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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Interação.com

Hoje tive uma grande satisfação. Minha crônica "Como se constroi uma grande paixão" que postei em 4 de abril, como homenagem de uma família gremista ao centenário do Internacional foi publicada no Blog Artigos de Edward de Souza, jornalista, escritor e radialista, de São Paulo. O Edward que aparece aqui, na barra lateral, na lista dos seguidores e mais abaixo, em Minha Lista de Blogs - visita também os blogs locais da Elizandra e do Dr. Disconzi...Em meados de fevereiro, quando isso aconteceu, fiquei curiosa e fui dar uma olhadinha no blog dele. Resultado: Acesso todos os dias, pela qualidade dos textos publicados e, acima de tudo, pela permanente interação entre os frequentadores assíduos do espaço - jornalistas, radialistas, estudantes de jornalismo e pessoas de outras profissões - todos interessadíssimos em compartilhar boa leitura, informação e conhecimento.

Acessando o blog do Edward de Souza conheci o trabalho de grandes profissionais de jornal, rádio e tv que, generosamente, dividem suas experiências, contam histórias fantásticas e proporcionam momentos muito agradáveis e até mesmo emocionantes, por sua sensibilidade na abordagem dos temas. A interação é impressionante. Cada texto recebe, no mínimo, 25 comentários de gente que gosta de opinar, cumprimentar, contar experiências similares e brincar, de maneira muito saudável.

Aliás, o bom-humor tem sido uma marca registrada desse blog, especialmente nos textos que falam de futebol. Os recentes confrontos entre São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos, pelo Campeonato Paulista ensejaram situações muito engraçadas pela tradicional rivalidade existente entre os torcedores. Acreditam que tem até um padre que participa todos os dias, com comentários peculiares, nada ortodoxos? (desconfio que de religioso tem muito pouco...)

Acessem, vale a pena:

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Gripe suína avança. O que é e como prevenir-se.

Infectologistas em todo o mundo estão trabalhando para conter casos de gripe suína no México, nos Estados Unidos e no Canadá, além de suspeitas em outros países. Entenda o que é a doença e quais seus riscos.

A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus Influenza tipo A, que tem diversas variantes. O atual surto, que teve início na América do Norte, é provocado por uma versão mutante do vírus H1N1, capaz de infectar humanos e se propagar de pessoa para pessoa.

Os sintomas da gripe suína são semelhantes aos produzidos por gripes comuns, sazonais e incluem febre, tosse, garganta inflamada, dores pelo corpo, sensação de frio e fadiga.

Os vírus da gripe têm a capacidade de trocar componentes genéticos uns com os outros, e parece provável que a nova versão do H1N1 resulta de uma mistura de diferentes versões do vírus, que podem afetar espécies diferentes no mesmo animal hospedeiro. Os porcos oferecem uma condição boa para que esses vírus se misturem.

Quando um novo tipo de vírus da gripe aparece e adquire a capacidade de ser transmitido de pessoa para pessoa, é monitorado de perto para verificar seu potencial de gerar uma pandemia.
A Organização Mundial da Saúde advertiu que, considerados em conjunto, os casos no México e nos Estados Unidos podem gerar uma pandemia e afirma que a situação é séria e já aumentou o perigo de pandemia para o nível cinco (a escala vai de um a seis). Porém especialistas dizem que ainda é muito cedo para avaliar completamente a situação.

As autoridades americanas informam que duas drogas geralmente usadas para tratar casos de gripe, Tamiflu e Relenza, se mostraram úteis no tratamento de casos que aconteceram até agora. Porém esses medicamentos devem ser ministrados nos estágios iniciais da doença para surtirem efeito.

Uma das formas de prevenção da doença é evitar contato com pessoas que tenham desenvolvido sintomas como febre e tosse. Medidas comuns para se evitar infecções e de higiene manual podem ajudar a reduzir a transmissão de viroses, incluindo a gripe suína em humanos. Medidas simples são salutares como cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, usando um lenço de papel quando possível e jogando-o fora logo após o uso.

É importante também lavar as mãos frequentemente com água e sabão para evitar que o vírus se propague das mãos para a face ou para outra pessoa. Ao cuidar de uma pessoa gripada, o uso de máscara cobrindo o nariz e a boca diminui o risco de transmissão.

O Instituto Butantã, de São Paulo, aceitou pedido da OMS para realizar estudos visando a produção de uma vacina para a gripe suína, que deverá estar pronta para uso em seis meses. O trabalho começa após o recebimento das amostras e em três meses, já haverá experimentos em cobaias.
Fonte: BBC Brasil

Selic em 10,25%

A taxa Selic ficou em 10,25% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acaba de cortar em um ponto percentual a taxa de juros. É a menor taxa da história desde que o Copom foi criado.

O Brasil deixou de ter a maior taxa mundial de juros. Com o corte de um ponto percentual, a taxa real brasileira chegará a 5,8%, valor inferior ao praticado por China (6,6%) e Hungria (6,4%).

O que é o Copom

Hoje tem reunião do Copom - Comitê de Política Monetária, seguramente o órgão mais poderoso do país, aquele que regula o mercado e define, para mais ou para menos, quanto os brasileiros vão penar.

Segundo o site do Banco Central, formalmente, os objetivos do Copom são "implementar a política monetária, definir a meta da Taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o "Relatório de Inflação". A taxa de juros fixada na reunião do Copom é a meta para a Taxa Selic (taxa média dos financiamentos diários, com lastro em títulos federais, apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia), que vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do Comitê. Se for o caso, o Copom também pode definir o viés, que é a prerrogativa dada ao presidente do Banco Central para alterar, na direção do viés, a meta para a Taxa Selic a qualquer momento entre as reuniões ordinárias.

As reuniões ordinárias do Copom dividem-se em dois dias: a primeira sessão às terças-feiras e a segunda às quartas-feiras. Mensais desde 2000, o número de reuniões ordinárias foi reduzido para oito ao ano a partir de 2006, sendo o calendário anual divulgado até o fim de outubro do ano anterior. O Copom é composto pelos membros da Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil: o presidente, que tem o voto de qualidade; e os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Estudos Especiais, Assuntos Internacionais, Normas e Organização do Sistema Financeiro, Fiscalização, Liquidações e Desestatização, e Administração. Também participam do primeiro dia da reunião os chefes dos departamentos Econômico (Depec), de Operações das Reservas Internacionais (Depin), de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban), de Operações do Mercado Aberto (Demab), de Estudos e Pesquisas (Depep), além do gerente-executivo da Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin). Integram ainda a primeira sessão de trabalhos três consultores e o secretário-executivo da Diretoria, o assessor de imprensa, o assessor especial e, sempre que convocados, outros chefes de departamento convidados a discorrer sobre assuntos de suas áreas.

No primeiro dia das reuniões, os chefes de departamento e o gerente-executivo apresentam uma análise da conjuntura doméstica abrangendo inflação, nível de atividade, evolução dos agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de câmbio, reservas internacionais, mercado monetário, operações de mercado aberto, avaliação prospectiva das tendências da inflação e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

No segundo dia da reunião, do qual participam apenas os membros do Comitê e o chefe do Depep, sem direito a voto, os diretores de Política Monetária e de Política Econômica, após análise das projeções atualizadas para a inflação, apresentam lternativas para a taxa de juros de curto prazo e fazem recomendações acerca da política monetária. Em seguida, os demais membros do Copom fazem suas ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas. Ao final, procede-se à votação das propostas, buscando-se, sempre que possível, o consenso. A decisão final - a meta para a Taxa Selic e o viés, se houver - é imediatamente divulgada à imprensa ao mesmo tempo em que é expedido comunicado através do Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen).

As atas em português das reuniões do Copom são divulgadas às 8h30 da quinta-feira da semana posterior a cada reunião, dentro do prazo regulamentar de seis dias úteis, sendo publicadas na página do Banco Central na internet ("Notas da Reunião do Copom") e para a imprensa. A versão em inglês é divulgada com uma pequena defasagem de cerca de 24 horas.

Ao final de cada trimestre civil (março, junho, setembro e dezembro), o Copom publica, em português e em inglês, o documento "Relatório de Inflação", que analisa detalhadamente a conjuntura econômica e financeira do país, bem como apresenta suas projeções para a taxa de inflação.

Fonte: Site do Banco Central do Brasil

Tudo azul na América!

Como ninguém é de ferro e eu muito menos, não posso deixar de falar na vitória do Grêmio sobre o Boyacá Chicó, por 3 x 0, ocorrida há algumas horas, que faz do tricolor o melhor time da primeira fase da Copa Libertadores 2009. Com gols de Souza, aos 12 e aos 16 e Léo, aos 29 minutos do primeiro tempo — atingiu 16 pontos e confirmou a melhor campanha da fase de grupos na competição sul-americana. Com isso, terá a vantagem de jogar as decisões das próximas fases da Libertadores em casa.

Além da liderança por pontos na Libertadores, o Grêmio tem a melhor defesa (um gol sofrido) e o melhor ataque do campeonato (11 gols marcados). Hoje, com o final da primeira fase, o tricolor vai conhecer seu adversário nas oitavas-de-final. No próximo dia 6, provável data da estreia da equipe na segunda fase, o time de Marcelo Rospide será o visitante — tudo indica que o adversário será o Defensor.

E vamos em frente!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Imprensa maldita!

A última novidade em matéria de desgraça global é a gripe suína, praga que se alastra vertiginosamente, segundo as informações mais recentes. O vírus é insidioso e não respeita fronteiras. Viaja, silencioso, diretamente do México para o mundo, enganando a frouxa resistência das barreiras sanitárias organizadas às pressas, especialmente a brasileira, que é risível. São tantos funcionários públicos sentados em berço esplêndido, por tanto tempo que, quando é preciso correr e agir rapidamente, falta fôlego e, em especial, cérebro...

Os maiores beneficiários dessa súbita manchete, que lhes tira espaço no noticiário, são os políticos brasileiros que devem respirar (cuidado com o vírus suíno!) aliviados já que, ultimamente, eram os donos das letras garrafais nos títulos jornalísticos e nas vozes alteradas de todas as mídias.

Pensando bem, dá para entender a gritaria e a inconformidade das Excelências. Estão perdendo privilégios mantidos por anos, sem que ninguém contestasse sua legalidade e o silêncio dos inocentes e dos nem tanto provocou uma avalanche de ilicitudes nunca vista dantes nesse país. Ainda bem que a culpa de toda essa infâmia é dos jornalistas, que não têm nada para fazer e ficam escarafunchando a vida de quem trabalha, de sol a sol, pelo bem do povo!

Vejam só, a investigação jornalística está acabando com a vida conjugal e familiar de centenas de parlamentares que agora, não poderão mais contar com a proximidade saudável de esposas, filhos, cachorros, gatos e papagaios, porque lhes serão restringidas as viagens aéreas semanais de lá pra cá e de cá pra lá. Ah! E tem coisa mais desagradável ainda...Vão acabar as viagens de férias à Disney, as noitadas em Paris, Londres e Roma e as instrutivas excursões à Milão! O argumento lógico é de que a remuneração não é suficiente para suportarem as despesas decorrentes desse vaivém incessante. As Excelências parecem desconhecer que as arcas forradas com o dinheiro do contribuinte é que sustentam essa farra ilógica.

A grita geral da opinião pública (açulada pela Imprensa, é claro!) levou o presidente da Câmara a abandonar a idéia de levar ao plenário, para votação, as medidas saneadoras. Seria derrotado, sem apelação. Agora, a Mesa diretora da Casa vai aprovar ato com as seguintes medidas: 1. Fica mantida a cota de passagens dos deputados; 2. Fica proibida a cessão de bilhetes para parentes e amigos; 3. Abre-se exceção para viagens de assessores, desde que aprovadas pela Mesa; 4. As passagens só poderão ser usadas para deslocamentos no Brasil; 5. Créditos não utilizados terão de ser devolvidos ao erário.

Melhora, mas não erradica o problema. O furo continua. Logo, os deputados encontrarão argumentos para aumentarem a remuneração. Jeitinho daqui, jeitinho dali, e tudo voltará a ser como antes, até que os malditos jornalistas comecem a noticiar, novamente, a farra suína...

Atchim! Passageiros da Terra de Santa Cruz, coloquem suas máscaras!

Ilustração: Tiago Recchia, via Gazeta do Povo

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Crônica de uma morte anunciada

O jornal mais famoso do mundo, o The New York Times, está em agonia. E segue a passos firmes para um desfecho provável - vai fechar ou ser vendido. Foi engolido pela crise econômica, pela má-gestão e pelo avanço da internet, o fenômeno arrasa-quarteirão de todas as mídias.
Segundo reportagem da revista Veja, na quarta-feira passada, no alto da página 6 do caderno de economia do Times, uma reportagem noticiou que o grupo proprietário do jornal teve um prejuízo de 74,5 milhões de dólares no primeiro trimestre do ano, advindo da queda na receita publicitária em papel (28,4%) e na internet (8%) e lembrou que o prejuízo de agora é superior ao registrado no primeiro trimestre do ano passado, que ficou em 335.000 dólares. O conteúdo da reportagem é expressão de duas marcas do Times, uma legendária, outra tenebrosa: a excelência de seu jornalismo, que acaba de lhe render cinco Pulitzer, o prêmio mais prestigiado da imprensa americana, e a sua dramática situação financeira. Tão delicada que já se ouve uma pergunta que, pouco tempo atrás, era impensável: o Times vai fechar ou ser vendido?

Pelo mundo afora, os jornais ressentem-se de uma combinação de fatores desfavoráveis: a recessão mundial, que reduz os gastos com publicidade, e o avanço da internet, que suga anúncios, sobretudo os pequenos e rentáveis classificados, e também serve como fonte, em geral, gratuita, de informações. Mas em nenhum outro lugar a tormenta é tão assustadora quanto nos Estados Unidos. A crise econômica diminuiu drasticamente os dois maiores anunciantes – o mercado imobiliário e a indústria automobilística – e a evolução da tecnologia, com seu impacto arrasador na disseminação da informação, se dá numa velocidade alucinante no país. (Agora mesmo, o Twitter, misto de microblog com site de relacionamento passou a ser usado por celebridades, e explodiu: captura 8.300 novos adeptos por hora.)

No New York Times, a recessão e o estrago da internet se somaram a decisões duvidosas do grupo empresarial, como a compra do Boston Globe e a construção de uma suntuosa sede na Oitava Avenida, no coração de Nova York. Hoje, o grupo deve 1,1 bilhão de dólares. Já vendeu parte do novo prédio, por 225 milhões de dólares, e tomou emprestados 250 milhões com o bilionário mexicano Carlos Slim, dono da Claro e da Embratel no Brasil. Em 2002, o Times valia 5 bilhões de dólares e sua ação, 52 dólares. Hoje, seu valor caiu para 700 milhões e sua ação é negociada por volta dos 4 dólares – preço de sua edição dominical na banca. "Os analistas acham que, com a venda da sede e o empréstimo, o Times ganhou dois anos de sobrevida", diz Penny Abernathy, que trabalhou com Arthur Sulzberger Jr., da família que controla o jornal desde 1896.

O fechamento de um jornal é o fim de um negócio como outro qualquer. Mas, quando o jornal é o símbolo e um dos últimos redutos do bom jornalismo, não importa quanto isso custe, como é o caso do Times, morrem mais coisas com ele. Morrem uma cultura e uma visão generosa do mundo. Morre um estilo de vida. Nos EUA, a agonia dos jornais tem impacto especial pelo papel histórico que tiveram na construção da democracia e na introdução de uma relíquia constitucional – a garantia da liberdade de expressão, que ocupa lugar vital nos valores americanos. O dramático é que muitos leitores não parecem incomodados com a ameaça sobre os jornais. Uma pesquisa mostra que 42% dos americanos sentiriam "pouco" ou "nada" se seu jornal fechasse.

Especula-se que o Times poderia operar só na internet de segunda a sábado, preservando em papel a edição dominical – nela, anúncio avulso em cor e página inteira custa 270.000 dólares. Mas ninguém descobriu como viabilizar-se financeiramente na internet, arrecadando o bastante para bancar um jornalismo de alto padrão. O site do próprio Times é um bom exemplo. É uma pérola do jornalismo on-line. Com 20 milhões de visitantes por mês, oferece perfis e gráficos interativos, tem um arquivo com matérias do século XIX, áudios e vídeos de qualidade irretocável e oferece links até para a concorrência. Mas não se sustenta. Para mandar repórteres ao Darfur, à Amazônia ou ao Tibete, o Times gasta 200 milhões de dólares por ano. Sai caro, mas talvez isso esteja ficando desimportante aos olhos de um público aparentemente satisfeito com a qualidade – deplorável – do que se produz na internet. A febre atual nos EUA é o "jornalismo cidadão", já com mais de 450 blogs. O "jornalismo cidadão" é feito por qualquer um que tenha conexão com a internet e seja alfabetizado (ou quase). É até divertido. Mas será pior um mundo em que iniciativas amadoras substituam o jornalismo profissional na busca, seleção e difusão de informações de qualidade.

O Times, segundo a reportagem de Veja, está se contorcendo para manter o padrão do seu trabalho. "Já cortamos na cobertura nos arredores de Nova York", diz Bill Keller, o diretor do jornal. "Mas o grosso da nossa cobertura, que é a reportagem no exterior, em Washington, em economia, na cultura, isso não foi afetado. A empresa trabalha para preservar o jornalismo." Quem acha que a internet é o nirvana da democratização da informação precisa lembrar que o Google tem seu quase monopólio – e divulga notícias de "25.000 fontes" sem pagar um tostão por elas. E quem acha que a internet, por sua natureza virtual, dissemina mais informação e eleva a cultura das massas precisa ir devagar. O site do Times, com seus 20 milhões de usuários, é o maior site de jornal do mundo. Mas, em média, seus visitantes ficam no site 35 minutos por mês. Ou 1,10 minuto por dia. Não dá tempo de ler nem um gibi. É como se os internautas passassem numa banca, dessem uma olhada nos títulos expostos e fossem embora. Sem ler nada.

Isso é perturbador. Amo o jornal impresso. Adoro manuseá-lo. Pegá-lo várias vezes durante o dia. Sempre a algo mais a ler, a compreender. É inspirador. Não sei como estará a situação dos jornais brasileiros. Não muito melhor, por certo, já que a aldeia é global...


Fonte: Revista Veja

sábado, 25 de abril de 2009

Ignorância e desinteresse

Matéria da revista Época desta semana traz pesquisa informal do jornalista Seth Kugel, que escreve sobre o Brasil para o site Global Post. Intrigado com a idéia de que, para os brasileiros, os americanos não sabem muito sobre o Brasil, Seth entrevistou alguns americanos no Parque Battery e na Times Square, em Nova York e concluiu que os americanos não sabem, de fato, o nome do presidente do Brasil. Apenas dois dos 50 entrevistados mencionaram o nome do presidente Lula. Um falou "Inácio da Silva" e outro disse "Lula". Uma mulher respondeu "Cardoso", certamente referindo o ex-presidente Fernando Henrique.

Outra pergunta, já emblemática, dizia respeito ao nome da capital do Brasil cuja idéia mais difundida é a de que os americanos acreditam ser Buenos Aires...Quando o jornalista questionou qual era a capital do Brasil, o mito foi desvendado. Ninguém disse Buenos Aires. A maioria dos americanos (16) confessou não saber qual era, mas a cidade mais citada foi São Paulo, dita por 13 entrevistados. A resposta certa partiu de oito americanos, o mesmo número de quem disse ser o Rio de Janeiro. Buenos Aires só foi citada três vezes ao longo da pesquisa. “Buenos Aires...não, isso é na Argentina”, teria dito um jovem. Um casal de adolescentes trocou a resposta da cidade argentina quando viu seus pais dando outra resposta, e assinalaram um “não sei”. Quanto à língua falada no Brasil, a maioria dos entrevistados acertou, embora 12 tenham dito ser “espanhol”. Dos 50, apenas cinco não disseram que o país situa-se na América do Sul.

Segundo Kugel, os brasileiros que ficaram sabendo da pesquisa disseram que o resultado foi surpreendente e ficaram aborrecidos porque os americanos não sabiam quem era o presidente do maior país da América Latina. Mas, eles próprios não sabiam nomes de presidentes da África ou da Ásia.

Pois bem, nada de novo no front. É histórico o desconhecimento dos americanos acerca de tudo que é externo aos Estados Unidos. Simplesmente não lhes interessa. Para eles só existe a "América". Tenho um irmão que mora Texas há mais de dez anos que confirma isso - os americanos só se interessam por seu umbigo. Nada mais os sensibiliza.

Aliás, a situação aqui no Brasil não é muito diferente. Pergunte-se ao povo qual é a capital americana. Muitos dirão que não sabem. Alguns responderão que é Nova York. Outros dirão que é Londres. Acerca do presidente, a maioria dirá que é Obama, por certo, porque está o tempo todo na mídia. Mas saberão nome do presidente do Uruguai, ou do Chile, ou do México? Duvido!

A ignorância e o desinteresse grassam, também, nesta Terra Brasilis.

Fonte: site da revista Época

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Para ler e ver

Quando livros são transformados em filmes, nem sempre os resultados são os melhores. Roteiro, cenografia, direção, atores colocam suas experiências e sensibilidade, criando, por vezes, uma nova obra, diferente da original. Não é o que acontece em "O Leitor". Gostei da adaptação. Mesmo com ligeiras mudanças no roteiro, o clima de profunda solidão, vergonha, tristeza, compaixão e horror à violência do nazismo sobreviveu, sobretudo com a magistral interpretação de Kate Winslet (que lhe valeu o Oscar de melhor atriz), acompanhada com brilho por Ralph Fiennes (Michael adulto) e David Kross (Michael jovem).

A narrativa aborda o relacionamento de um adolescente alemão, Michael, que tem somente 15 anos, com Hanna, uma mulher 21 anos mais velha. Ambos vivem uma delicada e intensa relação amorosa, até que Hanna desaparece subitamente sem deixar pistas. Sete anos depois, Michael, agora estudante de direito, é convidado a acompanhar um julgamento de criminosos do regime nazista. Ele descobre, para seu terror, que sua antiga amante é uma das acusadas pelos crimes (era guarda no campo de concentração de Auschwitz), o que o lança em um turbilhão de culpa e piedade.

Além de todos os elementos que emprestam à narrativa um tom de dor profunda, há um que se destaca porque altera definitivamente o destino da protagonista - o analfabetismo - ela não sabia ler. Mais não vou contar.

É uma leitura necessária. Ou assistam o filme. Ou os dois. Como eu fiz. De preferência em uma sala de cinema.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

William Shakespeare

23 de abril. Dia de William Shakespeare. Do seu nascimento e de sua morte. O maior entre os maiores. Quem lembrou de Shakespeare hoje foi Froilam de Oliveira que demonstrou, em seu blog, puro desconcerto para com o esquecimento ou a falta de referência dos colegas da blogosfera a esta data tão significativa para os que mexem com as letras...Em homenagem a ele, fui procurar alguns sonetos do mestre. Os Sonetos de Shakespeare (The Sonnets) constituem uma coleção de 154 poemas sob a forma estrófica do soneto inglês que abordam uma galeria de temas tais como o amor, a beleza, a política e a morte. Foram escritos, provavelmente, ao longo de vários anos para, afinal, serem publicados, exceto os dois primeiros, em uma coleção de 1609; os de número 138 ("When my love swears that she is made of truth") e 144 ("Two loves have I, of comfort and despair") haviam sido previamente publicados em uma coletânea de 1599, intitulada The Passionate Pilgrim.

Escolhi o Soneto XVII, original em inglês e três traduções propostas.

S o n e t o X V I I

Who will believe my verse in time to come
If it were filled with your most high deserts?
Though yet heaven knows it is but as a tomb
Which hides your life and shows not half your parts.
If I could write the beauty of your eyes
And in fresh numbers number all your graces,
The age to come would say, `This poet lies:
Such heavenly touches ne’er touched earthly faces.’
So should my papers, yellowed with their age,
Be scorned like old men of less truth than tongue,
And your true rights be termed a poet’s rage
And stretched metre of an antigue song:
But were some child of yours alive that time,
You should live twice, in it and in my rhyme.

Tradução de Jorge Wanderley

Quem crerá nos meus versos algum dia,
Se tanto louvam tuas qualidades?
Mas sabe o céu que são a tumba fria
A te esconder a vida e só a metade
Dizem de ti. Se teus olhos, somente,
Ou tuas graças todas eu cantasse,
O futuro diria: “O poeta mente,
Que o céu não toca assim humana face.”
E então os meus papéis já desbotados
Seriam - como velhos falastrões -
Encarnecidos e os teus dons deixados
No esquecimento de banais refrões:
Mas terás, se um teu filho viver tanto,
Dupla vida: no filho e no meu canto.

Tradução de Ivo Barroso

Um dia crer nos versos meus quem há-de
Se eu neles derramar teus dons mais puros?
No entanto sabe o céu que eles são muros
Que a tua vida ocultam por metade.
Dissera o que de teu olhar emana,
Teus dons em nova métrica medira,
Que acharia o porvir então: “Mentira!
Tais tratos não retratam face humana.”
Que mofem pois deste papel fanado
Qual de velhos loquazes, e a teu ente
Chamem de pura exaltação da mente
E a meu verso exageros do passado.
Mas se chegar a tua estirpe a tanto,
Em dobro hás-de viver: nela e em meu canto.

Tradução de Fabrício Souza

Quem crerá em meu verso na era futura
Se ele é cheio de tua mais alta verdade
Mas ainda assim é amostra impura
Que de tua vida mostra só a metade.
Se eu pudesse pintar teu olhar brilhante
E em números tuas graças enumerasse
A era futura diria: o poeta mente
Tais tons nunca tingiriam humana face
Então, meus papéis amarelecidos
Seriam tratados como de um caduco
Tributos vão de furores perdidos
Exageros em versos de um maluco
Mas se ainda algum dos teus vivesse então
Viveria duas vezes, nele e em canção.

3ª Feira dos Artistas

Final de semana movimentado em Santiago com a realização da 3ª Feira dos Artistas, nos dias 24, 25 e 26 de abril, no Ilha Bella Shopping Center. No dia 24 de abril, a partir das 20h, abertura da Feira, com Rafael Nemitz e apresentações artísticas: Dança Hip-Hop (Guerreiro de Rua - Prof. Leandro Cáceres) e show acústico, com André Canterle.

No sábado, 25, às 14h, abertura dos estandes ao público; às 16h30min, show acústico com o Criança Feliz; às 17h20min, Maiara e Indiara; às 18h, recital de poesia com Therezinha Lucas Tusi; às 18h30min, show acústico com Ângelo Tamiosso e Banda; às 19h15min, painel História de Santiago, com Fábio Monteiro; às 20h, dança moderna, com grupo da Escola Monsenhor Assis; às 20h10min, dança contemporânea, com grupo da Escola Thomas Fortes; às 20h20min, show acústico com Lúcio Cadó & Diogo Bonato; às 21h10min, ballet com a Cia Corpus - Profª Viviane Spagnolo; às 21h30min, show acústico com Marcelo Diello; às 22h15min, tango, com Prof. Nilson e às 22h30min, show acústico com a Banda Alive.

No domingo, 26, às 16h, abertura dos estandes ao público e mateada, oferecida pela Erva Mate Santiago; às 16h30min, dança tradicionalista com o Criança Feliz; às 16h50min, show acústico com Marino Braz e Pedro Acácio; às 17h30min, apresentação de Sadi Machado; às 18h, show acústico com Marcos Libeiro; às 18h40min, show acústico com Eduardo & Gustavo Fiorenza; às 19h20min, show acústico com Édson Vargas Jr. & Guilherme Martins; às 20h, show acústico com Karol Ferreira & Roberto Ponsi; às 20h40min, show acústico com a Banda Libélula Negra e às 21h10min, show acústico com Anderson Mireski.

Folhas de outono

Amanhã, 24 de abril, às 20h, no Centro Cultural Aureliano de Figueiredo Pinto, acontece o evento de lançamento do livro Folhas de Outono, de Cácio Machado da Silva, em promoção organizada pelo Centro Cultural - Departamento de Cultura e da Secretaria Municipal de Educação e Cultura.

Uma excelente oportunidade para conhecer a obra, a sensibilidade e a construção poética de Cácio Machado da Silva.

Para reflexão

Do Blog O Caderno de Saramago, parte do texto Exibicionismos, publicado há alguns dias:

"Palavras como discrição, reserva, recato, pudor ou modéstia ainda se encontram em qualquer dicionário. Temo, porém, que algumas delas venham a ter, mais cedo ou mais tarde, o triste destino da palavra esgártulo, por exemplo, varrida, como outras, do dicionário da Academia por uma manifesta e pertinaz falta de uso que havia feito dela um peso morto nas eruditas colunas. Eu próprio não me lembro de a ter dito alguma vez e muito menos tê-la escrito. Já a palavra reserva, embora vá a caminho de perder a acepção que me levou a incluí-la na lista acima, tem garantida uma vida longa por aquilo da reserva de bilhete ou de lugar sem os quais serviços fundamentais como os transportes aéreos simplesmente não funcionariam. E isto sem esquecer outra reserva, a mental, inventada pelos jesuítas como explicação última de terem dito primeiro uma coisa e feito depois a contrária, operação, aliás, que vingou e prosperou ao ponto de acabar por se difundir na sociedade humana como condição mesma de sobrevivência..."

Desconfio que palavras como vergonha, integridade, ética, transparência ou decência também estão com os dias contados...
A propósito, esgártulo não sei o que significa ou significava, já que o termo foi banido do dicionário...

Boa pergunta. Resposta infeliz.

Indagação pertinente feita por um leitor no Blog do Noblat, esta noite, a respeito das viagens dos parlamentares:

"Por que o parlamentar tem que ir uma vez por semana ao seu reduto eleitoral às custas do contribuinte?

Ora, ele foi eleito para ficar em Brasília. Falar que precisa ir para estar em contato com a sua base e poder trabalhar por ela? Ele faz isso antes da campanha. Durante o seu mandato tem é que cumprir com o que foi prometido para ser eleito.

Além do mais, hoje com a internet e todas as suas facilidades, não preciso ir até Zagreb, na Croácia, para saber o que está acontecendo por lá, ou até mesmo em alguma cidade menor do interior da Eslováquia. Não tem internet de alta velocidade no Congresso para promover, inclusive, conferência on-line dos parlamentares com os seus representantes nas suas bases?

Ora, soluções para o fim dos abusos existem aos milhões. Resta saber se querem mesmo acabar com as mordomias ou se é apenas conversa para boi dormir."

Em contraponto, deputado qualquer (Sílvio Costa, PMN-PE), no Jornal da Globo, disse que não pode exercer seu mandato a contento se não tiver todas as "condições" (leia-se recursos), senão há perigo de "corrupção" e continuou, afirmando que vai recorrer em plenário caso seja aprovado o ato da Mesa que acaba com o uso da cota para parentes. "Não é justo que mulher e filhos não possam vir a Brasília. Quer dizer que agora eu venho para Brasília e minha mulher fica lá? Assim vocês querem que eu me separe. É preciso acabar com essa hipocrisia. Ou a Câmara tem a coragem de falar a verdade ou cada dia vamos apanhar mais", disse, para logo a seguir ser aplaudido por colegas. Mais uma resposta infeliz...

Tenho certeza de que não elegemos as mulheres e os filhos dos deputados. Se querem ir e vir a Brasília, que seja com seus próprios recursos e não com o dinheiro do povo.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

E segue o baile aéreo na Câmara e no Senado

Miami, Nova York, Paris, Londres, Milão, Roma, Bariloche, Buenos Aires, Madri, Frankfurt, Santiago (o do Chile), Montevidéu, Uruguai, Caracas. O que há em comum a essas 13 cidades? Elas foram o destino de 1.887 voos internacionais pagos com a cota de passagens aéreas dos deputados no período de janeiro de 2007 a outubro de 2008, conforme levantamento feito pelo site Congresso em Foco com base em registros fornecidos pelas companhias aéreas.

O dado mais surpreendente da pesquisa é o número de parlamentares que utilizaram sua cota para pagar voos ao exterior. No período citado, 261 deputados – ou seja, 51% do total de 513 – fizeram isso, boa parte deles viajando em companhia de cônjuges ou familiares. Os registros das companhias aéreas permitiram identificar quem mais usou suas cotas da Câmara para pagar passagens com destino a outros países. O grande destaque foi o deputado Dagoberto Nogueira (PDT-MS).

O processamento realizado pelo site indica que as viagens internacionais pagas com a cota parlamentar custaram à Câmara R$ 4.765.946,91, sendo R$ 3.021.557,98 nos bilhetes emitidos e mais R$ 1.744.388,93 com taxas de embarque. O tamanho do problema deve ser medido menos por cifras do que pelo seu alastramento. Assim como a lista dos líderes que também utilizaram a cota para viajar ao exterior, os 261 deputados listados agora mostram que o uso controvertido da cota é suprapartidário. Comum a deputados de esquerda e de direita, das bancadas do governo e da oposição. No entanto, as circunstâncias em que os voos ocorreram, e as explicações apresentadas, variam muito.

Os dados hoje revelados também colocam em xeque a tese defendida no domingo (19) pelo presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), de que os problemas com as passagens aéreas se restringiriam a uns poucos deputados. Cobrado por empresários sobre o mau uso do dinheiro público, durante o Fórum Empresarial, que reuniu 320 altos executivos brasileiros na ilha de Comandatuba, no sul da Bahia, ele afirmou, segundo a Agência Estado: "Os equívocos são 10, 12, 15 casos entre 513 deputados e 81 senadores, e não podem ser encarados como regra".

Como se vê, ao contrário do que imaginava o presidente da Câmara, o tamanho do problema é outro. O próprio Temer usou a cota para viajar a passeio com a família para a cidade de Porto Seguro, no litoral da Bahia.

Questionados sobre os seus procedimentos, os deputados ouvidos invocaram, quase em uníssono, a absoluta legalidade da utilização da cota para o pagamento de viagens ao estrangeiro.

A questão não é, do ponto de vista jurídico, tão pacífica assim. Na semana passada, o Ministério Público Federal chegou a encaminhar à Câmara recomendação na qual frisa que a cota não pode ser usada por terceiros, mas apenas pelos deputados, e mesmo assim se o deslocamento estiver relacionado com atividade necessária para o exercício do mandato.

Juristas manifestam entendimento semelhante ao do MPF. Para eles, a legislação em vigor seria suficiente para concluir que estariam ocorrendo pelo menos dois atos sem amparo legal: o uso da cota para pagar passagens internacionais e a entrega de bilhetes a amigos e parentes.

No primeiro caso, os juristas tomam como regra um dos princípios fundamentais do direito público: o pressuposto jurídico de que só pode ser considerado legal aquilo que é feito com base em determinação expressa da lei. Ou seja: tudo que não é explicitamente permitido em lei deve ser considerado proibido. Seria isso, concluem, o que ocorre com o uso da cota – que é destinada a voos domésticos – para bancar viagens ao exterior.

No segundo caso, eles citam a Constituição Federal, a legislação ordinária e as próprias normas regimentais da Câmara para inferir que é ilegal usar a cota em favor de terceiros, sobretudo em atividades que não estejam diretamente relacionadas ao mandato parlamentar. Princípios como impessoalidade e moralidade, argumentam, não são simples imperativos éticos abstratos, mas mandamentos constitucionais e legais aos quais estão sujeitos todos os detentores de mandato popular.

O fim do adicional dos líderes e dos integrantes da Mesa está entre as medidas anunciadas semana passada para moralizar o uso das passagens. O problema é que, além de reduzirem a cota em 20%, os deputados decidiram legalizar o repasse de suas passagens aéreas para familiares.

As passagens internacionais ficaram de fora da nova regulamentação, assim como a nova medida que a Mesa Diretora está prestes a oficializar, a proibição de uso da cota por terceiros.

Ao avaliarmos essa série de ilegalidades cometidas pelos parlamentares, que não tomam conhecimento das regras que devem seguir no exercício do seu mandato, parece claro que deputados e senadores vivem num mundo à parte e não devem satisfação alguma a quem os elegeu. Será que no ano que vem terão a mesma cara de pau de pedir novamente o nosso voto? Claro que sim! E seguiremos votando nesses pilantras e bancando suas "despesas" também com a maior cara de palhaços!

Fonte: Congresso em Foco

Imagem: Tiago Recchia, via Gazeta do Povo

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Tiago Recchia, via Gazeta do Povo

O que o povo pensa do Congresso?

Rogério Schmitt, doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), organismo ligado à Universidade Cândido Mendes, elaborou estudo destinado a examinar a avaliação do eleitorado brasileiro sobre o desempenho do Congresso Nacional a partir das melhores evidências empíricas disponíveis.

Em trabalho anterior, após avaliar as abstenções e os votos brancos e nulos nas quatro últimas eleições legislativas, defendeu a tese de que o Congresso definitivamente não está sendo assombrado pelos espectros da apatia, da indiferença ou da rejeição dos eleitores.

Neste estudo reflete um pouco mais sobre esse assunto com base em um outro tipo de estatística. Dessa vez, examina os resultados das pesquisas de opinião pública sobre a popularidade do Congresso, utilizando como fonte as pesquisas que vem sendo feitas regularmente pelo Instituto Datafolha há mais de 15 anos. Selecionou 31 pesquisas realizadas entre 1996 e 2009 pelo Datafolha que basicamente perguntam aos eleitores como eles avaliam o desempenho do Congresso.

As respostas são agrupadas nas categorias “avaliação positiva” (ótimo/bom), “avaliação negativa” (ruim/péssimo) e “avaliação regular”. Os números a seguir se referem às médias das taxas de avaliação positiva e negativa do Congresso em cada ano. Em alguns anos, foi localizada apenas uma pesquisa. Mas na grande maioria deles havia duas ou mais pesquisas disponíveis. Infelizmente não foi possível encontrar nenhuma pesquisa realizada no ano 2002.

Tabela 1: Média (%) da avaliação positiva e negativa do Congresso Nacional
Ano Av. Pos. Av. Neg.
1996
21,0 26,0
1997 16,5 31,5
1998 19,0
31,0
1999 13,0
37,0
2000 15,3 35,0
2001 17,0
32,5
2003 24,0
22,0
2004
17,0 28,0
2005 13,0 46,0
2006 14,2 40,0
2007 14,5 37,5
2008 16,5 35,0
2009 16,0 37,0
Fonte: Datafolha

Os dados revelam aquilo que todos os analistas políticos já cantaram em verso e prosa: há muito mais eleitores que avaliam negativamente o desempenho do Congresso do que o contrário. Mas esse não é absolutamente um fenômeno recente, pois essa tendência se repetiu em doze dos treze anos dessa série histórica. De fato, a avaliação negativa do Congresso costuma oscilar entre 25% e 40% dos entrevistados. Ao mesmo tempo em que o intervalo de variação da avaliação positiva costuma ser entre 10% e 20% dos eleitores.

A boa notícia é que – desde o desgaste causado pela crise do mensalão em 2005 – a (baixa) popularidade do Congresso recuperou-se gradativamente nos quatro anos subseqüentes. A ligeira queda observada em 2009 provavelmente se deve ao fato de que o Datafolha realizou apenas uma única pesquisa até o momento. Se isolarmos as taxas de avaliação negativa do Congresso, observaremos que elas são sempre inferiores a 50%. Em outras palavras, sempre houve mais eleitores que classificam o desempenho do legislativo como “positivo” ou “regular” do que como “negativo”.

Segundo avalia o Dr. Schmitt, as conclusões mais importantes são duas. Em primeiro lugar, parece haver bastante estabilidade nos números das pesquisas sobre avaliação do Congresso. Esse padrão não deve mudar (para melhor ou para pior) no futuro próximo. Em segundo lugar, o predomínio da avaliação negativa sobre a positiva também não se traduz em aumento das taxas de abstenção ou de votos brancos e nulos.

Assim como seria de se esperar numa democracia, os eleitores são críticos do desempenho do Congresso mas continuam depositando nele as suas esperanças a cada nova eleição.

Será que os eleitores brasileiros sabem mesmo o que se passa no Congresso? Será que se importam?
Fonte: Congresso em Foco

terça-feira, 7 de abril de 2009

Voto facultativo para maiores de 65 anos

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou hoje proposta de emenda constitucional que torna o voto facultativo para quem tem mais de 65 anos. Pela lei atual, o voto é obrigatório para quem tem até 70 anos. A matéria será ainda apreciada em plenário.

Autor da proposta, o senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) argumenta que é preciso uniformizar o tratamento legal conferido aos idosos. Ele cita, por exemplo, a lei que garante atendimento prioritário em órgãos públicos e instituições financeiras aos maiores de 65 anos, e a primazia na tramitação de procedimentos judiciais em que os maiores de 65 anos são partes ou intervenientes.

A legislação eleitoral precisa avançar e instituir o voto facultativo universal, para todos os brasileiros. Ninguém deve ser obrigado a votar. A manifestação de vontade deve ser uma escolha do eleitor.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Estados e Municípios vivem drama com redução dos repasses do governo federal

Fazer "caridade" com dinheiro alheio é muito fácil! Segundo o presidente Lula anunciou, o Brasil vai dispor de US$ 10 bilhões de suas reservas para emprestar ao FMI, conforme ficou acordado na última reunião da cúpula do G-20, que aconteceu na semana passada, em Londres, para composição do fundo de US$ 1 trilhão - valor destinado a auxiliar a combalida economia mundial afetada por crise econômica sem precedentes.

Pois é, para auxiliar o FMI há recursos e boa vontade ilimitada do governo, mas para socorrer estados e municípios, que enfrentam diminuição acelerada de receita do FPE e do FPM, por conta da redução dos repasses federais, que encolheram substantivamente, a alternativa dos governadores e dos prefeitos é promover uma nova corrida à Brasília, para pressionar os governantes.

Assim, governadores de todos os Partidos, inclusive os do PT, resolveram abrir uma nova frente de luta com o governo federal, desta vez para renegociar imediatamente as dívidas dos Estados para com a União. Os governadores estão dispostos a se reunir aos prefeitos, que esta semana irão a Brasília para forçar uma marcha ao Palácio do Planalto. Os prefeitos tiveram cortes enormes nos repasses federais. Os Estados também estão perdendo. O RS perdeu R$ 160 milhões só no primeiro trimestre. O problema da redução dos repasses não é o que mais angustia os governadores neste momento, mas o pagamento mensal das prestações da dívida com a União. Na reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária, realizada na quinta-feira em Terezina, os secretários da Fazenda aprovaram dois pontos principais da renegociação:

1) substituição do indexador, IGP-DI por IPCA. Só com isto o saldo devedor cairá 30%. Somando os juros de 6,05% ao ano, mais a variação do IGP-DI, o serviço das prestações do ano sobe para 17%. Isto se configura confisco federal e não mais o subsídio que existiu quando foram fechados os contratos, em 1988. Com os juros básicos despencando, o serviço atual é inconcebível. Foi por isto que o governo gaúcho buscou renegociar parte da sua dívida federal, tomando dinheiro no exterior, com o Banco Mundial;

2) Redução do limite de comprometimento da receita líquida com esses pagamentos. A proposta é de que a redução vá de 15% para 13% e de 13% para 11%. A mobilização dos governadores e dos prefeitos vai se integrar ao movimento “Menos juros e mais empregos”.

Manifestando-se sobre a queda no repasse da arrecadação de tributos, o presidente Lula comentou que planeja conversar com os prefeitos para encontrar alguma saída, mas recomendou aperto no cinto, à guisa de economia, aconselhando medida de contenção doméstica: "Se uma mãe coloca feijão no fogo para cinco pessoas e chegam dez para comer, todo mundo vai ter que comer metade do que estava previsto".

domingo, 5 de abril de 2009

Ousadia sem limites

A cada dia novas e intoleráveis notícias chegam do Senado da República. Parece que não há limites para a ousadia dos senhores parlamentares que habitam a concha convexa. Quem sabe há um estranho fenômeno acontecendo naquelas paragens...As pessoas que lá adentram, por mandato concedido pelo povo, por concurso ou por contrato, sentem-se imediatamente apartadas da sociedade. São seres superiores, aos quais não alcançam as leis vigentes. Pode ser que tenham adotado o sistema de castas ainda em moda na Índia. Eles são os brâmanes, nós, a patuléia, somos os dalits...ou seja, não somos nada e nem temos o direito de criticar o festim macabro que se opera, há anos, na intrincada e escura geografia da Casa Senatorial.

E só temos conhecimento do que lá se passa porque há um estranho jogo entre os comensais (do festim) que, ofendidos com manobras dos seus pares, deixam vazar para a imprensa as tramoias engendradas para assegurar mais vantagens aos seus apaniguados. Dessa maneira, aos poucos, vamos chegando perto do vasto organograma que rege o funcionamento do Senado.

Primeiro, foram as 181 diretorias que depois eram 131 e que agora vão transformar-se em 50 ou em 20 (ainda não sabemos ao certo pois o Heráclito ainda não decidiu). Mas ele é Fortes...

Agora vêm à tona os 17 Conselhos existentes - Conselho Editorial; Conselho de Comunicação Social; Especial de Mérito Funcional; Conselho de Administração; Conselho Administrativo do Coral (pode?); Conselho de Supervisão do Sistema Integrado de Saúde; Conselho Nacional de Arquivo; Conselho Técnico de Consultoria Legislativa; Conselho da Ordem do Congresso Nacional; Conselho Científico do Centro de Altos Estudos (será que não há lugar para um de Baixos Estudos?); Conselho de Supervisão do Instituto Legislativo Brasileiro (ILB); Conselho de Supervisão do Prodasen; Conselho Universitário da Unilegis; Conselho Superior da Unilegis; Conselho de Supervisão do Centro Gráfico; Conselho Permanente de Licitação; Conselho Editorial do Guia do Servidor.

Com algumas exceções, a maioria dos integrantes dos conselhos recebe adicional de salário. Os do quadro de pessoal permanente recebem gratificações que vão de R$ 1.320,96 (FC-6 ) a R$ 2.064,01 (FC-8) - a mesma paga a diretores de subsecretarias. Já os comissionados receberiam, na função de conselheiros, até R$ 12 mil, com o salário. A direção da Casa não confirma a informação, e a presidência se limitou a esclarecer que José Sarney (PMDB-AP), presidente da Casa e do Conselho Editorial do Senado, não recebe remuneração por integrar o colegiado. O Conselho Editorial do Guia do Servidor foi criado em 2002, mas com o indicativo de não pagar adicional. Outros, como o Conselho de Comunicação Social, contam com pelo menos dez integrantes, todos recompensados com gratificações. O diretor e os três assessores técnicos, por exemplo, têm adicional de mais de R$ 2 mil cada, equivalente à função FC-8. Já os três chefes de serviço recebem extra de R$ 1.651,21, e os três assistentes técnicos, de R$ 1.320,96.

Bem, vamos esperar que a próxima semana traga mais novidades acerca da composição do organograma do Senado da República...Pode haver novas surpresas.

Fonte: Agência Globo

sábado, 4 de abril de 2009

Como se constrói uma paixão

Hoje, quando o Sport Club Internacional, mais conhecido como Colorado, completa 100 anos, vou contar uma historinha de como nasceu a paixão da família Andres pelo Grêmio. Nada a ver? Tudo a ver! Foi por causa do Inter!

Isso foi lá pelo fim dos anos 60. Meu pai, Luiz Carlos, não tinha preferência clubística. Quando jovem, jogou no Juventude, aqui de Santiago, time da Igreja, organizado pelo Pe. Assis. Mas era só um hobby. Minha mãe, Maria Lidia, também não era ligada em futebol. Nós éramos crianças - Nivia, Nina, Marcia, João Luiz e Carlos Max.

Acontece que tínhamos dois vizinhos que eram colorados doentes - Godofredo Beltrão do Nascimento (Seu Godo) e Agostinho Rodrigues Martins (Seu Neto). Fanáticos. As famílias idem.

Era necessário um contraponto. A Rua Barão do Ladário não podia ser só vermelha...

Antes que eu esqueça, nossas famílias eram amicíssimas, pais e filhos. Pois bem, meu pai começou a torcer pelo Grêmio, de forma a "incomodar" os amigos. Na hora do jogo, o rádio berrava. Se o Grêmio ganhava, era um escândalo, meu pai soltava foguetes, gritava, e nós também, todos gremistas de paixão recente. Até a mãe (seguramente uma das maiores gremistas que conheço, até hoje!). A antena da nossa TV era uma torre, com sete bandeiras do Grêmio, à época do heptacampeonato gaúcho - exageros do Seu Nenê Andres, como era conhecido o meu pai.

Ainda tinha um quarto personagem, o Seu Romano, um negro alto e forte, que também era colorado e vinha participar, diariamente, na Madeireira Andres, da roda de chimarrão e das discussões futebolísticas acirradas... Todos eram "entendidíssimos" de futebol!

Então resolveram os amigos apostar nos resultados dos jogos de Grêmio e Inter. O prêmio - latas de doce de pêssego! A aposta era paga nas segundas-feiras. Lembro que fiquei anos sem poder pensar em comer doce de pêssego, enfarada, de tantas latas que o pai ganhou na época das vacas gordas!

Uma coisa curiosa - se o Grêmio perdia, meu pai não se importava e recebia, de bom grado e sorridente, a flauta dos vizinhos colorados... Agora, se a derrota era do Inter, o Seu Neto aparecia só na terça-feira, para o mate e a prosa. O Seu Godo, só na quinta...e não se falava no assunto. Comentários? Só se fossem sobre a próxima partida...Mas as latinhas eram sagradas! Perdeu, pagou, mesmo sem palavras. Na "impossibilidade" do pai (de cabeça "inchada"), um filho trazia.

Aliás, o bom humor e o espírito do meu pai acerca dos assuntos de futebol era notório e soava estranho para nós, tenros torcedores azuis. Certa feita, o Inter ganhou o campeonato e os vizinhos comemoravam, felizes. Seu Nenê não se apertou, também estourou todos os foguetes que tinha reservado para a vitória que não veio...O João Luiz, meu irmão, não entendeu nada e foi procurar a mãe, com cara de choro: "- Mãe, afinal, a gente é gremista ou colorado?" A mãe o consolou: "- A gente é gremista, filho. O teu pai só está brincando com os vizinhos!". O João ficou aliviado e foi nos encontrar: "- Ainda bem, a mãe disse que a gente é gremista!."

Assim, aprendemos, em família, a respeitar a paixão que nasce das preferências do futebol. Como não vou cumprimentar todos os colorados desta terra, nossos irmãos, cuja paixão hoje faz 100 anos?

São boas recordações. Meu pai, Seu Godo, Seu Neto e Seu Romano, já se foram. Mas o exemplo de amizade, carinho, atenção e saudável maneira de torcer vai permanecer para sempre.

A família cresceu mas continua gremista. Só o Plínio, falecido esposo da Marcia e a Cristina, esposa do Max e sua filha, Ana, preferiram o Inter (com todo o nosso respeito, conforme a melhor tradição e o exemplo do Seu Nenê).

Assim, quando vi o anúncio do Grêmio, em ZH de hoje, cumprimentando o Internacional, lembrei de contar essa história. Chorei às pencas ao escrevê-la. Doce recordação.

Cabral e o muro ou a felicidade de não ver

A que ponto chegou a arrogância do homem, principalmente daquele que detém poder! Pois o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, deseja construir muros para cercar as favelas cariocas. Uma proposta estúpida, gestada na cabeça de um boçal, quero crer. Sua Excelência, o governador, não vê outra alternativa para resolver a situação de miséria dessas comunidades e precisa escondê-las, para que a paisagem da Cidade Maravilhosa não fique tão maculada...

Demonstrando sua perplexidade ante a esse propósito infeliz, o jornalista Josias de Souza, sarcasticamente, propõe que a ideia do governador Cabral seja estendida a todo o Brasil e comenta: "Havia a alternativa de distribuir centenas de milhares de viseiras e antolhos. Mas, com os muros, a felicidade de não ver parece mais concreta. É o fim da era dos gastos dispersivos em programas sociais inúteis. No lugar da saúde e do saneamento básico, quilômetros de muros. Lula deveria converter o programa do Rio em experiência nacional. Um grande “Cerca Brasil” seria mais vantajoso que o plano do milhão de casas. Amuralhadas, as comunidades pobres pareceriam condomínios fechados. Com duas vantagens: o projeto é mais simples e a execução menos onerosa. Afora os muros, meia dúzia de portões em cada um deles. O bastante para deixar passar a mão-de-obra barata. O pessoal que serve mesas grã-finas e limpa privadas de lares bem-postos. No mais, bastaria acrescentar no orçamento o dinheiro da tinta cor-de-rosa. Na verdade, a ideia de ignorar a realidade é antiga. A diferença é que, com a novidade do muro, ninguém precisa mais virar a cara."

Deve ser terrível para um gestor público descobrir que não tem mais nenhuma perspectiva a não ser a se esconder o que salta aos olhos...

Curso de Gestão Pública com pré-inscrições abertas na URI Santiago

Com o foco em gestores públicos, assessorias que atuem na área específica e acadêmicos concluintes de cursos de Administração ou áreas afins, estão abertas as pré-inscrições para o curso de gestores. A Escola para Gestores com Ênfase em Gestão Pública terá caráter intensivo e totalizará 300 horas de formação. As vagas são limitadas e a seleção será feita a partir de análise de currículo.

Objetivos: Instrumentalizar gestores públicos bem como suas assessorias no enfrentamento de demandas administrativas que contemplem o planejamento, monitoramento e avaliação contínuos diante do processo da gestão pública eficiente; abordar aspectos teóricos e práticos adotando diversos instrumentos operativos, elementos indispensáveis para a atuação eficiente na gestão pública; pontuar de maneira interdisciplinar, indicadores temáticos que norteiam a gestão pública dando ênfase na constituição de estratégias de empreendedorismo; constituir momentos formativos que pontuem o desenvolvimento regional em todas as suas esferas.

Blocos temáticos:
Indicadores elementares: Planejamento, controle e orçamento na Gestão Pública (30h);
Princípios conceituais da gestão do capital humano (30h);
Orçamento Participativo: Fundamentos estruturantes (30h);
Conexões teóricas entre o Plano Diretor e Gestão Pública (4
0h);
A Gestão Pública e as políticas de Meio-Ambiente (40h);
Legislação para a Gestão Pública eficiente (30h);
Projetos Estratégicos e o Desenvolvimento Regional (30h);
Monitoramento e controle de qualidade na Gestão Pública (40h);
Artigo temático com foco na Gestão Pública (30h)

Inscrições: 15 a 25 de abril
Avaliação e seleção: 27 e 28 de abril
Matrícula: 29 e 30 de abril
Início do curso: 08 de maio de 2009
Investimento: seis parcelas de R$ 275,00

Contato e informações pelos telefones 3251-3151/3157 - Ramal. 222 ou e-mail: nice@urisantiago.br e olmiro@urisantiago.br

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Mendes quer manter direito de resposta

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, defendeu ontem a manutenção do capítulo da Lei de Imprensa que trata sobre o direito de resposta. A continuação do julgamento do pedido de revogação da lei deverá ser retomada no dia 22. Mendes será o último a votar. A previsão era que o assunto voltasse à pauta no dia 15, mas foi adiado devido a compromissos externos que alguns ministros terão no dia.

Como profissional da Imprensa, acho que é imprescindível assegurar o contraditório - prática corrente nas empresas em que atuei, quando estava sob minha responsabilidade a Redação. Mas sabemos que o que interessa às empresas jornalísticas é vender, cada vez mais. Assim, sem norma específica gravada em lei, nem sempre haverá respeito ao contraditório e direito de resposta assegurado.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Interface Ativa - 1 ano!

Até esqueci! Ontem, 1° de abril, fez um ano que criei o Interface Ativa. Vou comemorar hoje, agradecendo aos amigos de todas as partes do mundo que tão gentilmente interagem comigo. Obrigada!

Lula & Beth

Tiago Recchia, via Gazeta do Povo

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Senado aprova fim de prisão especial para quem tem curso superior

O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira um projeto que acaba com a prisão especial para quem tem curso superior. Pelo projeto, o benefício de prisão especial seria retirado tanto de quem tem curso superior como de algumas autoridades. Ministros de Estado, governadores, deputados, prefeitos e vereadores também perdem o benefício. Seria mantida a prisão especial apenas para o presidente da República, juízes e membros do Ministério Público da União.

Os juízes poderão decidir ainda por prisão especial em casos que envolvam risco de vida ou ameaça à integridade física de quem cometeu crimes. O projeto segue para votações na Câmara dos Deputados antes de ir à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Adiado julgamento da Lei de Imprensa e do fim da exigência de diploma para jornalistas

Ficou para 15 de abril a continuação do julgamento em que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidirão se a Lei de Imprensa deve ou não ser revogada. A sessão recomeçará com dois votos a favor da revogação total da lei.

Carlos Ayres Britto, relator do caso, votou pela revogação total da lei. Mas deixou claro que se o plenário questionar alguns artigos e quiser discutir ponto por ponto, de forma "fatiada", ele também questionará 12 artigos atuais.

O ministro Eros Grau antecipou o voto. Segundo ele, a lei de imprensa deve ser totalmente revogada. Ele já tinha votado assim na sessão de 27 de fevereiro do ano passado, quando os ministros suspenderam, em caráter liminar, 20 dos 77 artigos da lei.

A discussão chegou ao Supremo em 2007, com uma ação do PDT pedindo a revogação total da lei. O deputado Miro Teixeira, autor da ação, alega a atual legislação impõe sanções muito severas aos jornalistas e, por isso, acaba sendo usada como instrumento contra a liberdade de expressão dos meios de comunicação.

Da mesma maneira, foi adiado, provavelmente para a mesma data, o julgamento do recurso que extingue a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista.

O fim da Lei de Imprensa

Logo após julgarem a necessidade do diploma de jornalista, hoje à tarde, os ministros do STF devem analisar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental - (ADPF) 130. Na peça jurídica, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) contesta a Lei de Imprensa (Lei 5.250/67), que já teve 22 dispositivos suspensos, de um total de 77 artigos, por decisão liminar concedida pelo Plenário do STF em fevereiro do ano passado. O relator da ação é o ministro Carlos Ayres Britto.

Na época, a corte autorizou os juízes de todo o país a usar, quando cabíveis, regras dos Códigos Penal e Civil para julgar processos sobre os dispositivos da lei que foram suspensos. Além disso, todos os julgamentos baseados na Lei de Imprensa foram suspensos. Para o ministro relator, há dispositivos na lei que têm "um viés autoritário".

Teixeira afirmou na ação que a lei é o produto de um Estado autoritário, “que restringiu violentamente as liberdades civis em geral”. Na ação, o parlamentar recorda as ações judiciais em massa de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) contra jornalistas. Para ele, esses casos são exemplos de tentativas de inibição de atividade de jornalista.

Entre as principais modificações decididas por Ayres Britto, estão a suspensão dos crimes de calúnia, injúria e difamação da Lei de Imprensa, assim como as penas aplicadas. “A atual Lei de Imprensa (...) não parece mesmo serviente do padrão de democracia e de imprensa que ressaiu das pranchetas da nossa Assembléia Constituinte de 1987/1988”, disse o ministro da decisão do ano passado.

“Nós defendemos que os artigos inconstitucionais sejam retirados. E esperamos que, depois, o Congresso pague uma dívida conosco e regulamente uma legislação democrática para a imprensa”, opinou o presidente da Fenaj. “Ela [a Lei de Imprensa] colide com a Constituição Federal, que estabeleceu a plenitude da liberdade de imprensa”, afirmou Azêdo, da ABI. “Os artigos dela criminalizam a função do jornalista.”

Nessa discussão, jornalistas e empresários dividem posições em comum. No artigo, a presidente da ANJ classifica a legislação como antidemocrática, “que tem o objetivo de limitar a difusão de informações e opiniões, impondo um ambiente obscurantista para a sociedade”.

Fonte: Congresso em Foco

A partir de hoje, está liberado! Todo mundo pode ser jornalista

A maneira como a imprensa se relaciona com a sociedade vai sofrer mudanças radicais a partir de hoje. O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia, às 14h, o julgamento de recurso que pede a extinção do diploma como exigência para exercer a profissão de jornalista.

O primeiro item da pauta do Supremo é o do Recurso Extraordinário (RE) 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) e pelo Ministério Público Federal (MPF). O processo começou em 2002, quando a 16ª Vara Civil da Justiça Federal em São Paulo concedeu uma liminar contrária a obrigatoriedade da formação acadêmica para obtenção do registro profissional de jornalista.

Quatro anos depois, em julgamento de liminar ocorrido no mês de novembro de 2006, o STF garantiu o exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área.

O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, é o relator desse recurso. Seis dos 11 ministros que formam o Supremo, em decisões ou publicamente, já se colocaram contra a obrigatoriedade do diploma.

A primeira decisão, tomada pela juíza substituta Carla Rister, em 2002, foi baseada na “falta de amparo na Constituição Federal”. Para a magistrada, a “formação cultural sólida e diversificada", exigida para o profissional de jornalismo, "não se adquire apenas com a frequência a uma faculdade, mas pelo hábito de leitura e pelo próprio exercício da prática profissional".

Oito meses depois, a juíza Alda Bastos, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, determinou que o diploma voltasse a ser obrigatório. A decisão foi novamente contestada em diversos tribunais, até que em outubro de 2005, o TRF reafirmou a obrigatoriedade do diploma para o registro profissional. No ano seguinte, a discussão chegou ao STF por conta de recurso extraordinário proposto pelo MPF e pelo Sertesp.

A obrigatoriedade do diploma põe em lados opostos organizações que reúnem os profissionais e as empresas de comunicação. O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, diz que defender a necessidade de formação acadêmica é uma “posição histórica” da entidade. Já a Associação Nacional dos Jornais (ANJ), que reúne os maiores periódicos brasileiros, acredita que o diploma é uma barreira contra a liberdade de expressão.

Em artigo publicado no jornal O Globo de ontem (31), e no site da ANJ, a presidente da associação, Judith Brito, afirmou que “essa norma [obrigatoriedade da formação acadêmica], imposta por uma Junta Militar em 1969, no auge do autoritarismo, também agride a liberdade de expressão, já que reserva a um determinado grupo o exercício de uma profissão que tem como matéria-prima a divulgação de informações”.

“Além de cercear a liberdade de expressão, a obrigatoriedade do diploma empobrece o jornalismo, impedindo que talentos de outras origens possam exercer a nobre atividade de informar a sociedade. Tanto é assim que são pouquíssimos os países do mundo, sobretudo no mundo democrático, que têm norma similar, por sua evidente característica corporativista e contrária aos interesses gerais da sociedade”, escreveu.

O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, aponta que as empresas de comunicação exercem uma “grande pressão” sobre o STF para ocorrer a desregulamentação da profissão. Ele acredita que, caso o Supremo derrube a exigência, a profissão passará a ser “um amontoado de pessoas”. “Com uma multidão, é muito fácil abaixar salário, desobedecer jornada de trabalho e tornar mais precárias as condições de trabalho dos profissionais.”

“Estamos lutando pelo direito do cidadão ser bem informado. Será um retrocesso do Supremo, um duro golpe, caso vença essa tese”, disse Andrade. Um dos problemas, se a norma atual cair, é que não haverá qualquer tipo de exigência para exercer a profissão. “Corremos o risco de processados pela Justiça, de traficantes de drogas irem ao Ministério do Trabalho no dia seguinte e pedirem seu registro de jornalista”, alertou.

Andrade acrescenta que um profissional formado e qualificado tem condições maiores de exercer um bom trabalho. “A regulamentação é muito mais do que o diploma. É um certificado social que aquele profissional tem um mínimo de condição de exercer a profissão”, completou. Na tentativa de pressionar os ministros, a Fenaj organizou uma manifestação em frente à sede do tribunal, que vai começar uma hora antes da sessão. Ontem, em todo o país, sindicatos mobilizaram estudantes e profissionais em atos públicos.

Então, com o resultado da votação já previsível, logo mais, está liberado. Todo mundo pode ser jornalista... Não sou uma pessoa radical. Há excelentes profissionais da imprensa que não possuem diploma. Mas há, também, muitos picaretas, aproveitadores, movidos por interesses escusos, que se aproveitam dessa prerrogativa para fazer mau uso da informação. Lamentável.