhecimento à história de coragem e de luta pelo direito à terra de nosso herói Sepé Tiaraju."

José Tiaraju era corregedor da Redução Jesuítica de São Miguel na época em que Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri (1750), obrigando cerca de 50 mil índios cristãos a abandonarem suas cidades, propriedades e pertences, nas Missões. Foi Sepé Tiaraju, o destemido, que liderou a resistência. "Esta terra tem dono", teria dito o herói, à época.

Sepé morreu em combate, no dia 17 de fevereiro de 1756, enfrentando tropas portuguesas e espanholas na localidade de Batovi, hoje município de São Gabriel. Privados de sua liderança, dias depois, 1,5 mil índios foram dizimados, na batalha de Caiboaté.

Preferiria dizer que Sepé foi um grande homem, que honrou o seu povo e a terra onde nasceu. Mas já que o Brasil precisa de heróis, aí tem um, de verdade!
Fonte: Jornal Zero Hora

Brasil sai derrotado em eleição na Unesco

Farouk Hosni, o candidato egípcio à direção-geral da Unesco (a agência da ONU para Educação e Cultura) que causou polêmica ao admitir ter defendido a queima de livros de Israel das bibliotecas do Egito, foi derrotado ontem por uma candidata improvável: a embaixadora da Bulgária na França, Irina Bokova, uma ex-comunista convertida em pró-União Europeia convicta, de 57 anos, que foi ministra das Relações Exteriores da Bulgária e parlamentar, correu discretamente por fora e surpreendeu a todos, obtendo 31 votos contra 27 do comitê executivo da Unesco, formado por 58 países.

A eleição foi disputadíssima - pela primeira vez, teve que ir a cinco turnos, com árabes e africanos se aliando ao egípcio, e europeus eliminando seus candidatos e mudando de campo à medida que as controvérsias em torno do egípcio aumentavam.

O Brasil, que derrubou dois candidatos do país para apoiar o egípcio, oficialmente, para dar uma chance aos árabes que há muito tempo querem o comando da Unesco, sai mal desta eleição, avalia o embaixador Márcio Barbosa, vice-diretor-geral da Unesco e um dos candidatos preteridos pela diplomacia brasileira. Ele disse que alertou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, dos riscos da candidatura egípcia. Segundo ele, o Brasil se sai muito mal porque se alia a países que praticam uma política que não imaginamos como uma democracia, acrescentando que EUA e Japão já consideravam até cortar ajuda a alguns programas da Unesco caso Hosni tivesse sido eleito.

Um candidato à direção-geral da UNESCO que defende a queima de livros deveria estar encerando o chão e polindo as estantes da Biblioteca de Alexandria...

Fonte: Blog do Noblat

Jornalista Carlos Urbim é o patrono da Feira do Livro de Porto Alegre

A Câmara Rio-Grandense do Livro, entidade promotora da Feira do Livro de Porto Alegre, anunciou Carlos Urbim como o novo patrono do evento. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara Rio-Grande do Livro, o editor João Carneiro.
O novo patrono foi escolhido por um colegiado de notáveis a partir uma lista com cinco finalistas. Até o ano passado, havia uma lista com dez indicados. Os cinco patronáveis da Feira deste ano foram obtidos através de votação entre os associados da Câmara da Livro, composto por livreiros e editores. O nome do patrono saiu de uma segunda votação, feita por um conselho cultural composto por figuras de destaque, pessoas ligadas à universidade, ex-patronos e dirigentes da Câmara, a quem foi solicitado que votassem em três candidatos cada um, escolhendo-se daí o mais votado. Além de Carlos Urbim, também concorriam como patronáveis Airton Ortiz, Juarez Machado da Silva, Regina Zilberman e Luis Augusto Fischer.

O novo patrono equilibra uma carreira respeitada como jornalista e autor de livros para crianças e adolescentes. Nascido em Santana do Livramento em 1948, Carlos Urbim tem entre suas obras mais conhecidas verdadeiros clássicos da literatura infantil no Estado, como Um guri daltônico, Diário de um guri e Saco de brinquedos - muitos deles adaptados com frequência para o teatro. Seu livro mais recente é o infanto-juvenil Admissão ao Ginásio (Editora Escritos, 2008), sobre as angústias de um menino que teme não passar nos exames orais e escritos que serão aplicados para sua admissão ao ginásio (sistema que vigorou no Brasil entre 1930 e 1970).

Urbim foi presença constante nas últimas listas de indicados - ele e Juremir Machado da Silva já figuravam entre os cinco finalistas de 2008. No ano passado, Urbim ingressou na Academia Rio-Grandense de Letras, onde ocupa a cadeira de nº 40. Como homem de imprensa, teve passagem por Diários Associados, Folha da Manhã, Istoé, Diário do Sul e por Zero Hora. Foi o coordenador da equipe que pesquisou e redigiu mais de uma centena de programas curtos sobre a história do Rio Grande exibidos pela RBS/TV nas séries Rio Grande do Sul: Um século de História, Os Farrapos e A Ferro e Fogo. No ano passado, publicou o livro Zamprogna: a História da Imigração Italiana e a Industrialização no Rio Grande do Sul, pela Editora Jornal Via Norte.

Fonte: ZH online

Operação Honduras

Da Coluna de Augusto Nunes, no site da revista Veja, na seção Direto ao Ponto:

"Terminada a montagem do plano destinado a infiltrar o companheiro Manuel Zelaya em Tegucigalpa e, na etapa seguinte, devolvê-lo ao gabinete presidencial, o comando da Tríplice Aliança combinou o que faria cada um dos envolvidos na Operação Honduras. A mesada do estadista desempregado, as despesas da família, os gastos com a comitiva e o transporte aéreo teriam o patrocínio da Venezuela. O apoio logístico para a viagem entre a fronteira e a capital seria garantido pela vizinha Nicaragua. Casa, comida e roupa lavada ficariam por conta do Brasil.

Distribuídos os encargos, os generais Hugo Chávez, Daniel Ortega e Lula decidiram o que ocorreria depois da instalação de Zelaya no prédio onde funcionou a embaixada brasileira. Multidões de patriotas exigiriam nas ruas a rendição incondicional dos golpistas e a restituição das chaves do palácio ao líder popular. Todas as nações do planeta celebrariam a bravura do país do futebol.

O presidente americano Barack Obama continuaria fazendo de conta que não sabe o que se passa na América cucaracha. Acuados, os usurpadores primeiro tentariam destruir a embaixada. Minutos mais tarde, rechaçados por batalhões de voluntários da pátria, estariam cruzando o Caribe a nado na direção de Miami. E Zelaya festejaria a segunda posse acenando o chapéu branco ao lado da trinca de estrategistas.

Faltou combinar com os hondurenhos. Os combatentes que se animaram a sair de casa produziram manifestações parecidas com procissão de cidade interiorana em dia útil. Os parceiros de sempre acharam que o Brasil fez bonito, mas se limitaram a pedir aos responsáveis pela deposição de Zelaya que voltassem para casa. Não foram atendidos. Em vez de atacar a embaixada, o presidente interino, Roberto Micheletti, mandou cortar por algumas horas a luz, a água e o telefone.

Só então o chanceler Celso Amorim lembrou que o Brasil decidiu faz mais de 50 dias não reconhecer o novo governo ─ e é complicado conversar com quem não existe. Se há queixas a fazer, portanto, devem ser encaminhadas ao quarto onde o presidente de verdade dorme durante a noite ou ao sofá onde cochila durante o dia (ao lado de uma bandeira do Estado do Rio). Ou ao bispo de Tegucigalpa. Ou ao Conselho de Segurança da ONU, como preferiu Amorim.

Enquanto o Itamaraty procura a saída do beco em que se meteu voluntariamente, é provável que o hóspede já tenha começado a reclamar do serviço da estalagem. Não lhe parece à altura da afamada hospitalidade brasileira. Ao contrário de Amorim e Lula, Zelaya sabe que há mais de 50 dias não preside coisa alguma. Mas decerto acha que qualquer ex-presidente merece algum conforto. Se os cortes forem reprisados, pode acabar convencido de que a cadeia é mais aconchegante.

O comando da Triplíce Aliança planejou o que deveria ter sido uma irretocável operação político-militar. Por enquanto, só compôs a ária mais bisonha da Ópera dos Malandros."

Campanha Ficha Limpa

A Campanha Ficha Limpa, proposta de iniciativa popular que proíbe a candidatura de políticos condenados em primeira instância por uma série de crimes, será entregue na próxima segunda ao presidente da Câmara, Michel Temer, com o apoio de 1,3 milhão de assinaturas

A proposta proíbe que seja registrada a candidatura de políticos condenados em primeira instância por crimes como racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas, por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa. Veda, ainda, a candidatura de parlamentares que tenham renunciado ao mandato para fugir de cassações ou que respondem a denúncias recebidas pelos tribunais superiores do Poder Judiciário.

Antes da entrega do documento, está prevista a realização de uma caminhada, com concentração no Ministério da Justiça, rumo ao Congresso Nacional. Haverá um representante de cada estado que ajudou no recolhimento das assinaturas. A campanha foi iniciada em maio do ano passado. A diretora do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) Jovita José Rosa destaca que a entrega da proposta no Congresso é apenas a primeira etapa de todo o processo. “Essa proposta só irá se transformar em Lei com a pressão popular. Prefeitos, vereadores e outros políticos farão de tudo para barrá-la. É por isso que a entrega é apenas a primeira etapa de um longo processo legislativo”, destaca.

A ideia de lançar a Campanha Ficha Limpa foi uma iniciativa que partiu da própria sociedade, a partir dos Comitês 9840 do MCCE nos estados e municípios. O movimento foi responsável pelo primeiro projeto de iniciativa popular que se transformou em lei no Brasil. A Lei 9.840, que proibiu a compra de votos e o uso eleitoral da máquina administrativa, está completando dez anos. Nesse período, já levou mais de 700 políticos à cassação do mandato.

A apresentação de um projeto de lei de iniciativa popular precisa do apoio de pelo menos 1% do eleitorado nacional, distribuído no mínimo por cinco estados.

Parece que a possibilidade de sucesso do projeto Ficha Limpa é muito pequena, haja vista que os parlamentares são os principais interessados em detoná-la. Ficha limpa é um papel que o Congresso brasileiro não conhece. Quem está acostumado a viver na escuridão odeia a claridade.

É a Primavera...


Como eu gosto de me ver assim
Às flores exposto
E as cores sem fim
Quase as sinto em mim
Espelham-me o rosto...
OrCa

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

OMS avisa que o vírus da gripe A não é mais tão perigoso

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, afirmou nesta segunda-feira que o vírus H1N1 não está mais tão perigoso quando comparado ao que circulava no início da pandemia. Embora possa sofrer mutações a qualquer momento, desde abril (quando a pandemia começou), os cientistas constataram que a partir de dados fornecidos por laboratórios do mundo inteiro, o vírus é muito similar.

Margaret Chan destacou que as vacinas desenvolvidas até o momento para combater a gripe A se mostram muito eficazes e a expectativa é que sejam produzidas 3 bilhões de doses anuais em todo o mundo. Pacientes considerados de alto risco, como pessoas idosas, obesas ou com doenças crônicas, segundo ela, podem ser fortemente afetadas pela doença, por isso, terão prioridade na vacinação.

De qualquer maneira, enquanto a vacina não chega aqui, todo cuidado é pouco. Até mesmo porque a secretaria de estado da Saúde estima que uma segunda onda da doença pode ocorrer em breve.

Fonte: Agência Brasil

A assunção de Toffoli, o jovem II

Ao escrever sobre a indicação de José Antônio Toffoli para o STF, ainda não dispunha da informação de que o novel agraciado por Lula tinha alguns percalços jurídicos a lhe obstarem o caminho até a Suprema Corte. Pois, logo, logo, a Imprensa investigou e divulgou. A dupla condenação do candidato ocorreu entre 2000 e 2002, no Amapá, durante a gestão do governador João Capiberibe, para o qual Toffoli prestou serviços - o primeiro foi de "colaborador eventual" do governo do estado; o segundo, o de defender os interesses pessoais de Capiberibe e de seus companheiros junto ao TSE.

Informa a revista VEJA "enquanto recebia dinheiro para assessorar o governo do Amapá, Toffoli defendia também interesses pessoais de Capiberibe em três processos no TSE. Em julho de 2000, o governo do Amapá contratou Toffoli como "colaborador eventual", sem estabelecer honorários ou função específica. Dez dias depois, Toffoli ingressou com uma ação no TSE em favor de Capiberibe. A sentença condenatória contra Toffoli sugere que se está aqui diante não de uma coincidência, mas de uma manobra para pagar com dinheiro público um advogado e seu escritório por prestarem serviços particulares ao governador."

Ainda informa a Veja: "Os processos contra o futuro ministro tramitam no Tribunal de Justiça do Amapá. O ato lesivo resultou da contratação do escritório do atual advogado-geral da União pelo governo do Amapá. O objeto do contrato era "prestar serviços técnicos profissionais na esfera judicial e/ou administrativa". Toffoli e seu sócio receberam 420 000 reais no decorrer de um ano. Segundo Mário Cézar Kaskelis, um dos juízes do caso, trata-se da "exorbitante quantia" de 35 000 reais mensais (60 000 reais, em valores atualizados), para deixar à disposição do governo do estado dois advogados.

Complica ainda mais o caso o fato de os advogados terem sido contratados ao cabo de um mecanismo que pareceu ao juiz Kaskelis uma "suposta licitação... eivada de nulidade". Escreveu o juiz: "Houve simplesmente uma espécie de terceirização dos serviços que a administração pública já dispunha, através do seu quadro de procuradores. O contrato é absolutamente ilegal, estando viciado por afronta ao conjunto de regras da administração pública e da moral jurídica". Em outro processo, que corre na 4ª Vara Cível de Macapá, o juiz Luiz Carlos Kopes Brandão condenou Toffoli, em 2006, a devolver 20.000 reais recebidos diretamente do governo do Amapá, como "colaborador eventual". Diz o juiz Brandão: "Não é preciso esforço algum para perceber a ilegalidade e a lesividade do contrato. Houve afronta aos princípios da impessoalidade e da moralidade".
Toffoli avisou, por sua advogada, Daniela Teixeira, que já apelou da condenação e que a sentença "está suspensa", entretanto a Justiça do Amapá informa que ainda não se pronunciou sobre os argumentos de Toffoli para anular a sentença. Até que o juiz se manifeste, a sentença permanece válida. A favor do candidato de Lula, é preciso reconhecer que as evidências mais fortes de ilegalidade apontam mesmo para o comportamento do governador do Amapá e de seus auxiliares. Qual seria a responsabilidade do escritório de Toffoli caso os honorários tenham sido pagos ilegalmente, mas essa circunstância lhe tenha sido sonegada? Os juízes de primeira instância debruçaram-se sobre essa questão e, na visão deles, Toffoli e seu escritório, cientes ou não da ilegalidade do contrato, devem arcar com o prejuízo. Os juízes se baseiam na lei que regula a ação popular, o instrumento utilizado nos dois processos. O juiz Kaskelis é especialmente contundente nesse particular: "Eles (os advogados) estavam conscientes de que lesavam o Erário e, após receberem pelos contratos ilegais/imorais, não podem agora ter chancelados tais procedimentos pelo Judiciário". O juiz observa ainda um elemento agravante no caso: "Não se pode vislumbrar a existência de boa-fé da sociedade de advogados e seus membros que, pela própria natureza dos serviços que prestam em conluio com agentes administrativos, desempenharam conduta sabidamente contrária à lei".

Mesmo sob o choque de palavras tão duras como as da sentença acima, Toffoli pode estar certo. Seu escritório pode não ter nenhuma responsabilidade nos contratos com o governo do Amapá. Os contratos podem não ser ilegais. Os serviços podem ter sido prestados. Sua atuação como advogado no TSE em favor do grupo político com o qual assinou esse contrato pode não ter relação com a licitação estadual. Poder, pode. Mas um aspirante a ministro do STF com um currículo pouco convincente deveria ao menos chegar às portas da indicação sem estar na condição de réu. O ex-governador João Capiberibe, também condenado no caso, forneceu a seguinte negativa: "Estou achando tudo isso muito estranho. Tenho convicção de que o Toffoli nunca advogou para mim. Não tenho a menor lembrança de ter passado alguma procuração para ele. Eu nunca assinaria esses contratos de advocacia porque sei que seriam ilegais". Mas assinou – e Toffoli comprovadamente trabalhou para Capiberibe como advogado em pelo menos outros oito processos envolvendo aliados do governador."

Então, aguardemos. Em seguida, haverá novidades. Boas ou ruins, dependendo da ótica de quem as vê.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A assunção de Toffoli, o jovem

O advogado-geral da União, José Antônio Toffolli foi indicado pelo presidente Lula para o posto de ministro do STF, na vaga aberta com o falecimento recente do ministro Carlos Alberto Direito.

Pois bem, reza a Constituição que os candidatos à toga do Supremo precisam ostentar três requisitos elementares: 1. Ser brasileiro com mais de 35 anos; 2. Ter reputação ilibada; 3. Ser dotado de notório saber jurídico.

Comenta-se muito acerca da juventude do rapaz, já que nunca antes na história desse país um presidente da República indicara para o STF um advogado com a pouca idade de Toffolli, 41 anos. Ora, não chega a ser uma novidade, pois Celso de Mello e Marco Aurélio Mello chegaram ao tribunal com 43 anos. O primeiro, indicado por José Sarney, em 1989. O segundo, pelo primo Fernando Collor de Mello, em 1990.

Toffolli não carrega mácula alguma por pendência judicial. Estaria cumprido o requisito da reputação.

É na condição “notório saber” que a situação do jovem advogado suscita controvérsias. Não possui doutorado nem mestrado. Não escreveu nenhum livro. E não passou num par de concursos públicos. É que ele queria ser magistrado. Fez concurso em 1994. Foi reprovado. Fez nova tentativa em 1995. Tropeçou novamente.

Ora, ora, ora...Não acredito que a condição "notório saber jurídico" vá atrapalhar a carreira de Toffoli, o jovem. Seus futuros colegas, todos reconhecidamente de vasto saber na área, andam votando matérias importantes deixando de lado o que aprenderam, preferindo reverenciar as vontades do executivo. A título de ilustração, vejam a recente decisão pela inocência de Palocci, o simpático e o pedido de vistas no caso de Cesare Battisti, o coitadinho. No último, encaminhava-se decisão pela extradição do italiano, no entanto, o ministro Marco Aurélio Mello encarregou-se de dar um refresco no ânimo de seus pares, retardando a decisão final...Assim como a Terra dá voltas, tudo pode mudar...


Não possuo nenhum saber jurídico formal. Mas tenho em mim o sentido de justiça, de ética. O que de constrangedor paira sobre a nomeação de Toffolli é um rastro de serviços prestados ao petismo. Advogou para o PT em três campanhas de Lula (1998, 2002 e 2006). Antes de chegar à Advocacia da União, serviu à Casa Civil da presidência da República, numa época em que a pasta era chefiada por José Dirceu, o poderoso.

O que mais se ouve por aí, a respeito dessa nomeação é: “Todos os outros indicados eram pessoas sem vinculação estreita com o PT e com notório saber jurídico...”

O próximo passo para concretizar a nomeação de Toffoli é a sabatina a que será submetido no Senado, parte do rito. Aprovado na Comissão de Justiça, o nome terá de passar também pelo crivo do plenário, onde precisará contar com, pelo menos, 41 votos dos 81 disponíveis. Sob o véu do voto secreto.

Ninguém duvida de que o nome de Toffoli será aprovado, mas o resultado será constrangedor pelo placar apertado, vaticina a oposição.

Alguns ministros do STF também torcem o nariz para o provável futuro colega. As restrições são reservadas, é óbvio, porém ricocheteiam entre as paredes do Supremo. Entre as críticas, vicejam comentários de que é um desprestígio para o Tribunal a assunção de um membro a quem falta saber jurídico, aliadas, ainda, à ideia da escolha de alguém cuja vinculação partidária é tão inequivoca.

E fica a pergunta: Que comportamento adotará o novel ministro quando o Supremo tiver de julgar o processo do mensalão? Vai atuar como juiz num caso em que são réus seus companheiros petistas de largas jornadas? Por certo que sua única saída será declarar-se impedido. Ou não? O mundo dá tantas voltas...

Aprovada lei que unifica todos documentos de identificação

O Senado aprovou na noite de quarta-feira, 16, um projeto de lei que unifica os documentos de identificação de todos os cidadãos brasileiros. O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 46/03, que agora vai à sanção presidencial, determina que o Cadastro de Pessoa Física (CPF), a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e o passaporte passem a ter o mesmo número do Registro da Identidade Civil (RG).

O projeto também exige que a carteira de identidade contenha o tipo e o fator sanguíneo do titular e permite, a pedido do dono do documento, a inclusão de carimbo para comprovar deficiência física. A deficiência deverá, contudo, ser atestada por autoridade de saúde competente.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Licitação à moda da casa

Está ficando cada vez mais interessante a história da compra dos caças anunciada pelo Brasil. Aliás, pelo que informa a mídia, está em curso uma licitação (provavelmente na modalidade de concorrência), embora o presidente Lula já tenha manifestado sua preferência pelos aviões franceses, enfatizando, até, que a decisão de compra é dele.

Para apimentar mais o imbróglio, o vice-ministro de Defesa da Suécia, Hakan Jevrell, afirmou hoje, durante coletiva de imprensa, que seu país não está buscando compradores, mas parceiros para o caça Gripen. Segundo ele, caso opte pela proposta sueca que será apresentada, juntamente com as demais propostas no próximo dia 21 o Brasil poderá comprar o dobro de aviões pelo preço de um, oferecido pelos concorrentes.

O vice-ministro garantiu que a Suécia e a Saab, empresa fabricante do caça Gripen NG, estão 100% comprometidas com a transferência de tecnologia para o Brasil. "Não buscamos um comprador. Buscamos uma parceria estratégica e cooperação de longo prazo para as futuras gerações do poder aéreo e do desenvolvimento industrial", esclareceu.

Jevren garantiu que a proposta que será apresentada ao governo brasileiro será muito atrativa. Segundo ele, o caça Gripen é o que apresenta menor custo por ciclo de vida. Além disso, segundo ele, a Suécia oferecerá um financiamento bastante favorável ao Brasil, caso seu caça seja o escolhido. Apesar da garantia de transferência de tecnologia, o Gripen não utiliza nem motor nem radar com tecnologia sueca. O motor é norte-americano e o radar é italiano.

Segundo presidente da Saab no Brasil, Bengt Janér, os caças suecos estão constantemente atualizados porque mantêm a massa crítica funcionando. "Se você parar durante 15 anos, boa parte do pessoal que estava envolvido no projeto provavelmente não estará mais trabalhando. Nossa filosofia é de estar sempre mexendo para estar sempre com o produto atualizado. O que queremos é, com o desenvolvimento de um projeto conjunto ente os dois países, dar ao Brasil a liberdade de fazer as modificações no futuro, com ou sem a Suécia."

Pois bem. Esperemos o dia fatídico para a abertura das propostas e o seu resultado. Só gostaria de saber que tipo de certame licitatatório está acontecendo. Será que é regido pelas disposições da Lei 8.666? E ainda, há algum dispositivo que deixe nas mãos do presidente a decisão de compra?

Quem souber algo a respeito, por favor, me informe.

Fonte: Jornal Gazeta do Povo
Imagem: Tiago Recchia, via Gazeta do Povo

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Com que roupa eu vou?

Incomodado com as roupas de duas colegas no plenário, o vereador Nelcir Tessaro (PTB), apresentou uma proposta para obrigar as vereadoras a usar um traje mais social durante as três sessões semanais da Câmara de Porto Alegre.

Com a proposta, Tessaro quer impedir que vereadoras transitem pelo plenário de camiseta, chinelo de dedo, tênis e calça jeans. O vereador especifica no projeto as vestes que podem ser usadas nas sessões: tailleurs, terninhos, vestidos clássicos mais longos e sapatos de salto médio ou alto. Já os homens devem usar terno, gravata, camisa social e sapato clássico.

Na justificativa, o petebista explica que a sessão plenária “é a mais importante solenidade realizada pelos vereadores”, e eles devem “utilizar vestimentas apropriadas e formais”. Se aprovadas em plenário, as sugestões serão incorporadas ao artigo 216 do regimento interno.

É justa a iniciativa do vereador, mas deveria valer como recomendação e não, como imposição. No âmbito do legislativo, do executivo ou do judiciário, homens e mulheres que trabalham no serviço público devem vestir-se adequadamente, ou seja, trajar vestes compatíveis com o ambiente. No plenário dos parlamentos, convém usar roupas sóbrias, porém elegantes, como pede o rito dessas Casas. Traje esportivo tipo jeans e camiseta não é compatível com o ambiente. As colegas a quem o vereador critica militam no PSOL e no PT. Decerto acreditam elas que o modo de vestir também deva traduzir constante necessidade de quebrar regras, polemizar, intransigir e mostrar que são diferentes.

Governo fixa IR da poupança em 22,5% e muda cálculo, ampliando vantagem dos fundos

Quem tem dinheiro na poupança vai pagar alíquota de 22,5% de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos da caderneta que ultrapassarem R$ 50 mil a partir do ano que vem. Com a medida, o governo deverá arrecadar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão.

As medidas, que fazem parte do pacote preparado pelo Ministério da Fazenda e que ainda têm de passar pelo do Congresso, valem para todas as cadernetas já existentes e as que serão abertas no futuro.

Os detalhes do projeto foram divulgados ontem e mostram que houve mudanças importantes em relação às medidas anunciadas em maio. Entre elas, a de que o IR será descontado na fonte, ou seja, diretamente de cada poupança. Antes, o governo havia proposto que o imposto seria pago com a declaração anual de IR e as alíquotas iriam variar de 15% a 27,5%.

Também saiu de cena o redutor de zero a 100% da base de cálculo que iria variar de acordo com a taxa básica de juros, a Selic, hoje de 8,75% ao ano. O fim do redutor e o desconto único de 22,5% aumentaram significativamente a vantagem dos fundos de renda fixa e DI sobre a poupança. Isso porque a alíquota de 22,5% é o teto do IR destes fundos, percentual que só incide sobre aplicações que durem até seis meses. Quem fica nos fundos por mais de dois anos paga 15% sobre a rentabilidade.

Com as novas medidas, o rendimento líquido da poupança pode cair de cerca 0,51% ao mês hoje para até 0,43%. Mesmo para o investidor de curto prazo, a vantagem dos fundos deve permanecer caso o fundo tenha taxa inferior a 2%. Hoje, com a Selic em 8,75% ao ano, para ganhar da poupança, isenta de IR, os fundos precisam cobrar taxas de administração inferiores a 0,5% ao ano.

O governo precisa cada vez mais de dinheiro, para cobrir os rombos do déficit público. Assim, vai continuar avançando, agora na poupança, logo após, tentando passar a CSS (Contribuição sobre a Saúde) no Congresso, já que não se conforma com a perda da bolada da CPMF.

Mais simples e menos traumático para o bolso do contribuinte seria o governo aprender a gerir os recursos disponíveis (que são vultosos), evitando a farra da gastança que grassa nos gabinetes do Planalto.

Fonte: O Globo

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Senado vota proposta de castração química para estupradores e pedófilos

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve votar amanhã um projeto de lei polêmico.O senador Gerson Camata (PMDB-ES) propõe que presos condenados por estupro, atentado violento ao pudor e corrupção de menores, em casos de pedofilia, possam ser submetidos a processo de castração química.

Já adotado em países como Estados Unidos e Canadá, o tratamento reduziria a libido dos condenados por meio de medicamentos que agem no controle hormonal. A proposta será votada em caráter terminativo, o que torna desnecessária a aprovação pelo plenário da Casa. Se passar pela CCJ, o texto será enviado à Câmara dos Deputados.

A proposta de Camata permite ao preso optar pela aplicação do procedimento, ao contrário de outros países, que adotaram a obrigatoriedade do tratamento, em casos graves de pedofilia. Aqueles que aceitarem submeter-se ao tratamento poderão ter redução de até 1/3 da pena, caso iniciem a terapia antes de ser concedida a liberdade condicional.

O relator da proposta na CCJ, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), frisa no relatório que a possibilidade de sucesso do tratamento químico é grande e sugere que a terapia torna possível o retorno do pedófilo ao ambiente social. A droga mais usada no tratamento é a Depo-Provera, que reduz os níveis de testosterona.

Embora seja cada vez mais defendida nos círculos médicos, a terapia tem atraído também críticos ao tema. Uma organização norte-americana que luta pelos direitos individuais, alega que ministrar a um preso substâncias químicas que controlem seu comportamento é uma “punição cruel e incomum”. O grupo também alerta para os efeitos colaterais dessas substâncias, como aumento de peso, fadiga e trombose, entre outros. O psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da PUC-SP, Antônio Matos Fontana, avalia que o tratamento pode de fato tornar os condenados mais disciplinados e sociáveis e estima que até 75% dos casos no exterior respondem bem ao procedimento. Contudo, ele lembra que, entre três e quatro semanas após a suspensão do remédio, a libido é restabelecida ao seu nível normal, o que requer acompanhamento por parte dos médicos e da Justiça.

De acordo com o projeto, poderão ser castrados apenas condenados que não respondam de maneira positiva a tratamentos psiquiátricos e cujo caso seja considerado grave por uma junta médica. A proposta prevê que o pedófilo que optar pela castração será obrigado a seguir o tratamento até que o juiz de execução e o Ministério Público Federal avaliem, por meio de laudo médico, o sucesso ou não da terapia O texto determina que o condenado que reincidir nos crimes, mesmo após ser submetido ao tratamento, não poderá optar pela terapia no cumprimento de nova pena.

A proposta é interessante, mas haverá condições de operacionalização e fiscalização? Quem garante que os criminosos vão seguir o tratamento após o cumprimento da pena?

A alegação de que o tratamento é uma punição cruel e incomum leva em conta o sofrimento das vítimas desses monstros?

Fonte: ZERO HORA Brasília

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Novo blog na rede

A governadora Yeda Crusius acaba de lançar o seu espaço de comunicação na rede mundial de computadores. É o Blog da Yeda. Bom dia e bem-vinda, governadora Yeda! Aqui, a palavra escrita com a alma faz milagres.

Acesse

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Novo jornal em Santiago

Pampa Regional é o novo jornal que circula em Santiago e na região, editado por Rafael Nemitz.

Já li menções ao novo veículo de comunicação escrita nos blogs de Júlio Prates e Froilam de Oliveira, além da informação sobre o lançamento, no blog de de seu editor.

Estou curiosa para ter um exemplar nas mãos, mas como estou em Porto Alegre, vou solicitar a gentileza do editor de enviar-me um exemplar.

Imagem: Blog do Rafael Nemitz

O Acampamento Farroupilha e as tradições gaúchas. Blitz gaudéria no parque.

Ontem à noite fui saborear um autêntico carreteiro gaúcho no fantástico Acampamento Farroupilha, montado no parque Maurício Sirotski Sobrinho, em Porto Alegre. O ágape aconteceu no piquete montado pela Secretaria da Educação. O empresário Alceu Busatto, requisitado pelo grupo, por suas virtudes de gourmet, preparou o carreteiro de charque, o feijão, a couve refogada com toucinho (mais popularmente conhecido como bacon) e os demais acompanhamentos campeiros. A professora Fátima, sua esposa,o auxiliou. Um luxo só, tchê! como, de fato, são, as iguarias simples preparadas por mãos amorosas e criativas, de gente que entende do riscado. Pessoal cordialíssimo, gaúchos e gaúchas de primeira!

Apesar da chuva incessante, que fazia das ruas do parque verdadeiras lagoas embarradas, a verdadeira cidade de prédios de madeira, das mais variadas arquiteturas, flamejava de gente e cheiros deliciosos da culinária gaudéria, pois 20 de setembro, a data maior do pampa gaúcho, se avizinha, a passos largos e molhados, diga-se de passagem.

Justamente por causa da chuva e da lama, não pude conhecer todos os recantos dessa cidade flor de gaúcha encravada no parque, mas lá voltarei, para outra visita mais demorada.

Hoje, lendo o jornal Zero Hora, me deparei com artigo da jornalista Letícia Duarte, que levou o folclorista Paixão Côrtes, um dos criadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho a fazer uma "blitz gaudéria" naquele arranchamento, na manhã de ontem, para examinar se a tradição está sendo seguida no parque Maurício Sirotsky Sobrinho. Nos conta ela que, "no passeio, ele foi saudado por tradicionalistas da nova geração vestidos a caráter. Com autoridade de quem serviu de modelo para a Estátua do Laçador, o pesquisador de 82 anos garante que vestir a pilcha sem conhecer as tradições é o mesmo que estar fantasiado de gaúcho. – Não adianta ser só gaúcho de palco, ou só no 20 de Setembro. Muitas pessoas não entendem as razões do culto – advertiu."

Analisando a paisagem e as pessoas, Paixão Côrtes, do alto de sua experiência campeira, disse desconfiar de qualquer Centro de Tradições que não tenha um fogo de chão, considerado por ele um dos símbolos essenciais da alma do gaúcho, ao lado do chimarrão. Mas não considera a pilcha tão importante assim, tanto que aprovou a ausência de lenço e bombacha na indumentária do advogado Caruso Octávio Alves, 53 anos, que tomava mate à beira de um fogão campeiro. Paixão explicou que "nele está encarnada a simbologia do culto, e isso é o mais importante."

Em outra incursão avaliativa, o uso do lenço virou motivo de risada - "Quando viu o administrador de empresas André Vega, 45 anos, e o servidor público Carlos Bonatto, 44 anos, com lenços curtos enrolados no pescoço, Paixão brincou: – O lenço tradicional é comprido. Originalmente o lenço é um símbolo fálico, então se o gaúcho usa pequenininho isso quer dizer alguma coisa." Os gauchinhos devem ter ficado envergonhados com a ignorância, tanto que, nos conta a repórter, "prometeram que vão aposentar os lencinhos."

Adiante, em suas observações, Paixão também detectou que havia um piquete decorado com acessórios de caubói e repreendeu o modismo de prendas usarem lenços e bombachas masculinas. Enfatizou, porém, ser contrário a todo tipo de proibição ou engessamento da cultura popular. "– O gaúcho é simples, quem complica são os metidos a cultos."

Paixão Cortes também condenou a proibição de "piá de brinco e guria de minissaia não poderem ir a bailes gaúchos." Disse que se fosse o patrão do CTG, ele deixaria, já que considera públicos os eventos tradicionalistas e ninguém deve ser proibido de participar, pois seria um "despertar da consciência", na medida em que "ao ver os outros fazendo, a pessoa pode aprender e também querer seguir a tradição."

A um outro quesito respondeu o folclorista: Prenda pode usar bombacha? Ele comenta que mulheres que usam bombachas masculinas ficam “amachorradas”, mas lembra que existe, na tradição, um tipo específico de bombacha feminina, que pode ser usada ofender a tradição.

Boa ideia essa, de levar um "expert" ao Acampamento Farroupilha. Ainda mais tratando-se de um ícone da tradição. E o melhor de tudo, não é rançoso. Ao contrário, suas observações foram bem humoradas e democráticas...Um exemplo a ser seguido por certos patrões que se acham os posteiros das tradições gaúchas...

Imagem1: Flávia Huffel, Seduc
Imagem2: Arivaldo Chaves, ZH

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Câmara aprova PEC dos vereadores e cria 448 vagas no RS

A Câmara dos Deputados aprovou na noite passada, em primeiro turno, por 370 votos a favor, 32 contrários e duas abstenções, a proposta de emenda à Constituição (PEC) dos Vereadores, que aumenta em 7.343 o número desses cargos no país, dos atuais 51,9 mil para 59,2 mil, e reduzem os percentuais máximos de repasses de recursos municipais para serem gastos com as câmaras de vereadores.

O Rio Grande do Sul passará das 4.584 vagas atuais para 5.032, pelos dados disponíveis de sua população atual. O número de vagas, porém, varia de acordo com os dados usados como base para o cálculo. Se tomarem posse os suplentes, vale o número da população dos municípios segundo dados do IBGE de 2007. A proposta mantém 24 faixas de número de vereadores, de acordo com a população dos municípios, dispositivo aprovado no ano passado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. No entanto, a PEC muda a fórmula de cálculo das despesas com os legislativos municipais. Isso porque, na votação da proposta pelo Senado, foi alterado essa disposição.

Na comissão especial que analisou o mérito da PEC dos Vereadores, o relator da matéria, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), foi rápido e apresentou seu parecer logo que foi concluída a fase de apresentação de emendas. O parecer foi aprovado na comissão e levado à votação no plenário. O relator não fez qualquer mudança no texto aprovado pelo Senado. Na votação, os deputados também mantiveram o texto do Senado. Com isso, se a PEC for aprovada em segundo turno, ela será promulgada sem nova votação dos senadores.

Fonte: zerohora.com

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Aula de gramática da inculta & bela

A observação foi feita por Reinaldo Azevedo, em seu blog:

"Leio que, ontem, na reunião da coordenação política do governo, o ministro Tarso Genro lascou um “interviu”. Lula o corrigiu: “Tarso, é interveio”. Diante da estupefação do outro, emendou compreensivo: “Muita gente fala ‘interviu’, mas é interveio”.
A que ponto chegamos, não?
Já escrevi aqui, algumas vezes, para protesto de muitos, que Lula é um dos políticos mais inteligentes do Brasil - inteligência e ignorância são coisas que podem conviver. Se o presidente não fosse, do ponto de vista intelectual, um tanto arrogante e preguiçoso, seria um homem culto também.
Mas e Tarso, hein?
“Interviu” é coisa de gente que chega ao topo sem a devida formação intelectual. Atenção: político que fala “interviu” até pode ser presidente da República, eleito pelo voto direto. De um líder assim, não se cobra, embora possa ser desejável, que seja exímio usuário da língua. Mas de um ministro da Justiça? Ah, de um ministro da Justiça, a gente exige, sim! A habilidade com a inculta & bela indica intimidade com o estudo das leis."

Também considero o presidente Lula um homem inteligentíssimo e lamento bastante que ele não lamente permanecer ignorante. Se não o acompanhasse uma atitude algo pretensiosa de self made man que não precisa do refino da cultura...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Estátua equestre

Paixão, via Gazeta do Povo

Cabalístico

Na próxima quarta-feira (9), o Supremo Tribunal Federal julga o pedido de extradição para a Itália do ex-terrorista Cesare Battisti, porém, antes de examinar o mérito da causa, os ministros vão enfrentar uma questão preliminar - decidir se, depois de ter sido ungido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, com o status de refugiado político, Battisti ainda está sujeito à extradição.

Os advogados do italiano dizem que não. O governo da Itália afirma que sim. Segundo informações diponibilizadas pelo jornal Folha de São Paulo, através da repórter Renata Lo Prete, os ministros estão divididos.

Os quatro votos que o governo acredita ter contra a extradição do italiano Cesari Battisti são dos ministros Marco Aurélio Mello, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia e Carlos Ayres Britto, O Planalto espera que Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Eros Grau acompanhem o relator, Cezar Peluso, cujo voto deve resultar pró-extradição. Ricardo Lewandowski é a principal incógnita no caso. Celso de Mello não estará presente no julgamento.

No Supremo, alguém foi olhar o calendário e notou que o julgamento de Battisti acontecerá no dia 09/09/2009. Às 9h. Com nove ministros no plenário.

Número cabalístico? Bobagem! Todo mundo sabe que os ministros do STF não são afeitos a superstições... Ademais, todo mundo também já sabe qual vai ser o resultado. 5 x 4 para o governo, é claro. Se me enganar, ficarei agradavelmente surpresa...

Fonte: Blog do Josias de Souza

No dia da Independência, uma palavra de lucidez

Coluna de Augusto Nunes, no site da revista Veja:

"Na província do Québec, as placas de todos os carros exibem a mesma inscrição em francês: Je me souviens. As três palavras reiteram que, embora incorporada ao Canadá de fala inglesa, aquela gente não esquece as origens, o passado, a História, o que houve de bom e de ruim, os crimes impunes e as afrontas sem resposta. Eu me lembro, avisam muitos milhares de veículos. Permanecem vivas todas as lembranças. A esta altura, parece secundário aos québécoises saberem se um dia serão independentes. O essencial é reafirmar a identidade, exigir respeito a direitos adquiridos ou por conquistar e transferir para as gerações seguintes, intocada, a memória coletiva.

No Brasil, milhões de cabeças nem ficam sabendo do que outras tantas fingem ter esquecido e os sinuelos do rebanho preferem não lembrar. Parece um clarão no escuro de vidas passadas a roubalheira do mensalão — e no entanto o escândalo ultrajante ainda não foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Parece velha de muitos séculos a execução dos prefeitos Celso Daniel e Toninho do PT, cujos mandantes seguem homiziados no coração do poder. Parece coisa de antigamente até o que ainda está acontecendo, como as patifarias protagonizadas por José Sarney, as bandalheiras embutidas nas licitações da Petrobras ou as fantasias de Dilma Rousseff.

Os habitantes do Québec lembram porque conhecem a história, são altivos e têm caráter. No Brasil, há os que nada lembram porque nada sabem e os que, por terem alma subalterna e nenhum caráter, são portadores de memória com filtro. Esses conseguem esquecer o que fizeram os dirceus, paloccis, silvinhos, okamottos, guadagnins, professores luizinhos, joões paulos, delúbios, genoínos, gushikens, valérios, dudas, sanguessugas, aloprados, toda a turma que posava de vestal antes de escancarar a vocação para o bordel e todo o bando que caiu na vida ainda no berço.

Esses se comportam como se não existissem nem os 40 gatunos a serviço do Ali Babá federal, inspirador e principal beneficiário da Grande Mentira, nem os escândalos deste inverno. Aplaudido por devotos e avalizado por jornalistas inscritos na versão daslu do Bolsa Família, o presidente da República festeja a miragem do pré-sal ao lado de José Sarney e Dilma Rousseff. Incensado por áulicos incuráveis e espertalhões da base alugada, usa a televisão para tentar transformar 6 de setembro no Dia da Proclamação da Segunda Independência. E acusa de inimigos da pátria os que vigiam a Petrobras com merecidíssima desconfiança.

Lula acha que a Petrobras precisa de mais contratos? Precisa é de uma dedetetização exemplar. Enxerga em Sarney um homem incomum que honra o Senado? A resistência democrática continua vendo no arquiteto da censura ao Estadão alguém desqualificado para presidir uma reunião de condomínio. Promove Dilma a guardiã do tesouro no fundo do mar? Quem mente como se respirasse precisa é cuidar da própria cabeça. Nomeou-se o maior dos patriotas? O patriotismo, constatou faz tempo Samuel Johnson, é o último refúgio dos canalhas.

O que os profissionais da fraude querem é que todo mundo esqueça. Continuemos lembrando."

Bandeira do Brasil criada pela natureza

Bandeira natural do Brasil. Registrada por lente amorosa e criativa.

Tentando entender o Alzheimer

A Doença de Alzheimer é uma degeneração do cérebro, que produz atrofia progressiva, com início mais frequente após os 65 anos, causando perda das habilidades de pensar, raciocinar e memorizar, afetando as áreas responsáveis pela linguagem, produzindo profundas alterações no comportamento. Ela atinge, principalmente, pessoas idosas.

Recentemente, cientistas britânicos e franceses identificaram três genes que podem ser determinantes no desenvolvimento do Mal de Alzheimer, segundo artigo publicado na revista especializada Nature Genetics.

Os cientistas britânicos identificaram dois genes em um estudo de 16 mil amostras de DNA. Os genes são conhecidos por ter implicações no processo de inflamação e processamento de colesterol.

Os dados deste estudo – um esforço coletivo de várias universidades britânicas – foram divididos com pesquisadores franceses, que identificaram o terceiro gene, CR1, também descrito no artigo. Esta é a primeira pista genética sobre a doença em 16 anos e está fazendo com que especialistas repensem suas teorias sobre o desenvolvimento do Alzheimer.

A expectativa é de que o estudo abra caminho para novos tratamentos. O último e único gene a ser relacionado à forma mais comum de Alzheimer é o gene APOE4, que vem sendo intensamente pesquisado.

Os dois genes identificados pelos cientistas britânicos – CLU e PICALM – são conhecidos pelo seu papel de proteção o cérebro e estão relacionados ao processamento do colesterol e à parte do sistema imunológico envolvido no processo de inflamação. Alterações nos genes podem remover seu efeito protetor ou torná-los “agressores”, afirma o estudo.

Um dos pesquisadores, Kevin Morgan, da Universidade de Nottingham, explicou que as descobertas podem abrir caminho para novos tratamentos usando drogas convencionais. “A questão agora é: se reduzirmos o colesterol e a inflamação, poderíamos modificar o risco de pacientes desenvolverem Mal de Alzheimer?”

Julie Williams, cientista que liderou o estudo e é assessora científica de um Fundo de Pesquisas sobre Alzheimer, disse que as conclusões podem trazer pistas valiosas já que os dados mostram que vários fatores podem desencadear a enfermidade, porérm ainda não há entendimento do que causa a forma comum de Alzheimer.

O estudo foi realizado por integrantes de universidades em Cardiff, Londres, Cambridge, Nottingham, Southampton, Manchester, Oxford, Bristol e Belfast. Os cientistas planejam novos estudos envolvendo 60 mil pessoas no ano que vem.
Numa época em que a expectativa de vida se estende cada vez mais, será importante a compreensão total dos fatores que desencadeiam o Alzheimer, formas de prevenção, tratamento e cura, para que os idosos tenham melhor qualidade de vida, conservando suas funções mentais. Ao invés de investir maciçamente em material bélico, os governos poderiam destinar esses recursos para a pesquisa em favor da vida.

Fonte: BBCBrasil

sábado, 5 de setembro de 2009

Brasil já tem tecnologia para desenvolver bomba atômica

Uma revolucionária tese de doutorado produzida no Instituto Militar de Engenharia (IME) do Exército, chamada Simulação numérica de detonações termonucleares em meios híbridos de fissão-fusão implodidos pela radiação, produzida pelo físico Dalton Ellery Girão Barroso, confirma que o Brasil já tem conhecimento e tecnologia para, se quiser, desenvolver a bomba atômica. "Não precisa fazer a bomba. Basta mostrar que sabe", disse o físico.
Mantida atualmente sob sigilo no IME, a pesquisa foi publicada num livro e sua divulgação provocou um estrondoso choque entre o governo brasileiro e a Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA), responsável pela fiscalização de artefatos nucleares no mundo inteiro.

O pesquisador desenvolveu cálculos e equações que permitiram interpretar os modelos físicos e matemáticos de uma ogiva nuclear americana, a W-87, cujas informações eram cobertas de sigilo, mas vazaram acidentalmente.
Barroso publicou o grosso dos resultados da tese no livro A Física dos explosivos nucleares (Editora Livraria da Física, 439 páginas), despertando a reação da AIEA e, como subproduto, um conflito de posições entre os ministros Nelson Jobim, da Defesa, e Celso Amorim, das Relações Exteriores.

A crise vinha sendo mantida em segredo pelo governo e pela diplomacia brasileira. A AIEA chegou a levantar a hipótese de que os dados revelados no livro eram secretos e só poderiam ter sido desenvolvidos em experimentos de laboratório, deixando transparecer outra suspeita que, se fosse verdade, seria mais inquietante: o Brasil estaria avançando suas pesquisas em direção à bomba atômica.

A AIEA também usou como pretexto um velho argumento das superpotências: a divulgação de equações e fórmulas secretas, restritas aos países que desenvolvem artefatos para aumentar os arsenais nucleares, poderia servir ao terrorismo internacional.

Os argumentos e a intromissão da AIEA nas atividades acadêmicas de uma entidade subordinada ao Exército geraram forte insatisfação da área militar e o assunto acabou sendo levado ao ministro da Defesa, Nelson Jobim.
No final de abril, depois de fazer uma palestra sobre estratégia de defesa no Instituto Rio Branco, no Rio, Jobim ouviu as ponderações do ministro Santiago Irazabal Mourão, chefe da Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis do MRE, numa conversa assistida pelos embaixadores Roberto Jaguaribe e Marcos Vinicius Pinta Gama. A crise estava em ebulição.

Jobim deixou o local com o texto de um documento sigiloso intitulado Programa Nuclear Brasileiro - Caso Dalton, entregue pelo próprio Mourão. Mandou seus assessores militares apurarem e, no final, rechaçou as suspeitas levantadas, vetou o acesso da AIEA à pesquisa e saiu em defesa do pesquisador.

Num documento com o carimbo de secreto, chamado de Aviso 325, ao qual o Jornal do Brasil teve acesso, encaminhado a Celso Amorim no final de maio, Jobim critica a entidade: "A simples possibilidade de publicação da obra no Brasil e sua livre circulação são evidência eloquente da inexistência de programa nuclear não autorizado no país, o que, se fosse verdade, implicaria em medidas incontornáveis de segurança e sigilo", criticou o ministro no documento.
Fonte: Site Terra

Interação.com X

Hoje, nova crônica escrevi para o blog de Edward de Souza: Avacalhando com o venáculo - que conta como as excelências do Congresso, das Assembléias Estaduais e das Câmaras Municipais avacalharam com a gramática, inaugurando, informalmente, uma nova categoria de pronomes, os de "tratamento ríspido"!

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