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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ministério da Educação propõe novo modelo de ingresso no ensino superior

Um novo modelo de ingresso nas instituições de ensino superior foi apresentado hoje pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. A proposta, já encaminhada à Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), pretende substituir os atuais vestibulares por uma avaliação única, a partir da reestruturação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para estimular a capacidade crítica dos alunos e a consequente reorientação dos currículos do ensino médio. Segundo o ministro, os atuais processos seletivos privilegiam a memorização excessiva de conteúdos e tornam a passagem da educação básica para a superior “estressante e traumática”. Entre as vantagens do novo modelo, estão a possibilidade de descentralizar os exames seletivos, democratizar o acesso a todas as universidades; aumentar a mobilidade estudantil; além de reorientar o currículo do ensino médio para que o aluno passe a compreender e analisar mais profundamente o conteúdo estudado.

Com a prova única, o candidato poderia usar sua nota para concorrer a vagas em todas as universidades que aderirem ao sistema. A intenção é evitar que apenas os estudantes com mais alto poder aquisitivo possam concorrer a mais vagas e, assim, democratizar o acesso a todas as instituições, além de aumentar a mobilidade acadêmica, permitindo que instituições longe dos grandes centros também recebam alunos com alto grau de proficiência.

A proposta do Inep é reformular o Enem para que o exame possa ser comparável no tempo e abranja todo o currículo do ensino médio. O objetivo é aplicar quatro grupos de provas diferentes em cada processo seletivo, além de redação. O novo exame seria composto por testes de cada área do conhecimento, assim estruturadas: linguagens, códigos e suas tecnologias (incluindo redação); ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; matemáticas e suas tecnologias. Cada grupo de testes seria composto por 50 itens de múltipla escolha aplicados em dois dias: cem itens a cada dia. Os estudantes poderão concorrer com a nota de uma única prova em processos seletivos de instituições diferentes, inclusive em anos diferentes porque o teste poderá ser comparado ao longo do tempo.

O ministro explicou que a adesão de uma universidade ao novo modelo não inibe que a instituição use outros instrumentos de ingresso, como os que levam em conta as políticas afirmativas ou nos moldes do Programa de Avaliação Seriada (PAS) aplicado pela Universidade de Brasília, ou do PEIES, da UFSM. A proposta também não inviabiliza que as instituições complementem o processo seletivo com provas específicas. O ministro adiantou que o Inep tem condições de reformular o Enem ainda este ano. O cronograma de aplicação do novo processo seletivo dependerá da resposta dos reitores à proposta, que acontecerá na próxima terça-feira, 7. Instituições de ensino superior privadas e estaduais também podem aderir ao sistema.

Uma proposta interessante, mas que vai causar polêmica por mexer com muitos interesses, tal como aconteceu com a adoção do sistema de cotas. Em dois ou três anos, quando for possível mensurar resultados e aproveitamento, o sistema de cotas deverá ser revisado.

Fonte: Ministério da Educação

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