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terça-feira, 7 de julho de 2009

As mulheres jornalistas são um bando de loucas ciumentas?

O jornalista Políbio Braga escreveu em seu blog ontem:


"A maioria das jornalistas mulheres está interessada em publicar fatos da vida privada de seus entrevistados, o que inclui a invasão da privacidade.

A constatação acima enunciada não é do editor, mas do jornalista americano Gay Tallese, autor do livro "Vida de escritor", que está no Brasil e falou ao jornal O Estado de S. Paulo deste sábado (página D5, caderno 2).

Quem frenquenta redações desde a década de 60 pelo menos, percebeu a invasão das redações de jornais de Porto Algre, como de resto de todo o País, por bandos de mulheres saídas das Faculdades de Comunicação. Quando surgiu a Famecos, da PUC, na década de 60, os jornalistas costumavam ridicularizar das futuras colegas e aviavam que elas só estavam nos bancos escolares da PUC porque queriam conseguir maridos. A maior parte desses jornalistas perdeu o emprego para as colegas, que no início toparam trabalhar mais horas, em funções menores, ganhando menos e se submetendo incondicionalmente aos chefetes do dia. O que diz Tallese sobre isto:

"... (o espírito trivial e fofoqueiro das mulheres) resultou no surgimento de diversas gerações de jornalistas mulheres, a maioria interessada em publicar fatos da vida privada dos seus entrevistados."

"O resultado são esses escândalos da mídia, não escândalos verdadeiros como os de Sarney, mas mentiras de verdade, como a pretensa pedofilia de Michael Jackson ou as acusações sem provas que diariamente são disparadas contra a governadora Yeda Crusius, do RS, mais atacada pelas mulheres do que pelos homens, porque contra ela há o ciúme de mulher, algo incomparável no reino dos animais racionais e irracionais."

Políbio ainda aconselha a leitura completa da matéria do Estadão, cujo texto considera "elucidativo e verdadeiro".

Pois bem, respeito muito o jornalista Políbio Braga. É um profissional competente e equilibrado. Mas como profissional da comunicação e como mulher, não posso concordar com o que ele escreveu acima, generalizando. Apropriou-se de uma opinião mentecapta de Gay Talese que, do alto de sua fama, parece não raciocinar mais. Acredito que Políbio Braga quis referir-se às jornalistas da RBS, especialmente Rosane de Oliveira (e suas pupilas) que, obedecendo diretriz de seus chefes, estabeleceram cruzada diária e sistemática contra o governo do Estado.

Ora, Políbio é um profissional combativo e seguidamente desfecha ataques bastante efetivos, sempre estribado em fatos, mas nunca generalizou. Quando o fez, como agora, acredito-o equivocado, descrevendo mulheres jornalistas como um bando de loucas ciumentas! Detestei.

No jornalismo como, de resto, em todas as profissões, há bons e maus profissionais, sejam homens ou mulheres. Na defesa de uma causa, seja pública ou privada, não dá para esquecer a ética nem a elegância, mesmo quando a palavra é forte e pode machucar. Além disso, creio que o profissional que traz a público suas convicções não deve separar-se de sua consciência de cidadão, mas deve redobrar o zelo para não utilizar a profissão a serviço direto de sua ideologia. Seja homem ou mulher.

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