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segunda-feira, 1 de junho de 2009

O porrete

Furiosa advertência nos faz o professor Cláudio Moreno em sua coluna quinzenal no Caderno ZH Cultura de sábado, 30: Não comprem o novo VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa)! E seus argumentos procedem, creio eu.

Vejamos. Já em coluna anterior, Cláudio Moreno lamentava a pressa com que a Academia lançou o seu Vocabulário Ortográfico, elaborado, segundo ele, por uma comissão sem representatividade no meio cultural e acadêmico, a não ser a do seu presidente, Evanildo Bechara. E estranha a rapidez com que a obra foi publicada, observando que serve para implodir a essência do Acordo de Unificação da Língua Portuguesa - que considera uma utopia.

E segue na sua crítica ao VOLP lembrando que a Academia resolveu publicá-lo "sem consultar ou ouvir os demais interessados! Mas como? Não deveria ser um esforço comum? Não íamos todos dar as mãos para um mundo melhor...?"

Moreno desanca os signatários da publicação dizendo que é fruto do ufanismo, da pressa de sair na frente: "...Afinal, mais de 80% dos 230 milhões de falantes do Português vivem aqui na Pindorama, o que autoriza o Brasil a ser o puxador da escola de samba, a locomotiva do comboio..." e vaticina: ..."eu, com meu habitual espírito de porco, poderia redarguir: mas a levar adiante esse raciocínio de brucutu - manda quem tiver o porrete maior -, por que não obrigamos, simplesmente os demais países a escrever como nós temos feito desde 1943? Seria bem mais simples e mais barato para nós!"

Cláudio Moreno ironiza, em certa altura, a resposta de Bechara a um jornalista que lhe perguntara se o VOLP isolado não se chocava frontalmente com o espírito do acordo. O linguista simplesmente respondeu que os demais países signatários deviam fazer o mesmo e lançar, cada um, o seu. Já imaginaram? Sete vocabulários ortográficos diferentes! Então, para quê, mesmo, houve o Acordo? Pior a emenda que o soneto...

Concordo com Cláudio Moreno quando ele critica a velocidade com que as universidades, os especialistas e a imprensa aceitaram as mudanças e as consideraram como fato consumado, se apressando a estudar e aprender a grafar corretamente as palavras. Os casos obscuros (muitos!) seriam iluminados com a publicação do VOLP! Foram? Ao contrário!

O professor ainda censura a falta de uma edição on-line gratuita do VOLP e considera tudo isso um formidável esquema mercantilista para auferir lucros em cima do Acordo que, a essa altura, está cada vez mais afastado de seus propósitos iniciais.

Ah! E o exemplar do VOLP custa R$ 120,00! Esquadrinhando a Internet encontrei a R$ 95,90, no Submarino.

Um comentário:

T@CITO/XANADU disse...

Será que "Vacas de presépio" tem o mesmo significado lá?...
Parabéns pela matéria.
Tácito.

PS - Voltarei mais vêzes para me atualizar.