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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Les Demoiselles Cahen d'Anvers

sábado, 15, fomos ao MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul, para apreciar a exposição Arte na França, 1860No -1960 – o Realismo, mais uma das ações de comemoração do Ano da França no Brasil. Gente em profusão, fila enorme, famílias inteiras, incluindo crianças pequenas, querendo ver as famosas obras que incluíam não só os pintores franceses mais conhecidos como Renoir, Monet, Manet, Matisse, Pissaro, Corot; mas os espanhóis Picasso, Dali e Miró; os brasileiríssimos Di Cavalcanti, Portinari, Almeida Júnior, do gaúcho Iberê Camargo; e tantos outros, não menos importantes.

Ao fixar os olhos nos impressionistas franceses, lembrei de minha primeira matéria para o jornal A Razão, de Santa Maria, em 1978, quando fazia meu estágio na área de jornalismo – a cobertura de uma exposição sobre os Pintores da Luz, meu primeiro contato mais aprofundado com a técnica utilizada, que privilegia a luz, o movimento e as cores da natureza.

No meio de tanta gente, dirigi minha curiosidade para a obra As Meninas Cahen d'Anvers (conhecido como Rosa e Azul), pintado por Renoir em 1881. O retrato foi encomendado pelo banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers, pai das meninas que aparecem no quadro - Alice e Elisabeth Cahen d'Anvers. A família do banqueiro não gostou do resultado e o quadro ficou esquecido, escondido em um lugar obscuro da casa e só muitos anos depois foi redescoberto. A obra pertence ao acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP) desde que foi adquirida por seu fundador, Assis Chateaubriand.
Não sou especialista em arte; muito longe disto estou, por isso, achei falta de uma explicação, junto às informações de cada obra, como esta sobre As Meninas, no lugar onde repousa, magnífico, o quadro, no MASP (em PoA está só de passagem):

“Renoir, pintando Rosa e Azul, mostra na vibração da superfície e das cores vivas que compõem os vestidos das meninas, toda a vivacidade e a graça instintivamente feminina que se esconde atrás da convenção da pose, todo o frescor e a candura da infância. As meninas quase se materializam diante de observador, a de azul com o seu ar vaidoso e a de rosa, com um certo enfado, quase beirando às lágrimas."

Uma análise de Percival Tirapeli, professor de Estética e História da Arte da UNESP, pode ajudar para melhor fruição da obra:

“Além de ser uma obra-prima, Rosa e Azul sintetiza algumas das preferências de Renoir. O nome remete às tonalidades que estarão presentes em muitas das telas - suas cores favoritas. Além disso, o quadro apresenta uma mistura de técnicas que marca muito o trabalho de Renoir.
Na composição, há três momentos bem distintos, criados com três técnicas diferentes. O primeiro deles é o rosto polido das meninas, praticamente sem sombras, muito bem trabalhado e de forma bem arredondada. Em seguida, percebe-se a tinta gorda esticada com um pincel chato que dá todo o volume e textura dos cinturões dos vestidos. O terceiro momento é a sensação causada pela textura do vestido, pelo qual ele deixa transparecer a estrutura do corpo das meninas. Neste caso, ele aplica a técnica do pontilhismo - muito usada por seu amigo Alfred Sisley (1839-1899) - os tons são divididos em semitons e lançados na tela em pequeninos pontos visíveis de perto, mas que se fundem na visão do espectador ao serem vistos à distância. Este quadro demonstra, ainda, toda a energia de vida que Renoir sempre quis retratar em suas obras.”

O quadro tem sido fonte de muita inspiração para o público e para outros artistas. O pintor Washington Maguetas, o quadrinista Maurício de Souza e o artista plástico Cirton Genaro já fizeram suas interpretações e releituras artísticas desta grande obra:

Washington Maguetas pintou Damas em Giverny, em 2005, imaginando como estariam as duas irmãs de rosa e azul passados alguns anos, visitando os jardins da casa de Monet, na cidade de Giverny, na França.
Damas em Giverny

Mônica e Magali de Rosa e Azul
Acima, a versão pintada por Maurício de Souza, em 1989, após ver pessoas tentando copiar o quadro original durante uma exposição no MASP. Após esta idéia, Maurício de Souza fez uma exposição e um livro chamado História em Quadrões, com paródia da obra de diversos artistas utilizando seus personagens.
Meninas da Noite
Em as Meninas da Noite, a versão ousada do professor e artista plástico paulista Cirton Genaro, que transformou as meninas virginais do mestre francês em prostitutas infantis, cena de tantas tragédias por esse Brasil...

Um comentário:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Prezada jornalista Nivia Andres:
Fico em estado de deleite inefável, quando vou ao MASP e tenho a prerrogativa de observar "As meninas". Nunca me canso de apreciar esta belíssima e inquietante obra de arte, porque sempre a encaro com outros viéses nas minhas visitas, que deveriam ser mais amiúde.
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP