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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O prêmio

Após a decisão do STF de não aceitar a denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-ministro Palocci, considerando responsável pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa apenas o ex-presidente da CEF, o processo criminal na 1ª instância nem dará a largada caso Jorge Mattoso aceite submeter-se a dois "castigos" - Primeiro: durante dois anos, dar palestras sobre o sistema democrático, uma a cada dois meses, para alunos de escolas públicas. Segundo: doar 50 resmas de papel braille para uma entidade beneficente que trabalhe com deficientes visuais.

Parece piada. Mas não é. Na abertura da sessão do STF, o ministro Gilmar Mendes informou que os defensores dos três denunciados haviam recusado a proposta. Todos confiavam na Justiça. O ex-ministro Antonio Palocci e o jornalista Marcelo Neto se safaram. Mattoso deveria ter desconfiado de que talvez sobrasse para alguém. Como a oferta continua de pé, é provável que agora a examine com menos arrogância.

Nas circunstâncias, é um prêmio. Coitados dos alunos que forem obrigados a ouvir as palestras de Jorge Mattoso. Acho que vão gazear a aula...

domingo, 30 de agosto de 2009

Troca-troca eleitoral

O Congresso Nacional estuda a criação de uma “janela” para que políticos com mandato possam mudar livremente de partido. O que não faz muito sentido pois, na prática, a tal “janela” já está aberta, proporcionada pelo Judiciário, que, há quase dois anos, divulgou resolução para garantir a fidelidade dos congressistas às legendas pelas quais eles se elegeram.

Encorajados pela tolerância da Justiça Eleitoral nos processos de cassação de mandato, deputados e senadores retomaram um intenso troca-troca partidário. Dos 18 casos de perda de mandato de congressistas julgados pelo Tribunal Superior Eleitoral desde o ano passado, em 17 o deputado ou o senador saiu vencedor, seja por ter vencido a causa ou pelo processo ter sido arquivado.

Na maioria dos casos, foi aceita a justa causa para a desfiliação com base em duas exceções abertas: “mudança substancial do programa partidário” e “grave discriminação pessoal”. Os antigos partidos ou suplentes que seriam beneficiados foram derrotados. A única exceção foi o ex-deputado Walter Brito (PB), que perdeu o mandato ao se transferir do DEM para o PRB.

Em São Paulo, o Tribunal Regional Eleitoral chancelou as 27 mudanças de partido (todas de vereadores) que foram objeto de disputa.“A resolução implicou uma mudança de mentalidade. É natural que precise de algum tempo para ser implantada com mais rigor”, justifica o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, que promete mais rigor a partir de agora, e completa: “As teses jurídicas já estão amadurecidas e a tendência é concretizar a resolução de forma mais firme, principalmente com a proximidade das eleições”.

Será que vai mudar alguma coisa? Duvido. Os parlamentares continuam fazendo o que querem, com a bênção do Tribunal, que só faz promessas.

sábado, 29 de agosto de 2009

Ostentação em Mayfair. É pra quem pode!

O momento é de austeridade e contenção de gastos públicos nos cinco continentes. Mas a regra não vale para o Itamaraty, que parece viver em outro mundo. De ostentação. Já foram abertas mais de 30 representações diplomáticas nos últimos anos e agora, a diplomacia nacional pretende investir em imóveis - a Embaixada do Brasil na Inglaterra está pedindo um crédito especial ao governo para comprar uma nova sede em Londres, na luxuosa região central de Mayfair.

O embaixador Carlos Augusto Santos-Neves quer investir R$ 77 milhões, cerca de 23 milhões de libras esterlinas, num prédio de 1,8 mil metros quadrados. Nem quer saber, por exemplo, que o orçamento federal sofreu corte substancial de 12 bilhões este ano... Em férias no Brasil, Santos-Neves disse a amigos que o negócio é bom porque o Brasil vai economizar com o aluguel no longo prazo. Além disso, estaria aproveitando uma barbada nos preços dos imóveis em Londres. "Podemos negociar mais", justificou. O negócio depende da aprovação no Congresso, mas até agora não encontrou resistência entre os parlamentares governistas.

Sinal que a Receita está arrecadando cada vez mais...

Fonte: Revista Época

Vai...

Via Sponholz.arq.br

Palocci livre e solto. Leve?

Do blog de Reinaldo Azevedo, a respeito da não-aceitação, pelo STF, da denúncia contra o ex-ministro Palocci, pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa:

"Os ministros rejeitaram a tese do “A quem interessa?” Preferiram a do “a quem não interessa”.

Não pode ser justa a Justiça que pune o subordinado por ter cometido um crime que beneficiava o chefe, com a anuência deste. A retórica pode muita coisa. Mas não transforma a coisa errada em coisa certa."

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Emenda que cria sete mil novas vagas de vereadores avança na Câmara

A proposta ainda precisa ser aprovada em duas votações no plenário. A medida também modifica o valor do repasse feito por prefeituras para vereadores. Na madrugada de ontem e por pressão de centenas de suplentes de vereadores, os deputados federais aprovaram em uma comissão especial a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que aumenta em mais de 7.000 as vagas nas Câmaras Municipais de todo o país.

Para entrar em vigor, o texto precisa passar por votação em dois turnos no plenário na Câmara. Ainda há dúvida se ele precisa de outra votação no Senado.

A expectativa dos deputados é levar o assunto à pauta nas próximas semanas. O entendimento é que, após a promulgação, os suplentes tomariam posse nesta legislatura.

Os maiores interessados na proposta são os vereadores suplentes, sob o argumento de que as Câmaras Municipais estão sub-representadas, pois os partidos maiores, com mais votos, tomaram as vagas disponíveis, deixando partidos menores sem representação, principalmente em cidades pequenas.
A Câmara de Vereadores de Santiago tinha 19 vereadores, ficou com 10. PT, PTB e PPS ficaram sem representação. No último pleito, em 2008, o PP elegeu seis, o PMDB, dois, PSDB e PDT, um. Se a PEC for aprovada, a Casa voltará a ter, provavelmente, 15 parlamentares.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O lobo-guará ainda está entre nós

O lobo-guará é o maior lobo da América do Sul e integra a categoria dos canídeos, que inclui os cães, os lobos e raposas, entre outros. Seu habitat privilegia ambientes abertos, como cerrado e campos. Apesar do grande porte, alimenta-se de pequenos animais, como aves, ratos, e tatus; também come frutos e ajuda a espalhar sementes. É extremamente sensível à interferência humana e desaparece até de regiões escassamente habitadas.

Alvoroço na comunidade científica! Foi avistado um lobo-guará na região de São Gabriel! A presença deste animal não era registrada desde a década de 70 no Rio Grande do Sul. Em junho deste ano o biólogo Leandro Chisté Pinto fotografou um exemplar da espécie na região de São Gabriel, no centro do estado. A descoberta ocorreu durante estudo de impacto ambiental em uma plantação de eucaliptos.

No decorrer da pesquisa, o biólogo encontrou vestígios da existência do mamífero, como pegadas e fezes. A prova cabal veio com o registro fotográfico que ocorreu através de câmeras instaladas na área, projetadas dispararem ao indício de qualquer movimento.

Segundo o biólogo, muita gente já considerava o animal regionalmente extinto e nem mesmo ele acreditou quando revelou as fotos. Márcia Jardim, bióloga da Fundação Zoobotânica do estado, acredita que o registro é muito importante para o início das tentativas de preservação da espécie, pois muito pouco se conhece sobre sua biologia básica, hábitos e locais onde habita. No estado, os registros do animal são datados da década de 70 e informam que habitava a Serra do Caverá, em Alegrete, e os Campos de Cima da Serra. Com a prova de que ele está no pampa gaúcho, Leandro Pinto vai buscar recursos para estudar as características do animal, já que com uma pesquisa será possível efetivar ações de preservação da espécie, além viabilizar medidas de conservação da área e de educação ambiental nas cidades próximas.

O lobo-guará encontra-se no nível mais alto de ameaça de extinção no Rio Grande do Sul e o seu desaparecimento está vinculado a dois fatores básicos: a destruição do seu habitat natural e a caça. Por ser um predador, o lobo-guará sofre perseguição intensa ao atacar criações domésticas.

Agora, ações de salvaguarda são urgentes para que a população se mantenha e venha a crescer, afastando a ameaça de extinção.

Fonte: Jornal Zero Hora
Imagem: Leandro Pinto

Estudo mostra que gripe A é mais letal do que gripe comum

Notícia publicada em ZH informa que estudo feito por centro europeu mostra que, de cada mil pessoas contaminadas, entre quatro e seis não resistem ao H1N1. A taxa de mortalidade da gripe A é pelo menos duas a três vezes superior à da sazonal. Outro dado é que quase a metade das vítimas já sofria de outras doenças antes de serem contaminadas pelo vírus. A avaliação foi conduzida por cientistas franceses e divulgada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, que acaba de concluir o primeiro perfil completo da nova doença, quatro meses depois da eclosão dos casos nos Estados Unidos e no México. O centro é uma agência da União Européia criada com o objetivo de reforçar as defesas da continente contra as doenças infecciosas.

Apesar de ser mais virulenta do que a sazonal, a gripe A ainda é mais branda do que o vírus que gerou a gripe espanhola em 1918 e que matou 40 milhões de pessoas no mundo, conforme estimativas. Segundo o estudo, de cada mil pessoas contaminadas, entre quatro e seis não resistem ao vírus H1N1. Isso representaria uma letalidade de 0,4% a 0,6%. Já na gripe espanhola, a taxa de letalidade era 10 vezes maior à da gripe A. O perfil ainda mostra que mais da metade dos casos de mortes, 51%, ocorreram com pessoas entre 20 e 49 anos e que os grupos afetados não são os mesmos vulneráveis à gripe sazonal. Quarenta e nove por cento dos mortos já sofriam de outros problemas de saúde antes de ser contaminados.

A avaliação foi feita em julho com dados reunidos de 28 países, inclusive com os casos registrados no Brasil. A variação entre continentes, porém, é considerada significativa. Em alguns países, a taxa foi superior à média mundial. No México, ela chegou a 6% nos três primeiros meses. Na Argentina, foi de 4,5% entre maio e julho.Uma das conclusões é a comprovação de que diabéticos e obesos têm mais chances de não sobreviver ao vírus. O que o estudo também revela é que nem crianças nem idosos estão entre os grupos de maior risco, como foi inicialmente indicado. Apenas 12% dos mortos até agora tinham mais de 60 anos. Noventa por cento dos óbitos gerados pela gripe sazonal ocorrem em pessoas com mais de 65 anos. Por ano, entre 250 mil e 500 mil pessoas morrem no mundo de gripe comum. Uma das teorias avaliadas pelo estudo é de que os mais idosos estariam mais protegidos porque, no passado, podem ter sido expostos a um vírus parecido ao H1N1 ou a uma versão mais leve do mesmo vírus. A estimativa é de que as pessoas que nasceram antes de 1957 podem ter desenvolvido uma resistência a um vírus que se desenvolveu após a gripe espanhola, em 1918. Mas o perfil ainda mostra que, quando idosos são contaminados pelo vírus H1N1, a taxa de mortalidade é alta. O estudo também indica a necessidade de proteger mulheres grávidas.

Nesta semana, a Comissão Europeia divulgou sua estratégia de vacinação, que deve começar já em meados de setembro. Gestantes, médicos e enfermeiras e pessoas com problemas de saúde devem ser os primeiros a receber a vacina. A UE admite, porém, que será “improvável” que haja vacinas para todos em um primeiro momento.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Alguma poesia


Estou atrás do que fica

Estou atrás do que fica
atrás do pensamento.
Inútil querer me classificar:
Eu simplesmente escapulo.
Gênero não me pega mais.
Além do mais, a vida é curta
demais para eu ler todo o
grosso dicionário a fim
de por acaso descobrir
a palavra salvadora.
Entender é sempre limitado.
As coisas não precisam mais
fazer sentido.
Não quero ter aterrível limitação de quem vive
apenas do que é possivel fazer sentido. Eu não:
Quero é uma verdade inventada.
Porque no fundo a gente está
querendo desabrochar de um
modo ou de outro.

Clarice Lispector

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Código de Conduta restringe publicidade dirigida ao público infanto-juvenil

Segundo matéria publicada em O Estado de São Paulo, a partir de hoje aumentam as restrições à publicidade brasileira dirigida ao público infanto-juvenil. A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), em parceria com a Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), vai anunciar uma espécie de código de conduta com o apoio de 24 companhias — entre as quais Coca-Cola, Unilever, Nestlé e Sadia. O centro do acordo, cuja adesão foi voluntária, é que as empresas deixarão de fazer publicidade diretamente para crianças e pré-adolescentes, e os pais passarão a ser o público-alvo.

A decisão de compra ficará mais nas mãos dos adultos, apesar do conhecido poder de convencimento dos pequenos consumidores. A Abia utilizou diversos estudos científicos para convencer os associados à entidade e à ABA da importância de criar restrições à publicidade de alimentos e bebidas para as crianças. Países como Estados Unidos, Canadá e parte da União Europeia (UE) já criaram regras para tirar o público infantil do foco das empresas e agências de publicidade. Algumas multinacionais, como Nestlé, Unilever e a Kraft Foods, já adotavam, no Brasil, uma linha muito parecida de comunicação, de acordo com o código de conduta observado por suas matrizes.

Além de vetar a comunicação feita a crianças e pré-adolescentes, o anúncio de hoje regulamenta uma prática que já vinha sendo adotada por multinacionais: dar destaque às características nutricionais do produto.

domingo, 23 de agosto de 2009

O endividamento crônico do setor rural brasileiro

Vulmar Leite, hoje, em seu blog, discute um assunto importantíssimo para o setor do agronegócio - o endividamento crônico do setor rural, a partir de matéria da jornalista Guida Gorga, e oferece algumas propostas claras para que o problema seja levantado, afinal, de quê, mesmo, sobrevive a economia brasileira?

"Segundo matéria da jornalista Guida Gorga, da Assessoria de Imprensa da Câmara Federal, está marcada para a próxima quarta-feira, 9h30min, a audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados para tratar do endividamento do setor rural brasileiro. O encontro servirá para que representantes de diversos segmentos da agropecuária e lideranças do setor relatem quais as principais dificuldades da atividade e os motivos que deixamos produtores endividados.

O deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS), autor da proposição que pretende chamar a atenção do governo e da sociedade para um problema crônico no campo, que pode inviabilizar a produção nacional; diz que sem um seguro rural eficiente, que garanta renda aos agricultores, dificilmente conseguiremos resolver esse problema. Por isso, mais uma vez precisamos discutir medidas que amenizem a situação e deem condições de pagamento dos débitos, pois se nos anos 90 as contas da agricultura não passavam de R$ 25 bilhões, atualmente o valor ultrapassa R$ 130 bilhões. “Alguma coisa está errada nesse processo, ressalta o deputado.”

A notícia acima me estimula a fazer um comentário sobre o assunto, pois é sabido que o deputado Luis Carlos Heinze tem se caracterizado, no Congresso Nacional, como um dos principais negociadores do endividamento do setor rural brasileiro nestas duas últimas décadas, desempenho que lhe confere sucessivas reeleições com recordes de votação, mas, igualmente, não descuida de apoiar os municípios da sua base parlamentar. É bom ouvir que esse estado de coisa não pode continuar e que alguma atitude definitiva precisa ser tomada para estancar esse processo de endividamento crescente do setor rural, que contribui, de certa forma, para desarrumar ainda mais o processo produtivo brasileiro.

Não basta mais prorrogar dívidas e nem anistiá-las como alguns desejam, é preciso alterar a política de crédito para a agropecuária em muitos aspectos:

O primeiro deles, o gerenciamento governamental tem que estabelecer com clareza quando, quanto e onde produzir as safras para exportação e abastecimento interno;

O segundo seria a reformulação das linhas de financiamento para custeio e investimento, adequando os custos financeiros e a sua liberação com suficiência e oportunidade;

O terceiro, a seleção do público beneficiário do crédito agrícola, não tolerando mais que a aventura, a especulação, a ineficiência, o amadorismo e a fraude continuem sendo financiadas e depois prorrogados os empréstimos ad infinitum, tanto do agronegócio quanto da agricultura familiar;

O quarto, estabelecer novos mecanismos de assistência técnica e gerencial, com controle externo, para assistir efetivamente, monitorar e auditar a aplicação dos financiamentos e dos seus resultados;

O quinto, a regulação e controle da qualidade e preços dos insumos, máquinas e bens que formam a base dos custos de produção; e, ainda, uma política de preços mínimos e seguro agrícola, como instrumentos efetivos de estímulo e controle das safras de interesse estratégico para o país.

Já é hora de colocar um ponto-final na barganha que se estabelece a cada frustração de safras - bancada ruralista, movimentos sindicais da agricultura familiar e do agronegócio irmanam-se na pressão ao poder público para amenizar as crises decorrentes dos efeitos das geadas, secas, chuvas excessivas e outros fatores climáticos naturais que impactam a atividade produtiva. Prorrogações, anistias, créditos especiais, securitizações e outros mecanismos procrastinadores são instituídos e acordados. E a crise permanece, a dívida continua a crescer. Seca, geada, chuvas excessivas são recorrentes e inerentes à atividade agrícola.

O que está errado? Sei que o deputado Heinze, profissional da área e produtor rural, sabe que no bojo das prorrogações das dívidas não é comum distinguir perdas por causas naturais das potencializadas pela ineficiência técnica e gerencial. Urge, portanto, um controle rigoroso no processo produtivo para valorizar os bons produtores, que são a maioria, e separar o joio do trigo."

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Radiografia do Senado Federal

Da coluna do jornalista Augusto Nunes, no site da revista Veja:

"Parece que foi há muitos séculos, e no entanto faz menos de 20 anos. No começo de 1990, já não era numericamente desprezível o bloco dos senadores cujo prontuário implora por longas temporadas na cadeia, em regime de estudos forçados. Mas havia vida inteligente e homens de bem no Senado. Os melhores e os mais capazes conseguiam, simultaneamente, enquadrar os imbecis sem remédio, manter os delinquentes sob estreita vigilância, conduzir a instituição e garantir-lhe a independência. Eles sabiam remover tumores que colocassem em risco valores morais irrevogáveis. Nada a ver com a Casa do Espanto que Lula criou e o clube dos cafajestes agora administra.

O presidente nem tentaria fazer em 1990 o que anda fazendo há meses com um Senado em estado terminal. Mesmo que tivesse atingido os 103% de popularidade prometidos pelos institutos de pesquisa, logo saberia com quem estava falando. O mais loquaz dos governantes perderia a fala no segundo minuto de conversa com Afonso Arinos ou Roberto Campos. O capitão-do-mato não iria além da primeira grosseria se o aliado fosse Darcy Ribeiro. O palanqueiro debochado não se atreveria a insultar oposicionistas como Mário Covas ou Franco Montoro.

É por saber com quem está falando que Lula humilha antigos companheiros e ofende adversários. Sabujice não inspira respeito. Não se teme o revide que não virá. É por saber com quem está lidando que Lula abençoa a base alugada com salvo-condutos, absolvições sumárias, agrados retóricos e presentes em dinheiro. Não há um acordo político entre o ex-sindicalista que ficou moderno e os velhos oligarcas que se tornaram menos antigos. O que houve foi um acerto entre um presidente deslumbrado e gente que se alia a qualquer governo para manter-se no poder e ganhar muito dinheiro com a corrupção institucionalizada.

Quem acompanhou na terça-feira o depoimento de Lina Vieira e, nesta quarta, a sessão do Conselho de Ética viu em ação um bando fora-da-lei, esbanjando truculência e cinismo no cumprimento de missões confiadas pelo chefe. A quadrilha do faroeste subjugou o lugarejo. O presidente honorário é José Sarney. Paulo Duque comanda o Conselho de Ética. Romero Jucá lidera a bancada do governo e é o relator da CPI da Petrobras presidida pelo suplente amazonense. Renan Calheiros chefia a base alugada. Fernando Colllor comanda uma comissão. Abjeções como Wellington Salgado e Almeida Lima aceitam qualquer encomenda. Tudo parece dominado.

O PT foi reduzido por Lula a duas consoantes descartáveis. A líder do governo no Congresso é Ideli Salvatti, um berreiro à procura de uma ideia. O líder da bancada é Aloízio Mercadante, promovido a Herói da Rendição por atos de bravura em defesa de capitulações ultrajantes. Nesta semana, constatou-se que aprendeu com Eduardo Suplicy a fazer de conta que acha intragável o que não para de engolir.

Para fazer de conta que não gostou da absolvição de Sarney, crime que ajudou a tramar por ordem de Lula, colocou o cargo à disposição da bancada. O cargo sempre esteve, está e estará à disposição da bancada. Quem finge não saber disso topa qualquer negócio para ficar. Quem quer sair se demite ─ e em caráter irrevogável. Por acharem que há limite para tudo (e por lembrarem que a eleição vem aí), os senadores Flávio Arns e Marina Silva deixaram o partido. Os que permanecerem no rebanho pastoreado pela quadrilha são comparsas.

O Senado em decomposição ensina que só os cretinos sem cura e os farsantes juramentados dividem o Brasil em esquerda e direita, soldados do povo e carrascos da elite. O que se vê é um país que acredita na democracia, ama a liberdade e respeita a lei ameaçado pela ofensiva do primitivismo. Para os dirceus e berzoinis, os burgueses malandros são apenas companheiros de viagem que encurtam o caminho que conduz ao paraíso socialista. Para os renans e jucás, os comunistas de araque são apenas os sócios do momento. Os casos para psiquiatra e os casos de polícia só acham antiético perder a eleição e a gazua. Todos têm como objetivo comum o arrombamento dos cofres federais.

É hora de cortar-lhes o avanço. O general parece invencível? A tropa parece crescer em tamanho e agressividade? A maioria parece satisfeita com a vida não vivida? Não importa. Movimentos de resistência nunca tomam forma no ventre da multidão. Não é preciso nascer grande para ter força. Basta ter razão."

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A era das pandemias

Interessante artigo em Zero Hora do dia 19 de agosto, de autoria do professor e escritor Charles Kiefer nos leva à reflexão:

"A superpopulação mundial e sua concentração em centros urbanos, o aquecimento global, a circulação incessante de produtos e de pessoas no mundo globalizado sinalizam a forte possibilidade de estarmos ingressando na era das pandemias. A sars e a gripe aviária se encolheram mas não sumiram. A gripe A, que ninguém previa, explodiu no México e rapidamente espalhou-se por todos os continentes. Se o H do vírus não fosse o 1, mas o 5, estaríamos todos num mundo congelado, com fronteiras fechadas, toque de recolher, falências em cadeia e mortes em proporções descomunais. O H1N1, nos princípios do século 21, é apenas o ensaio do que está por vir, se a humanidade e, especialmente os países, não tomarem urgentes medidas político-profiláticas.

O primeiro enfrentamento a ser feito é o educacional.

A atual pandemia recolocou na pauta da educação a questão da higiene. Agora, felizmente, as escolas e as universidades estão redescobrindo a necessidade de se lavarem as mãos, de se ficar em casa quando gripado, de se usar lenços descartáveis, de se vacinar sempre que possível. Sou professor na PUC. Quando comento que me vacino contra a gripe todos os anos, recebo comentários irônicos, como se eu fosse um velho precoce. Muitas vezes, utilizo os banheiros coletivos, também usados pelos estudantes. Enquanto eu me demoro ensaboando e lavando as mãos, eles saem das baias sem fazer a higienização. Minha filha, aos sete anos, tem hábitos de higiene que não encontro, muitas vezes, entre meus alunos adultos. No retorno às aulas após o recesso, poderei fazer a minha pregação básica, sem parecer exagerado ou neurótico.

O segundo enfrentamento a ser feito é o de políticas eficientes na área da saúde pública.

A pandemia está demonstrando cabalmente que é necessário investir mais, muito mais, em saúde pública. Bastou um aumento inesperado na demanda por internações para que o sistema quase colapsasse. No perigoso mundo do futuro, a prevenção será fundamental. E prevenção significa pesados investimentos em infraestrutura hospitalar, melhoria de vencimentos do corpo médico, luta política pela quebra de patentes, leis mais rígidas contra os cartéis de remédios, de produtos higiênicos e de produtos hospitalares. Antes da pandemia, para ficarmos em apenas um exemplo, um tubo de gel nas prateleiras das farmácias era muito mais barato do que agora, no auge da disseminação do vírus. Não nos disseram sempre que a produção em larga escala diminui custos? Ah, esqueceram de nos avisar que o aumento de demanda aumenta a infâmia...

Creio que esta pandemia de gripe A, felizmente, de baixa letalidade, é um momento ímpar para refletirmos sobre educação e saúde, estes setores tão desprezados e esquecidos. Com as lições desta pandemia, talvez venhamos a estar melhor preparados para as próximas.

E não se enganem os ingênuos e excessivamente otimistas, o século recém começou."

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Les Demoiselles Cahen d'Anvers

sábado, 15, fomos ao MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul, para apreciar a exposição Arte na França, 1860No -1960 – o Realismo, mais uma das ações de comemoração do Ano da França no Brasil. Gente em profusão, fila enorme, famílias inteiras, incluindo crianças pequenas, querendo ver as famosas obras que incluíam não só os pintores franceses mais conhecidos como Renoir, Monet, Manet, Matisse, Pissaro, Corot; mas os espanhóis Picasso, Dali e Miró; os brasileiríssimos Di Cavalcanti, Portinari, Almeida Júnior, do gaúcho Iberê Camargo; e tantos outros, não menos importantes.

Ao fixar os olhos nos impressionistas franceses, lembrei de minha primeira matéria para o jornal A Razão, de Santa Maria, em 1978, quando fazia meu estágio na área de jornalismo – a cobertura de uma exposição sobre os Pintores da Luz, meu primeiro contato mais aprofundado com a técnica utilizada, que privilegia a luz, o movimento e as cores da natureza.

No meio de tanta gente, dirigi minha curiosidade para a obra As Meninas Cahen d'Anvers (conhecido como Rosa e Azul), pintado por Renoir em 1881. O retrato foi encomendado pelo banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers, pai das meninas que aparecem no quadro - Alice e Elisabeth Cahen d'Anvers. A família do banqueiro não gostou do resultado e o quadro ficou esquecido, escondido em um lugar obscuro da casa e só muitos anos depois foi redescoberto. A obra pertence ao acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP) desde que foi adquirida por seu fundador, Assis Chateaubriand.
Não sou especialista em arte; muito longe disto estou, por isso, achei falta de uma explicação, junto às informações de cada obra, como esta sobre As Meninas, no lugar onde repousa, magnífico, o quadro, no MASP (em PoA está só de passagem):

“Renoir, pintando Rosa e Azul, mostra na vibração da superfície e das cores vivas que compõem os vestidos das meninas, toda a vivacidade e a graça instintivamente feminina que se esconde atrás da convenção da pose, todo o frescor e a candura da infância. As meninas quase se materializam diante de observador, a de azul com o seu ar vaidoso e a de rosa, com um certo enfado, quase beirando às lágrimas."

Uma análise de Percival Tirapeli, professor de Estética e História da Arte da UNESP, pode ajudar para melhor fruição da obra:

“Além de ser uma obra-prima, Rosa e Azul sintetiza algumas das preferências de Renoir. O nome remete às tonalidades que estarão presentes em muitas das telas - suas cores favoritas. Além disso, o quadro apresenta uma mistura de técnicas que marca muito o trabalho de Renoir.
Na composição, há três momentos bem distintos, criados com três técnicas diferentes. O primeiro deles é o rosto polido das meninas, praticamente sem sombras, muito bem trabalhado e de forma bem arredondada. Em seguida, percebe-se a tinta gorda esticada com um pincel chato que dá todo o volume e textura dos cinturões dos vestidos. O terceiro momento é a sensação causada pela textura do vestido, pelo qual ele deixa transparecer a estrutura do corpo das meninas. Neste caso, ele aplica a técnica do pontilhismo - muito usada por seu amigo Alfred Sisley (1839-1899) - os tons são divididos em semitons e lançados na tela em pequeninos pontos visíveis de perto, mas que se fundem na visão do espectador ao serem vistos à distância. Este quadro demonstra, ainda, toda a energia de vida que Renoir sempre quis retratar em suas obras.”

O quadro tem sido fonte de muita inspiração para o público e para outros artistas. O pintor Washington Maguetas, o quadrinista Maurício de Souza e o artista plástico Cirton Genaro já fizeram suas interpretações e releituras artísticas desta grande obra:

Washington Maguetas pintou Damas em Giverny, em 2005, imaginando como estariam as duas irmãs de rosa e azul passados alguns anos, visitando os jardins da casa de Monet, na cidade de Giverny, na França.
Damas em Giverny

Mônica e Magali de Rosa e Azul
Acima, a versão pintada por Maurício de Souza, em 1989, após ver pessoas tentando copiar o quadro original durante uma exposição no MASP. Após esta idéia, Maurício de Souza fez uma exposição e um livro chamado História em Quadrões, com paródia da obra de diversos artistas utilizando seus personagens.
Meninas da Noite
Em as Meninas da Noite, a versão ousada do professor e artista plástico paulista Cirton Genaro, que transformou as meninas virginais do mestre francês em prostitutas infantis, cena de tantas tragédias por esse Brasil...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Brasil ultrapassa os 191 milhões de habitantes

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, hoje, a estimativa da população brasileira, com base em 1º de julho de 2009.

Em todo o país, a população estimada é de 191.480.630 pessoas. Ainda de acordo com o IBGE, São Paulo é o estado mais populoso, com 41,4 milhões de habitantes, seguido por Minas Gerais, com 20 milhões e Rio de Janeiro, com 16 milhões. A Região Sudeste concentra cerca de 40,4% da população brasileira.

A Região Sul possui 27.719.128 habitantes, sendo o Rio Grande do Sul o estado mais populoso da região, com 10.914.128. Já Porto Alegre perdeu o posto para Belém e não está mais entre as 10 cidades mais populosas do Brasil. A capital gaúcha tem agora 1.436.123 habitantes.

Interessante mencionar que Porto Alegre, nos últimos 9 anos, teve acréscimo populacional de apenas 76 mil habitantes, enquanto Curitiba acrescentou 264 mil.

As pessoas e as instituições

Reproduzo o comentário do cientista político Murilo Aragão, publicado no blog do Noblat, acerca da crise que desconstroi o Senado Federal por entendê-lo um exercício muito bem fundamentado enquanto análise de performance das pessoas e da instituição.

"Na análise política existe uma disputa entre várias correntes ideológicas. Sem querer mergulhar em um terreno considerado árido para muitos, trago a questão para analisar a crise que envolve o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).


Ou será a crise do próprio Senado? Na análise política, existe uma corrente em que as pessoas são foco central de estudo. Para outra, são as instituições o ponto principal. Na Arko Advice, empresa especializada em análise de cenários políticos desde a década de 80, a fórmula utilizada incorpora as duas teorias.

Ao levar a reflexão para a crise Senado-Sarney, o entendimento do processo se ancora no exame das pessoas e das instituições, a partir de uma perspectiva histórica. Nessa direção, é natural que a “fulanização” da crise perca força gradativamente, uma vez que é necessário, em primeiro lugar, entender a instituição.
Apesar de a imprensa tratar a crise como exclusivamente do Sarney, ela é, na verdade, do Senado. Pois outros focos do problema estão identificados. O presidente da Casa é apenas parte de um grande mal que afeta uma das instituições mais importantes do Brasil.

Lá, em especial, as relações entre indivíduos e instituição revelam-se doentias. A crise nasce de uma disputa de poder e mostra a face perversa de uma aliança de interesses. Mais do que acusar um ou outro, o problema está no funcionamento do Senado e na relação dos parlamentares com a burocracia interna.

Assim, afastar Sarney e retaliar Arthur Virgilio poderia até mesmo diminuir o incêndio. Mas não será suficiente para arrefecê-lo definitivamente. O fato é que não há uma solução viável de curto-prazo já que a crise apresenta aspectos sistêmicos.

Seus focos estão na administração do Senado, mas refletem no destino de determinados grupos políticos. Para não faltar com a verdade, ela atinge – em maior ou menor grau – quase todos os partidos políticos. A única forma de se obter uma melhoria expressiva na qualidade da instituição é a manutenção do controle – por meio da imprensa e da sociedade organizada – do seu funcionamento.

Na prática, a participação qualitativa da sociedade pode fazer alguma diferença. Porém, não é uma solução de curto-prazo. Não devemos esperar uma elevação do nível da política de uma hora para outra. O Brasil é uma federação onde, em matéria de política, pouco une.

Para piorar, em virtude do excesso de detalhes, faz com que exista grande disparidade. Outro fator que impede uma solução rápida é a fragilidade institucional do Legislativo, muitas vezes considerado, equivocamente, um problema. Além disso, os líderes não conseguem passar credibilidade à sociedade. Fica claro que temos dois patamares de avaliação: as características da instituição e a qualidade das lideranças.

Na política, sempre existe uma elevada dose de risco ao se tomar decisões. Por exemplo, a defesa de Sarney errou ao elevar o tom contra oposicionistas. Errou ainda quando censurou o jornal O Estado de São Paulo. A imprensa, como instituição, se sente diretamente atingida com a decisão do clã Sarney.

Portanto, um ato pode acalmar ou acirrar os ânimos. A escalada de acusações pode prosseguir alimentada por novas denúncias. A macro-tendência indica que a crise deve acabar em uma espécie de recuo generalizado. Mas a essa altura dos acontecimentos, com ânimos exaltados, a incerteza é a única tendência."

O furo na sacolinha

Como acaba de comentar Ruy Gessinger, em seu competente blog (o link está na barra lateral, à direita), está interessante a briga entre as poderosas redes de televisão Globo e Record, envolvendo a ação do Ministério Público sobre os desmandos do bispo Edir Macedo, guru (ou o próprio deus) da Igreja Universal do Reino de Deus.

Vale uma pergunta: Alguém ainda tem dúvida de que a gorda sacolinha serve para encher as burras do guru? Só mesmo os coitados incautos e crédulos seguidores do dito bispo e de sua malfadada igreja. Provas robustas e numerosas campeiam por aí.

Respeito qualquer tipo de credo ou religião, desde que não queiram os seus mentores apropriar-se dos bens de seus seguidores, seja uma merreca ou um milhão. Dízimo, óbolo, doação, ou qualquer outro termo que qualifique a ação como auxílio, ajuda, devem ser absolutamente espontâneos e mais, fiscalizado o seu destino. Transparência não se pede só na política...

Esses meliantes, mercadores do sofrimento, comerciantes de terrenos no céu, são legítimos traidores da fé, só que se venderam, diferente de Judas, por bem mais do que 30 dinheiros...

Tomara que a sacolinha fure...

The Economist cobra de Lula uma opção clara pela defesa da democracia

Um editorial na edição desta semana da revista britânica The Economist, denominado "Whoose side is Brazil on?" afirma que chegou o momento do presidente Lula fazer uma opção clara pela defesa da democracia em nível internacional e “decidir quais são seus verdadeiros amigos” entre os líderes mundiais.

Ressalta a publicação que a estabilização econômica, aliada à “cordialidade” e ao “instinto de conciliação” de Lula faz com ele tenha amigos em todo lugar”, tornando o Brasil um país influente em escala internacional.

No entanto, esta influência, na opinião do editor, não surgiu com o “peso da responsabilidade” que deveria acompanhá-la, o que faz com que Lula corra o risco de deixar um legado “decepcionante” e “ambíguo”.

"O Brasil precisa decidir o que realmente defende e quais são seus verdadeiros amigos, ou corre o risco de que outros façam esta escolha em seu lugar.”

Segundo a revista, o governo Lula tem mostrado uma “embaraçosa negligência com a democracia fora de suas fronteiras”.

Entre os exemplos desta postura, a publicação cita o “alinhamento do Brasil na ONU com países como China e Cuba para proteger regimes abusivos” e o fato de Lula ter comparado a crise causada pelas manifestações que se seguiram às eleições presidenciais iranianas às reclamações da torcida de um time que perde uma partida de futebol.

A revista inglesa também critica a postura adotada por Brasil em relação ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que classifica como “um homem que ameaça começar uma nova Guerra Fria na região”, referindo-se às desavenças em relação ao possível acordo sobre o uso de bases militares colombianas pelos Estados Unidos.

“Só um paranoico pode conceber (o acordo) como uma ameaça à Venezuela e à Amazônia. Mesmo assim, o Brasil decidiu expressar preocupação com as bases, permanecendo em silêncio em relação às evidências de que membros do governo Chávez venderam armas às Farc”, enfatiza a revista.

The Economist encerra o editorial afirmando que a forma de Lula evitar uma “nova guerra fria” na região é “não confundindo democratas e autocratas”. “(Lula) deve envergonhar Chávez fazendo uma defesa pública da democracia, o sistema que permitiu que um pobre torneiro mecânico subisse ao poder e mudasse o Brasil. Por que os outros países merecem menos?”, indaga a publicação.

Pois bem, The Economist diria mais e melhor (e em menor espaço) se instasse Lula a parar de jogar para a torcida, escolhendo um time só - o da democracia responsável. Para nada adiantam prêmios e amizades "colloridas" (aqui e lá fora) se, afinal, "o cara" passar à história como um bobo alegre...

Fonte: BBCBrasil

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A oposição piscou. Sarney deve ficar

Do blog do Noblat:

"Lembra do escândalo dos aloprados? O tal do dossiê fraudado por membros da máfia das ambulâncias e empregados da campanha à reeleição de Lula com denúncias contra os candidatos José Serra e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB?

Lembra da CPI do Cartão Corporativo e do dossiê Negritomontado na Casa Civil da presidência da República sobre despesas sigilosas do governo Fernando Henrique Cardoso?

Do Caso Renan Calheiros (PMDB-AL) você lembra. Sim, aquela história do dinheiro entregue por um lobista de empreiteira à jornalista, ex-amante e mãe de um filho do senador.

Como deve lembrar da descoberta recente sobre o curriculum da ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, onde constava curso que ela não concluiu.

Tais episódios ficaram por isso mesmo. O que envolveu Renan resultou na absolvição duas vezes dele pela maiores dos seus pares.

Prepare-se para testemunhar mais um que chegará ao fim sem que ninguém seja punido.

Sim, falo de tudo que foi apurado contra o senador José Sarney (PMDB-AP) - do empreguismo de parentes e afilhados políticos ao desvio de verbas oficiais dadas em patrocínio para a fundação batizada com o nome dele e presidida por ele.

Em discurso elogiado pelos colegas como "uma Negritodefesa técnica e sem emoção", Sarney disse em resumo o seguinte: se tenho culpa, quem aqui não tem?

Citou, por exemplo, o número de atos secretos produzidos nas duas gestões anteriores dele como presidente do Senado. E comparou-o com o número de atos secretos produzidos nas gestões dos seus sucessores.

De lá para cá, o PMDB pediu a cassação do mandato de Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, que pagou o salário de um assessor liberado para estudar cinema durante dois anos em Barcelona.

E soube-se que o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, foi cuidar da saúde no exterior e levou uma das filhas com passagem paga pelo Senado.

O argumento do "se tenho culpa, quem aqui não tem?", assustou boa parte da oposição. O susto cresceu depois que Virgílio foi encostado na parede.

Ser réu confesso, como ele faz questão de repetir, não torna ninguém menos réu. Confessar um erro não revoga o erro cometido. Oferecer-se para reparar o erro pode, no máximo, atenuar uma eventual pena.

Sarney atou seu destino ao da aliança do PMDB com o PT para eleger Dilma. Ameaçou pedir licença do cargo para que ele fosse ocupado por um vice da oposição. O governo entrou em pânico.

Estamos outra vez nos estertores de mais um caso que provocou muito barulho para afinal se desmanchar no ar como tudo que parece sólido.

A prometida reforma do Senado se limitará a uma maquiagem mal feita. Medidas antes anunciadas estão sendo esquecidas sem alarde.

O que era sujo permanecerá sujo.

Revoguem-se as disposições em contrário."

Agora comento eu. O que era sujo permanecerá sujo só se a sociedade brasileira quiser. Podemos revogar todas as disposições em contrário através do VOTO. Agora que a sujeira está exposta, mais sujos seremos nós, povo, se continuarmos a contribuir para aumentar os detritos...

domingo, 9 de agosto de 2009

Em nome do Pai. E dos filhos.

Em nome do Pai, comemoramos o segundo domingo de agosto. Em nome dos filhos, este dia deveria ser festejado sempre. Em nome de pais (incluindo mães) e filhos, todo dia seria de comemoração, porque os vínculos de amor (não os de sangue), precisam ser celebrados infinitamente.Conceber, ver nascer, criar, proteger e educar para a vida são dádivas divinas. Mais divinos ainda são os dons de acolher, abrigar e reconhecer como parte inseparável de si os nascidos de outros pais que não foram dignos de seus filhos. Essa é a missão inalienável para a qual fomos criados. Uma bendita missão, que precisa ser praticada, exercitada e tratada com zelo perene.Se tal não acontece, vem a dor, o sofrimento, os desencontros, os descaminhos, a separação.Pai é palavra mágica, fundamental, que expressa sentimentos e sentidos múltiplos, ilimitados, ligações profundas, imortais, inarredáveis, irrenunciáveis.Pais, amem e respeitem os seus filhos.
Filhos, amem e respeitem os seus pais.Mesmo que haja diferenças de opinião. Mesmo que as crenças sejam diversas. Porque, há um dia, na vida, em que os caminhos de uns e de outros se encontram e daí, cessam as diferenças, acabam as desavenças e só permanece o amor, que a tudo vence pois é feito de compreensão.Filhos, cuidem para que esses caminhos se cruzem bem antes da estrada final, aquela que não tem volta.
Pais, zelem para que seus filhos nunca trilhem estradas paralelas, impossibilitando um desvio que consinta em convivência.
Nada melhor que um caminho de construção conjunta, onde pedras e tijolos e argamassa se assentem em consenso. É infinita a alegria de construir junto, com-partilhando, participando, opinando, desmanchando uma parte se assim necessário for, para manter a harmonia do con-junto.Pais, sejam esteios para seus filhos. Abriguem, confortem, ensinem a pescar e a andar com as próprias pernas.
Filhos, sejam esteios para seus pais. Abriguem, confortem, mostrem que a pesca foi farta e os carreguem no colo quando não conseguirem mais andar.
Pais também são filhos de seus filhos. Filhos também são pais de seus pais. Essa deveria ser a lei mais observada – a da reciprocidade.
Pais, agradeçam a bênção de serem pais.
Filhos, curtam a bênção de serem filhos.Pais e filhos, feitos à semelhança divina de Pai e Filho.
Pais, vocês já foram filhos.
Filhos, vocês serão pais.Em nome do Pai.
Em nome do Filho.
Em nome da alegria, do amor, da VIDA plena.
Amém.

Esta sinfonia de palavras traduzida em prece eu escrevi para meu pai, Luiz Carlos que, mesmo não sendo presença física há 24 anos, vive e se manifesta em nós, seus filhos, através de seus maravilhosos ensinamentos e exemplos, multiplicados pela infinita capacidade de amar, que procuramos exercitar e transmitir por todos os dias de nossa vida.

Um abraço carinhoso a todos os pais que são filhos de seus filhos e a todos os filhos que são pais de seus pais.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A origem da reeleição indefinida implantada por Chávez na Venezuela

Do ex-blog do César Maia:

1. Chávez tem Simon Bolívar como símbolo e referência. A cada foto sua, nunca falta o quadro de Bolívar atrás, como cenário. Foi no discurso feito em 1826 aos legisladores bolivianos, ao apresentar sua proposta de constituição, que a ideia de presidência vitalícia foi exposta pela primeira vez. Abaixo a cópia de seu "Discurso al Congreso Constituyente de Bolivia", publicada em seguida em Lima em 25 de maio de 1826. Leia com atenção esses trechos.

2. "O Presidente da República vem a ser, em nossa Constituição, como o sol que, firme em seu centro, dá vida ao Universo. Esta suprema Autoridade deve ser perpétua; porque nos sistemas sem hierarquias se necessita mais que em outros, um ponto fixo ao redor do qual girem os magistrados e os cidadãos: os homens e as coisas. Dá-me um ponto fixo, dizia um antigo; e moverei o mundo. Para Bolívia este ponto é o Presidente vitalício."

3. "A Ilha do Haiti, permita-me essa digressão, se achava em insurreição permanente, depois de haver experimentado o império, o reino, a república, todos os governos conhecidos e alguns mais, se viu forçada a recorrer ao Ilustre Petión para que a salvasse. Confiaram nele, e os destinos do Haiti não vacilaram mais. Nomeado Petión, Presidente vitalício, com faculdades para eleger o sucessor, nem a morte deste grande homem, nem a sucessão do novo Presidente, causaram o menor perigo ao Estado: tudo marchou baixo o digno Boyer, na calma de um reino legítimo. Prova triunfante de que um Presidente vitalício, com direito de eleger seu sucessor, é a inspiração mais sublime na ordem republicana."

4. "O Presidente da República nomeia o Vice-Presidente para que administre o estado e o suceda no mando. Por esta providência, se evitam eleições, que produzem o grande azote das repúblicas, a anarquia, que é o luxo da tirania, e o perigo mais imediato e mais terrível dos governos populares. É desse modo que sucede nos reinos legítimos, a tremenda crise das repúblicas. O Vice-Presidente deve ser o homem mais puro: a razão é, que se o presidente não elege um cidadão muito reto, deve temê-lo como a um inimigo encarniçado e suspeitar de suas secretas ambições."

5. Quem quiser conhecer o discurso completo, clique http://es.wikisource.org/wiki/Discurso_en_Bolivia

segunda-feira, 3 de agosto de 2009