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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Ainda há muito a aprender

Demóstenes Torres, procurador de Justiça e senador (DEM-GO), escreve seguidamente para o Blog do Noblat. Leia a sua reflexão sobre a educação brasileira, a partir de artigo publicado pela revista inglesa The Economist.

"A revista inglesa The Economist publicou na semana passada extensa reportagem a situação falimentar da educação brasileira. Não há nada que não saibamos. Apenas o reconhecimento de uma publicação de enorme prestígio internacional da nossa incapacidade de possuir uma escola pública de qualidade. Ou como escreveu a revista, ao comentar a crença nacional de que Deus é brasileiro. Pode até ter ser, mas o Altíssimo certamente não desempenhou nenhum papel no desenvolvimento do modelo educacional do País em vigor.

The Economist faz uma análise detalhada da educação brasileira desde o legado cultural da colonização portuguesa que fazia da escola uma instituição da Casa Grande, reservada à elite abastada, até a influência negativa dos sindicatos dos professores no desenvolvimento da educação. Lembra, por exemplo, que são despendidos enormes recursos orçamentários em um modelo de escola que não funciona. Conforme mostra a revista – assunto que já comentei neste espaço – investimos em educação um percentual em relação ao PIB maior do que o da Coréia do Sul. No entanto, quanta diferença de desempenho.

A revista inglesa tem absoluta razão ao demonstrar que o déficit educacional é o grande freio do desenvolvimento do Brasil, que apesar de ter apresentado progresso político e econômico continua em posição de inferioridade em relação ao próprio terceiro-mundo. No fundo somos aquele gigante que despertou da sonolência dos séculos, mas permanece analfabeto. A publicação também encontra o “x” do problema ao demonstrar a inversão de prioridade de um sistema educacional que investe mais nas universidades do que no ensino fundamental.

Não é possível mesmo esperar resultado de um modelo empenhado em simular o aprendizado. Não estou a dizer apenas da falta de qualificação dos professores e da estrutura precária das instituições de ensino. Especialmente percebo que o tempo de permanência do aluno na sala de aula – fato que a reportagem da revista inglesa deixou escapar – é um dos grandes fatores que alimentam o ralo educacional. Como imaginar uma escola eficiente em que o estudante tem, com muito esforço, uma carga horária líquida de aprendizado inferior a quatro horas diárias?

A reportagem da revista está corretíssima, mas faltou comentar a necessidade de se instituir no Brasil a Escola em Tempo Integral, como ocorre lá no Hemisfério Norte. Sem a iniciativa, daqui a 20 anos teremos um ministro da Educação, ainda que competente, cheio de esperança de que estará a fazer algo de fundamental para as faladas próximas gerações quando não conseguirá gerir o desenvolvimento humano de quem está por aí imerso no analfabetismo funcional. Como disse a revista inglesa, ainda há muito a aprender."
O senador Demóstenes deve estar muito cheio de compromissos para esquecer (ou, quem sabe, desconhecer) que no Brasil já há escolas de tempo integral, ainda não institucionalizadas, mas como iniciativas de alguns governos municipais e estaduais.

Um comentário:

PADRE EUVIDIO disse...

Realmente o nosso ensino é calunioso a nível nacional.
Para os nossos governantes é melhor a falta de cultura das massas, por que assim fica mais fácil de vender votos.
Por outro lado parece-me que os alunos também não estão cientes das suas responsabilidades, são preguiçosos, não estudam, não cobram dos professores e do estado, ensinos de qualidade.
Ai vira um circulo vicioso, professores despreparados e sem interesse, o estado acomodado.
A falta de cultura gera preguiça de ambas as partes.
As escolas particulares procuram dar um ensino de primeiro mundo, más só as elites é que conseguem pagar mensalidades absurdas.
É muito difícil ver alguém jogar pedras em árvores que não de bons frutos. Se o mundo está querendo jogar pedras na árvore pau Brasil, é por que, se ainda não está dando bons frutos, talvez num futuro bem próximo possa tornar-se uma bela árvore frutífera, e frondosa, cuja sombra poderá tapar o sol de olheiros do exterior que não tem interesse em mais uma potência, para dividirem os recursos das nações ricas.
No momento a única arma que eles têm contra uma nação amiga de todas as nações, e sem instinto bélico é a calunia, embora com um pouquinho mais de força de vontade política, nosso estudo ainda vai chegar lá.