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quinta-feira, 23 de abril de 2009

William Shakespeare

23 de abril. Dia de William Shakespeare. Do seu nascimento e de sua morte. O maior entre os maiores. Quem lembrou de Shakespeare hoje foi Froilam de Oliveira que demonstrou, em seu blog, puro desconcerto para com o esquecimento ou a falta de referência dos colegas da blogosfera a esta data tão significativa para os que mexem com as letras...Em homenagem a ele, fui procurar alguns sonetos do mestre. Os Sonetos de Shakespeare (The Sonnets) constituem uma coleção de 154 poemas sob a forma estrófica do soneto inglês que abordam uma galeria de temas tais como o amor, a beleza, a política e a morte. Foram escritos, provavelmente, ao longo de vários anos para, afinal, serem publicados, exceto os dois primeiros, em uma coleção de 1609; os de número 138 ("When my love swears that she is made of truth") e 144 ("Two loves have I, of comfort and despair") haviam sido previamente publicados em uma coletânea de 1599, intitulada The Passionate Pilgrim.

Escolhi o Soneto XVII, original em inglês e três traduções propostas.

S o n e t o X V I I

Who will believe my verse in time to come
If it were filled with your most high deserts?
Though yet heaven knows it is but as a tomb
Which hides your life and shows not half your parts.
If I could write the beauty of your eyes
And in fresh numbers number all your graces,
The age to come would say, `This poet lies:
Such heavenly touches ne’er touched earthly faces.’
So should my papers, yellowed with their age,
Be scorned like old men of less truth than tongue,
And your true rights be termed a poet’s rage
And stretched metre of an antigue song:
But were some child of yours alive that time,
You should live twice, in it and in my rhyme.

Tradução de Jorge Wanderley

Quem crerá nos meus versos algum dia,
Se tanto louvam tuas qualidades?
Mas sabe o céu que são a tumba fria
A te esconder a vida e só a metade
Dizem de ti. Se teus olhos, somente,
Ou tuas graças todas eu cantasse,
O futuro diria: “O poeta mente,
Que o céu não toca assim humana face.”
E então os meus papéis já desbotados
Seriam - como velhos falastrões -
Encarnecidos e os teus dons deixados
No esquecimento de banais refrões:
Mas terás, se um teu filho viver tanto,
Dupla vida: no filho e no meu canto.

Tradução de Ivo Barroso

Um dia crer nos versos meus quem há-de
Se eu neles derramar teus dons mais puros?
No entanto sabe o céu que eles são muros
Que a tua vida ocultam por metade.
Dissera o que de teu olhar emana,
Teus dons em nova métrica medira,
Que acharia o porvir então: “Mentira!
Tais tratos não retratam face humana.”
Que mofem pois deste papel fanado
Qual de velhos loquazes, e a teu ente
Chamem de pura exaltação da mente
E a meu verso exageros do passado.
Mas se chegar a tua estirpe a tanto,
Em dobro hás-de viver: nela e em meu canto.

Tradução de Fabrício Souza

Quem crerá em meu verso na era futura
Se ele é cheio de tua mais alta verdade
Mas ainda assim é amostra impura
Que de tua vida mostra só a metade.
Se eu pudesse pintar teu olhar brilhante
E em números tuas graças enumerasse
A era futura diria: o poeta mente
Tais tons nunca tingiriam humana face
Então, meus papéis amarelecidos
Seriam tratados como de um caduco
Tributos vão de furores perdidos
Exageros em versos de um maluco
Mas se ainda algum dos teus vivesse então
Viveria duas vezes, nele e em canção.

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