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segunda-feira, 4 de maio de 2009

A imprensa que pariu o político

Adriana Vandoni, em seu site Prosa e Política, conta uma historinha emblemática:

"Lá no interior da Beócia, país ao sul do Equador, existia um aspirante a autoridade. Um rapaz jovem, inteligente e vaidoso. O penteado e os trajes que forjavam seriedade profissional ao almofadinha não escondiam um passado duvidoso, mas enfim, um dia, ele obstinado em governar aquele estado da Beócia, descobriu a maneira mais fácil. Sem muito caráter e o bolso cheio de imperiais (dinheiro da Beócia), chamou para um conversa o dono de um jornal, na verdade um jornalzinho inexpressivo, mas em seu pensamento, com um bom investimento o jornal cresceria. Era a receita ideal! O velho jornalista foi então atender ao chamado da autoridade. Na bucha, assim como se a proposta fosse corriqueira, o rapaz disse ao velho:

- Aqui está duzentos e cinqüenta mil imperiais para você reestruturar seu jornal e colocá-lo a meu serviço. Negócio fechado.

Mas o rapaz ainda não estava satisfeito. Pesquisou na mídia e percebeu que para ser popular deveria estar nas rádios. Procurou então um apresentador que já esteve do outro lado da notícia e, sabendo que seu hipotético adversário o pagava sete mil imperiais por mês, não teve dúvidas, ofereceu 500 mil imperiais. Negócio fechado e o apresentador até chora no seu programa, emocionado com a “competência” do rapaz, capaz de encantar uma multidão.

Isso tudo fora aqueles comprados a granel, um artiguinho aqui outro acolá, na faixa de mil imperiais. Um anunciozinho, um banner e tals... Um editorial um pouco maior, bom, ai dá pro chorar um aumento...

Pois é, aqui não é a Beócia, mas poderia ser diante da similaridade operacional. No Brasil, em Mato Grosso ou em outro estado qualquer, seguindo a regra de quanto menor o local, mais a imprensa está sucetível a isso, a logística de nascimento de um político é a mesma. Com o uso dos métodos relatos acima, se constrói competência e moral, e assim nascem muitos dos políticos que no futuro estamparão as manchetes policiais e sociais do cotidiano político brasileiro.

Tudo devidamente pago com o seu dinheiro."

Um comentário:

Blog de Edward de Souza disse...

Olá Nivia!
Estava lendo seu artigo postado hoje. Sabe, minha amiga, a política, dentre todas as profissões, é a mais vil. A tese é de Rubem Alves, que continua: vocação é diferente da profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. Já o profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.
O político precisa sentir prazer em servir à comunidade e não prazer no dinheiro que pode ganhar com a política. Muito menos comprar pessoas, profissionais e obrigá-los a servi-lo. Quem escreve, tem prazer em escrever; quem dança, canta é a mesma coisa, se bem que estas atividades podem gerar dinheiro. No entanto, quem as pratica, não tem por fim o dinheiro, mas o gozo. A política não pode ser uma profissão, mas uma arte de servir. Uma servidão que gere prazer em quem a pratica.
Abraços, parabéns pelo artigo, Nivia!

Edward de Souza