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terça-feira, 28 de abril de 2009

Imprensa maldita!

A última novidade em matéria de desgraça global é a gripe suína, praga que se alastra vertiginosamente, segundo as informações mais recentes. O vírus é insidioso e não respeita fronteiras. Viaja, silencioso, diretamente do México para o mundo, enganando a frouxa resistência das barreiras sanitárias organizadas às pressas, especialmente a brasileira, que é risível. São tantos funcionários públicos sentados em berço esplêndido, por tanto tempo que, quando é preciso correr e agir rapidamente, falta fôlego e, em especial, cérebro...

Os maiores beneficiários dessa súbita manchete, que lhes tira espaço no noticiário, são os políticos brasileiros que devem respirar (cuidado com o vírus suíno!) aliviados já que, ultimamente, eram os donos das letras garrafais nos títulos jornalísticos e nas vozes alteradas de todas as mídias.

Pensando bem, dá para entender a gritaria e a inconformidade das Excelências. Estão perdendo privilégios mantidos por anos, sem que ninguém contestasse sua legalidade e o silêncio dos inocentes e dos nem tanto provocou uma avalanche de ilicitudes nunca vista dantes nesse país. Ainda bem que a culpa de toda essa infâmia é dos jornalistas, que não têm nada para fazer e ficam escarafunchando a vida de quem trabalha, de sol a sol, pelo bem do povo!

Vejam só, a investigação jornalística está acabando com a vida conjugal e familiar de centenas de parlamentares que agora, não poderão mais contar com a proximidade saudável de esposas, filhos, cachorros, gatos e papagaios, porque lhes serão restringidas as viagens aéreas semanais de lá pra cá e de cá pra lá. Ah! E tem coisa mais desagradável ainda...Vão acabar as viagens de férias à Disney, as noitadas em Paris, Londres e Roma e as instrutivas excursões à Milão! O argumento lógico é de que a remuneração não é suficiente para suportarem as despesas decorrentes desse vaivém incessante. As Excelências parecem desconhecer que as arcas forradas com o dinheiro do contribuinte é que sustentam essa farra ilógica.

A grita geral da opinião pública (açulada pela Imprensa, é claro!) levou o presidente da Câmara a abandonar a idéia de levar ao plenário, para votação, as medidas saneadoras. Seria derrotado, sem apelação. Agora, a Mesa diretora da Casa vai aprovar ato com as seguintes medidas: 1. Fica mantida a cota de passagens dos deputados; 2. Fica proibida a cessão de bilhetes para parentes e amigos; 3. Abre-se exceção para viagens de assessores, desde que aprovadas pela Mesa; 4. As passagens só poderão ser usadas para deslocamentos no Brasil; 5. Créditos não utilizados terão de ser devolvidos ao erário.

Melhora, mas não erradica o problema. O furo continua. Logo, os deputados encontrarão argumentos para aumentarem a remuneração. Jeitinho daqui, jeitinho dali, e tudo voltará a ser como antes, até que os malditos jornalistas comecem a noticiar, novamente, a farra suína...

Atchim! Passageiros da Terra de Santa Cruz, coloquem suas máscaras!

Ilustração: Tiago Recchia, via Gazeta do Povo

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